segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Criminal Minds S10E03: A Thousand Suns



Eu tenho por hábito nunca ter expectativas muito elevadas no que diz respeito a filmes, séries, discos e . A experiência me ensinou que quanto maior a expectativa tanto maior será a decepção. E este meu mantra me torna livre para assistir, explorar, ler e ouvir quaisquer obras sem ficar refém do “esperava mais”. Isto é para mim libertador. Porque pessoas criativas, que gostam de escrever, ler e imaginar sempre estão um passo à frente de autores em geral e daí para a desilusão é um passo bem pequeno.

Dito isso, com muita tranquilidade ouso dizer que The Thousand Suns foi um episódio espetacular, muito acima da média dos bons roteiros de Criminal Minds. Espetacular em diversos sentidos. Em roteiro, em direção de arte, em montagem, em direção e interpretação.

Não é surpresa para mim que os roteiristas de Criminal Minds superem-se, pois em minha opinião, eles vivem tirando leite de pedra. Criar uma estória que envolve um acidente de avião e um serial killer preciso dizer, foi muito legal ( se é que isto de alguma forma pode ser “legal”). É preciso ter consciência de que por maior que seja a criatividade humana para a maldade, arranjar temas interessantes para dez anos de episódios não é tarefa para qualquer um.

Nossa equipe predileta de profilers é chamada para acompanhar as investigações sobre a queda de um avião em Colorado, durante o percurso Pittsburg/Phoenix, onde morreram a princípio cento e cinquenta e duas pessoas. E aí vem a primeira lição de uma boa produção. Seria fácil mostrar uma cena de avião balançando, um piloto tentando mover os controles sem sucesso e assistirmos, por fim, a ave de ferro mergulhando em terra, ou algo assim. Choca, mas choca mais quando há empatia. A noiva planejando seu casamento que nunca acontecerá, a criança brincando com seu carrinho, carrinho este encontrado em terra depois pela agente Callahan, a turnê que não será vista, as fraldas que não serão mais necessárias. Você já começa sofrendo por pessoas que conheceu por alguns segundos apenas, mas de quem facilmente você se lembrará quando pensar que não foi uma fatalidade, mas um crime e todos queremos muito ver nossos meninos tirando isto a limpo e punindo os responsáveis.

Da forma como eu gosto, Hotchner e seu pessoal passeiam por diversas vertentes antes de chegarem a uma conclusão. que descartadas as possibilidades de uma falha mecânica, o primeiro pensamento que surge é o do terrorismo externo. Americanos não fecharam e é provável que nunca fechem suas feridas do onze de setembro. A ideia de um novo ataque é não apenas real, mas constante e não entendo como se acostumar com isto.

Para reforçar esta sensação, nada como uma testemunha cheia de teorias da conspiração, que viu  um grupo de paramilitares em exercício em meio à floresta. É interessante a forma como o roteiro vai “pingando” informações que no todo vão formar um cenário responsável pelas conclusões a que eles vão chegando. Exemplo disto é uma testemunha arisca a um interrogatório conduzido por uma militar, negra e mulher. Ao final, descobrimos que a desconfiança não é pelo gênero ou cor, mas por sua ocupação (militar). Hotch é um sujeito esperto e é honesto em responder à pergunta que o morador faz, criando um vínculo de confiança que trará sinceridade ao depoimento da testemunha.


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Outra informação pingada poderia ser a resposta de Reid no que se refere a quem acredita que o suicídio leve ao paraíso. Todos sabemos que muçulmanos tem esta crença, mas ele não fala abertamente sobre isto. Obviamente militares ou terroristas acabam tendo o mesmo peso na hora da investigação e como sabemos, mas nem sempre podemos provar, isto não é uma teoria da conspiração, o que não deixa de ser uma interessante contraposição, pois por suposição, uns deveriam protegê-los dos outros.

Uma das melhores cenas deste episódio é, sem dúvida, a inserção do agente Reid no interior da aeronave ao explicar em detalhes a composição  e funcionamento do aparelho. Além de pesquisa apurada, o roteiro soube como especificar em linguagem fácil para os leigos, fazendo-nos compreender o porquê de suas conclusões (o avião não ter sido atingido por um míssil). Imagino o quão difícil deva ter sido este episódio para Mattheu G. Gluber, pois além de longo texto, envolveu muita coisa técnica. Confesso ser uma saudosista, estava realmente sentindo falta deste tipo de tomada, com agentes inseridos na cena do crime.
No momento em que o conteúdo da caixa preta é revelado ( licença poética para a rapidez do processo em função do tempo do episódio ) e tudo indica que a falha no sistema poderia vir de um acesso remoto dos controles da aeronave, desta vez é através do agente David Rossi que temos acesso às pesquisas sobre o assunto. Ele menciona um evento anual, o Hack In The Box, uma conferência de segurança em sistemas avançados de informática, que ocorre sempre em Kuala Lumpur na Malásia e no caso por ele mencionado em Amsterdam, Holanda, quando em 2013 um alemão apresentou uma forma de hackear sistemas de aeronaves através de um aplicativo de smartphone. Mais uma vez a informação que dá credibilidade ao caso vem de imediato, antes que possamos pensar algo do tipo: “- Ahh, mas isto é impossível….”. Ponto para a informação que manteve  a imersão no episódio intacta.

O que deixou o episódio muito interessante foram os diversos perfis traçados até possibilitar Penélope a fazer sua mágica.  Ainda melhor foi saber que não era um caso com complexas conspirações, tramas mirabolantes ou algo do tipo. Era apenas e tão somente um narcisista com complexo de Deus, achando-se capaz de obter notoriedade às custas de centenas de mortos que nada significavam para ele ( a descrição que ele faz de Kristina Morrow como sendo “menos do que nada” demonstra isto claramente).

A partir de trinta minutos decorridos o episódio ganha ares de longa-metragem, com um suspense que, embora fosse óbvio como clichê a aterrisagem forçada e o salvamento dos passageiros e tripulação, funcionou muito bem com ação e boa montagem ( aliás, clichê em cinema é exatamente isto, uma solução evidentemente corriqueira e esperada, mas que via de regra funciona muito bem).

De forma geral A Thousand Suns faz-se brilhante porque torna-nos ridiculamente vulneráveis, à medida que nos indica o milhão de coisas que não podemos controlar quando estamos afivelados em várias toneladas de aço no meio do nada, sem mostrar em nenhum momento a queda do avião, a explosão, corpos dilacerados ou severamente ensanguentados. O terror está na naquele casamento que nunca acontecerá porque apesar de toda a segurança que o transporte aéreo alardeia ter, sempre existe algo que não se pode controlar, e só Deus sabe quantas outras coisas que não são divulgadas apenas para não nos causar pânico ( nas palavras de Rossi o que seria da ANAC e similares se todas as informações viessem à tona?), no show que nunca será assistido e nas fraldas que nunca farão falta.

Outras considerações:

§ Gosto mais quando eles vão pingando informações sobre personagens do que quando fazem um episódio temático de determinado agente. Achei ótima a forma um tanto quanto casual como Kate acaba contando a Reid parte de seu passado, já deixando claro que não pretende fazer-se de vítima de forma alguma. E para mim fez sentido ter sido  para Reid (visto que Hotch e Rossi já sabiam) já que ele também passou por um momento traumatizante recentemente. Contar sobre a mãe eu já achei um tanto exagerado, mas tive a impressão que embora reservado sobre o assunto, ele sentiu-se na obrigação de partilhar um tanto da dor que Kate devia estar sentindo naquele momento. Jennifer Love Hewitt também teve muito do mérito de suas cenas, visto que ela tira de letras cenas bastante emocionais.


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§ Adorei que mesmo com tantos outros temas importantes rolando, eles tenham dispensado uns momentos para comentar:

  • Sobre a mídia e sua inconveniência em momentos fundamentais, transformando tudo em sensacionalismo barato,
  • O uso abusivo e desnecessário que algumas pessoas fazem das redes sociais, postando informações que podem se transformar em verdadeiras armadilhas,
  • E a intolerância geral que parece ser a tônica desta década ( com os recados agressivos e desnecessários ao sobrevivente).
§ Quem nada sabia sobre Oppenheimer, certamente teve a curiosidade de informar-se sobre o assunto ( não acho que o pessoal mais jovens já tenha ouvido falar dele, mas sua história é fascinante.

§ Necessário ressaltar novamente o impressionante trabalho de direção de arte e pesquisa, necessário para montar a cena principal e embasar todas as informações fornecidas durante o episódio.

Foi em minha opinião um episódio diferente em contexto, realização e referência, mostrando que a produção está atenta, não somente nos temas da atualidade ( vide o caso recente da derrubada do Malaysia Air por um míssil ucraniano ), como também em variar os padrões existentes a fim de evitar o “mesmismo” dos casos.

Excelente episódio! E vocês, gostaram? Deixem suas opiniões, sempre é interessante saber o que vocês estão pensando.

Até a próxima!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Criminal Minds - 10x02 - Burn - Review

Sem título

Sabe aquela sensação de que você vai passar um bom no teclado escrevendo uma crítica e que, ao
seu final, quem será criticada será você mesma? Pois é, estou com esta sensação agora, mas o que fazer senão ser honesta? Então, vamos lá!

Para aqueles que acompanham as minhas reviews com alguma frequência fica fácil entender porque este episódio me deixou tão brava. Já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que falo sobre isto e provavelmente não será a última. Semana passada, na review da Season Premiere elogiei o fato dos roteiristas terem encontrado uma forma eficiente de amarrar pontas soltas em cerca de seis minutos e seguir em frente, sem que tais comentários prejudicassem o bom andamento do caso da semana. Pois é, meus elogios não duraram nem sete dias. Em um episódio de quarenta e cinco minutos espremeram-se, além de um caso com potencial para ser muito interessante, a jornada de Penélope Garcia rumo à sua cura emocional causada pelos eventos da Season Finale, que a obrigaram a atirar em um criminoso para salvar a vida de Reid.


Tenho um interesse todo especial por esquartejadores, então vamos por partes, jogando um pouco de luz na situação que, em particular atinge nossa analista técnica preferida.  Pelo fato do criminoso em quem ela atirou já estar no corredor da morte e para ser executado, digamos  que nossa estória tenha dado um salto de cerca de seis meses desde o fatídico tiro ( a rigor, isto levaria anos, pois a uma execução cabem diversos recursos, mas convenhamos, ninguém poderia esperar todo este tempo para que Garcia tivesse um encerramento em sua estória, logo, vamos ceder ao fator “praticidade”). Uma informação que recebemos na Premiere é que ela está tendo pesadelos ligados ao evento. Então, supõe-se que o primeiro e fundamental passo seria seu chefe exigir que ela procurasse ajuda com uma psicóloga ( procedimento de rotina para agentes que passam por situações de stress pós traumático – e quem não se lembra de Hotch insistindo para que Elle fosse às sessões impostas a ela por ocasião de situação similar?). Ao invés disto, encontramos uma Penélope cheia de culpa, que pede clemência ao governador de forma a anular a sentença de morte em troca de pena perpétua e que, na impossibilidade de ter seu pedido atendido, pede férias ao seu chefe  (que não apenas lhe concede os dias mas, também incentiva a visita dela à Penitenciária – ação inconcebível, em minha opinião). Supõe-se pelo comportamento dos demais agentes que nenhum deles, além de Morgan, jamais a procurou para prestar ajuda, dar orientações, aconselhá-la ( vamos novamente olhar para temporadas passadas e nos  lembrarmos de Gideon aconselhando Reid sobre pesadelos – Revelations ( 4×08), ou Rossi colocando-se à disposição para ajudar Hotch em Omnivore ( 4×18), entre outros exemplos). Ao invés disto, passam-se meses sem que Hotch a encaminhe para um acompanhamento próprio para situações deste porte e, como única alternativa, ignorando a opinião de seu melhor amigo – Morgan, Garcia parte em busca de uma conversa com o homem que está no corredor da morte porque, não fosse sua atitude, teria matado seu grande amigo, Spencer Reid. Tá bom, ou querem mais? Vamos, tem mais. Além de todas as decisões já erradas, seus seis companheiros de equipe, a quem ela mais de uma vez chamou de família, permitem que ela siga esta jornada sozinha       ( Morgan desfilaria no bullpen usando um cor de rosa antes de permitir que ela se expusesse assim). E fica pior se pensarmos que ela é uma mulher que, embora procure sempre ver o lado bom das coisas, seja boa, inocente e todos os demais adjetivos aos quais ela faz jus, é tudo, menos retardada, na falta de palavra menos pejorativa.

Então vejamos, diante de uma situação de stress como ela viveu, eu buscaria as duas alternativas mais lógicas: um amadurecimento, tal qual ocorreu com JJ após seu aborto no episódio “200”, uma nova e mais dura forma de encarar as coisas ou, o que também ocorre com frequência, uma negação, que permite um distanciamento do evento, tornando-a mais fechada em seu mundo seguro da internet entre quatro paredes. Qualquer destas duas opções seria viável sem expô-la ao contato direto com o criminoso. Em uma terceira via, uma discussão que eles exploraram superficialmente, mas que teria sido muito bem vinda em uma conversa entre agentes seria a validação da pena de morte. Quando ela menciona que teria tentado pedir para que a pena de morte fosse convertida em perpétua, achei que isto poderia render uma discussão sensacional, pois não há assunto jurídico mais polêmico do que este.

No entanto, ao contrário de tudo o que foi mencionado acima, os roteiristas optaram pela via melodramática e pouco crível, encharcada de lágrimas, que, embora bem intencionada, visava tão somente explorar a relação Morgan/Garcia e seu comportamento morde/assopra. Não é tão difícil assim entender porque Érica e seu grupo optaram por algo assim, visto que o contingente de fãs dos dois agentes é imenso e estas pessoas adoraram as brigas entre eles que terminam em cenas de conforto e pura fofurisse.

De minha parte, acho que quem escreve os roteiros tem uma difícil missão: decidir quem será Penélope Garcia daqui para frente. Torne-se ela uma pessoa mais amadurecida e confiante ou alguém que usa seu distanciamento como salva guarda, o fato é que ela poderá ser qualquer coisa, menos a criatura infantil, imatura e de baixa estima que eles nos apresentaram neste episódio. Por mais sensível que ela seja e por mais que precise visitar pandas depois de cada caso, ela ainda assim presta serviço a uma das agências mais importantes do mundo, já tem idade para separar um criminoso de uma vítima, e do alto dos seus quase quarenta anos de idade já viu seus amigos passarem por situações muito reais e cruéis. A opção de achar que se desculpar com o quase assassino de Reid ( que certamente não foi condenado à morte apenas por uma tentativa de assassinato, mas que já devia acumular milhas em crimes contra a vida) poderia trazer paz de espírito para ambos definitivamente não convenceu. Muito menos sua decisão de dar apoio ao criminoso para que ele não se sentisse sozinho no momento de sua morte. Não, eu não estou sendo cruel, mas é pouco convincente você tratar com tanta humanidade alguém que tentou matar você e seu melhor amigo.
Haja vocação para Madre Teresa de Calcutá!


Por outro lado, um assassino com fixação na obra de Dante Alighieri, com conhecimento para cometer seus crimes de acordo com os nove círculos de sofrimento do inferno merecia um plot melhor explorado. O ator convidado ( CSLee), nosso velho conhecido como o especialista forense de Dexter, até que esforçou-se em apresentar um ótimo unsub, mas faltaram-lhe conteúdo, texto e material para desenvolver melhor um personagem com tendências psicopatas, refém de um passado submisso e humilhado constantemente por um pai dominador, narcisista e egocêntrico, que torna-se objeto de vingança do filho. Infelizmente o curto tempo para um melhor e mais completo desenvolvimento da estória deixa passar algumas explicações básicas, tais como de que maneira o Inferno de Dante passa a ter participação ativa no delírio do unsub, entre outras coisas. Uma pena.

Roteiros de séries são assim. Enquanto eu senti um enorme erro de abordagem no aspecto Garcia e seu trauma, com certeza boa parte da base de fãs fiéis delirou com os momentos Morgan/Penélope, que só enfatizaram mais e mais a amizade e/ou amor incondicionais de um pelo outro. Questão de ponto de vista. De minha parte eu até gosto da credibilidade que surge quando se humaniza os agentes, mas não gosto quando, se perde a oportunidade de se explorar um ótimo caso, do ponto de vista psicológico. Menções como a que Reid faz à Gideon, referindo-se ao dia em que matou seu primeiro unsub, surgem quase como um presente aos fãs que seguem a série desde seu início, lembrando-nos do quanto uma experiência assim os marca profissionalmente.

Por último, vale destacar que um enredo conduzido erroneamente nada tem a ver com boa ou má interpretação. Embora tenha achado que o roteiro perdeu-se estendendo-se demais no drama de Penélope, vale destacar a incrível atuação da atriz Kirsten Vangness, que expressou dramaticidade e sensibilidade na medida certa, tornando convincente seu conflito interno e drama pessoal.

Vale destaque:

  • É muito bizarro um criminoso que marca o céu da boca de suas vítimas com cortes formando números.
  • Quando será que eles vão aprender  que só devem balear nossos agentes em locais cobertos por tecidos, já que não querem reproduzir as cicatrizes em todos os episódios? Já aconteceu com o colo da Emily exposto em decote, braços do Hotch quando ele usa mangas curtas, e agora com Reid, com corte no pescoço, ignorado na imagem em que ele aparece auto massageando o local do tiro. Cicatrizes são tão inconvenientes para maquiadores, que Ed Bernero resolver mudar o local onde Garcia foi baleada no episódio Luck (3×04), de um tiro no peito para um tiro no abdômen ( já no episódio Penélope – 3×05), apenas para não ter que forjar a cicatriz toda vez que ela usasse um decote.

Então, pessoal, que tal deixar aqui sua opinião sobre este episódio?

Nos vemos na próxima semana, até lá!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Criminal Minds - 10x01 - X - Review


Depois de nove anos assistindo à Criminal Minds sua vinheta de abertura não precisava, mas ainda me provoca ansiedade e expectativa da mesma forma que em seus primórdios. E provavelmente não somente a mim, já que o show ficou em números totais na noite de quarta feira à frente na programação noturna, totalizando 11.650 milhões de telespectadores, com adultos 18-49 marcando 2.7/8.

É muito bom descobrir que a produção e roteiristas aprenderam com seus erros. Várias vezes criticada por levantar a bola e depois não sacá-la, ao contrário de outras ocasiões, desta vez não deixaram pontas soltas vindas da temporada passada. Levou cerca de seis minutos para explicar porque Emily não está de volta à equipe, porque Blake afastou-se e o que está fazendo de sua vida profissional, falar que Garcia continua traumatizada com o evento do último episódio e, , quem a está apoiando é Morgan. Além disto, já deixaram uma abertura para a demora no retorno do chefe Cruz à série (uma vez que o ator Esaí Morales estará protagonizando nova série da HBO) com a justificativa de que ele está fora do país e de quebra, ainda fizeram um agrado aos fãs de Seaver e Andy Swan mencionando-as rapidamente. Mais à frente ainda, em cena rápida, houve uma alusão a Reid ainda sentindo dor pela bala que recebeu. Ou seja, os roteiristas finalmente descobriram que não há necessidade de ignorar assuntos pendentes nem tão pouco gastar meio episódio para esclarecê-los, fazendo assim a alegria dos fãs.

Também foi muito acertado trazer para a equipe uma nova agente que é vagamente conhecida pelos companheiros. Um bar após o trabalho, onde o pessoal se reúne para uma bebida e karaokê foi uma forma leve e ao mesmo tempo eficaz de diminuir as tensões prováveis com um novo membro. Além disto, tornaram-na simpática e divertida            (além de competente, como fica claro logo de início) na medida certa – cenas como as de Kate com  Reid no elevador, Hotch na entrevista, Garcia no telefone e certamente com Rossi mencionando o “tropeção casual” de um prisioneiro não deixam margem de dúvida sobre sua fácil aceitação no time ( algo importante se considerarmos o quanto foi difícil para o público aceitar a entrada de Jeanne Tripplehorn no elenco regular: uma cara nova que   tem  fácil aprovação entre os personagens acaba facilitando este processo – lembrem-se, quando da entrada da Blake, Garcia banca a porta voz  do público  expressando descontentamento com sua entrada).

Toda esta simpatia, diversão e descontração na equipe contrastou radicalmente com o tema pesado do caso que foram acompanhar em Los Angeles. E eles não facilitaram em nada colocando de cara uma criança descobrindo um cadáver e um criminoso com um filho, algo no mínimo repugnante (é sempre eficiente humanizar um unsub e sempre nos choca saber que levam uma vida “normal”). Também muito acertado levar nossos agentes a seguirem diversos caminhos antes de chegarem de fato ao criminoso.

O fato  do perfil ter tido tantas variantes proporcionou um redirecionamento da trama por mais de uma vez, o que além de crível, tornou o caso muito mais interessante. Bons atores coadjuvantes colaboraram em muito para o sucesso do episódio. A expressão de incredulidade ao descobrir a acusação de seu marido, o desconforto e vergonha expressos no rosto do pai de família pego em flagrante e os desempenhos de unsub e sua vítima, ambos trabalhando quase que apenas com expressões faciais para determinar  seus sentimentos, todos estes trabalhos engrandeceram o episódio.

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Voltando  à estória, aos poucos nossos agentes vão descobrindo que as coisas são bem piores do que parecem de início ( não que já não fosse péssimo) e com cada nova informação vão burilando e modificando o perfil até próximo do instante final, quando apenas nós, os telespectadores, descobrimos que embora tenham capturado um criminoso, eles estão longe de saberem o que se passa de verdade e, embora Kate tenha ficado cismada com o encerramento do  caso ( o que indica uma ótima intuição), Hotch parece querer convencê-la a abandonar qualquer palpite, guardando apenas para si suas próprias dúvidas. A cena dele olhando para o arquivo deixa claro que ele não irá colocar de lado qualquer teoria e que acredita que a qualquer  momento voltará a ter notícias relacionadas.

Achei muito interessante colocar um unsub carente e de poucas palavras. Tivesse ele qualquer outro perfil acabaria revelando mais do que o necessário para atiçar nossa curiosidade. Assim, expressando-se quase inteiramente pelo olhar, oscilante entre a indiferença e a comoção, não ficamos sabendo qual sua relação com a rede e os outros criminosos que ao final do episodio julgamos existir. Também gostei do fato da Kate ter tido dificuldades para lidar com a fuga no galpão e acabar dependendo da cobertura do Hotch para salvar-se. Mostra que apesar de eficiente, ela ainda está se adaptando a uma nova função, talvez um pouco diferente da anterior. Foi curioso, porque assim como eu, muita gente deve ter achado que o episódio terminava com a conversa de Kate com Hotch no escritório, concluída com plano em close da pasta com os dados do criminoso morto. No entanto, depois disto ainda seguiram-se duas cenas muito importantes. A primeira, com mais informação sobre a nova agente, mostrando sua chegada em casa encontrando-se com uma menina de cerca de quatorze  anos deitada em seu sofá, por quem claramente demonstra enorme afeição (que certamente é mútua). Para quem reclamou de demora e mau desenvolvimento  da personagem Alex Blake ( Jeanne Tripplerhorn), com Kate Callaghan eles não perderam tempo. ( * Bem ao final deste meu texto colocarei um SPOILER sobre este assunto – leia por sua conta e risco).

Por fim, na última cena, a certeza de que o episódio X é o início de um  arco que irá desenvolver-se por toda a temporada, fórmula já adotada anteriormente e que deu muito certo. Pessoalmente acredito em uma rede de tráfico humano, que oferece via internet, por meios totalmente escusos, pessoas para os mais distintos fins ( neste caso foram membros para um acromofóbico) mas, que pode perfeitamente suprir necessidade de órgãos para transplante no mercado negro, mulheres para prostituição, tortura  e/ou escravidão e outros absurdos do mesmo calibre. Mas, é apenas meu palpite, na realidade pode ser qualquer outra coisa.

Outras considerações:
  • Nem posso imaginar como é conservar em sal pernas e braços para evitar a deterioração e o mau cheiro advindo destes. Aliás, só de pensar que qualquer vizinho simpático ou pai de família possa ter algo assim na casa ao lado me apavoro, visto que parece tal fetiche nem ser tão incomum assim.
  • Importante mencionar aqui o cuidado com a direção de arte que produziu órgãos muito convincentes e assustadoramente reais. Muito bom trabalho. E outro elogio à direção de fotografia, pois cenas noturnas são difíceis de serem bem fotografadas. E o trabalho com faróis, faroletes e sombras embora manjado sempre produz ótimos efeitos.
  • A cena de Kate e Reid no elevador foi ótima. Reid é um gênio, e como tal, parece nunca compreender uma brincadeira ( a cara dele ao ouvir Kate perguntar se ele não “cutia” rebolar foi impagável!).
  • Falando em Reid, ele parece ter ganho a companhia de Kate em meus comentários sobre cortes de cabelo. Ambos precisam urgente, senão de tesoura, pelo menos de um pente, pelo amor de Deus! Rs,rs…
  • A direção de arte também foi cuidadosa sobre a decoração do escritório do Hotch. Uma bandeira desenhada por seu filho ( esboça por certo a admiração pelo país que o pai defende – americanos costumam ser extremamente patriotas e policiais, agentes e outros profissionais da área ainda mais) e uma foto que eu nunca tinha visto lá, com Haley, Jack e o próprio Hotch pode indicar o fim do relacionamento com Beth ( ** ao final do texto novo SPOILER), já que há tempos eu só via fotos dele com Jack ou apenas do Jack.
Por fim, espero sinceramente que os fãs da série aceitem a entrada da Kate da forma mais positiva possível e não pressionem nem destratem a atriz como ocorreu com a entrada de Jeanne Tripplerhorn há dois anos atrás. Jennifer Hewitt está trazendo consigo um grande número de fãs pessoais para contribuir com a audiência do show  nestes novos episódios e eu odiaria ver ocorrer o que já ocorreu no passado novamente.

E, por favor, tenham em mente que a menção de que Emily não aceitou voltar à equipe é uma forma educada de dizer aos fãs mais radicais e fanáticos que a atriz e seu personagem não voltarão à série. Portanto, aceitem e sigam em frente.

E você, o que achou do episódio? Adoraria conhecer sua opinião. Deixem seus comentários!

Até a próxima semana pessoal!


ABAIXO SPOILERS, LEIA POR SUA CONTA E RISCO
  • *   Spoilers divulgados por Erica Messer dão conta de que a menina que vive com Kate na verdade é sua sobrinha. Sua irmã e seu cunhado teriam morrido no  atentado do 11/09 e ela estaria criando a menina desde então.
  • ** Também por Erica soubemos que a relação de Hotch e Beth chegou ao fim, e que a atriz Bellamy Young não voltará para gravar nem uma cena final. Ele deverá mencionar o rompimento ( provavelmente para Jéssica– em minha opinião, no episódio em que o próprio Thomas dirige 10×06 – Boxed In, já que será o episódio de Halloween e nele estarão seu filho e sua cunhada – mas, isto também é apenas um palpite meu) e seguir em frente. A decisão se deve ao fato de Bellamy estar fazendo enorme sucesso em Scandal e ter dificuldades de encaixar gravações de Criminal Minds em sua apertada agenda.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Coração de Criança, Corpo de Mulher

Para você, Larissa, minha filhota adotada, a quem eu amo como filha!


Coração de criança,
Corpo de mulher.....
A mente cheia de medos, anseios, desejos,
O corpo cheio de querer, de fogo que não se apaga, bobagem...

A mente em dúvida, ardendo na ansiedade,
O corpo em dúvida, ardendo em desejo.
Ambos ardendo em vontade
De um novo dia,
De uma outra vida
De outra mão pousada em si,
De outro toque na pele clara,
De algum arrepio vindo do nada.....

Corpo de mulher, mente de menina,
Que brinca de ser feliz
E é, sempre que se lembra
Que já não brinca, vive....
Escolhe em dedos
Que príncipe levará sua virtude,
Sem permitir que sua virtude se toque.

No desenho pintado sob sua pele
Em suas costas,
Espalha-se a vontade, a cobiça....
Que preguiçosa arrasta-se no longilíneo corpo
E liberta-se, no toque dele
Que não era ele que tocava....

A mente sabe e mente, quando é  preciso
Para aquela mão ser de outro ser...
Ser daquele que a cobiça esconde
No desejo implícito do saber...

Acha-se feliz enquanto espanta-se,
Tenta encontrar a fonte de tanto prazer
Outros  nomes, outras mãos, outros toques
Serena, conforma-se e encontra-se
Com seus sonhos, as mãos do sonho,
Outras mãos, as mãos dos toques,
As mãos que negam viver.

Mãos que sabem das mentiras,
Dos devaneios, dos medos
Das aventuras, quem dera tantos nomes,
Daquilo que se sente, arremedos
De felicidade à qualquer toque
Ao ouvir seu nome à voz fraca,
Cheio de pouca coragem, de fome,
De viver, e ser quem se espera que seja....

A pele clara, os pelos curtos
O arrepio do primeiro contato.
A ânsia de viver tudo num segundo e tanto,
E logo terminar num mar e pranto
Nada do que esperava fora e fato,
Nada do que ansiava, alimentara a mão e a boca.

Tolo anseio ingênuo do todo
Que o amor encerra e guarda e alimenta e gera,
E ignora a data, e ao longe almeja,
Que se insinue de novo e à luz esgueira
Dando voltas e arrastando-se por sobre a pele
Esfregando-se ao desejo quente do corpo fraco
Alimente-se e volte ao pesadelo deste.

Cala-se ao rastejar banhado em suor
Lembra-se ser eminente.
Arde ao repetir o caminho da dor,
Que sozinho queima, se faz quente...
Lembra do arrepio, lembra da solidão
Que encerra o prazer da mão inexistente........
Tão feliz, não depende
Não implora, não sustenta...
Não explica o porquê da mão ausente,
Não reage ao versar da solidão presente
Seu corpo explode em paz e o corpo aguenta....
Porque  é feliz e nem sabe e sente.

Criança crescida neste corpo de mulher,
Alimenta-se da fome de outro corpo
Acinzenta-se a ferida d’alma escura,
E perdoa-se ao encontrar um outro porto.
Para atracar e buscar verdade nua
Para tentar uma nova cura....
Para ser feliz, de vez, mulher .......


Garota Exemplar – Review



Enquanto subiam os créditos na tela do cinema eu só conseguia pensar em uma coisa: que era um filme dos mais assustadores que vi nos últimos tempos. Não, não havia assistido a um filme com monstros, fantasmas, almas  de outro mundo. Havia assistido a um filme que, embora ficcional, estava encharcado de realidade até a raiz.
 
Desde a primeira cena, com um pensamento em off de um dos personagens principais até o seu encerramento, tudo o que consegui pensar naquele instante foi que David Fincher dirigiu uma obra assustadoramente cruel. E o fez com perfeição.


Não dá para falar do filme sem entregar demais o resultado final, mas irei comentar comedidamente, alertando para possíveis e inevitáveis spoilers. Se o leitor ainda não viu o filme, aconselho a parar por aqui, pois assim as reviravoltas ficarão mais interessantes.


Ben Affleck interpreta um marido que no dia do aniversário de quinto ano de seu casamento percebe que sua esposa sumiu de casa. A estória, no entanto, vai sendo contada ao espectador sob dois pontos de vista completamente diferentes, o do marido, através de diálogos, depoimentos e lembranças e o de sua esposa desaparecida, inicialmente através de um diário e a seguir, através desta, adquirindo voz própria.


Nick Dunne é um escritor fracassado que é casado com Amy Elliot Dunne, garota rica, linda e um tanto romântica, cujo nome e uma vida fictícia fora usada pelos próprios pais para criar livros infantis de sucesso, que exploram sua imagem, livros estes que proporcionam a eles uma vida financeira bastante confortável. A imagem vendida pela obra ( Garota Exemplar), a leitura em off de seu diário, mais a expressão  angelical de Rosamund Pike nos faz crer na quase perfeição de Amy, a personagem.


Nick, um dia chega em sua casa e percebe que algo está errado. Sua esposa sumiu e sua casa está revirada. Ele chama a polícia, mas de cara percebemos que ele não está levando o desaparecimento da esposa muito a sério. Nick quase soa ridículo por ignorar inicialmente a importância do fato. Enquanto questionado pela detetive  Rhonda ( a eficiente Kim  Dickens), faz comentários jocosos que, adiante entenderemos como um quase alívio diante da situação. Compara o desaparecimento da esposa como um episódio de Lei e Ordem e se faz soar cômico diante da situação.  Mesmo quando tem que comunicar seus sogros, ainda assim acha que tudo não passa de um mal entendido. Quando a detetive encontra em sua gaveta “uma primeira pista”, esclarece que é um jogo entre marido e mulher, uma espécie de caça ao tesouro que praticam em suas bodas e ainda assim, não chega a preocupar-se.


Nick age com a tranquilidade de quem é inocente e não percebe o quanto tal comportamento irá prejudicá-lo. Ele tem uma irmã gêmea, Margot ( Carrie Conn) que lhe dá guarida e apoio. Mas, como eu disse, não se trata de um romance adocicado e, aos poucos, vamos descobrindo através do ponto de vista, ora do marido, ora da esposa, que o casamento não é aquele mar de rosas que dá o ar das graças logo no início da exibição.


  
Falar mais significa entregar uma estória cheia de reviravoltas e surpresas e este não é meu objetivo. No entanto, sem estragar  surpresa alguma, dá para falar sobre o circo da mídia. Ah, a mídia! Ando tão cheia do jornalismo sensacionalista que, ao assistir as cenas todas, senti-me nauseada.


Independente do resultado, o filme explora brilhantemente o circo de que se alimenta a mídia sedenta de manchetes escandalosas que alavanquem os números da audiência. A cena mais absurda acontece entre Nick e a âncora (excelente atuação de Nancy Grace) de um programa de “notícias”, quando ele questiona seu posicionamento. Este é o tipo de mídia que noticia, julga e condena em prol dos números e tal comportamento me remeteu de imediato ao caso da Escola Base, ocorrido em 1994 em São Paulo, onde seis pessoas, donos de uma escola infantil, foram erroneamente acusadas de pedofilia e tiveram suas vidas devastadas pelo acontecido. Embora provada a inocência, os donos da escola faliram e nunca mais conseguiram se reestabelecer. Os que não morreram, vivem até hoje como párias da sociedade. Nick vive seu pesadelo particular quando começa a se ver representado nestes programas, acusado por algo que, apenas ao final da trama, saberemos se o é.


Por outro lado, em certo ponto passamos a “ouvir” o ponto de vista de Amy, através da leitura de seu diário, em flashbacks, o que nos garante o privilégio da dúvida, até certo ponto da obra. Amy nos conta sobre o primeiro encontro, sobre o encantamento, sobre a magia de estar casada e ser feliz, sobre como manter seu casamento interessante fazendo uso da sensualidade e do sexo e enfim, sobre um casamento que cai na rotina e, em certo ponto, passa a ser tão tedioso e previsível que poderia provocar em seu parceiro/amante, o ódio necessário para que ele, por fim, a assassinasse. Em algum momento da trama, deixa de ser importante se há ou não um crime, pois o que passa a contar é a opinião popular, expressa através do aval de sua representante  pública, a apresentadora do programa ( uma espécie de Datena de saias).


Com tomadas um tanto quanto claustrofóbicas ( com enquadramentos  muito próximos, sempre da cintura para cima) e iluminação sóbria quando enquadrando Nick, de forma a mostrar o quanto ele sente-se acuado, bem como com cenas abertas e muito bem iluminadas registrando a atividade jornalística, Gone Girl apresenta-se sem medo de parecer caricata, sem recear ser maniqueísta. Em algum momento, todo ou qualquer personagem parecerá ou será dúbio, terá nosso crédito ou nossa dúvida provável, deixará a zona de conforto para representar aquilo que ocorre no dia a dia: a imaculada opinião do telespectador. Chega a ser assustador, o quanto um depoimento mal interpretado pode influenciar uma decisão. Mas é assim que funciona a imprensa. Ela pode endeusar tanto quanto pode levar à forca qualquer cidadão de bem. E assim o faz.


Os demais méritos não podem ser descritos sem entregar o final do filme. Deixo para cada espectador a análise da obra, a opção do diretor, a decisão de optar por um final cheio de esperança. Ou não. Você, aí, que assistiu ao filme, como anda seu estado de espírito?


Não deixe de assistir Gone Girl. Certamente, um dos filmes que terão mais indicações e, quiçá, as mais merecidas de 2014. A propósito, faço aqui um mea culpa: Ben Affleck mais que dá conta do recado, passa de impostor a um  ser com credibilidade, e, ao contrário do que sempre disse de suas interpretações, surpreende,  junto de Rosamund Pike, num piscar de olhos.


Não deixe de assistir. À parte de ter um ótimo roteiro, ótimas interpretações, inclusive do elenco de suporte ( a detetive de Kim Dickens e o namorado apaixonado da época da escola de Neil Patrick Harris em especial), Garota Exemplar é um ótimo exercício de bom senso e equilíbrio, deixando para trás todas as opiniões  pré-concebidas, fazendo-nos pensar fora da caixa, fazendo-nos aceitar outros roteiros e opções.

Afinal, você pode opinar sem ser tendencioso?

Divirtam-se bastante!!!!!!!!!