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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Criminal Minds 10×11: The Forever People
A volta dos feriados natalinos nos trouxe um episódio de Criminal Minds com um assassino psicopata e uma JJ enfrentando seus piores fantasmas. Quando são encontrados corpos congelados em um rio na cidade de Nevada, a equipe é chamada a traçar o perfil do assassino e encontrá-lo.
Descobrimos aos poucos que uma mãe com seu filho pequeno foram aliciados pela Forever People, um culto que abusa de métodos de condicionamento e lavagem cerebral para manter os seguidores controlados. Isto nos leva a conhecermos Colton Grant, o líder da seita. É JJ quem percebe que há algo diferente com um dos seguidores e o chama para interrogatório, descobrindo que na verdade, ele é o pai que tenta resgatar seu filho infiltrando-se no local como um adepto no momento em que recebe um telefonema de ajuda da tal mãe, mencionada acima.
que cultos nos remetem de imediato à experiência da equipe quando estiveram em Colorado, em Minimal Loss com Cyrus e sua fúria religiosa, mas na verdade a coisa desta vez não corre bem desta forma. Embora Colton Grant seja um grande picareta, que arrecada dinheiro sob a sombra de uma ONG que em teoria existe para controlar o aquecimento global, desta vez o assassino não é o líder do culto. É JJ, que em estado de fúria pelo momento que está atravessando que vai percebendo as migalhas no meio do (como entrevistar o único seguidor que ousou lançar um olhar para ela) e, mais para o final do episódio, arriscar sua vida inconsequentemente para matar o unsub (um membro da seita) e salvar a vida de um pai que arriscou-se por seu filho.
Embora tenha uma sub trama interessante, o episódio é todinho de AJCook. Prestes a completar um ano de sua captura e subsequente tortura, ela está a beira de um ataque de nervos. Seja física ou psicologicamente ela mostra-se afetada pelos traumas do seu passado recente, lamenta-se por ter perdido um filho, por ter sido enganada e depois maltratada fisicamente pelo seu algoz.
Sua irresponsável condução para finalizar o caso, matar o assassino e resgatar o refém são um retrato cruel do quanto JJ está sofrendo e nem bem sabe como conduzir suas palavras e ações e embora tenha um marido que ama e um filho que ama ainda mais, ela está meio que a “chutar o balde”. Sua conversa com Reid é quase um monólogo, visto que há pouco que o rapaz possa fazer por ela. É um desabafo unilateral, onde Spencer tenta ajudar sabendo que pode fazer muito pouco (por sinal, uma cena emocionante).
É na ato final que o roteirista (Breen Frasier muito inspirado) se esbalda, oferecendo um confronto direto entre JJ e seu maior pesadelo. Analisando o histórico de Tivon Askari – cortesia de Emily, via Spencer, (em brilhante interpretação de Faran Tahir) nossa Jeniffer confronta seu medo, jurando não ceder a tudo o que Tivon promete arrancar dela em vida. Ela sabe que pode sucumbir a todas as fraquezas previstas por ele, tais como perder o sono, o emprego e a própria família, mas ao sair da sala deixa claro que irá deixar ele também para trás. Nega-se a ser mais vítima do que já foi e só o tempo nos dirá se ela conseguirá. A cena configura com clareza aterrorizante, os efeitos das vivências de pessoas na posição de JJ, gente que todos os dias negocia com o diabo em troca de resultados duvidosos, nestas guerras espalhadas planeta afora, gente que carrega marcas que nem a pele nem a memória podem apagar. É apenas um aperitivo para todos os noticiários diários que acompanhamos, gostemos ou não.
É provável que os efeitos deste trauma em JJ retornem em episódio apropriado, mais à frente na temporada, mostrando-nos (ou não) o quanto ela foi capaz de lidar com tudo isto.
Como sempre, um excelente episódio! Aguardando os próximos!!!!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Coração Torto, Coração Tolo
Meu
coração é torto. Torto e angustiantemente tolo.
Claro,
ele bate,tal qual qualquer outro coração humano existente.
Mas
certamente bate em uma onomatopeia diferente.
Seu
compasso nunca é regido pela realidade.
Ele
bate melhor na ilusão.
Na
esperança.
Na
paixão.
Ele
bate mais forte quando se apaixona e, às vezes
deixa
de bater porque está apaixonado.
Meu
coração é meu pulmão buscando no ar
fôlego
para aguentar o dia a dia.
Ele
é meu cérebro dissecando a razão,
nem
sempre tão feliz em sofrer pelo que vale a pena.
Meu
coração são minhas pernas,
correndo
atrás de bons motivos.
São
meus braços,
ue
querem abraçar o mundo e muito mais.
Este
coração vagabundo, irresponsável,
mina
meus sentidos quando mais preciso deles.
Nega-se
a crer que o mundo deixou de valer a pena,
e
prende-se aos detalhes para me convencer do contrário.
Este
imprestável resiste à dor de cada notícia ruim,
sempre
com um sorriso aberto
de
quem acredita em um dia melhor.
Este
tratante procura cor nos desenhos em sépia
e ouve música nos incômodos silêncios.
Recusa-se
a crer que o mundo
já
não tenha as cores que as caixas de lápis de cor apresentam.
Quando
penso em desistir, é ele quem primeiro protesta.
E
me enche de motivos para continuar a sorrir.
São
tantas mortes de inocentes,
E
ele me lembra do homem que amo.
São
tantas crianças com fome,
E
ele me lembra do amor do meu filho.
São
as guerras e o ódio disseminado,
e ele me lembra da minha família,
Meus
irmãos, meus pais, avós.
Vejo
a falta de gentileza e ele me encanta
com
o sorriso lindo dos meus sobrinhos.
É
tanta solidão e tristeza que fecho o jornal.
É
quando ele me lembra dos amigos que fiz,
das
pessoas que conheci em meu caminho,
das
crianças que vi crescer, ensinando o bem,
o
amor, a educação e a paz.
Meu
coração é um vigarista barato,
que
mexe com as minhas emoções.
Que
ousa me convencer que além das guerras
existe
a paz em algum lugar.
Existe
a esperança.
Este
coração é uma criança.
Nunca
cresceu.
Nunca
se permitiu ser derrotado.
Nunca
abandonou seus ideais.
É
um coração corajoso.
Deposita
em seus sonhos
toda
a vontade de viver
e
todo o seu medo de morrer,
sem
fazer a diferença.
Pobre
infeliz....
Nestes
tempos nebulosos ele sofre ainda mais.
Sua
fé inabalável no imperfeito ser humano
o
torna suscetível demais.
E
dá-lhe batida extra, em um sobressalto,
se
quem você ama não está bem.
Coração
irreparável,
incorrigível,
irrecuperável.
Traste
que me domina e me engana,
fazendo
de conta que me faz feliz.....
Querendo
acreditar que não tenho olhos,
nem
ouvidos, que não sei ler ou ver ou sentir.....
Não
sei se te amo ou te odeio....
Me
fazes crer no improvável e eu gosto....
Me
deixas sonhar, te agradeço....
Traz
de volta a cor aos meus olhos e
a
melodia aos meus ouvidos....
Coração
tratante, obrigada.
Graças
a tua irreverência eu posso ser quem eu quero
e
sonhar quanto queira.
Graças
àquela batida a mais posso acreditar
e
resistir e rebater aquele que discute comigo.
Coração
descuidado este,
que
me ensina todos os dias a ser descuidada também.
A
não chorar antes da hora,
não
lamentar antes do fim.
A
crer, tanto e sempre que,
no
entanto, faz de mim tão tratante quanto és,
tão
descuidada e errante,
e
ainda assim feliz.
Porque
não me torna ausente,
não
me idiotiza.
Apenas
faz de mim, mais humana do que a maioria é.
Mais
falível, mais sensata, mais eu apenas.
E
eu gosto disto.
Gosto
do meu coração torto
e
irremediavelmente tolo.
Ele
me lembra todo o tempo que tenho que ser melhor
e
não me importo.
Ele
faz de mim, tudo aquilo que sempre desejei ser.
Mesmo
estando errada.
Coração
torto,
coração
tolo......
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Sobre O Amor A Um Time
Minha paixão pelo meu time é herança orgulhosa do corinthiano mais íntegro, honesto e humano que conheci, meu avô, Sr. Antonio Gutierrez, cuja paixão pelo clube nasceu desde muito cedo. Assim como a paixão de meu irmão pelo seu time, São Paulo,foi herança de meu pai, avô paterno e tio e cabe aqui mencionar que integridade e honestidade são os adjetivos que melhor definem meu irmão Mauro Ratto .
Desta forma, além de sentir-me profundamente ofendida quando vejo um repórter chamando um criminoso que usa a camisa do meu time de “torcedor”, imagino que a grande maioria dos torcedores de bem dos mais diversos times também se sintam desconfortáveis. É gostoso brincar com amigos, zoando-os quando perdem e da mesma forma aceitando as brincadeiras quando a vitória não é nossa, sempre de forma respeitosa, sem ofensas pessoais, sempre deixando a rivalidade intrínseca e imensa dentro do campo de futebol, afinal sem um tremendo adversário nenhuma vitória é realmente bem aproveitada. Daí a ser comparada a pessoas de péssima índole, sem educação, sem senso de civilidade, acostumados a criar confusão sem serem punidos vai uma distância imensa.
Ser um torcedor apaixonado é algo meio sem explicação. É meio como sofrer por um problema que você não criou, mas cujas conseqüências você irá arcar. Você quer ignorar o clássico, mas seu coração dá um salto diferente naquele domingo. Você não é supersticiosa, mas por via das dúvidas, mantém teu pequeno ritual, sabe como é, não custa tentar. Você se inflama durante o jogo, xinga, chama por Deus sem necessidade e sua um balde até o jogo acabar. Ser torcedor é ter orgulho de dizer que torce pelo teu time, mesmo quando você está cercado por pessoas do teu maior rival. Ser torcedor é tudo isto e muito mais, mas o que não é ser torcedor, é cometer atos vergonhosos usando uma camisa que merece respeito e prejudicar seu time com punições, com a necessidade da torcida única, com o medo que se instala aos honestos de comparecerem em família ao estádio para se divertir, para torcer e para passar em paz aquelas duas horas e pouco de um dia de jogo.
Enquanto não se tratar o vândalo como vândalo, o criminoso como criminoso, isto não vai melhorar. Os clubes precisam se posicionar a respeito das torcidas organizadas, repudiando e inibindo tais práticas e a polícia precisa tratá-los como civis que praticam atos ilícitos e não como atos de uma torcida inteira. Os estádios precisam voltar a ser da população como um todo e não reduto de torcidas organizadas que abrigam bandidos que anarquizam e atormentam a vida do torcedor comum.
Bandidos existem em todos os setores, em todas as profissões, em todos os meios. Não podemos permitir que trastes desta espécie manchem o orgulho que temos por torcermos pelo nosso time do coração!
Chega de violência e criminalidade no futebol! Aliás, chega de violência e criminalidade em nosso dia a dia.....
PS.: Viu querida Silvinha Vieira porque naquela manhã para ir à Arena eu deixei para colocar a nossa linda camisa lá?
Criminal Minds 10×10: Amélia Porter
Encerrando a temporada pré feriados natalinos, Amélia Porter faz jus ao conteúdo geral desta décima temporada até então, com um roteiro original, interpretações do elenco convidado de ótima qualidade e um Rossi para lá de travesso.
Após serem chamados a Salt Lake City para investigar o assassinato de quatro pessoas, começamos a conhecer melhor Benton Farland, um camarada que acaba de sair da prisão, onde cumpriu pena por estuprar e matar, juntamente com a tal Amélia Porter, sua própria irmã. Ao longo do filme descobrimos o relacionamento do unsub com seu pai ( a quem ele também mata em uma acesso de raiva ) e com seus sobrinhos, Andy e Rebecca, que ele leva com ele durante sua fuga.
Amélia Porter nunca foi punida, pois fugiu e deixou o rapaz pagar por tudo sozinho. Tudo nos leva a crer que Benton é um desequilibrado sem sorte, que foi manipulado por sua parceira, uma mulher na época muito mais velha que ele que influenciou seu mal comportamento. Ao raptar seus sobrinhos, temos a impressão de que o rapaz é do tipo, quanto mais faz para consertar tudo pior fica e ele só vai se afundando. Em uma interpretação inspirada do ator convidado Travis Caldwell, encontramos o horror dos crimes cometidos em família, para mim, sempre mais contundentes e trágicos do que os crimes cometidos por estranhos. A intenção é sempre culpar o envolvimento com pessoas erradas, as chamadas más companhias, para justificar o fato inacreditável de um irmão estuprar e assassinar sua irmã.
Por outro lado, a aceitação meio passiva de seu sobrinho em seguir Benton e manter sua irmã Rebecca como refém, nos deixa em dúvida se o sobrinho seguirá os mesmos passos do tio, também se deixando levar pela má influência, ou se apenas está colaborando para que o pior não venha a acontecer com ele e sua irmã. Aqui também bastante sólidas foram as interpretações de Kasey Campbell e Mary Mouser, respectivamente como Andy e sua irmã Rebecca, suficientes para gerar inquietação e convencer. Falo isto porque atualmente tem sido difícil os atores muito jovens darem conta do recado em termos de interpretação ( não só nas séries americanas, também em obras brasileiras tem sido difícil encontrar candidatos a futuros astros).
De qualquer forma, a tentativa de salvar-se e à Rebecca jogando o em uma ribanceira acaba supostamente no assassinato frio e sem qualquer remorso de Andy e fica que as intenções de Benton são as piores quando ele foge com a moça. E aos poucos a equipe vem desmembrando o caso e traçando o perfil do unsub até levá-los ao início, quando da morte de Míriam. Isto coincide com a chegada de Benton a uma cabana em lugar remoto, onde iremos descobrir que o manipulador e a má influência é nosso unsub e não Amélia, como o desenrolar da trama nos faz imaginar. É quando o horror é melhor explorado, quando nos choca ouvir que o rapaz quer reviver com sua parceira sua experiência inicial, pois afinal, Rebecca é a cara da mãe….. É difícil simpatizar com Amélia, mesmo ficando claro que ela também fora uma vítima (?) de Benton. Ao ser encurralado pelos nossos agentes, para não voltar à cadeia, o sujeito faz um favor à humanidade e tira a própria vida, porque sejamos francos, alguém com este tipo de psicopatia e maldade não tem qualquer perspectiva de recuperação. E Adélia, agora localizada, provavelmente também pagará sua pena por seus atos e suas péssimas decisões.
Quanto ao encerramento do caso de Hotch e Beth fiquei satisfeita com a condução do assunto. Aconteceu de forma natural e coerente com a linha de pensamento do personagem, muito de acordo com a discrição de Hotch, que nunquinha iria bater choramingando na porta de Rossi ou de qualquer outro para lamentar o rompimento. E a química existente entre os atores Joe Mantegna e Thomas Gibson é tão impressionante, fruto de anos de experiência, que apenas eleva o nível da estória. Muito a cara do Rossi ficar ofendido por ter perdido a oportunidade de ser o primeiro a saber e, assim, socorrer o amigo com seus goles de envelhecido vinte anos e seus charutos cubanos. E a cena final… super engraçada, mas ainda sem descaracterizar os personagens. E muito bom saber que Hotch ainda tem cartas na manga…
Até a próxima pessoal!
Criminal Minds 10×09: Fate
Quando você inicia sua carreira profissional está suscetível a cometer diversos enganos de principiante e isto é perfeitamente aceitável e, supõe-se, se você for esforçado, irá aprender com seus erros. Um bom profissional erra e constrói uma carreira sólida em cima de seus aprendizados. Isto eu posso compreender. E aceitar. O que não perdoo é o profissional que não usa seus erros como método de aprendizado, que passa anos pecando pelo seu excesso de confiança, que não se torna o melhor no que faz com o passar do .
Dito isto, direi, ao contrário da grande maioria, que Fate foi um péssimo episódio. De forma geral, vi fãs em êxtase com as cenas ora arrogantes, ora fofas do Rossi com sua até então desconhecida filha. De forma geral, é o tipo de episódio que agrada a maioria. Mas, convenhamos, depois de dez anos escrevendo roteiros brilhantes, a equipe responsável pela criação das estórias nos deve mais do que apenas agradar.
Embora contando com brilhantes interpretações do elenco convidado, com todo o empenho de Joe Mantegna e seus colegas do elenco regular e com muito boas intenções, o roteiro deste episódio é furado como uma peneira. Faltou pesquisa. Sobrou boas intenções. Intenções de inúmeros argumentos para amarrar uma estória que começou errada.
Analisando inicialmente os motivos da unsub, nos deparamos de cara com uma falha no mínimo informativa: bastava acessar o google para descobrir que a síndrome sugerida ( também conhecida como Síndrome do Pavio Curto ou Síndrome de Hulk) não pode ocorrer através de traumas físicos como é relatado pela equipe durante a passagem do perfil. Tal doença tem origem genética ou psicossocial ( adquirida através de traumas emocionais, jamais físicos, como uma lesão no lobo frontal). Logo a unsub nunca poderia ter adquirido a doença em seu acidente. Da mesma forma, ainda vasculhando o google, também saberemos que a síndrome não provoca dissociação da realidade como sugere o roteiro. Embora a culpa e vergonha sejam características marcantes, em nenhum momento ela deixaria de perceber os crimes que estava cometendo.
Ainda sobre a unsub, fica difícil acreditar que alguém que sofre de um distúrbio tricotômico ( arrancar os cabelos) possa controlar e esconder sua necessidade de um marido com quem divide a . Tal síndrome destaca-se pela compulsão, ou seja, o doente não consegue evitar o ato de arrancar os cabelos. Acho infantil crer que ela só arrancasse seus fios durante a ausência de seu marido e filhos. A característica primeira de uma compulsão é não poder controlar o momento em que a pessoa se auto mutila. Isto para nem mencionar o fato de que pessoas, com o intuito de esconder sua compulsão de seus parentes , arrancam fios um a um e nunca uma mecha do tamanho da apresentada pela policial no local do crime. Informação desencontrada em excesso só confirma minha teoria: menos é sempre mais.
Quanto ao fato de Rossi ter uma filha nem sei por onde começar. Embora a cena inicial tenha sido muito simpática ( ele acuando a moça no carro querendo saber quem era seu perseguidor, oferecendo o café e tal) aqui também faltou o mínimo de pesquisa básica para ancorar a estória. Em diversos episódios ouvimos David contar que seus três casamentos fracassaram porque suas esposas não aguentaram a pressão de uma vida ao lado de um homem desatento a compromissos pessoais, sem hora certa para começar e terminar seu expediente, faltoso nos momentos primordiais em atenção entre outras coisas. Eis que então acompanhamos em flashback um Rossi que desprezou os pedidos ansiosos da esposa para ficar, em uma tentativa de fazer dar certo o relacionamento. Ou, em outras palavras, quem não tentou fazer dar certo foi ele, não sua esposa na época. Na mesma linha, nos perguntamos como Rossi passou quase um ano vivendo em Paris, em plena atividade profissional no FBI. E, então, surge um novo problema. Ele alega que em 84 precisava optar por sua carreira ( algo como uma oportunidade de principiante) . Ocorre que, em Profiler 101, episódio da oitava temporada, David conta que também em 84 ele já se encontrava no BAU, em caça ao unsub que lhe entrega um nome de vítima a cada aniversário. Ainda pior: foi divulgado que em episódio a ser exibido, Jason Gideon e David Rossi irão trabalhar juntos no BAU na década de setenta.
Estas foram apenas algumas das coisas mal pesquisadas do episódio. E, neste ponto sou rigorosa. Em uma série com dez anos de estória, a lição básica a ser seguida é respeitar a linha do tempo, é estabelecer uma cronologia mínima para um personagem e não fugir dela em momento algum. Pode parecer pouco para o grande público que se empolgou com a cena emocionante de Rossi tentando se redimir no aeroporto, mas não dá para ignorar o comportamento arrogante e quase histérico dele com uma suposta filha. Há unsubs que ele já tratou com mais educação do que ele tratou a moça sem ao menos ouvi-la.
Há também o lado da mãe. Uma diplomata, mulher esclarecida ( aliás, no episódio 6×22 – Out of the Light – foi descrita rapidamente pelo próprio Rossi aos companheiros como: minha segunda esposa era artesã???), que por opção oculta por quase trinta anos o fato de ter tido uma filha com um homem com quem fora casada. Não consigo imaginar que, ao saber que sua filha agora conhece quem é seu pai legítimo, não se dá ao trabalho nem de prevenir o pai de que será procurado pela moça, e nem sequer facilita a vida da própria filha: faz com que ela tenha que juntar documentos para formar um dossiê!
A cereja do bolo é sem dúvida Hotch, ao final do episódio, depois da moça gritar a plenos pulmões no meio do saguão do BAU ser filha de David, ele perguntar ao amigo: “-Algum problema, David?” Dispensa comentários…É esperar pelo próximo!
Até mais!
terça-feira, 11 de novembro de 2014
How To Get Away With Murder S01E07: He Deserved To Die
Há uma conhecida citação de Robert Frost que diz: “ Um júri é um grupo de pessoas escolhidas para decidir quem tem o melhor advogado!”. Neste episódio não houve um júri, mas com certeza houveram vários advogados dando o melhor de si.
Em um episódio onde o caso da semana foi o apenas e tão somente o próprio plot da série, o destaque ficou por conta de quem conseguiu obter maior vantagem jurídica dos acontecimentos. Pudemos, desta forma, conhecer mais alguns detalhes do assassinato de Lila e da vida pessoal de Annalise.
O advogado de Griffin ( Greg Germann, o eterno Richard Fish de Ally McBeal nos anos entre 1997 a 2002) entra com um pedido de nova autópsia em Lila, justificando que foram agora encontrados sinais que poderiam ser marcas de unhas e, uma vez que como esportista seu cliente tinha as unhas sempre cortadas rentes ( ?? ), seria provável que em novo exame pudesse se apurar de quem seriam as unhas ( em nítida tentativa de incriminar Rebecca). Neste ponto Keating esclarece ao seu time ( para que nós saibamos) que peritos podem ser “contratados” e podem dar laudos de acordo com o desejo de seu contratante, tática esta que ela define como “corrupção”.
É neste ponto que a promotora se faz de amiga e parte interessada, dando a Annalise a dica de que o tal perito a favor de Griffin era conhecido por seus depoimentos duvidosos, em geral, sempre a favor do advogado que o convocava. Eis aí uma coisa que questiono. Será que uma advogada tão escolada como ela nem consideraria a possibilidade de estar sendo manipulada pela promotoria? Alguém com sua experiência deveria esperar que a promotora não lhe faria gentilezas apenas porque foi com a cor dos seus olhos. Achei muita ingenuidade de Annalise, pois qualquer um com um pouco de malícia perceberia o clichê, enfim…
Outra cena desnecessária para mim foi Keating voltar a pedir a ajuda de Nate. Às vezes acho que entre as trapalhadas do marido e as patetadas com o amante ela não tem qualquer amor-próprio. A cena apenas serviu para termos certeza de que Nate nunca a perdoou por ter sido traído por ela ( o que fez com que ele perdesse o emprego) e está fazendo de tudo para assistir de camarote a casa cair e ela dançar de vez.
Como parece que tudo acaba girando em torno de ( não necessariamente consumado, eventualmente apenas uma boa cantada) nossa protagonista manda os meninos à luta em um bar para flertar e assim, arrancar informações sobre a ação da promotoria. E é desta forma comum ( onde alguém sempre fala mais do que é permitido) que eles descobrem um acordo velado entre a promotora e o advogado de defesa de O’Really, de forma a isentar o rapaz e conseguir uma condenação para Rebecca. Em mais um procedimento questionável Annalise dá a entender a Rebecca que se ela vazar alguma coisa sobre o outro acusado isto pode favorece-la. E, assim, Rebecca deixa “escapar” que teria sido estuprada por Griffin, descumprindo a ordem de sigilo, mas, ainda assim, obrigando a promotoria a desfazer o acordo com o advogado do rapaz.
Nate neste ínterim aborda Rebecca e pede à moça que o ajude a condenar Sam pelo assassinato de Lila. Enquanto isso Bonnie informa Annalise que a nova autópsia teria identificado as marcas no pescoço de Lila como sendo picadas de formiga e, que, a autópsia anterior deixara passar o fato de que Lila estava grávida de seis semanas. Sabendo que hoje se pode fazer exame de DNA do cordão umbilical, tanto Sam como sua esposa devem ter gelado com a informação.
Outras considerações:
§ Não deu para não rir ao ver Asher agarrado ao troféu respondendo a perguntas durante a aula. Seu personagem, cada vez mais bem construído, vai do ingênuo ao patético no episódio sem qualquer dificuldade e de forma verossímil. A sua infantilidade em acreditar que a posse do troféu seja de fato uma enorme recompensa pelo seu empenho beira o ridículo.
§ Seu quase desprezo por seus alunos, leva Annalise a confessar que já fez ( um?) aborto.
§ E o que dizer da cara de Michaela ao descobrir que sua entrevista não era de emprego e sim, para assinar um acordo pré-nupcial ( gente, eu sou tolerante com as licenças poéticas, mas que raio de noivo não avisa sua futura esposa sobre o assunto?). Só eu achei absurdo ela ir até o advogado sem saber sobre o que se tratava?
§ Depois de dormir com Rebecca, Wes, entre outras confidências sem importância conta à namorada que mãe suicidou-se quando ele tinha doze anos. Achei que esta informação pode esclarecer um pouco da personalidade protetora do rapaz, não apenas em relação à Rebecca, mas como um todo.
§ Laurel e Kan, Laurel e Frank. Quem no final das contas vocês acham que vai se dar mal na brincadeira da menina? Eu aposto em Kan curtindo uma dor de cotovelo….
§ Outra cena meio gratuita no episódio foi Connor voltar a procurar por Olive depois de transar com Julien no banheiro de um bar. Como são muitas estórias paralelas acontecendo ao mesmo tempo, não há oportunidade para aprofundar muito cada estória e só podemos deduzir que, ao transar com seu antigo caso, Connor sentir falta de algo mais profundo.
§ O episódio teve dois momentos impagáveis:
- a veia cômica de Asher, inconformado com a facilidade com que Connor é assediado sexualmente, rendendo o seguinte comentário: ( para Connor): “- Você esquece o nome dele e ele quer transar com você? Você tem o quê? Um pênis vodú?” ( E, em seguida para Michaela que acompanha a cena) “- Ah, eu odeio não ter nascido gay…” e,
- a personalidade forte e decidida de Annalise, respondendo à promotora que a manda rezar para que as unhas no corpo exumado não sejam de sua cliente: “- Rezas são para fracos. Acabarei com você no tribunal!”.
De forma geral foi um bom episódio, com boas interpretações. Vamos aguardar para saber o quanto a de Lila irá comprometer Sam e ver até onde Nate consegue levar as evidências a fim de vingar-se de Annalise, entre outras coisas.
E vocês, o que acharam do episódio? Deixem seus comentários!
Até a semana pessoal!
How To Get Away With Murder S01E06: Freakin’Whack-a-Mole
Este episódio poderia ser definido com o popular provérbio: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faça…
O caso da semana serviu como um contraponto para medir o peso da retidão humana quando é o seu que está na reta. Annalise Keating tem uma última oportunidade de salvar da pena de morte um condenado que, mesmo após vinte e um anos de cumprimento da pena, continua alegando inocência. Ela recruta seu time Five Keating, além de contar com a ajuda de Bonnie e Frank, para encontrar uma brecha, uma abertura que possibilite provar que David Allen é inocente.
As coisas já começam a ficar estranhas quando o time descobre que o juiz do caso havia sido o pai de Asher, Willian Millstone. que o rapaz não gosta nada da coincidência e é solenemente ignorado por sua mentora quando a questiona sobre o assunto.
Durante o caso, Annalise mostra-se visivelmente irritada e abatida e tem motivos para isto. Wes a pressiona para que se faça justiça no caso de Rebecca, uma vez que ele já sabe do envolvimento de Sam com Lila, a moça assassinada. Com a promessa de trazer Rebecca de volta e defendê-la de forma isenta, a advogada ganha um tempo, fazendo com que Wes volte a se concentrar no caso. Ela chama Frank para resolver o problema de Rebecca e apenas ao final do episódio saberemos o que ele fez.
O que presenciamos é uma corrida contra o tempo, onde Laurel, Michaela, Connor, Asher e Wes refazem todos os passos do julgamento anterior, e se encarregam de interrogar o advogado que fez a defesa, o antigo promotor do caso, a testemunha ocular, e assim sendo, algumas teorias começam a se formar.
Asher, em uma conversa informal com seu pai o confronta de forma apaixonada, querendo crer que o homem que ele tinha como ídolo não teria alavancado sua carreira às custas da morte de um homem inocente. O silêncio do juiz dá a Asher a resposta que ele precisa e em troca do troféu e da garantia de que o nome de seu pai ficará de fora das investigações, o estudante entrega todo o serviço a Annalise.
Com esta informação em mãos fica mais fácil para que se identifique um caso de compra de testemunha que irá culminar com a condenação de Allen, evento este que ocultaria o verdadeiro motivo do assassinato: eliminar Trisha Stanley, pois era ela a representante de uma causa popular contra um agora senador endinheirado que forçou o despejo de dezenas de moradores para a construção de um grande shopping no local.
Com base em um caso ainda circunstancial, mas que levanta sérias dúvidas quanto à situação da testemunha ocular, Keating consegue, além da abertura de uma investigação contra o senador, o cancelamento da sentença contra David Allen e a impossibilidade dele ser julgado novamente pelo mesmo crime. Na prática, Annalise e sua equipe devolvem a liberdade ao acusado.
É muito interessante notar o alívio evidente da advogada quando da liberação da nova sentença. Ela realmente acreditou todo o tempo na inocência de seu cliente e mostrou-se comovida e grata com o resultado. Resultado este que só fora possível porque o sistema fora corrompido, porque uma testemunha fora comprada, porque, em suas próprias palavras no início do episódio: “ A justiça não recompensa a verdade, mas quem tem o poder para produzi-la”.
Tudo isto seria muito louvável, não fossem as cenas ao final do episódio. Não bastasse tentar proteger seu marido da exposição e posição investigação de assassinato, Annalise produz e serve sua própria cota de veneno, quando pede a Frank para plantar o de Lila no carro de O’Reilly, tornando- o assim, o único e principal suspeito. Desta forma, ela resolve o problema de Wes, pedindo que a Rebecca volte e assegurando-se de que ela não será incriminada. Sendo assim, aquele minha primeira observação, lá na primeira review que fiz da série se mantém. Para quem não leu ou não se lembra, mantenho minha opinião: “Advogados são profissionais tradicionalmente controversos, que vivem em um mundo obscuro onde o bem e o mal ganham contornos comprovadamente discutíveis. À mercê das leis, são conhecidos como personagens que contorcem argumentos até que eles se encaixem adequadamente ao interesse de quem por eles são defendidos”. Ou, em outras palavras, toda a indignação que moveu Keating a agir com tanta sanha para defender Allen, desfez-se em minutos no momento em que ela se utiliza de recursos tão sujos quanto, para defender Sam e Rebecca. E que Deus nos abençoe e nos proteja dos advogados……
Seguindo o estilo Shonda Rhimes de escrever ( embora HTGAWM seja apenas produzida por ela e não escrita ), continuamos tendo romances inusitados acontecendo aqui e ali. Desta vez foi Asher dormindo com Bonnie e chega a ser cômico a moça ser questionada se estava dormindo com Sam, enquanto estava com outro homem. Diga-se de passagem, não poderia haver parceiro mais estranho para Bonnie. Asher é infantil, imaturo e beira o irresponsável, contraponto para a Bonnie, a essência da eficácia.
Aliás, comentando sobre Asher, é preciso destacar que Matt McGorry deu conta do recado em um episódio escrito para ser seu. Na review passada eu havia comentado sobre ele ter que dar conta de um episódio com uma responsabilidade maior sobre o seu personagem e isto veio antes mesmo que eu imaginasse. Matt consegue dar um tom inconsequente e meio cômico a um Asher mimado e mal acostumado, meio sem noção da realidade que o cerca. Mas quando lhe foi exigida a emoção necessária, com seu pai e no tribunal, ele aproveitou a chance e cumpriu seu papel. O mesmo ocorre com Lisa Weil, que em um papel de certo destaque consegue tirar água de pedra, mostrando sua face rígida, vez por outra quebrada pela emoção, como na leitura da sentença final.
Outras considerações:
§ Só eu fiquei incomodada com a displicência de Frank ao plantar o celular no carro de O’Reilly em uma rua movimentada no meio do dia? Um cara experiente como ele?
§ De novo, só eu já não aguento mais a moeda subindo e a líder de torcida descendo nas cenas em flashforward? Eu entendo a intenção de ir complementando a ação até chegar à sua completa execução, mas acho que eles poderiam neste momento liberar um pouco mais de informação sobre o plot principal. Neste episódio, como nos anteriores soube-se muito pouco sobre a morte de Sam e os roteiristas poderiam ser um pouco mais criativos nesta área.
§ É necessário comentar acerca da fotografia. Com uma iluminação intimista nas tomadas dentro do escritório/casa de Annalise, cria-se um ambiente claustrofóbico, fechado, que valoriza a competição entre os alunos, o clima de sobrevivência que mantem o grupo ativo.
§ Bem, eu sei que a competição é necessária, mas às vezes me parecem muito imaturos. A picuinha entre eles, as excessivas reclamações, o mimimi sem fim me deixa uma impressão meio exagerada de todos eles.
§ Eu vou me tornar repetitiva aqui, mas há que se fazer um comentário especial sobre a interpretação de Viola Davis. Ela arrasa em todas as cenas em que se faz presente, conferindo à sua Annalise uma complexidade existente em qualquer ser humano. Sua personagem é uma rocha, que se torna uma fera ao enfrentar seus adversários no tribunal, mas com a mesma facilidade ela se desmonta e se fragiliza nos momentos mais contundentes, em geral, quando está sozinha e pode despir-se de uma coragem forjada para impressionar e mantê-la em pé. E a sua cena final resume toda esta fragilidade.
E vocês, o que acharam do episódio? Deixem seus comentários!
Até a semana pessoal!
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