sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O TEMPO EM NOSSAS VIDAS

Tive uma semana cheia, com a maioria das pessoas. E como a maioria das pessoas nesta foto. Mas, entre elevadores quebrados, portão sem funcionar, orçamentos de proteção elétrica para evitar invasões e reuniões com o advogado,esta foto não me saía da cabeça. O encontro com estas pessoas também não. Sendo bem sincera, eu não esperava estar neste encontro. Há mais de um mes havia decidido não ir nem no sábado, nem no domingo. Eu ainda choro com facilidade e não queria ser motivo de baixar o astral de amigos tão queridos. Ainda não superei as perdas que vêm se acumulando desde o falecimento do Afonso e achei que seria mais um incômodo do que uma presença agradável. No entanto, algumas ótimas amigas me deram vários puxões de orelha e eu as agradeço por isto. O resultado é que não chorei na presença de ninguém ( no banheiro não conta), não acho que estraguei o dia de nenhum amigo e tive o presente de estar com algumas das pessoas que formam minha verdadeira rede de apoio. Falamos sobre o que mais amamos, filmes,séries, o dia a dia, o ensino no Brasil (vários professores), a inteligênia artificial, política, passado, futuro. Falamos sobre as crianças, pois agora há duas no nosso grupo, sobre o quão é inaceitável o racismo, a homofobia, a misogenia, entre outras coisas tão inaceitáveis quanto. Foram dois dias incríveis. No dia seguinte dividi meu fim de semana e a tal foto do grupo com meu filho, minha mãe e minha cunhada, que por acaso, também tinha viajado para encontrar amigos de longa data. Mas, a tal foto ficou na minha cabeça por dias e, embora eu já tenha falado disto por aqui alguma vez, resolvi escrever sobre ela. A foto reflete quase vinte e cinco anos da minha vida. Eu mesma comentei isto no dia, quando nos conhecemos eram muitos jovens e eu era uma velha porra louca que caiu de paraquedas no grupo. Nem todas as pessoas que eu amo estavam presentes, por questões de logística. Os encontros sempre são aqui em Vitória ( desta vez, sábado foi em Vitória e domingo na Serra), porque deslocar uma pessoa é sempre mais fácil e barato do que deslocar seis, sete ou dez. Mas, senti falta da Thaís e do Zé, da Larissa,da Graci, da Rosely e do Marcio, da Gisela, da Kátia, do falecido e querido Max e do Léo e até de alguns que se desgarraram, como a Cynthia e a Marcília.Afinal, independente ds seus modos de pensar, elas fizeram parte de toda esta história. Devo ter esquecido alguém, estão me perdoem. Esta história tem muita gente, muita coisa aconteceu, e meus meninos cresceram, se formaram, arranjaram bons trabalhos, casaram, separaram, tiveram filhos e trouxeram para nosso grupo o Jordano, a Keyse, o Zé,a Sarinha, o Vicente e o Ben, salvo se eu estiver esquecendo alguém ( provavelmente estou). Não é para enumerar amigos que estou escrevendo este texto. Está mais para descrever uma espécie de fidelidade. Um grupo que se conhece há quase vinte e cinco anos ( ano que vem, se ainda estiver viva e neste prédio quero comemorar bodas de prata com meus cajuzinhos, viu Veronica!), que sempre esteve presente nos bons e nos maus momentos, nas alegrias e nas dores, um grupo com consciência social, daqueles que dá vontade de ouvir conversar, explicar,debater. Eu aprendo sempre ouvindo cada um deles contar alguma coisa, e mesmo que eu não concorde, ainda assim, posso dexar minha opinião sem ser linchada. Este é o mesmo grupo de quinze ou vinte anos atrás, de quando eu escrevi aqui mesmo neste blog "Meu Natal Em Julho", falando da família que eu tinha escolhido para comemorar meu Natal em uma época pouco comum. Eu olho para trás com tanto orgulho! Eu errei em muitas coisas nesta vida, mas não errei quando escolhi amigos para o meu Natal, este ano em Setembro.
Estas pessoas representam o que eu gostaria que fosse a sociedade, elas não tem vida fácil e não romantizam isto. Mas, nunca se esquecem do próximo, porque de uma forma louca, foram o próximo um dia em suas vidas. Então, de alguma forma ainda se importam. Alguns deles vão ler isto e dizer que não, vão bancar os durões, mas naquela turma só tem casca grossa com coração de marshmallow. Provavelmente por isto eu os ame tanto ( e aqui estou incluindo os não presentes também). De alguma forma eu sinto que faço parte de uma linda história de pessoas que resolveram se tornar presentes umas nas vidas das outras. Seja odiando C.Carter,admirando Vince Gilligan( que esta na moda, ganhou por Wyndows Bay), seja porque mesmo eu querendo me afastar da política eu ainda ouço vocês, ou porque vocês falam de educação, tema que me é caro, pois tenho um filho professor, seja porque amo a ideia de ver a família crescer através das crianças, seja porque cada um de vocês tem sempre uma palavra ou um gesto para mim nas horas escuras, seja porque cada um sempre faz alguma coisa que me dá orgulho ou por tantos outros motivos.
E assim, mais rápido do que eu gostaria, passou-se o final de semana que eu pensei em ficar sozinha em casa. Ainda bem que tenho amigas que me fizeram mudar de ideia. Nem ver meu time perder ao lado do meu flamenguista mais amado me incomodou ( bom, perder é um verbo que o corinthiano sabe conjugar direitinho, graças àquela diretoria maldita). Sabem, quando a gente vai envelhecendo, tudo na vida vai sendo colocado em perspectiva. Quandoalguém falou em leis de trânsito - nem lembro mais o assunto, me lembrei na hora do quanto eu era ousada dirigindo, brigando na rua com Deus e o mundo. Me chamaram uma vez de Scully. Depois, ponderando, passei a dirigir mais cautelosamente, até vender o carro e andar de passageira em ubers da vida. Lembrei-me também do marido incrível que eu tive que compactuava com todas as minhas loucuras. A primeira vez que convidei amigas virtuais para dormir em casa ele disse para meu filho: prepare-se, vamos ser assaltados ( em tom de brincadeira). Quando eu saía para buscar ou levar uma amiga ele dizia: me dá um beijo, vai que você vai parar um Nárnia sem perceber ( sim, fui eu que expliquei o que era Nárnia para ele). Quando a gente ia no apartamento dos pais do Fabiano para um churrasco ele dizia: tem carne e cerveja? Claro que vou dar os parabéns para o Fabiano! Vamos comprar um presente legal! Meu marido era o membro oculto do grupo. Embora poucos o vissem, participava de tudo. Ajudava a fazer bolo, pudim e até a colar imã de geladeira do AX do lado do Fábio(apesar de naquele dia pensei que ele fosse pedir o divórcio, kkk). Tantas lembranças, meu Deus, daria um livro, ou quase isto! ( lembrei agora do dia que o Bruno viu a Marke brincando de Amy Winehouse, do dia do cinema fechado só para nós assitirmos com exclusividade o filme do AX, do recado que deixamos no carro com o adesivo). Sim,temhistória para escrever umm livro. Mas, me contento em apenas não esquecer estas deliciosas memórias. Fazem parte da minha vida e da de vocês. O tempo passou, não acho que vamos brincar de mímica tão cedo, ninguem vai cantar Firework e imitar a Kate Perry e tão pouco empunhar um saleiro e um guardanapo para reproduzir uma cena de filme.Estoupronta para criar novas memórias em torno de uma mesa discutindo tudo o que se discutiu,vendo o Ben e o Vicente comendo massa de bolo crua no pão duro dado pela Keyse na bocadeles e imaginando um suposto tiroteio no Supremo. Além de entender que meus bifes a milanesa agora provavelmente serão substituidos pelos churrascos capitaeados pelo querido Fabiano. As coisas na vida mudam e você se adapta ou morre. Por esta tropa eu prefiro me adaptar. Que venham os próximos encontros, desta vez com todo mundo!!!! Amo vocês!!!!

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