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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Criminal Minds 10x22: Protection - Review





“É nossa própria mente, não o adversário ou inimigo, que nos leva ao caminho do mal.” Com esta conhecida citação de Buda o episódio desta semana se inicia trazendo um tipo de delito relativamente comum nos dias de hoje: crimes cometidos por pessoas que possuem doenças mentais. Não raro acompanhamos diversos casos onde o criminoso mata outra pessoa, por estar em um surto psicótico, paranóico ou alucinando. Até pouco tempo atrás, uma doença mental era motivo de internação para toda a vida. Com os inúmeros tratamentos e vasta medicação, não raro pessoas acometidas por doenças mentais conseguem levar uma vida relativamente normal. No entanto, sem acompanhamento ou medicação, estas pessoas podem cometer atos dos quais sequer têm consciência de terem cometido. Este é um dos motivos pelos quais crimes deste tipo tornaram-se mais freqüentes nos dias de hoje. E este é também o caso do unsub do episódio desta semana. 

Diagnosticado com esquizofrenia paranóide, Daniel Lee presencia a morte de sua mãe ( também portadora da mesma doença) que é assassinada a sangue frio. O assassino, sabe-se a seguir, viera matar não a mãe de Daniel, mas muito provavelmente Patrícia, inquilina da casa, mãe de Milena, e ex esposa do criminoso.

A partir da morte da mãe, o nosso unsub, que deixa de tomar sua medicação ( já que não tem mais sua mãe, responsável por este controle ), passa a sentir-se cada vez mais tomado de culpa, responsabilizando a si próprio pelo ocorrido. Isto faz com que ele desenvolva uma necessidade de proteger a todos que estão à sua volta. Alucinando, ele sai matando pessoas que ele acredita estarem colocando outras em perigo. Ao final do episódio ( para os mais experientes e atentos lá pelo meio) descobrimos que também Patrícia e Milena são alucinações, pois ele já as matou anteriormente ( possivelmente por responsabilizar Patrícia pela morte da mãe, visto que ela era o alvo).




O episódio teve um roteiro bem completo e amarrado, deixando bem explicada a motivação de Daniel e as situações que o levaram a matar. Embora lembre vagamente outro episódio de Criminal Minds ( Normal – 04x11), a história é concisa e  funciona muito bem na telinha. Contando com boas interpretações do elenco convidado ( em especial Joe Adler que interpreta Daniel de forma contundente e emocionante, sem cair na armadilha do caricato), por ser uma história relativamente simples, nota-se o esmero de sua produção. Tomadas criativas e boa fotografia ganham mérito onde não há espaço para pirotecnias e muita ação.

Este é um daqueles casos onde não se sabe bem quem é o culpado, visto que pelo trauma e pela doença pré existente, raramente Daniel seria punido com prisão. A morte das vítimas é quase uma fatalidade, visto que não há intenção, por parte do unsub de matar pessoas inocentes. Sua intenção chega a ser inocente, já que ele se acha na obrigação de proteger a todos.....

Ao final, de quebra, fica um gancho para a Season Finale, sugerindo que a sobrinha de Kate Callahan e sua amiga também adolescente serão seqüestradas. Meg sai escondido de casa enquanto sua tia ainda está trabalhando no BAU para ir a um show e pega carona com a suposta mãe de um amigo. Como já foi sugerido no início da temporada, os seqüestradores deverão estar envolvidos de alguma forma com o tráfico de humanos, não se sabe bem ainda para qual propósito. Certamente este será o tom do episódio final desta temporada e o provável desfecho envolverá uma solução para a gravidez da atriz Jennifer Love Hewitt, que ainda não se sabe se seguirá com seu trabalho em Criminal Minds ou deixará a série para ficar com sua filha prestes a nascer. Agora é só aguardar o encerramento para ver se esta temporada, que apresentou episódios de excelente qualidade, consegue um fechamento à altura.

Até a próxima!

Observações:

- As tomadas de câmera e montagem da cena de corrida de Morgan e JJ assemelham-se demais à cena inicial de Out Of The Light ( 06x22 ), quando Hotch corre ao encontro do filho para levantá-lo de um tombo no jogo de futebol, enquanto uma vítima também corre, só que para a morte.

- Garcia continua responsável pelos momentos descontração de Criminal Minds, seja com suas falas repletas de duplo sentido para o agente Morgan, seja com o carinho de comprar pizzas para agentes que ficarão trabalhando até mais tarde.

- Alguém duvida que Kate se consumirá de culpa por não ter evitado o seqüestro da sobrinha, tirando da manga a manjada dobradinha: ser uma boa mãe x trabalhar fora? Em especial porque ela trabalha exatamente para evitar crimes do mesmo tipo?

- Eu sei que falo isto sempre, mas será que alguém tem o endereço dos estúdios Quixote para que eu possa enviar um pente ao Mattheu? Gente, ele não tem mais quinze anos e seu trabalho exige o mínimo de credibilidade! E nem estou pedindo para cortar o cabelo, basta pentear.... Enfim....




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Criminal Minds 10x21: Mr. Scratch - Review

destacada mr s


Acredito que muita gente que assistiu Mr. Scratch sem um bom conhecimento dos fatos históricos ficou sem entender direito a história. O episódio, escrito por Breen Frazier e dirigido por Mattheu Gray Gluber, trouxe uma infinidade de referências que valem a pena serem mencionadas.

O caso, de forma geral acompanha assassinatos que são cometidos por pessoas próximas às vítimas, sem que elas próprias tenham conhecimento do fato. O roteiro não perde tempo com muitas explicações iniciais, pois tudo deveria ser compreendido mais adiante. Basta saber que três pessoas mataram seus entes mais queridos e juram não terem feito tal ato covarde. Dois deles ( um homem que matou a esposa e um que matou a mãe ) conseguem de alguma forma depor, acrescentando algumas informações para a equipe. A terceira incriminada matou seu namorado e entrou em estado de choque, sem condições de acrescentar nada ao time.

Desde o princípio ( e não sem razão – saberemos mais à frente) Hotch assume a dianteira, cuidando do caso de forma pessoal, como foi poucas vezes visto. Chega a ser meio infantil ouvir as justificativas dos suspeitos, narrando um possível monstro dos sonhos, com garras nas mãos e aspecto assustador.

Pessoalmente, como disse na review passada, eu prefiro casos mais comuns, aqueles que de forma recorrente  encontramos nos noticiários, casos que não escapam para o território do sobrenatural, da especulação fantasiosa, do misticismo. Mas, é claro, estes casos também existem e precisam ser investigados com o mesmo rigor.

Na primeira reunião de equipe se comenta acerca das possibilidades, uma vez que este é o terceiro caso, o que, de certa forma, tenta tornar mais suave a aceitação de uma história tão absurda, visto que são vítimas que matam seus entes queridos sem perceberem que de fato os mataram. Todos acordam aos serem presos e descobrem de forma cruel que são os responsáveis pelas mortes, mesmo que de nada lembrem. Da forma como é exposto, cada depoimento dói demais no coração de quem assiste. Imagine alguém do nada te dizer que você matou a pessoa que mais ama e você não se lembrar disto. Aqui cabe o mérito do elenco convidado, que faz por merecer cada elogio sobre sua interpretação.



Para mim, um grande roteiro sobrevive sem grandes interpretações e imensos recursos técnicos ( vide grandes obras que são impactantes mesmo com apenas uma mesa e uma cadeira em cena), já o contrário não ocorre. E, apesar de todo o aparato técnico, de uma direção muito correta de Mattheu Gray Gluber, de cenas de ação de tirar o fôlego, faltou tempo para desenvolver melhor o roteiro. Fiz questão de conversar com muitos espectadores antes de começar a escrever esta review, para ter a certeza de que não seria injusta. E, para minha surpresa, muita gente não entendeu o episódio. Em síntese, curtiu horrores a emoção e a adrenalina que acompanha as cenas onde nossos queridos agentes correm risco de vida, mas foi apenas isto. E me dói lembrar que um ótimo tema foi desperdiçado por falta de tempo útil, não tão bem aproveitado.

O problema é que Hotch e Rossi relembram casos ocorridos entre 68 e 80, como Fells Acres e Mc Martin, onde centenas de professores e educadores tiveram destruídas suas carreiras por depoimentos que colocavam seus comportamentos sob suspeita. Mais tarde ficou provado que crianças de até cinco anos tiveram depoimentos distorcidos, arrancados à força, em uma espécie de surto de histeria coletiva que visava claramente condenar indiscriminadamente sob a justificativa de acreditar nos supostos depoimentos tirados à força. Os cerca de duzentos e setenta casos levados a júri neste período produziram um estrago inominável no sistema educacional americano, recursos rejeitados, direitos negados, apelações desconsideradas, tudo em nome de um verdadeiro caça às bruxas instaurado naquela época. No entanto, o curto tempo do episódio privilegia a adrenalina  no lugar de um maior esclarecimento, deixando em aberto para muita gente a real intenção do unsub.

Embora para mim tenha ficado claro desde o princípio a motivação do criminoso, ainda assim fui buscar informações sobre o relatório Lanning e os casos reais ( Fells Acres e Mc Martin) julgados naquela época. O conhecimento a fundo dos fatos decorrentes destes eventos revolta ainda mais do que o esperado. É apenas quando descobrimos o quanto a barra foi forçada para cima das crianças que serviram de testemunha é que percebemos o porquê da indignação e sede de vingança que emerge fundo na alma de Peter Lewis. Assim como na vida real, Peter não apenas viu seu pai ser acusado de pedofilia, mas, sob pressão de psicólogos e investigadores, acabou admitindo um abuso que nunca houve ( papel que coube aqui ser representado pela enfermeira que escreveu o livro que a enriqueceu).


Em minhas conversas com várias pessoas que assistiram e leituras de comentários, percebi que muita gente achou que o unsub Peter Lewis forçava suas vítimas a se tornarem criminosos porque seu pai abusara deles e eles o haviam denunciado. Não creio que tenha sido esta a intenção de quem escreveu a estória ( Breen Frasier, roteirista dos ótimos 52 PickUp, Blood Relations e Lauren, entre outros episódios). Ou os medos de Hotch não fariam sentido.

Creio que, como ocorrido nos casos reais – o de Fells Acres foi provavelmente o mais próximo da realidade do roteiro, Peter Lewis viu seu pai ser acusado de pedofilia e, forçado por investigadores e psicólogos, acabou corroborando a estória de outras crianças e confirmando um abuso sexual que nunca existiu. Não esqueçam-se que esses depoimentos foram tomados de crianças de apenas quatro ou cinco anos, época em que, como o próprio Reid afirma, a criança está mais suscetível a embaralhar memórias reais com fatos fantasiosos que lhes pode ser sugeridos. Assim sendo, Lewis quando pode ter real entendimento dos fatos, sentiu-se culpado por ter ajudado a condenar o homem que lhe protegia e que era de fato inocente. Crescido, decidiu punir aqueles que, como ele, foram responsáveis por esta condenação, lhes obrigando a matar aqueles a quem mais amavam. O ato em si de matar uma esposa, uma mãe amorosa ou um namorado apaixonado  torna clara a sensação de culpa de Peter. De certa forma, ele sentiu a mesma dor, quando descobriu que matou seu pai ( acusando-o de algo que ele não havia feito).

E aí chegamos na alucinação de Hotch. Poderia ser qualquer agente a chegar naquela casa e sofrer nas mãos do unsub as alucinações que ele sofreu? Pessoalmente acho que não. De todos os personagens, nosso G Man foi o que mais teve perdas pessoais. Embora todos eles tenham tido suas baixas, Aaron Hotchner perdeu a mulher que amava para o trabalho e, depois, como ex esposa, a perdeu para Foyet. Perdeu Elle para Randall Gardner, Kate Joyner, sua amiga para o terrorismo, foi indiretamente responsável pela perda de Emily Prentiss, uma vez que não salvá-la de Doyle desencadeou o seu processo de saída da equipe. Perdeu sua chefe Erin Strauss e perde, toda vez que não pode proteger alguém por quem se sente responsável. Se algum personagem entre os membros do time sabe o que é sentir culpa, este personagem é o dele. Ele próprio diz isto a Gideon em Ashes and Dust ( 02x19), sobre ser um herói que caça assassinos e sentir medo de nunca ser o suficiente. Nada mais óbvio que fosse ele a refletir em suas alucinações o medo por sua equipe, por não chegar a tempo ou por não poder salvá-los. Uma culpa muito parecida com a de Peter Lewis, uma culpa que nunca poderá ser perdoada.

Apenas interpretado desta forma o episódio faz sentido, e é uma pena que por falta de um roteiro um pouco mais claro em suas intenções isto não tenha sido passado para a totalidade de quem assistiu Mr. Scratch. Além disto, algumas soluções um pouco preguiçosas, como a pirotecnia na cena em que o unsub derruba o sistema elétrico do BAU. Soluções deste tipo empolgam momentaneamente, mas já foram vistas anteriormente e fazem parecer que derrubar este sistema é relativamente simples para alguém com muita inteligência. E não é bem assim. Ou, como o Hotch, ao contrário das outras vítimas que apenas absorveram a mistura química via inalação por correntes de ar, toma um “banho” destes mesmos produtos e ainda assim, mesmo alucinando, consegue manter-se com menos sintomas dos que os outros (ele não dormiu por horas após a inalação, coisa que ocorreu com os demais e lembra-se de tudo o que o unsub fez despertar nele, o suficiente para contar para Rossi).

A minha queixa não é sobre o efeito que o episódio teve na maioria das pessoas que o assistiu. Ele de fato criou todo o medo, susto e angústia esperados ( bom, vou aqui considerar que o objetivo foi atingido por aqueles que conseguiram se manter imersos na história, o que não foi meu caso – para mim, desde o início ficou óbvio que toda aquele derramamento de sangue era mais uma alucinação). Minha queixa foi investir apenas na ação. Visto que ao final fica clara a abertura deixada para que Hotch venha a reviver toda aquela experiência em futuro próximo – Peter afirma que eles não sabem o que ele foi capaz de fazer com a cabeça de Hotch e isso sim deveria ser um tremendo gancho – é uma pena que o roteiro tenha permitido diversas interpretações para um fato que se dispunha a ser claro desde o princípio: a de que realiza o unsub mexer com a cabeça de outras pessoas, inocentes como ele próprio um dia foi, manipulando-os da mesma forma que se sentiu manipulado. O gesto que Peter faz discretamente ao olhar para Hotch no momento em que era preso ( e o temor nos olhos de Hotch ) deixa evidente que a história não termina ali e que consequências ( para nosso querido agente) virão. Não é a toa que um monte de gente ficou achando que no episódio seguinte veríamos a conclusão da história do agente Hotchner. Levou anos para que Peter se tornasse um criminoso vítima da manipulação a que foi submetido um dia. Levará também muito tempo ( claro, contando que haja uma décima primeira temporada) para que isto venha a se manifestar em nosso agente e, se eles souberem ser criativos isto pode se tornar muito interessante.

Além disto meu outro protesto vai para a iluminação. Uma coisa é uma escuridão proposital para criar um clima sombrio, outra é não se enxergar nada na cena. Esperei até o episódio passar na TV para ter certeza de que fosse uma reclamação justa, uma vez que assistir episódios baixados pode não ser confiável. Mantenho minha opinião à respeito. Algumas cenas estavam quase nada visíveis, totalmente desnecessário.



Que Mattheu G Gluber tem talento para a direção, em especial para filmes onde o sobrenatural e o macabro fazem parte da história ninguém duvida. Também é fato que Breen Frasier é um excelente roteirista, criando alguns episódios brilhantes da série. No entanto, alguma coisa neste episódio especificamente não funcionou enquanto história bem contada. Mexeu eficientemente com a adrenalina, mas não com o coração das pessoas. O que não impediu de, embora pouco compreendido, ter sido eleito por muitas pessoas como um dos melhores episódios da série. Não impunemente o episódio seguinte teve audiência tão baixa, mas isto já é estória para outra review.

Até o próximo episódio!

Observações:

* Todos os atores convidados tiveram desempenho acima da média e enriqueceram Mr. Scratch, mas inegavelmente o show foi mais uma vez de Thomas Gibson. Atuando de forma totalmente diferente do esperado, seu Hotch, como em uma espécie de premonição de que o dia não acabaria bem, deixou de lado a carcaça dura e fria, permitindo-se transparecer as emoções todas, como se quase não conseguisse manter o controle, ou não se conformasse com a falta dele. Pode parecer imparcial, pois é notório que sou fã do trabalho do ator, mas fico triste observando que os atores desde elenco sempre se superam e quase nunca obtêm o devido reconhecimento.

* A referência ao medo de infância de Kate ser Melissa Gordner é uma brincadeira com o nome da personagem que JLove Hewitt interpretou em Ghost Whisperer: Melinda Gordon, personagem que lidava com mortos que não conseguiam partir para o “outro lado” sem uma ajudinha dela.

*  Por último, ficou faltando alguém entrevistar a assassina que matou seu namorado em um hospital e não na própria BAU. Visivelmente em choque, uma pessoa assim jamais seria liberada de um hospital para ser interrogada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Criminal Minds 10×11: The Forever People


A volta dos feriados natalinos nos trouxe um episódio de Criminal Minds com um assassino psicopata e uma JJ enfrentando seus piores fantasmas. Quando são encontrados corpos congelados em um rio na cidade de Nevada, a equipe é chamada a traçar o perfil do assassino e encontrá-lo.

Descobrimos aos poucos que uma mãe com seu filho pequeno foram aliciados pela Forever People, um culto que abusa de métodos de condicionamento e lavagem cerebral para manter os seguidores controlados. Isto nos leva a conhecermos  Colton Grant, o líder da seita. É JJ quem percebe que há algo diferente com um dos seguidores e o chama para interrogatório, descobrindo que na verdade, ele é o pai que tenta resgatar seu filho infiltrando-se no local como um adepto no momento em que recebe um telefonema de ajuda da tal mãe, mencionada acima.



que cultos nos remetem de imediato à experiência da equipe quando estiveram em Colorado, em Minimal Loss com Cyrus e sua fúria religiosa, mas na verdade a coisa desta vez não corre bem desta forma. Embora Colton Grant seja um grande picareta, que arrecada dinheiro sob a  sombra de uma ONG que em teoria existe para controlar o aquecimento global, desta vez o assassino não é o líder do culto. É JJ, que em estado de fúria pelo momento que está atravessando que vai percebendo as migalhas no meio do (como entrevistar o único seguidor que ousou lançar um olhar para ela) e, mais para o final do episódio, arriscar sua vida inconsequentemente para matar o unsub (um membro da seita) e salvar a vida de um pai que arriscou-se por seu filho.

Embora tenha uma sub trama interessante, o episódio é todinho de AJCook. Prestes a completar um ano de sua captura e subsequente tortura, ela está a beira de um ataque de nervos. Seja física ou psicologicamente ela mostra-se afetada pelos traumas do seu passado recente, lamenta-se por ter perdido um filho, por ter sido enganada e depois maltratada fisicamente pelo seu algoz.

Sua irresponsável condução para finalizar o caso, matar o assassino e resgatar o refém são um retrato cruel do quanto JJ está sofrendo e nem bem sabe como conduzir suas  palavras e ações e embora tenha um marido que ama e um filho que ama ainda mais, ela está meio que a “chutar o balde”. Sua conversa com Reid é quase um monólogo, visto que há pouco que o rapaz possa fazer por ela. É um desabafo unilateral, onde Spencer tenta ajudar sabendo que pode fazer muito pouco (por sinal, uma cena emocionante).

É na ato final que o roteirista (Breen Frasier muito inspirado) se esbalda, oferecendo um confronto direto entre JJ e seu maior pesadelo. Analisando o histórico de Tivon Askari – cortesia de Emily, via Spencer, (em brilhante interpretação de Faran Tahir) nossa Jeniffer confronta seu medo, jurando não ceder a tudo o que Tivon promete arrancar dela em vida. Ela sabe que pode sucumbir a todas as  fraquezas previstas por ele, tais como perder o sono, o emprego e a própria família, mas ao sair da sala deixa claro que irá deixar ele também para trás. Nega-se a ser mais vítima do que já foi e só o tempo nos dirá se ela conseguirá. A cena configura com clareza aterrorizante, os efeitos das vivências de pessoas na posição de JJ, gente que todos os dias negocia com o diabo em troca de resultados duvidosos, nestas guerras espalhadas planeta afora, gente que carrega marcas que nem a pele nem a memória podem apagar. É apenas um aperitivo para todos os noticiários diários que acompanhamos, gostemos ou não.
É provável que os efeitos deste trauma em JJ retornem em episódio apropriado, mais à frente na temporada, mostrando-nos (ou não) o quanto ela foi capaz de lidar com tudo isto.

Como sempre, um excelente episódio! Aguardando os próximos!!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Criminal Minds 10×10: Amélia Porter


Encerrando a temporada pré feriados natalinos, Amélia Porter faz jus ao conteúdo geral desta décima temporada até então, com um roteiro original, interpretações do elenco convidado de ótima qualidade e um Rossi para lá de travesso.

Após serem chamados a Salt Lake City para investigar o assassinato de quatro pessoas, começamos a conhecer melhor Benton Farland, um camarada que acaba de sair da prisão, onde cumpriu  pena por estuprar e matar, juntamente com a tal Amélia Porter, sua própria irmã. Ao longo do filme descobrimos o relacionamento do unsub com seu pai ( a quem ele também mata em uma acesso de raiva ) e com seus sobrinhos, Andy e Rebecca, que ele leva com ele durante sua fuga.

amélia 3

Amélia Porter nunca foi punida, pois fugiu e deixou o rapaz pagar por tudo sozinho. Tudo nos leva a crer que Benton é um desequilibrado sem sorte, que foi manipulado por sua parceira, uma mulher na época muito mais velha que ele que influenciou seu mal comportamento. Ao raptar seus sobrinhos, temos a impressão de que o rapaz é do tipo, quanto mais faz para consertar tudo pior fica e ele só vai se afundando. Em uma interpretação inspirada do ator convidado Travis Caldwell, encontramos o horror dos crimes cometidos em família, para mim, sempre mais contundentes e trágicos do que os crimes cometidos por estranhos. A intenção é sempre culpar o envolvimento com pessoas erradas, as chamadas más companhias, para justificar o fato inacreditável de um irmão estuprar e assassinar sua irmã.

Por outro lado, a aceitação meio passiva de seu sobrinho em seguir Benton e manter sua irmã Rebecca como refém, nos deixa em dúvida se o sobrinho seguirá os mesmos passos do tio, também se deixando levar pela má influência, ou se apenas está colaborando para que o pior não venha a acontecer com ele e sua irmã. Aqui também bastante sólidas foram as interpretações de Kasey Campbell e Mary Mouser, respectivamente como Andy e sua irmã Rebecca, suficientes para gerar inquietação e convencer. Falo isto porque atualmente tem sido difícil os atores muito jovens darem conta do recado em termos de interpretação ( não só nas séries americanas, também em obras brasileiras tem sido difícil encontrar candidatos a futuros astros).

De qualquer forma, a tentativa de salvar-se e à Rebecca jogando o em uma ribanceira acaba supostamente no assassinato frio e sem qualquer remorso de Andy e fica que as intenções de Benton são as piores quando ele foge com a moça. E aos poucos a equipe vem desmembrando o caso e traçando o perfil do unsub até levá-los ao início, quando da morte de Míriam. Isto coincide com a chegada de Benton a uma cabana em lugar remoto, onde iremos descobrir que o manipulador e a má influência é nosso unsub e não Amélia, como o desenrolar da trama nos faz imaginar. É quando o horror é melhor explorado, quando nos choca ouvir que o rapaz quer reviver com sua parceira sua experiência inicial, pois afinal, Rebecca é a cara da mãe….. É difícil simpatizar com Amélia, mesmo ficando claro que ela também fora uma vítima (?) de Benton. Ao ser encurralado pelos nossos agentes, para não voltar à cadeia, o sujeito faz um favor à humanidade e tira a própria vida, porque sejamos francos, alguém com este tipo de psicopatia e maldade não tem qualquer perspectiva de recuperação. E Adélia, agora localizada, provavelmente também pagará sua pena por seus atos e suas péssimas decisões.

améila 2


Quanto ao encerramento do caso de Hotch e Beth fiquei satisfeita com a condução do assunto. Aconteceu de forma natural e coerente com a linha de pensamento do personagem, muito de acordo com a discrição de Hotch, que nunquinha iria bater choramingando na porta de Rossi ou de qualquer outro para lamentar o rompimento. E a química existente entre os atores Joe Mantegna e Thomas Gibson é tão impressionante, fruto de anos de experiência, que apenas eleva o nível da estória. Muito a cara do Rossi ficar ofendido por ter perdido a oportunidade de ser o primeiro a saber e, assim, socorrer o amigo com seus goles de envelhecido vinte anos e seus charutos cubanos. E a cena final… super engraçada, mas ainda sem descaracterizar os personagens. E muito bom saber que Hotch ainda tem cartas na manga…

Até a próxima pessoal!

Criminal Minds 10×09: Fate


Quando você inicia sua carreira profissional está suscetível a cometer diversos enganos de principiante e isto é perfeitamente aceitável e, supõe-se, se você for esforçado, irá aprender com seus erros. Um bom profissional erra e constrói uma carreira sólida em cima de seus aprendizados. Isto eu posso compreender. E aceitar. O que não perdoo é o profissional que não usa seus erros como método de aprendizado, que passa anos pecando pelo seu excesso de confiança, que não se torna o melhor no que faz com o passar do .

Dito isto, direi, ao contrário da grande maioria, que Fate foi um péssimo episódio.  De forma geral, vi fãs em êxtase com as cenas ora arrogantes, ora fofas do Rossi com sua até então desconhecida filha. De forma geral, é o tipo de episódio que agrada a maioria. Mas, convenhamos, depois de dez anos escrevendo roteiros brilhantes, a equipe responsável pela criação das estórias  nos deve mais do que apenas agradar.
Embora contando com brilhantes interpretações do elenco convidado, com todo o empenho de Joe Mantegna e seus colegas do elenco regular e com muito boas intenções, o roteiro deste episódio é furado como uma peneira. Faltou pesquisa. Sobrou boas intenções. Intenções de inúmeros argumentos para amarrar uma estória que começou errada.

Analisando inicialmente os motivos da unsub, nos deparamos de cara com uma falha no mínimo informativa: bastava acessar o google  para descobrir que a síndrome sugerida ( também conhecida como Síndrome do Pavio Curto ou Síndrome de Hulk) não pode ocorrer através de traumas físicos como é relatado pela equipe durante a passagem do perfil. Tal doença tem origem genética ou psicossocial ( adquirida através de traumas emocionais, jamais físicos, como uma lesão no lobo frontal).  Logo a unsub nunca poderia ter adquirido a doença em seu acidente. Da mesma forma, ainda vasculhando o google, também saberemos que a síndrome não provoca dissociação da realidade como sugere o roteiro. Embora a culpa e vergonha sejam características marcantes, em nenhum momento  ela  deixaria de perceber os crimes que estava cometendo.

Ainda  sobre a unsub, fica difícil acreditar que alguém que sofre  de um distúrbio tricotômico ( arrancar os cabelos) possa controlar e esconder sua necessidade de um marido com quem divide a . Tal síndrome destaca-se pela compulsão, ou seja, o doente não consegue evitar o ato de arrancar os cabelos. Acho infantil crer que ela só arrancasse seus fios durante a ausência de seu marido e filhos. A característica primeira de uma compulsão é não poder controlar o momento em que a pessoa se auto mutila. Isto para nem mencionar o fato de que pessoas, com o intuito de esconder sua compulsão de seus parentes , arrancam fios um a um e nunca uma mecha do tamanho da apresentada pela  policial no local do crime. Informação desencontrada em excesso só confirma minha teoria: menos é sempre mais.



Quanto ao fato de Rossi ter uma filha nem sei por onde começar. Embora a cena inicial tenha sido muito simpática ( ele acuando a moça no carro querendo saber quem era seu perseguidor, oferecendo o café e tal) aqui também faltou o mínimo de pesquisa básica para ancorar a   estória. Em diversos episódios ouvimos David contar que seus três casamentos fracassaram porque suas esposas não aguentaram a pressão de uma vida ao lado de um homem desatento a compromissos pessoais, sem hora certa para começar e terminar seu expediente, faltoso nos momentos primordiais em atenção entre outras coisas. Eis que então acompanhamos em flashback um Rossi que desprezou os pedidos ansiosos da esposa para ficar, em uma tentativa de fazer dar certo o relacionamento. Ou, em outras palavras, quem não tentou fazer dar certo foi ele, não sua esposa na época. Na mesma linha, nos perguntamos como Rossi passou quase um ano vivendo em Paris, em plena atividade profissional no FBI. E, então, surge um novo problema. Ele alega que em 84 precisava optar  por sua carreira ( algo como uma oportunidade de principiante) . Ocorre que, em Profiler 101, episódio da oitava temporada, David conta que também em 84 ele já se encontrava no BAU, em caça ao unsub que lhe entrega um nome de vítima a cada aniversário. Ainda pior: foi divulgado que em episódio a ser exibido, Jason Gideon e David Rossi irão trabalhar juntos no BAU na década de setenta.

Estas foram apenas algumas das coisas mal  pesquisadas do episódio. E, neste ponto sou rigorosa. Em uma série com dez anos de estória, a lição básica a ser seguida é respeitar a linha do tempo, é estabelecer uma cronologia mínima para um personagem e não fugir dela em momento algum. Pode parecer pouco para o grande público que se empolgou com a cena emocionante de Rossi tentando se redimir no aeroporto, mas não dá para ignorar  o comportamento arrogante e quase histérico dele com uma suposta filha. Há unsubs que ele já tratou com mais educação do que ele tratou a moça sem ao menos ouvi-la.

Há também o lado da mãe. Uma diplomata, mulher esclarecida ( aliás, no episódio 6×22 – Out of the Light – foi descrita rapidamente pelo próprio Rossi aos companheiros como: minha segunda esposa era artesã???), que por opção oculta por quase trinta anos o fato de ter tido uma filha com um homem com quem fora casada. Não consigo imaginar que, ao saber que sua filha agora conhece quem é seu pai legítimo, não se dá ao trabalho nem de prevenir o pai de que será procurado pela moça, e nem sequer facilita a vida da própria filha: faz com que  ela tenha que juntar documentos para formar um dossiê!



A cereja do bolo é sem dúvida Hotch, ao final do episódio, depois da moça gritar a plenos pulmões no meio do saguão do BAU ser filha de David, ele perguntar ao amigo: “-Algum problema, David?” Dispensa comentários…É esperar pelo próximo!

Até mais!