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terça-feira, 11 de novembro de 2014
How To Get Away With Murder S01E07: He Deserved To Die
Há uma conhecida citação de Robert Frost que diz: “ Um júri é um grupo de pessoas escolhidas para decidir quem tem o melhor advogado!”. Neste episódio não houve um júri, mas com certeza houveram vários advogados dando o melhor de si.
Em um episódio onde o caso da semana foi o apenas e tão somente o próprio plot da série, o destaque ficou por conta de quem conseguiu obter maior vantagem jurídica dos acontecimentos. Pudemos, desta forma, conhecer mais alguns detalhes do assassinato de Lila e da vida pessoal de Annalise.
O advogado de Griffin ( Greg Germann, o eterno Richard Fish de Ally McBeal nos anos entre 1997 a 2002) entra com um pedido de nova autópsia em Lila, justificando que foram agora encontrados sinais que poderiam ser marcas de unhas e, uma vez que como esportista seu cliente tinha as unhas sempre cortadas rentes ( ?? ), seria provável que em novo exame pudesse se apurar de quem seriam as unhas ( em nítida tentativa de incriminar Rebecca). Neste ponto Keating esclarece ao seu time ( para que nós saibamos) que peritos podem ser “contratados” e podem dar laudos de acordo com o desejo de seu contratante, tática esta que ela define como “corrupção”.
É neste ponto que a promotora se faz de amiga e parte interessada, dando a Annalise a dica de que o tal perito a favor de Griffin era conhecido por seus depoimentos duvidosos, em geral, sempre a favor do advogado que o convocava. Eis aí uma coisa que questiono. Será que uma advogada tão escolada como ela nem consideraria a possibilidade de estar sendo manipulada pela promotoria? Alguém com sua experiência deveria esperar que a promotora não lhe faria gentilezas apenas porque foi com a cor dos seus olhos. Achei muita ingenuidade de Annalise, pois qualquer um com um pouco de malícia perceberia o clichê, enfim…
Outra cena desnecessária para mim foi Keating voltar a pedir a ajuda de Nate. Às vezes acho que entre as trapalhadas do marido e as patetadas com o amante ela não tem qualquer amor-próprio. A cena apenas serviu para termos certeza de que Nate nunca a perdoou por ter sido traído por ela ( o que fez com que ele perdesse o emprego) e está fazendo de tudo para assistir de camarote a casa cair e ela dançar de vez.
Como parece que tudo acaba girando em torno de ( não necessariamente consumado, eventualmente apenas uma boa cantada) nossa protagonista manda os meninos à luta em um bar para flertar e assim, arrancar informações sobre a ação da promotoria. E é desta forma comum ( onde alguém sempre fala mais do que é permitido) que eles descobrem um acordo velado entre a promotora e o advogado de defesa de O’Really, de forma a isentar o rapaz e conseguir uma condenação para Rebecca. Em mais um procedimento questionável Annalise dá a entender a Rebecca que se ela vazar alguma coisa sobre o outro acusado isto pode favorece-la. E, assim, Rebecca deixa “escapar” que teria sido estuprada por Griffin, descumprindo a ordem de sigilo, mas, ainda assim, obrigando a promotoria a desfazer o acordo com o advogado do rapaz.
Nate neste ínterim aborda Rebecca e pede à moça que o ajude a condenar Sam pelo assassinato de Lila. Enquanto isso Bonnie informa Annalise que a nova autópsia teria identificado as marcas no pescoço de Lila como sendo picadas de formiga e, que, a autópsia anterior deixara passar o fato de que Lila estava grávida de seis semanas. Sabendo que hoje se pode fazer exame de DNA do cordão umbilical, tanto Sam como sua esposa devem ter gelado com a informação.
Outras considerações:
§ Não deu para não rir ao ver Asher agarrado ao troféu respondendo a perguntas durante a aula. Seu personagem, cada vez mais bem construído, vai do ingênuo ao patético no episódio sem qualquer dificuldade e de forma verossímil. A sua infantilidade em acreditar que a posse do troféu seja de fato uma enorme recompensa pelo seu empenho beira o ridículo.
§ Seu quase desprezo por seus alunos, leva Annalise a confessar que já fez ( um?) aborto.
§ E o que dizer da cara de Michaela ao descobrir que sua entrevista não era de emprego e sim, para assinar um acordo pré-nupcial ( gente, eu sou tolerante com as licenças poéticas, mas que raio de noivo não avisa sua futura esposa sobre o assunto?). Só eu achei absurdo ela ir até o advogado sem saber sobre o que se tratava?
§ Depois de dormir com Rebecca, Wes, entre outras confidências sem importância conta à namorada que mãe suicidou-se quando ele tinha doze anos. Achei que esta informação pode esclarecer um pouco da personalidade protetora do rapaz, não apenas em relação à Rebecca, mas como um todo.
§ Laurel e Kan, Laurel e Frank. Quem no final das contas vocês acham que vai se dar mal na brincadeira da menina? Eu aposto em Kan curtindo uma dor de cotovelo….
§ Outra cena meio gratuita no episódio foi Connor voltar a procurar por Olive depois de transar com Julien no banheiro de um bar. Como são muitas estórias paralelas acontecendo ao mesmo tempo, não há oportunidade para aprofundar muito cada estória e só podemos deduzir que, ao transar com seu antigo caso, Connor sentir falta de algo mais profundo.
§ O episódio teve dois momentos impagáveis:
- a veia cômica de Asher, inconformado com a facilidade com que Connor é assediado sexualmente, rendendo o seguinte comentário: ( para Connor): “- Você esquece o nome dele e ele quer transar com você? Você tem o quê? Um pênis vodú?” ( E, em seguida para Michaela que acompanha a cena) “- Ah, eu odeio não ter nascido gay…” e,
- a personalidade forte e decidida de Annalise, respondendo à promotora que a manda rezar para que as unhas no corpo exumado não sejam de sua cliente: “- Rezas são para fracos. Acabarei com você no tribunal!”.
De forma geral foi um bom episódio, com boas interpretações. Vamos aguardar para saber o quanto a de Lila irá comprometer Sam e ver até onde Nate consegue levar as evidências a fim de vingar-se de Annalise, entre outras coisas.
E vocês, o que acharam do episódio? Deixem seus comentários!
Até a semana pessoal!
How To Get Away With Murder S01E06: Freakin’Whack-a-Mole
Este episódio poderia ser definido com o popular provérbio: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faça…
O caso da semana serviu como um contraponto para medir o peso da retidão humana quando é o seu que está na reta. Annalise Keating tem uma última oportunidade de salvar da pena de morte um condenado que, mesmo após vinte e um anos de cumprimento da pena, continua alegando inocência. Ela recruta seu time Five Keating, além de contar com a ajuda de Bonnie e Frank, para encontrar uma brecha, uma abertura que possibilite provar que David Allen é inocente.
As coisas já começam a ficar estranhas quando o time descobre que o juiz do caso havia sido o pai de Asher, Willian Millstone. que o rapaz não gosta nada da coincidência e é solenemente ignorado por sua mentora quando a questiona sobre o assunto.
Durante o caso, Annalise mostra-se visivelmente irritada e abatida e tem motivos para isto. Wes a pressiona para que se faça justiça no caso de Rebecca, uma vez que ele já sabe do envolvimento de Sam com Lila, a moça assassinada. Com a promessa de trazer Rebecca de volta e defendê-la de forma isenta, a advogada ganha um tempo, fazendo com que Wes volte a se concentrar no caso. Ela chama Frank para resolver o problema de Rebecca e apenas ao final do episódio saberemos o que ele fez.
O que presenciamos é uma corrida contra o tempo, onde Laurel, Michaela, Connor, Asher e Wes refazem todos os passos do julgamento anterior, e se encarregam de interrogar o advogado que fez a defesa, o antigo promotor do caso, a testemunha ocular, e assim sendo, algumas teorias começam a se formar.
Asher, em uma conversa informal com seu pai o confronta de forma apaixonada, querendo crer que o homem que ele tinha como ídolo não teria alavancado sua carreira às custas da morte de um homem inocente. O silêncio do juiz dá a Asher a resposta que ele precisa e em troca do troféu e da garantia de que o nome de seu pai ficará de fora das investigações, o estudante entrega todo o serviço a Annalise.
Com esta informação em mãos fica mais fácil para que se identifique um caso de compra de testemunha que irá culminar com a condenação de Allen, evento este que ocultaria o verdadeiro motivo do assassinato: eliminar Trisha Stanley, pois era ela a representante de uma causa popular contra um agora senador endinheirado que forçou o despejo de dezenas de moradores para a construção de um grande shopping no local.
Com base em um caso ainda circunstancial, mas que levanta sérias dúvidas quanto à situação da testemunha ocular, Keating consegue, além da abertura de uma investigação contra o senador, o cancelamento da sentença contra David Allen e a impossibilidade dele ser julgado novamente pelo mesmo crime. Na prática, Annalise e sua equipe devolvem a liberdade ao acusado.
É muito interessante notar o alívio evidente da advogada quando da liberação da nova sentença. Ela realmente acreditou todo o tempo na inocência de seu cliente e mostrou-se comovida e grata com o resultado. Resultado este que só fora possível porque o sistema fora corrompido, porque uma testemunha fora comprada, porque, em suas próprias palavras no início do episódio: “ A justiça não recompensa a verdade, mas quem tem o poder para produzi-la”.
Tudo isto seria muito louvável, não fossem as cenas ao final do episódio. Não bastasse tentar proteger seu marido da exposição e posição investigação de assassinato, Annalise produz e serve sua própria cota de veneno, quando pede a Frank para plantar o de Lila no carro de O’Reilly, tornando- o assim, o único e principal suspeito. Desta forma, ela resolve o problema de Wes, pedindo que a Rebecca volte e assegurando-se de que ela não será incriminada. Sendo assim, aquele minha primeira observação, lá na primeira review que fiz da série se mantém. Para quem não leu ou não se lembra, mantenho minha opinião: “Advogados são profissionais tradicionalmente controversos, que vivem em um mundo obscuro onde o bem e o mal ganham contornos comprovadamente discutíveis. À mercê das leis, são conhecidos como personagens que contorcem argumentos até que eles se encaixem adequadamente ao interesse de quem por eles são defendidos”. Ou, em outras palavras, toda a indignação que moveu Keating a agir com tanta sanha para defender Allen, desfez-se em minutos no momento em que ela se utiliza de recursos tão sujos quanto, para defender Sam e Rebecca. E que Deus nos abençoe e nos proteja dos advogados……
Seguindo o estilo Shonda Rhimes de escrever ( embora HTGAWM seja apenas produzida por ela e não escrita ), continuamos tendo romances inusitados acontecendo aqui e ali. Desta vez foi Asher dormindo com Bonnie e chega a ser cômico a moça ser questionada se estava dormindo com Sam, enquanto estava com outro homem. Diga-se de passagem, não poderia haver parceiro mais estranho para Bonnie. Asher é infantil, imaturo e beira o irresponsável, contraponto para a Bonnie, a essência da eficácia.
Aliás, comentando sobre Asher, é preciso destacar que Matt McGorry deu conta do recado em um episódio escrito para ser seu. Na review passada eu havia comentado sobre ele ter que dar conta de um episódio com uma responsabilidade maior sobre o seu personagem e isto veio antes mesmo que eu imaginasse. Matt consegue dar um tom inconsequente e meio cômico a um Asher mimado e mal acostumado, meio sem noção da realidade que o cerca. Mas quando lhe foi exigida a emoção necessária, com seu pai e no tribunal, ele aproveitou a chance e cumpriu seu papel. O mesmo ocorre com Lisa Weil, que em um papel de certo destaque consegue tirar água de pedra, mostrando sua face rígida, vez por outra quebrada pela emoção, como na leitura da sentença final.
Outras considerações:
§ Só eu fiquei incomodada com a displicência de Frank ao plantar o celular no carro de O’Reilly em uma rua movimentada no meio do dia? Um cara experiente como ele?
§ De novo, só eu já não aguento mais a moeda subindo e a líder de torcida descendo nas cenas em flashforward? Eu entendo a intenção de ir complementando a ação até chegar à sua completa execução, mas acho que eles poderiam neste momento liberar um pouco mais de informação sobre o plot principal. Neste episódio, como nos anteriores soube-se muito pouco sobre a morte de Sam e os roteiristas poderiam ser um pouco mais criativos nesta área.
§ É necessário comentar acerca da fotografia. Com uma iluminação intimista nas tomadas dentro do escritório/casa de Annalise, cria-se um ambiente claustrofóbico, fechado, que valoriza a competição entre os alunos, o clima de sobrevivência que mantem o grupo ativo.
§ Bem, eu sei que a competição é necessária, mas às vezes me parecem muito imaturos. A picuinha entre eles, as excessivas reclamações, o mimimi sem fim me deixa uma impressão meio exagerada de todos eles.
§ Eu vou me tornar repetitiva aqui, mas há que se fazer um comentário especial sobre a interpretação de Viola Davis. Ela arrasa em todas as cenas em que se faz presente, conferindo à sua Annalise uma complexidade existente em qualquer ser humano. Sua personagem é uma rocha, que se torna uma fera ao enfrentar seus adversários no tribunal, mas com a mesma facilidade ela se desmonta e se fragiliza nos momentos mais contundentes, em geral, quando está sozinha e pode despir-se de uma coragem forjada para impressionar e mantê-la em pé. E a sua cena final resume toda esta fragilidade.
E vocês, o que acharam do episódio? Deixem seus comentários!
Até a semana pessoal!
How To Get Away With Murder 1×05: We’re Not Friends
Aos poucos How To Get Away With Murder vai adquirindo novos contornos. Embora não se tenha tido um grande número de informações novas sobre como os alunos se envolveram no assassinato de Sam, outros fatos, agora envolvendo o assassinato de Lila começaram a ser discutidos e, é quase certo que ambos estejam ligados.
Mas convenhamos, o grande trunfo da série continua sendo o incrível desempenho de Viola Davis, que confere à sua Annalise uma gama variada de sentimentos e atitudes que provavelmente prenderia nossa atenção mesmo com um fraco roteiro. O show é dela. Sempre. Seja ao saber que seu amante mentiu e que ele a odeia, seja emboscada por Wes, tentando esquivar-se de ter que falar sobre o que fazer com o que encontraram, seja em confronto direto com Sam, no desgosto da certeza de ter sido por ele traída ou na incerteza de saber se ele matou ou não Lila. Viola é um camaleão. A personagem finamente desenhada para dominar em campo ( no tribunal) o que não consegue controlar em sua vida particular ganha o reforço estético de maquiagem e peruca, que de forma inteligente cria a metáfora de uma armadura, envergada no campo de batalha. Não por acaso, ela enfrenta seus demônios despida dos artifícios. Em confronto com o marido ou acuada por Wes quando desmascarada ao final do episódio, sua Annalise encontra-se enfraquecida e desguarnecida de argumentos para ampará-la. E, , tudo isto é em grande parte mérito da atriz, que abandona pudores para tornar crível sua personagem.
Esta semana tivemos um filho que mata o pai, policial apoiado pela corporação, que, segundo as suas palavras e de sua mãe, cometia frequentemente agressão física e psicológica contra os mesmos. Em aula com a professora Keating, aprendemos que, em um caso assim, resta apelar pela escolha de um júri que os favoreça emocionalmente, já que não dá para negar o crime. É aí que eu provavelmente tenha mais dificuldade em entender argumentos, pois entendo muito pouco de leis. Não sei se é artifício dramático ou realidade, mas não entendo como um caso que poderia acabar em pena de morte se transforma em penalidade cumprida com cestas básicas ou coisa parecida, apenas com uma informação fornecida pelo júri (que se entendi bem, ficou sabendo que poderia julgar, não levando em consideração a lei, mas o sentimento de justiça). Sei que muita gente nem liga bem para o funcionamento do caso e sim o impacto criado com a reviravolta, enfatizando a eficácia e brilhantismo de Annalise e sua equipe, mas eu ficaria mais satisfeita com uma explicação um pouco mais coerente ( em The Good Wife temos reviravoltas jurídicas imensas, mas sempre mais convincentes, tornando a ação mais plausível para o telespectador).
Pode ser que a geração videoclipe até goste, mas para mim já deu aquela imagem da moeda subindo e da membro de torcida caindo para o colo de alguém, com outros takes curtos do crime e fuga dos alunos. Eu sei que ao final, na elucidação do caso a imagem ficará linda e completamente preenchida, mas para mim sempre fica um gosto de agora vem algo importante e o que vem é uma informação pouco relevante. A única coisa nova realmente tem sido o desenho feito em cima da personalidade de Laurel, o que para mim já era meio óbvio. A surpresa ( nem tanto) ficou por conta de Rebecca ter identificado Sam pela foto ( isso era evidente, só surpreendeu pela forma que foi feita – o papel de parede). Como eu disse antes, a mesma cena feita por outra atriz menos abençoada em talento teria tido efeito menos surpreendente. Espero apenas que os episódios parem de depender tanto apenas de Viola e outros intérpretes e apresente um pouco mais em conteúdo.
Outras considerações:
§ Lisa Weil é uma atriz surpreendente. Da histérica interpretação de Paris, a melhor amiga de Rory Gilmore até a construção de Bonnie, cujo trunfo são os “olhares e silêncios” constantes em sua atuação que funcionam mais que mil palavras, ela demostra evolução e amadurecimento esperados por alguém de sua idade.
§ Matt McGorry continua sendo um enigma. Por enquanto, seu personagem não tem quase sido desenvolvido, então não dá para ter certeza, mas não sei se o ator segura uma subida de categoria. Para mim o ator é fraco, inexpressivo e, embora não esteja se exigindo demais dele até agora, temo porque o acho fundamental para a estória. O que foi ele tentando esboçar emoção diante da anulação de caso e do discurso de Annalise para o seu cliente?
E vocês, contem-me o que acharam do episódio?
Até a semana!
How To Get Away With Murder 1×04: Let’s Get To Scooping
Fazendo uso de uma montagem tão ou mais ágil que a dos episódios anteriores, o episódio parece ter encontrado finalmente um equilíbrio entre o presente, o passado e o caso da semana. Com atuações excelentes, cenas emocionantes e esclarecendo mais algumas coisas que vão se agrupando como em um enorme quebra cabeças, este foi um episódio digno da assinatura de Shonda Rhimes em sua produção.
A grande preocupação de Annalise é descobrir como e porque Rebecca gravou um vídeo admitindo-se culpada por matar Lila. Com a advogada de defesa negando-se a ceder tal gravação e uma altíssima fiança estipulada pelo juiz, Rebecca continua presa. Apenas quando conversa com a moça, a advogada entende que, quando Wes disse a ela que O’Reilley iria culpa-la, ela meio que entrega os pontos e diz qualquer coisa que os policiais a induzem a dizer.
Envolvido pessoalmente no caso, Wes fica proibido de atuar na defesa da moça. A advogada incumbe Bonnie de conseguir uma cópia do vídeo da confissão, sabendo que esta será uma missão difícil de cumprir.
Enquanto os estudantes estão envolvidos com uma prova difícil pela frente, surge o novo caso da semana. Uma cliente antiga de Keating, dona de uma corretora de seguros é acusada de usar informações privilegiadas para comprar ações de uma empresa farmacêutica e com isto obter lucro ( é familiar para alguém aí?). Marren Trudeau nega-se a acreditar que a informação tenha sido usada por algum funcionário para prejudica-la e com isto os estudantes vão à caça de depoimentos de vários deles para chegar a uma conclusão ( contrariando orientação da própria Maurren).
Que os métodos usados por advogados são famosos em geral por não serem sempre os mais dignos, isto é senso comum, mas o roteiro vai além, fazendo uso de chantagem e para fazê-los atingir seus objetivos. É Connor que usa de seu poder de sedução para conseguir uma gravação que acabará levando-os aos criminosos e a uma atitude extrema de um dos envolvidos: seu suicídio, na frente de todos, que impotentes, amargam e ponderam as decisões que levaram a tal desfecho trágico. Além disto, tal gravação também resultará em Oliver descobrir a traição de Connor e romper com ele.
Por outro lado, Bonnie não pensa duas vezes em usar o amante e o marido de sua chefe para chantagear o detetive e conseguir uma cópia da confissão de Rebecca. Bonnie diz a sua chefe que conseguir a gravação através da defesa, mas nós já podemos prever problemas para Nate, a quem acusou de estar investigando Sam, e uma hora isto vai acabar vindo a tona.
Com relação à morte de Sam também ficamos sabendo que Asher não estava presente no crime, mas que sabia que Connor estava no escritório na hora do crime. Vemos a cena em que eles saem de carro em busca de combustível para queimar o corpo, enquanto Connor desfila todos os motivos para o crime ser descoberto: Asher saber que eles estavam lá naquele horário, um policial testemunha ( que deverá surgir mais para a frente), DNA através de digitais, cabelos e fibras do tapete em seu carro. Além das câmeras de trânsito que podem indicar sua rota. Michaela parece incapaz de reagir e ainda dá por falta de seu anel de noivado. Também descobrimos que Wes chega à floresta depois dos outros porque teria ido por Rebecca em segurança.
Depois de provar ao juiz que o depoimento de Rebecca fora manipulado, o mesmo diminue a fiança e a moça passa a responder processo em liberdade. O juiz também pede investigação sobre os motivos de coerção de Rebecca.
Como não fossem emoções demais para um único episódio, descobrimos finalmente o que havia no de Lila e é Wes quem o entrega a Annalise: com toda a classe e desfaçatez possível, a advogada engole em cego ao ver que no celular existem fotos de seu marido nú.
É então que uma grande atriz transforma uma cena importante em uma cena memorável. Na solidão de seu quarto, sabendo que irá confrontar Sam assim que ele chegue, ela vai aos poucos desmontando a personagem que vive em seu dia a dia, de mulher forte e inabalável, que ao despir-se dos artifícios que usa para reforçar sua imagem, a peruca, os brincos, a maquiagem, vai se aproximando cada vez mais da mulher frágil, traída e amargurada que realmente é. Viola Davis não se priva de abandonar a vaidade para dar à personagem as cores de uma tragédia anunciada.
Alguém aí conseguiu piscar durante o episódio?
Até a semana pessoal!
How To Get Away With Murder 01×03: Smile… Or Go To Jail
Aos poucos, vamos recebendo mais informações sobre cada um dos membros do time formado pelos alunos de Annalise. Com relação ao crime por eles cometido já ficamos sabendo que Rebecca teria atingido Sam na cabeça e que os demais alunos deveriam estar presentes no momento do assassinato ( com exceção de Asher). Isto nos leva a crer que em algum momento durante a acusação de assassinato de Lila, Rebecca teria cruzado com Sam e eventualmente se envolvido com ele. O grupo também lembra-se ao tentar livrar-se das provas de que a enorme fogueira que ardia na praia durante a festa na universidade deveria ser seu melhor álibi, portanto não deixa de ser irônico que em um momento tão difícil eles tenham que voltar à festa e tirar várias fotos como forma de sustentar que eles estavam se divertindo muito com os amigos todos reunidos no mesmo local.
Keating é chamada pela reitoria da Universidade a defender Griffin O’Reilly, estudante e jogador, filho de pai rico e influente que conta a eles a sua versão dos fatos, dizendo que havia tido relações com Rebecca e que esta matara Lila. Em razão de uma atitude nada elogiável de Wes, que falsifica uma carteira de advogado para ter acesso a Rebecca, e com um discurso de defender os menos favorecidos, a advogada é fisgada pelo desafio de defender a moça, que ao final do episódio descobrimos já ter assumido sua culpa em depoimento em vídeo.
Quanto ao caso da semana, Annalise é chamada a defender uma esposa pega oferecendo favores sexuais em público, mas logo o caso ganha desdobramento e todos irão descobrir que a esposa Paula Murphy, no passado respondendo pelo nome de Elena Aguilar era procurada pela polícia por homicídio. A acusação referia-se à explosão de uma bomba em 1994, em um protesto antiglobalização, onde todos os envolvidos já haviam cumprido pena, menos ela.
É interessante a analogia que o roteirista faz entre a esposa entediada que descobre sentir falta da adrenalina que o julgamento traz de volta e a própria advogada, que sente-se presa em um casamento sem amor, sem emoção e cuja suspeita de traição a faz procurar pelo próprio amante para saber se seu marido poderia estar envolvido na morte de Lila. E, ao final, a grande diferença entre as duas mulheres: a acusada, que deixa marido, filhas e uma vida de conforto para trás e foge com o mentor do crime, anistiado de sua pena por depor contra ela e Annalise, na de uma aliviada esposa e profissional ao saber por seu amante que Sam tinha álibi sólido para a data do crime de Lila. Apenas o telespectador fica sabendo que na verdade o detetive Nate atestou exatamente o contrário, que Sam nunca estivera onde alegara estar e não tinha qualquer álibi para o dia do assassinato da aluna. Fica para nós imaginarmos que a contradição de informações é cortesia de um homem ferido que sentiu-se usado e quer vingar-se.
É claro que a partir daqui deveremos ter mais e mais informações sobre como o assassinato de Lila levou os alunos ao assassinato de Sam, mas já dá para inferir também, que nada será exatamente o que parece.
Até a próxima, pessoal!
How To Get Away With Murder 01x02: It’s All Her Fault
A história é feita por aqueles que quebram as regras!” ( Homens de Honra – 2000 – dirigido por George Tillman Jr , com Cuba Gooding Jr, Robert deNiro e Charlize Theron).
Assistindo a esse episódio de How To Get Away With Murder, muitas frases inesquecíveis de filmes de tribunal me vêm à mente, mas uma em especial se destaca para resumi-lo. Quebrar regras parece algo normal na prática de direito. Ao menos assim nos faz crer “It’s All Her Fault”.
O show segue a linha inicial com três plots: o caso da semana, o assassinato de Marjorie St Vicent e a vida atribulada de Annalise que mistura-se direta e indiretamente ao caso do assassinato de Lila Stangard e que deverá ser o arco da série pelo menos até seu final de temporada. O caso dos pupilos da professora que assassinaram seu marido, em minha opinião irá ligar-se em futuro próximo ao caso da aluna encontrada na caixa d’água.
Enquanto ensina em sua aula conceitos essenciais na defesa de um caso, podemos ver tais conceitos em ação durante o julgamento de Max St Vicent, o marido acusado de matar Marjorie e objeto de defesa de Annalise e seu selecionado grupo de alunos. Durante o julgamento me veio a frase citada acima. Sob seu entusiasmado incentivo, Wes e seus amigos quebram todo tipo de regra (desde hackear o computador de uma testemunha até chantagear um homem para que ele torne-se o álibi para o réu) e distorcem os princípios básicos de acordo com seus interesses. Neste ritmo dá até para imaginar quantos preceitos irão transgredir até o final da temporada. Está certo que ficamos sabendo ao final do episódio que Max de fato não matou sua segunda esposa (menos mal, já que ele havia assassinado a primeira), mas a professora Keating deixa que todo cliente mente e em Direito Penal não há limites para inocentá-los ( diga-se de passagem, seja o cliente inocente ou não). Não que Annie defenda a prática de um crime para defender outro, mas é justo dizer que ela torna pouco visível a linha que separa a moralidade do que é imoral ( a chantagem com o homem que acaba tendo que testemunhar que viu Max na rua ilustra isto muito bem).
Por outro lado o episódio explora muito bem a de uma mulher brilhante profissionalmente, mas cheia de inseguranças pessoais, tanto quando tem que lidar com seu amante que a dispensa, quanto ao seu marido, de quem desconfia que a teria traído com a aluna assassinada. Mais do que a preocupação de que seu marido seja um assassino, as abordagens de Annalise deixam claro que a possibilidade de ser traída a enlouquece ( primeiro porque não seria a primeira vez que seria traída por ele, de acordo com o que ela dá ao entender, segundo que como ela própria comete traição, fica difícil confiar que seu marido não esteja fazendo o mesmo que ela faz – sempre somos levados a crer que qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa que nós também fazemos).
Estabelece-se então uma espécie de contraponto onde a brilhante professora de Direito Penal torna-se invencível em seu palco de atuação, mas uma mulher vulnerável em sua quase solidão, que demonstra um fracasso pessoal, uma vez que não consegue ter um relacionamento sincero ou verdadeiro nem com seu marido, nem com seu amante.
Para muitos deve ter surpreendido a pessoa protegida por Wes ser Rebecca ( vi muitos comentários acerca da possibilidade desta pessoa será própria Annalise, o que seria óbvio demais), mas tem muito chão ainda até que possamos ligar uma estória à outra.
Quanto aos flashs do assassinato de Sam, o episódio acrescenta muito pouco, deixa claro que quem comanda o show é Wes (decidir na moeda foi o toque irônico, já que para um crime ser perfeito ele deve ser planejado minuciosamente) e mostra Michaela Pratt sendo contrária a praticamente tudo o que ocorre (ela não ajuda a enrolar o corpo no tapete, tampouco quer voltar para buscar o corpo), no entanto ela aparece junto aos demais no carro enquanto Wes faz compras no posto. Vai ser interessante descobrir como alguns deles envolveram-se no assassinato.
Considerações:
- Quando Annalise pergunta aos seus alunos se eles conhecem bem seus colegas de classe, já que todos têm segredos, foi inevitável deixar de pensar na minha última review de Criminal Minds, afinal um adorável pai de família e bom vizinho colecionava pernas de pessoas em um armário em sua casa. Não, definitivamente não é fácil dizer que conhecemos de fato alguém.
- “Eu pareço boazinha, mas só pareço”. Melhor frase de Lisa Weil no episódio. Ela é uma atriz que sabe fazer um papel antipático como pouca gente. Sua antipatia é daquele tipo que todos nós amamos odiar em séries e filmes. Eficiente, ágil, necessária e fria como uma geladeira, Bonnie vai infernizar nossos nervos por vários episódios, com certeza.
- Eu sei que todo início de série é oscilante até chegar a um tom que faça gosto à produtores, roteiristas e público em geral, mas ainda acho (podem protestar os fãs mais ferrenhos) que falta alguma coisa à série. A despeito da atuação impecável de Viola Davis e elenco, o gancho do assassinato de Sam deve ser explorado com mais intensidade ou a série virará um procedural com arco, pura e simplesmente. A montagem alucinante das cenas deste plot (largamente exploradas em Scandal, série da mesma produtora) são aperitivo muito econômico para aquele que pretende ser o motivo do show carregar este título. Mesmo entregando o nome da pessoa a ser protegida, ainda é pouco para manter o interesse.
- Já sabe-se que a série terá 15 episódios, pois o número foi determinado em cima do contrato assinado com Viola Davis, o que não se sabe ainda é se haverá um caso arco para cada temporada ( caso haja uma renovação) ou se a intenção é esticar o enigma temporadas a fio ( o que na minha opinião não funcionaria). Dependendo da intenção dos produtores em caso de renovação, teremos ou não um desenvolvimento mais ou menos intenso sobre o esclarecimento do caso principal.
Em geral, um bom episódio, vamos aguardar para que os próximos sejam ainda melhores!
Até a semana!
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