quinta-feira, 13 de março de 2025

SOBRE AMIGOS ( MUITO) REAIS!

 


Eu saí com lágrimas nos olhos da sessão de terapia. Minha terapeuta só me fez lembrar o óbvio, mas ainda assim, para mim é tão difícil me sentir merecedora! Desde uns vinte anos atrás, mais ou menos, desde o texto do Meu Natal Em Julho, eu sei que criamos um grupo sólido e real de amigos, um dia imaginários, mas sempre muito reais.Foram muitos bifes a parmigiana ( minha mãe nunca me deixa esquecer que eram quarenta e seis bifes em assadeiras nos sofás da minha casa esperando por molho e forno), foram muitos faróis vermelhos ultrapassados para chegar antes do ônibus, foram travesseiros comprados para atender as visitas, foram cajuzinhos sem fim e brigadeiros de perder a conta, pavês de limão na madrugada, amigas chegando na noite sem eu ter nada na geladeira para oferecer, óculos consertado com durex, foram muitas as loucuras que fiz por estas meninas, ainda meninas, enquanto eu, de idade bem mais avançada, já mãe de um quase adolescente, ficava tentando convencer  meu marido que não seríamos assaltados por pessoas que eu só conhecia por computador.

Cada experiência fascinante que eu vivi com cada uma delas e deles!! Brincadeiras, fofocas, micos, risadas sem fim, comilança, choro, fotos que lotariam um pen drive hoje com uma facilidade incrível. E que houvesse assunto que nunca cabia em um encontro só! Decisões profissionais, perdas pessoais, grana, namorados, problemas pessoais, decisões, tudo passou pelos meus ouvidos, de um jeito ou de outro. Eu era a que ouvia, aconselhava, orientava, sem sequer imaginar o quanto eu dependeria de todas e todos eles para parar em pé um dia!

A vida é um moinho, dizia Cartola. E é mesmo! Sem qualquer pudor a vida me fez entender que eu, frente a tantos problemas inesperados precisasse, de um jeito ou de outro de cada uma daquelas pessoas, para conselhos, chacoalhões, ajuda financeira, carinhos, afetos, para me manter em pé!

A família está presente. O filho, a mãe, os irmãos, os cunhados e sobrinhos. Mas é aquele grupinho íntimo, que fez churrasco em dia de copa do mundo na casa do Fabiano, que comemorou aniversário da Marke no Outback, que me levou, combinado com Afonso para Coqueiral para fazer um niver surpresa ( surpresa mesmo  com direito até a chapeuzinho),que me trouxe uma banheira transparente  de sabonetes de presente que está até hoje no meu banheiro, para quem eu fazia bolo de coco molinho no meio porque ela gostava assim, para quem eu queimava a pestana para cozinhar sem leite por causa da intolerância, e quem eu chamava para trabalhar comigo, fazendo loucuras com as crianças e hoje me enche de orgulho pelo tanto que estudou e passou em tantos vestibulares, para quem eu fiz preces para engravidar, entre inúmeros outros causos que não mencionei aqui, são vocês que me fazem levantar pela manhã e seguir em frente. Sério! Sem demagogia alguma!

É quando eu me lembro daqueles memes dizendo que amigo você só reconhece quando tem dinheiro ou influência que eu sei que tenho que levantar pela manhã e seguir em frente. Não só pelo que o meu amado gostaria que eu fizesse, e por ele eu também seguiria em frente. Mas, dadas as circunstâncias, eu preciso de mais. Porque, desculpem a sinceridade, vivendo na casa onde vivemos por quase quarenta anos, onde Afonso está em cada cantinho, fazendo o trabalho que era dele como síndica, sentada na cadeira dele, usando o computador que ele usava para tomar as decisões que ele tomava, ouvindo frequentemente que: com o seu Afonso era diferente..., sinceramente, eu preciso de mais... eu preciso saber que se entrar em pânico eu tenho para quem ligar que não vai achar frescura, eu preciso saber que eu tenho para onde correr, eu vejo vida valendo a pena no sorriso do Vicente ou na graça do Ben, duas das fotos que se entrelaçam na minha cabeceira, junto com fotos do Afonso e do Bruno, porque estes dois meninos me lembram porque estou aqui.

Eu saí sim com lágrimas nos olhos da sessão, lembrando que dois dos meus últimos aniversários eu passei no hospital com o Afonso e um terceiro eu passei com minha amiga, o marido e Vicente, doido pela velinha que brilhava e não apagava. E Afonso se esforçando para parecer não estar sentindo dor, ou vontade de partir....

Este ano, as amigas que moram aqui toparam de primeira almoçarmos fora e depois tomarmos café na casa da mamãe de primeira viagem e Vicente com certeza vai apagar alguma velinha.

Tenho uma amiga, a quem tenho a honra de chamar de irmã há quarenta e cinco anos, a Solange. Somos meio alma gêmeas, mesmo que a gente fique meio ano sem se falar. Ela é um farol na escuridão.  Tenho outros amigos fora deste grupo alucinado do ESFILES a quem eu devo muito carinho e consideração, o Caio, o Javert, o Luis Antonio, o Carlos Eduardo, a Mariana, a Itamara, a Andréa, a Ana Paula, a Graça, a Paty, a Silvinha, a Cátia de Uruguaiana, não vou lembrar de todos, mas cada um do seu jeito, me ajuda a ter um motivo para sair da cama pela manhã. 

E sempre acho que não mereço amigos assim. Amizade é uma via de mão dupla e eu sempre acho que fiz pouco para receber tanto. Minha terapeuta sabe ( e ela vai ler isto) que é o que eu acho.

Todos me ajudaram, de um jeito ou de outro. Não foi apenas uma perda. Foram três anos cuidando com todas as minhas forças do homem que eu amo. Dedicando toda a atenção possível àquele que foi meu companheiro maior, nos bons e principalmente nos maus momentos. Fazendo tudo o que eu fiz e faria mais mil vezes de novo, porque ao contrário do que muitos podem pensar, ele era minha paixão e fez tudo o que podia por mim. Não é pouca coisa, nos dias de hoje, dizer que tive um ótimo casamento, com um marido maravilhoso e que me faz falta todos os dias.

Então, sim, eu me pergunto porque tenho os melhores amigos. Os de muito perto, os mais distantes, os que ajudaram me levando um Big Mac à meia noite no hospital porque eu não tinha saído para comer (nunca vou esquecer disto garota, você sabe quem você é), os que deixavam mensagens que eu não conseguia responder, os que me ajudavam com a sopa dele quando eu não dava conta, nossa, não dá para enumerar tantos agrados e ajudas.

As orações, ah, as orações! Juro que podia sentir as orações como algo palpável no quarto quando mais precisei delas. Em qualquer que fosse o credo, eu as senti. E elas mantiveram  o Afonso ao meu lado por mais três anos, disto tenho absoluta certeza.

Não sei explicar isto. Merecer tantas bençãos por ter amigos tão verdadeiros. Não se trata de sair bem na foto. Se trata de estender a mão quando me encontrei em um abismo.  E eu tive isto mais do que qualquer ser humano possa desejar. Mesmo que eu ache que minha conta está no vermelho com tanta gente eu faço minha prece e agradeço. Se não foi nesta vida, em alguma vida devo ter merecido tanto apoio. Só posso agradecer. Mil vezes agradecer. E pensar em formas de retribuir ao mundo todo o carinho que me cercou nos últimos quatro anos. Deus permita que eu consiga! 

Obrigada a cada um, em especial àquela turminha que se escondia atrás dos carros com o saleiro e um guardanapo na mão. Vocês sabem do que estou falando! E um enorme obrigada á minha família, meu filho @Bruno e a querida @Carla, que nunca me faltaram!

Amo todos vocês! Do fundo do me coração!


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