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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Criminal Minds 9×23 e 9×24: Angels e Demons



 Assim que o episódio vinte e três começou eu percebi que não iria escrever uma review para cada parte do episódio duplo da Season Finale da nona temporada de Criminal Minds. Episódios duplos em Seasons Finales são em geral uma alternativa para quem quer deixar o público em espera e comoção até a volta da série, normalmente em setembro. Mas a produtora Erica Messer já havia dito que não queria cliffangers dramáticos atazanando os fãs até o início da décima temporada, então, estava muito claro que, por se complementarem, tais episódios seriam melhor compreendidos se analisados de uma só vez.
Um caso igual a tantos outros. Esta foi a primeira impressão que a descrição de assassinatos   deixou nos primeiros minutos da primeira parte, não sem motivos, denominado de Angels. Agentes meio bravos com a chamada de última hora, estragando as horas livres de Alex Blake com seu marido vindo da Inglaterra e de Jeniffer Jareau também com seu marido, mas cujos horários de trabalho de ambos dificultam uma relação digamos, mais calorosa, já davam o tom do episódio. Abnegação. Total. Para deixar claro o quanto é difícil manter um relacionamento a dois que funcione para agentes desta divisão. Esta menção fará todo o sentido ao final da segunda parte do episódio. O toque cômico fica a encargo de Garcia, ora oferecendo-se para cuidar do filho de JJ, ora aborrecendo-se com o fato de Cruz querer manusear o controle remoto de sua tela de computador na hora da explanação do caso.
Por sinal é Matteo Cruz quem aparece no Bureau para pedir a Hotch que investigue um caso de um amigo seu, Peter Coleman, xerife do condado de Briscoe – Texas, há apenas um ano no cargo, que está precisando de ajuda com casos de assassinatos de prostitutas, e também de um rapaz. São os cortes feitos nas costas das vítimas que chamam a atenção da equipe e os fazem pensar em  mais um caso de tortura.
Na primeira parte do episódio, o caso mostra- se  relativamente simples e chega a parecer caminhar fácil demais.  Casos de assassinatos em uma cidade pequena parecem nada menos que uma espécie de limpeza social, onde um assassino sádico pune com a morte aqueles que não são dignos de respirarem o mesmo ar que ele. São os pequenos detalhes que chamam à atenção para o menos provável. O entusiasmo da policial Vicky em ajudar os agentes, o legista que na verdade não tem formação médica e assina relatórios sem nenhum tipo de qualificação, baseando-se apenas no óbvio, a irmã da prostituta morta afirmando que a vítima dizia que “eles estavam indo buscá-la” – insinuando a existência de mais de um assassino, um bar que parece concentrar todo o tipo de informação da cidade por debaixo dos panos. Junte-se a isto um religioso disposto em excesso a contribuir com a investigação e temos o enredo da maioria das estórias policiais.
Mas Criminal Minds é mais que uma série superficial. Por isso não é surpresa quando outras possibilidades começam a surgir, a partir da desconfiança de Rossi de que os cortes nos corpos pareciam mais do que sadismo e de que o religioso possa ele mesmo ser o homem que abusa das vítimas. Com a morte de mais uma prostituta, Thábita, amarrada a uma árvore ao estilo True Detectives ( para quem viu a outra série também, dá para perceber de onde a veio a  clara inspiração), surgem outras questões, como os cortes profundos em suas costas, formando uma espécie de desenho. Foi muito interessante ver a equipe exemplificar casos de coletores de injustiças como Hittler, que usava os judeus para justificar sua sede de matança. Ainda que em proporção infinitamente menor, o assassino parecia ter  para si a mesma convicção, a de que pessoas não dignas de sua consideração deveriam ser exterminadas ( em um paralelo muito interessante, podemos… ok, esqueçam, jurei que não falaria de política nesta review, embora o caso nos leve a inúmeras possibilidades de interpretação – políticas inclusive).
Mesmo no caso do diretor da escola, que pede para não ter comentada sua preferência por práticas masoquistas com mulheres e até homens para preservar sua família ( casado com filhos) as comparações são divertidas e cruéis. Quantos nomes ilibados, tanto quanto hipócritas  não descobrimos ultimamente envolvidos em coisas escusas? Aliás, ele me lembrou o diretor da escola do episódio 2×02 – P911, que pede para não incriminado como pedófilo porque ele tinha esposa e filhos. Afinal, esta é sua menor preocupação no momento. Pessoas mesquinhas que creem que todo o mal que fazem vêm sempre em nome de um bem maior não são novidade. Mas sempre nos causa espanto saber que pensam desta forma.
De qualquer maneira no caso, tudo nos leva a uma interpretação religiosa ( a aplicação da lavanda entre as pernas da última vítima, a posição de joelhos de Thabita na árvore, a correlação dos cortes com aqueles feitos pelo religioso em outros crimes, usando outro nome fora do Estado, além do mesmo marcar suas vítimas com cortes que lembram algo como um código de barras), levando a suspeita imediata ao Reverendo Mills. Suspeita que, para quem assiste CM há muito tempo, sabe que não vai levar a nada. É cedo demais para, em um episódio de duas partes já sabermos quem é o assassino, além do excesso de evidências contra o reverendo, meio que forçando a barra.
O episódio vinte e três termina com um tiroteio no bar entre policiais ( incluindo a policial Vicky e o delegado Coleman), agentes do FBI ( Blake, JJ, Reid e Morgan) e o padre picareta, que em uma tentativa de se proteger, depois de constatar que caíra em uma armadilha, sai atirando para tudo quanto é lado. Ao final temos Reid e Morgan atingidos por balas, o agente mais novo com mais gravidade, o agente negro atingido no colete. Mas, ao gosto da audiência, fica a dúvida: um dos agentes irá morrer?

Em um final de temporada onde dois atores ( Mattheu G. Gluber e Jeanne Tripplehorn) ainda estão sem contrato, o final de episódio levanta possibilidades acerca da saída de um dos dois e até de atores cujos contratos estavam pré-firmados. Embora a produção tenha optado por decidir tudo ainda na Season Finale, o espaço de um episódio é suficiente para fomentar opiniões e palpites sobre quem será o agente fora da equipe ( se é que haverá algum, como sugerem as promos dedicadas ao 9×24 ).
Já no episódio vinte e quatro – Demons (título para lá de apropriado) – Matteo Cruz ao saber da morte de seu colega xerife  Peter Coleman, desloca-se, junto de Penélope Garcia para o Texas onde a sua equipe segue atrás de pistas. O reverendo Mills é morto no tiroteio que também faz como vítimas Morgan e Reid. Morgan tem pronta recuperação enquanto nosso menino Spencer segue para uma cirurgia para reparar os estragos causados pela bala recebida.
Quero abrir um parágrafo aqui. Lamento muito que Alex Blake esteja nos deixando. A humanidade assumida pela personagem interpretada pela atriz Jeanne Tripplehorn durante as cenas no hospital à espera de notícias de seu pupilo já dava a dica de quem era a agente a deixar o grupo ao final da nona temporada. Todo o esgotamento emocional causado pela  possível perda de um amigo, associado mais tarde aos comentários das lembranças de seu filho morto estiveram todo o tempo nos olhos da atriz, em suas poucas rugas, no semblante minguado de luz e calor. São poucos os atores/atrizes  que falam sem palavras e Jeanne é uma delas ( em Criminal Minds Thomas Gibson e Joe Mantegna também já tiveram oportunidade de demonstrar tal qualidade). Sua emoção no hospital contagia apenas com olhares vazios e um suspiro de alívio ao saber do resultado da cirurgia.
Comentários sobre Blake à parte, a mágica da última parte da Season Finale acontece por conta de uma reviravolta total na estória, dando ciência da utilização do padre como bode expiatório e uma sensação de total desconfiança de nossa equipe sobre os policiais que dirigem a delegacia de Briscoe. Quando Hotch solicita que a equipe se reúna do lado de fora da delegacia, instaura-se um clima de suspeita geral, visto que a única pessoa de lá em que eles podiam confiar está morta ( o delegado Coleman, amigo de Cruz). A cena dá a dimensão exata de que não importa quão importante ou superior você seja, quando é o seu na reta  todo cuidado é pouco e com o cerco se fechando, as coisas só pioram. Está certo que o roteiro abre mão do mais manjado clichê do planeta, usando-se do filho de Dináh para forçá-la a colaborar com o esquema de corrupção e ignorar o fato de que ela conhecia tudo sobre a morte do último delegado antes de Coleman, também assassinado. Não há argumento mais convincente para tornar uma mulher cega, surda e muda do que ameaçar a vida de um filho seu.


Um algo a mais foi Reid presenciar, ainda que semiconsciente, a presença de Owen no local do tiroteio. Torná-lo vítima mais de uma vez trouxe ação e até um momento inusitado: a necessidade de Garcia viver seu momento “mundo real” tendo que, primeiro acionar o alarme de incêndio ao conduzir o Spencer em uma cadeira de rodas pelos corredores do hospital e, por final, ter de fazer uso de uma arma para proteger um membro de sua tão amada família. É provável que esta cena jamais acontecesse em um episódio regular de Criminal Minds. As consequências do ato de Garcia abrem uma porta que não sei se roteiristas estariam dispostos a explorar, a forma como Penélope irá lidar com o fato de ter saído de sua zona de conforto onde quase tirar uma vida para salvar outra. Ela não é uma agente, é uma técnica em computação, posto que se espera que isto implique em uma série de sentimentos, desconfortos e questionamentos.  Mas, é final de temporada, quase todo o contingente responsável pela audiência espera coisas assim, diferentes, pouco comuns, impacto e ação quase nunca tão importante em um episódio de meio de temporada. Muito boa a cena onde JJ tenta tirar Dináh da delegacia e quando o policial de plantão a impede, Hotch intercede, sendo o Aaron Hotchner que nós todos conhecemos, minimalista, mas eficaz.
O perfil envia JJ e Hotch ( e posteriormente Morgan) ao ferro velho onde Owen ( o policial corrupto) fazia suas negociatas e lá travam um tiroteio onde a edição brilha a olhos vistos. Tiros para todos os lados, uma longa cena de perseguição, saltos e confrontos balísticos para tirar a respiração de todos os telespectadores que antes foram avisados de que um membro do time sairia e ainda não sacou quem seria. Para lá do fato de JJ salvar a pele de Morgan com um tiro certeiro e Hotch atirar por baixo do veículo ( tomada pouquíssimo utilizada em CM), acontece também um embate corporal entre Hotch e Owen que nos remete à cena onde nosso herói dá cabo de Foyet na base do soco e torna-se inevitável saborear a sensação de dejà-vu. Cabe ressaltar que desde o início da cena não temos qualquer tipo de som, senão aqueles inerentes aos movimentos executados. Não há trilha sonora ou qualquer fundo musical, apenas respirações, tiros,  ruídos gerados pelas lutas corporais e a tomada contra  plongée que aparece enfim para decretar que o bem sobreviveu ao mau ( cena onde Hotch observa o inimigo morto de baixo para cima) – seria injusto não mencionar a também bem feita edição das cenas de tiroteio no bar, com direito a câmera lenta e tudo).
Entre tiros, socos e arrependimentos, tivemos o papo de Blake e Rossi sobre o sacrifício da vida pessoal em detrimento do emprego que eles têm – Rossi contando como seu casamento com Carolyn acabou em função de sempre privilegiar o trabalho ao invés da mulher que amava e lembrando este dia como um dos piores de sua vida ( lembram-se que eu disse que a cena no início do episódio voltaria a reverberar mais tarde?) leva Alex a pensar na grande balança da vida ( e provavelmente chegar à conclusão de que merecia mais uma chance ao lado de seu esposo ao invés de repetir o comportamento de Rossi). O lance da abnegação x o comportamento corrupto e desonroso dos policiais de Briscoe dão o tom do fim de temporada e acentuam ainda mais o jeito heroico do nosso time de agentes. Sem contar que reforça a tendência de que tal função desgaste emocionalmente seus profissionais, deixando sequelas em suas vidas no âmbito emocional. O SMS que Blake manda a Hotch dentro do avião – sem palavras, apenas gestos que dizem absolutamente tudo, resume o que deveria ser um longo discurso sobre sua decisão de partir. Uma economia de texto condizente com a decisão de fazer partir discretamente Alex Blake.  Contar com um ótimo elenco é muito bom nestas horas. Apenas um gesto e fica subentendido que já deu para Blake.
Quando ela conta a Reid sobre seu filho, há mais informação do que em toda a sua aparição em Criminal Minds. Dá para imaginar o quão desesperador é perder um filho? Some-se a isso o fato de uma mulher que vive de dar nome às coisas ( sua formação em linguística) não conseguir encontrar um nome para o que tirou a vida de seu menino. Mas está na hora de seguir em frente. De ter uma vida ao lado de seu marido, uma vida de verdade, deixando para trás a perda de seu filho.
Não creio que sua personagem volte a aparecer em Criminal Minds e rogo para que tal decisão não tenha sido tomada apenas para abrir caminho para a volta da personagem de Emily Prentiss à equipe ( a atriz Paget Brewster continua desempregada e todos na produção sabem que o retorno dela à série deixaria muito feliz um enorme contingente de fãs). Sempre gostei  muito de Alex Blake,  mas personagens vão e vem, assim como na vida tomamos decisões que nos fazer ir ou ficar  e Jeanne  deu uma contribuição inestimável para a série, conferindo integridade à agente, acima de tudo.  Alex sempre teve um relacionamento especial com Spencer Reid, fosse pela sua especialização em linguística, fosse pelo acesso pessoal. E foi através dele que se despediu da série. Deixando seu distintivo para ele, como uma lembrança de sua passagem pela sua vida, uma passagem que Reid jamais esquecerá.
Ótimo final de temporada. Que venha a próxima! Com os mesmos índices da temporada passada, cheios de invencionices e criatividade e sem medo de mudanças. Pois mudanças fazem parte da vida e, como na vida real, nem sempre temos domínio sob o que está por vir!
Comentários em off:

·     *    Muito boa lembrança ao mencionarem as lesões adquiridas no episódio 200, entre as conversas de JJ e Cruz;
·      *  Ótima a cena em que Morgan finge estar flertando com a moça no bar, para não chamar a atenção de mais ninguém no local;
·      Muito legal mostrar o complexo de patinho feio de Samantha, não apenas pelos comentários, mas também no adesivo da geladeira que mostra quem é o cisne no lago;
·       Interessante Blake chamar Reid de Ethan ( o filho que ela perdeu), bom jeito de introduzir o tema ao episódio;
·       *  Sensacional Garcia e seus bonecos de Dr. Who para alegrar Reid ao acordar ( nada mais nerd…);
·       * Menção honrosa 1 para a última participação de Jeanne na série. Interpretação contida como o próprio personagem foi, mas cheio de emoção e significados subentendidos – vai fazer falta;
·      Menção honrosa 2 para a direção, dos dois episódios, dando ares de longa metragem à Season Finale.

        Nos veremos em Setembro! Até lá!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Criminal Minds 9x22: Fatal - Review



Você acredita em destino? Ou prefere acreditar no acaso, na aleatoriedade?
Criminal Minds neste episódio navega por estes mares, em meio a um caso no mínimo estranho. Com três mortes semelhantes, onde as vítimas recebem antecipadamente bilhete avisando que irão morrer, não importando o que façam para impedir o feito, inicia-se a busca do nosso time por fatos que indiquem o perfil do assassino que estão caçando.
É fato que não sabemos nunca quando e onde iremos encontrar o ponto final de nossa existência, a menos que nós mesmos tenhamos a intenção de encerrar nossa trajetória por estas bandas de cá. Dito isto, um assassino que se arvora do direito de decidir o destino de suas vítimas, tal qual um deus, a princípio deveria causar repugnância ao extremo devido seu egocentrismo, o excesso de confiança em seus julgamentos e por fim e não menos importante, sua prepotência. Mas estamos assistindo a um episódio de Criminal Minds. Em suas estórias nada é tão simples quanto parece e o roteiro de Bruce Zimmerman acerta em cheio apostando nos traumas de infância.
Enquanto a equipe busca elementos que os levem a encontrar o assassino de homens e mulheres que nada tem em comum, além do fato de receberem um bilhete prévio anunciando sua morte próxima e serem assassinados por ingestão de arsênico, vamos observando este homem enigmático, que está se aposentando para realizar a viagem à Grécia que deveria ter realizado há vinte anos e que por um imprevisto ( embriagado ele perdeu a van que o levaria ao aeroporto) deixou de realizar. O sujeito bonachão, com boné e feições propositalmente quase gregas, aparece em seu lar ( uma espécie de porão lotado de referências à mitologia grega), folheando um livro que acaba por nos mostrar um labirinto ( não por acaso aquele em que Teseu venceu o Minotauro, conseguindo retornar em segurança graças a um novelo de lã que marcou todo o  de volta). Sabemos através de Garcia e suas super pesquisas que Bill Harding quando criança, acampando com seus pais e outra família acabou por perder-se nas montanhas de Idaho, junto com seu melhor amigo, também da mesma idade. Ele foi encontrado e sobreviveu. Seu amigo de seis anos não. Como é hábito os adultos culparem seus filhos por responsabilidades exclusivamente suas ( e que fique  que neste caso a culpa nunca poderia ter sido atribuída a Bill), o menino hospitalizado busca em um livro sobre Mitologia Grega, presente de uma professora, expurgar sua consciência e encontrar desculpas para ter sobrevivido e seu melhor amigo não. Apoiado em uma quase fantasia, Bill leva por toda a vida aquela experiência, atribuindo  todo fato acontecido ao destino.
Passados tantos anos, Bill ainda se vê injustiçado por aquilo que acredita ser o seu inevitável ( ser culpado pela morte de seu melhor amigo). Por isto, quando recebe a notícia de sua morte eminente, causada por um câncer incurável, o homem vê-se mais uma vez vítima de um infortúnio não merecido. E resolve punir aqueles que vivem felizes suas vidas, como se pudesse interferir no destino traçado para cada um deles. As coisas não mudariam não fosse seu chefe e melhor amigo confessar ser responsável por ele não ter embarcado para a Grécia vinte anos atrás. Alegando estar ciente de que seu funcionário estaria deixando um bom e rentável emprego por um destino duvidoso, sem futuro financeiro e nada promissor, seu chefe confessa tê-lo embriagado de propósito, evitando assim, que embarcasse para a desejada viagem. É neste exato momento que percebemos a forma como Bill encara o destino, como uma coisa absolutamente irrevogável, passível de ato criminoso toda vez que impedido, de uma forma ou de outra de ser realizado tal qual projetado. Bill agora, mais do que punir pessoas que se acham intocáveis pelo destino, quer punir aquele que o desviou do caminho traçado para ele de forma proposital.
Gosto ( e já disse isto várias vezes ) quando a equipe percorre diversos caminhos até chegar ao acerto. Fica sempre mais crível a elaboração de um perfil final. No entanto, algumas cenas às vezes me soam tão improváveis quanto desnecessárias. Mesmo que seja possível alguém ler Guerra e Paz escrito em russo por Leon Tolstói em algumas pouquíssimas  horas no café da manhã ( para mim soa improvável, julguem minha ignorância ), acho desnecessário expor estes “exageros” by Reid. Todos sabemos o quão desenvolvida é sua mente e as coisas incríveis que ele é capaz de fazer, mas acho que às vezes ele pesam a mão. Na outra ponta, gosto da presença assertiva de Alex Blake, que em oposto ao seu companheiro de linguística, age discretamente e acrescenta sem alarde, boas ideias e sugestões.
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A prova mais efetiva de que o assassino julgava fazer o que era correto é sua rendição quando toma conhecimento de que embarcar na van que o levaria ao aeroporto há vinte anos atrás teria tirado sua vida, visto que a mesma sofreu acidente antes de chegar ao seu destino final e todos os passageiros morreram na hora. É comovente notar a quase inocência de Bill, tomado por um não entendimento da situação, crendo que seu destino havia se realizado.
Em um episódio marcado pela reflexão baseado nas crenças de quem assiste, Criminal Minds esmerou-se além do roteiro. Com a direção muito precisa de Larry Tang, vemos a utilização de recursos antigos abandonados na atualidade, como quadros de sobreposição nos flashbacks, zoom invertido para gerar, junto com as vozes, aflição ao telespectador ao vivenciar o que o unsub sente de verdade e vários planos plongée ( com a câmera alta, sugerindo uma visão voyerista na perspectiva de Bill).
Marca ponto também o roteiro que faz menção ao episódio About Face ( 3×06 ), aliás, o primeiro em que Rossi participou, trazendo a tona, outro assassino que avisava suas vítimas antecipadamente de suas mortes. Também gostei do início do episódio, que nos remete a um problema recorrente, ao das prostitutas, que por um sem número de vezes são lesadas pelos seus “clientes” de alguma forma.
Saindo um pouco do assunto “crime da semana”, temos o agente Aaron Hotchner enfrentando um corriqueiro, mas incômodo problema: seu filho foi convidado pela professora a chamar seu pai para falar sobre sua profissão para sua classe de terceiro ano. O que deveria ser uma coisa normal, para Hotch toma contornos tempestuosos. É certo que sua atividade ganha aspectos fabulosos  quando descrita por seu amigo Rossi quase como um super-herói. Mas Hotch não se esquece de que não pôde ser um super-herói quando teve que salvar a mãe de seu filho e falhou. E ele não quer ampliar ainda mais as mágoas de Jack. De forma inteligente e bastante simpática, vemos nosso agente “engravatado super sério” preferido mostrando seu lado mais paternal ao lidar tranquilamente com os coleguinhas de Jack tentando mostrar a eles o que é fazer um perfil. Em uma espécie de brincadeira tipo “o assassino é….”, Aaron descreve serenamente o detentor do grampeador da sala do BAU, explicando de forma didática o porquê chegou a tal conclusão ( ok, o menino que estava com o grampeador parecia prestes a ter um enfarto quando foi descoberto ), incluindo uma ação da Garcia na observação.
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Tenho que dizer que Joe Mantegna e Thomas Gibson meio que são subestimados em seus papéis, não fossem estas raras oportunidades de demonstrar algo mais. A cena em que Rossi ao telefone percebe que não conseguirá salvar Janice e sua posterior aparição comentando com Hotch que havia prometido que nada aconteceria com ela é mais tocante porque foi desempenhada por Joe. Da mesma forma, Thomas Gibson consegue em suas interpretações, transitar entre o agente furioso, decepcionado por não alcançar seus objetivos na investigação e o homem generoso, capaz de se comunicar com um bando de crianças de cerca de nove anos de maneira divertida e totalmente eficiente. São pequenas dádivas entregues em meio a um episódio já bastante recheado de reviravoltas e surpresas. Além do que, o episódio conta com aquele tipo de unsub que você não sabe se mata ou se manda se tratar com sua melhor amiga terapeuta, laureado de compaixão.
Assim é Criminal Minds, sempre transitando entre os limites da criminalidade e da insanidade, não nos permitindo decidir de forma fácil qual a melhor defesa.
Estamos chegando ao final da nona temporada, uma sequência de, até então, 22 episódios em sua maioria muito bons, com poucos altos e baixos durante o ano de exibição, garantindo assim uma audiência semelhante a quarta e quinta temporadas, o que, por consequência nos garantiu a continuidade da série por mais um ano.  Agora é esperar uma Season Finale ( em dois episódios) incrível, para coroar esta temporada. Eu gostaria que o unsub que quase afogou Blake voltasse, mas acho pouco provável que isto aconteça. Boatos e spoilers dão conta de que é provável que o suspense gire em torno de Rossi e Blake e Érica Messer jura que plantou a semente da SF há vários episódios atrás.  Ao contrário de outros anos, neste estou com vontade de experimentar a novidade ao invés de me desgastar tentando encontrar respostas. Depois de anos dando palpites e ganhando o apelido de Débora Dináh, neste fim de temporada dei-me ao luxo de apenas desfrutar os acontecimentos, sem fazer adivinhações ( mesmo que em outras épocas estas adivinhações me tenham rendido meu apelido de Dináh). Que venham o 9×23 e o 9×24 e que estejam à altura da temporada que representam.
Grande abraço e até a próxima!

terça-feira, 29 de abril de 2014

Criminal Minds 9×21: What Happens In Mecklimburg - Review


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Como toda a série de sucesso, principalmente uma série que já vai para seu décimo ano de exibição, temos sempre os altos e baixos, os episódios incríveis e aqueles que apenas “cumprem tabela”, ou seja, exercem sua função, sem necessariamente impressionar.
What Happens In Mecklimburg encontra-se na segunda categoria acima mencionada. Um episódio totalmente burocrático, sem muitas surpresas ou inovações. Não que o tema não tenha sido interessante, muito pelo contrário. Em uma semana em que tivemos um caso de certa forma semelhante, sendo investigado pela polícia, envolvendo alunos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e outro na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, nada poderia parecer para nós, telespectadores, mais atual. Trotes universitários, ao que parecem, sejam aqui no nosso país, sejam no tão suposto evoluído país norte americano, continuam sendo desprezíveis e totalmente desnecessários. A violência imposta  ( aqui e, eventualmente lá, já que os episódios são sempre baseados de alguma forma em casos reais) é absolutamente irracional, inaceitável e criminosa. Mesmo que tais eventos não terminem em um crime fatal, como nos episódios brasileiros, na maioria das vezes eles deixam sequelas as quais os calouros não esquecerão tão cedo, e, na pior das hipóteses, irão repetir com os próximos calouros tal agressão.
Mas voltando ao episódio, por que, já que o tema demonstrou-se tão atual quanto realista, ele não funcionou perfeitamente? Em minha humilde opinião, os fatos foram todos óbvios demais para criarem algum tipo de suspense. A máscara usada pela unsub tornou tudo ainda muito mais fácil de se deduzir e, de certa forma, agiu de forma contrária, facilitando ainda mais a identificação do tipo de crime.
Não foi exatamente um problema com o elenco convidado. Nem tão pouco com nossos astros recorrentes. Apenas não houve um clímax, não houve evento que nos causasse espanto, não houve nada que gerasse grande empatia. O roteiro foi correto e apenas isto. Sem falhas e buracos, mas também sem nada de excepcional. A irmã querer vingar-se daqueles que provocaram a morte da vítima foi algo a decifrar-se nos primeiros momentos do episódio. Também não houve nada em especial para que Garcia descobrisse com seus dedos mágicos. Tudo indicava para algo óbvio e fácil de ser deduzido. Enfim, não é toda semana que podemos contar com um episódio fantástico, destes de abalar estruturas. O momento da morte de Lauren não foi impactante o suficiente e mesmo uma das vítimas ingerir soda cáustica e ser sodomizada não gerou a tensão esperada pelo evento.
Uma coisa que ficou meio mal esclarecida para mim foi o Reid acessar a memória de alguém tão altamente embriagado durante a festa. Entrevistas cognitivas funcionam bem desde que não embaçadas pelo álcool ou drogas. Nestes casos, não se pode dar ampla credibilidade às lembranças acessadas.
Outra coisa mal explicada foi o médico mudar seu relatório tão somente para não prejudicar o rapaz, capitão do time da universidade. Ao que me pareceu, ele não tomou tal atitude sob a pressão de um representante da entidade e sim, apenas por conhecer o jovem. Estranho um médico arriscar sua carreira apenas para proteger um estuprador, visto que ao que parece, a escola não havia lhe pressionado para tal atitude.
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Houve também o “ momento equipe da semana”. Desta vez, foi Morgan, com seus desencontros com Savannah, deixando-a no vácuo por um caso em Memphis, na semana em que seus possíveis sogros estariam chegando para conhecê-lo. E como cabe a um bom machão, compadecer-se de sua amada, pobre coitada, que não merece ter a ele, homem extremamente solicitado profissionalmente, aguentá-lo. Às vezes acho que falta assunto para explorar na vida particular dos agentes. São dois adultos, ela médica em exercício, ele agente do FBI. Não estamos falando de dois auxiliares de escritório ( não desmerecendo a função, mas com certeza, trabalho este bastante diferente dos exercidos pelo casal). Mas, enfim, mesmo que para mim não cole, não significa que não tenha agradado à maioria dos telespectadores. Ainda assim, acho incrível que precisasse vir a JJ para dizer a ele que agentes podem sim ter um relacionamento sério. Isto posto, faço crer que não existam apenas solteiros e divorciados na verdadeira divisão do BAU americano. Ou entre soldados que servem em guerras e ficam longos períodos longe de , ou entre Médicos sem Fronteiras, ou entre pesquisadores em geral, ou talvez diplomatas, isto para dizer apenas alguns casos. Tal argumento me pareceu meio fraco, se discutido com uma médica cujos horários também não devem ser o paraíso. Mas enfim, serviu para render a tão esperada cena romântica entre o nosso chutador de portas preferido e sua amada.
Relendo o que escrevi parece até que odiei o episódio. Não exatamente. Apenas creio que ficamos mal acostumados com uma temporada cheia de estórias interessantes, bem contadas, bem dirigidas e “What Happens In Mecklimburg” deixou a desejar neste contexto. Ainda assim, vou dizer minha máxima sobre a série: mesmo um episódio não muito bom de Criminal Minds ainda é sempre um episódio muito interessante.
Até a próxima!

Criminal Minds 9x20: Blood Relations Review

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Não podia esperar-se nada menos de M. G. Gluber  além de uma direção excêntrica para um episódio controverso até a raiz dos cabelos. Desta vez, mais do que cenários sombrios, mais que fotografia perfeita ou edição mais do que correta, tivemos antes, um texto fabuloso, amealhando um tema polêmico, o incesto e suas consequências.
A ação passa-se entre 1965 e os dias atuais, quando começam a surgir evidências de crimes praticados por uma “entidade”, um ser conhecido entre os agricultores da região como o Homem da Montanha. Como todos os seres, fruto de imaginação fértil de habitantes sem muito esclarecimento, o Homem da Montanha torna-se responsável por diversos assassinatos, todos praticados com requintes  de crueldade, atingindo de uma única vez, duas famílias do oeste da Virgínia, região interiorana e tradicional dos Estados Unidos, ambas adversárias  entre si, famílias que brigam e se desentendem desde muitos, muitos anos, sem provocar suspeita ou causar prisões.
Não passa despercebida a má vontade dos envolvidos em conversar com os agentes, ora por falta de tempo, ora por não saberem o que dizer.  A impressão que passa é que eles acham que criminosos ou não, seus atos devem ser resolvidos entre si, acarretando uma vingança sem fim e acumulando mortes como consequência.
Em linhas gerais, o episódio trata de uma transgressão cometida por dois irmãos, que nada além conheciam senão a diversão, senão curiosidade, entre eles próprios. Sem a orientação  necessária, acabam por cometer incesto e ingenuamente acreditar que podem esconder ou manipular a descoberta pela família. Quando a moça se vê grávida e expõe o problema a seu irmão ( pai de seu filho), ele a princípio banca a ideia e promete assumir a responsabilidade  de pai do filho de sua irmã. Mas não é o que acontece. Muito jovem, quando percebe que sua irmã está para dar à luz, enche-se de pavor, mediante a dor e agonia sofrida  por ela para fazer nascer seu filho, ele desanda a abandoná-la, com um uma criança recém-nascida e sem qualquer ajuda, uma vez que sua família renegou-lhe apoio, após saber de sua .  Resta à nossa anti heroína pedir socorro a uma mulher que observava-lhe de longe, que sabia de sua gestação e que apenas esperou o momento certo para oferecer auxílio, para ser a mãe da criança, prometendo segredo sobre a situação.
O tema trata de forma sutil as possíveis consequências de um incesto. As deformações  sofridas  pela criança, mais tarde pelo adulto, são mais sugeridas pela fotografia  pontual e pouco expositiva do que pela clareza de imagens.  No adulto que torna-se assassino, notam-se as orelhas pontudas,  os dedos deformados e o rosto muito envelhecido, além de um ódio incondicional pela mãe biológica, visto que não pode entender como pôde ser apenas abandonado para ser criado por outra pessoa
Pode-se dizer que a equipe efetivamente desenvolveu um perfil , apurando-o de acordo com as descobertas feitas, aproximando-o da realidade até chegar às conclusões necessárias para encontrar o unsub e evitar mais uma morte.
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Como tratava-se de duas famílias rivais, desde muito, muito tempo atrás, não tardou para que a equipe suspeitasse de crimes vingativos, ora de uma lado ,ora de outro. No entanto, conversando mais intimamente como os parentes, especificamente com o pai de uma vítima e a mãe de outra, vai ficando , que eles não têm envolvimento direto  nos crimes que vão se sucedendo ( quando a equipe foi chamada, haviam dois corpos, mortos com o uso de arame farpado, sendo um de cada família).
O episódio trata de explorar os desmandos que ocorrem entre famílias rivais, por conta de um suspeito que não pertence a princípio a nenhum dos dois núcleos, obrigando o time a pensar em outra possibilidade.
Os  atores convidados (  Adriene Barbeau – como Cissy e Tobin Bell – como Malachi ) engrandeceram o roteiro com interpretações  sólidas, dignas de um episódio marcante como este. A escolha de um ator/atriz como guest é sempre fundamental para acrescentar credibilidade à estória. No que diz respeito a isto, a escolha foi muito acertada para ambos.  A contribuição dos mesmos ao roteiro traz respeito aos nomes que defendem e uma interpretação concisa, que nos faz transitar entre o ódio e a compaixão. Aliás, é bastante divertido encontrar Tobin Bell e tentar não pensar nele como o algoz  de Jogos Mortais.
Adorei o fato de Hotch pedir mais tempo para liberar o perfil. Como já disse em outra review este tipo de comportamento traz credibilidade a estória e elimina o efeito “ mágico” que às vezes coroa outros casos, nos fazendo achar que tudo cai misteriosamente na cabeça dos agentes.
A morte da mulher amarrada ao carro é de uma crueldade sem fim e a cena foi minuciosamente trabalhada para que possamos sentir a agonia do marido em sua íntegra. Tenho a sensação  que Matthew  tem um prazer divertido em dirigir cenas assim. Tal qual a cena da incineração em Mosley Lane, me parece que ele gosta de chocar com imagens não apenas sugestivas, ao contrário, bastante chocantes . Cabe citar aqui também a cena do unsub com o corpo de sua mãe adotiva morta, tanto quanto o quase enforcamento de sua mãe biológica. Utilizando de uma fotografia nada  subjetiva, ele conta uma estória de terror psicológico, pois o enredo aqui tem a mesma força da imagem. Chega a ser melancólico  descobrir que o segredo em torno da atividade secreta da família de Malachi não passa de reciclagem de óleo de cozinha industrial para conversão em combustível, algo altamente elogiável nos tempos de hoje. A explicação para o mito do Homem das Montanhas também é interessante, visto que também é um nome ligado à família de Cissy. É notável como todas de todas as possibilidades ( financeira – via tráfico de drogas ou  racismo – o envolvimento com a Ku Klux Klan, entre outras motivações) se sobressaia  àquele mais puro em sua essência, apenas a curiosidade e paixão entre dois adolescentes vítimas de um mundo fechado entre si, onde os pecados carnais tem um peso maior que os crimes cometidos por ganância, orgulho ou inveja. A frase que melhor define a inocência de Cissy é : “estou morrendo?” durante o parto.
Talvez o fato mais interessante a respeito do crime de incesto seja que a punição acabaria vindo dos seus próprios parentes/ descendentes, desde que já não haveria mais como encobrir a situação. Para ambos irmãos  o julgamento de suas atitudes certamente seria mais penoso do que a própria prisão ( e aqui, mais uma vez, como em todo o episódio, reforço a interpretação dos atores convidados, fundamentais para contar a estória de forma mais que convincente).
Será que teremos um gancho aqui? Após Blake ser jogada na água pelo unsub e travar com ele luta corporal, testemunhamos a equipe atirando a esmo no rio, certa de que atingiu o assassino. Claro que ninguém vai achar o corpo e minha aposta ( pode ser que me engane) seria para uma continuação na Season Finale. Tal impressão vem da reação de Blake pós resgate, altamente preocupada com a não recuperação  de um corpo no rio. Vemos ao final do episódio o unsub vivo, assaltando uma família em busca de um carro para sua fuga. Mas, não dá para fazer previsões. Criminal Minds já teve, em outras oportunidades, criminosos que escaparam de serem presos,  os quais nunca mais se ouviu falar. Seria interessante se o caso voltasse, talvez para o encerramento da temporada. Também ficou a sensação de que eles quiseram explorar algo mais em Alex Blake com sua experiência de quase afogamento. Se eles não irão explorar o criminoso novamente, ao menos serviu como explicação à vulnerabilidade  de uma agente, expondo o lado humano de pessoas que enfrentam o perigo diariamente e, por fim, não são tão imbatíveis assim. É bom saber que, como na vida real, eles são feitos de carne, osso e sentimentos.
Estamos chegando ao final de mais uma temporada. Uma temporada de sucesso de público, com números de audiência de dar inveja a várias séries iniciantes, com enredos ótimos, com episódios muito interessantes quase nos fazendo esquecer que a série irá para a sua décima temporada. Nada mal para quem atravessou tantos percalços e nunca foi reconhecida como série classe A pelos americanos. Vejamos o que nos reserva este final de nona temporada!
Até o próximo episódio!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Criminal Minds 9x19: The Edge Of Winter - Review





Tivemos neste  episódio uma estrutura narrativa totalmente diferente do habitual. E isto é positivamente uma ótima notícia.


Narrado de forma inusitada, temos Derek Morgan à frente de uma entrevista com uma testemunha que irá depor em julgamento contra seu raptor/estuprador e que se encontra internada em uma clínica psiquiátrica por conta ainda de sequelas do crime ao qual foi submetida. Dária, a vítima, teria sido a única a escapar do local do cativeiro e sobreviver para identificar o criminoso no tribunal. Sendo assim, todo o episódio, embora situado na atualidade, é contado em flashbacks (de um ano antes) pela sobrevivente, à medida em que vai respondendo às questões levantadas pelo agente.

Não seria exagero dizer que o grande trunfo de The Edge Of Winter atende pelo nome de Aasha Davis. A atriz assumiu a personagem em toda a sua extensão, destacando-se como uma vítima angustiada e, mais ao final, assumindo seu lado mais ingênuo, tanto quanto cruel. Soube transmitir a angústia da culpa, a derrota diante da perda da vida antes normal e a obediência cega ao homem que lhe impingiu tamanha violência. O desespero de Daria no hospital, além da excelente interpretação, foi fortemente reforçado pela maquiagem muito bem feita e pela compaixão demonstrada por Morgan, que embora seja o chutador oficial de portas da série, sempre se sai tão bem quando lhe requisitam a solidariedade e compreensão, vítimas de crimes muito violentos, que não se abrem com qualquer um, com os quais ele se identifica.


Inteligente por parte do roteiro mostrar o depoimento em flashbacks, pois assistindo às lembranças de Dária, vamos nos identificando e nos compadecendo da moça de tal forma que, quando ela afirma ter entrado por livre e espontânea vontade no caminhão, e, pior, que cometia os crimes sem mesmo ser solicitada a isso, nossa reação  é imediata, pois tal conduta ia contra a tudo o que construímos em nossa mente como caráter da personagem durante quase todo o episódio. Os mais atentos talvez tenham percebido que Dária nunca, enquanto narrava seu tormento, mencionou o nome do cúmplice de Joe. Uma boa pista para levantar uma pulga atrás da orelha dos telespectadores. Ainda assim, pouco para determinar antecipadamente o desfecho da trama. Quanto a isso, boa sacada foi nos mostrar Joe conversando com seu amigo na cena em que ele leva Carrie no porta- malas. Coby Peters não diz nada comprometedor, mas estamos tão embalados com a cena, que nem percebemos que ele e Joe poderiam estar falando de qualquer outra coisa ( como de fato estavam). Este artifício acaba sendo usado para reforçar a estória narrada por Dária, e, em nenhum momento, suspeitarmos que o cúmplice a quem ela se referia era ela própria.

Outra surpresa interessante foi a opção de fazer Dária rejeitar o conforto de JJ no hospital. Embora ao final entendemos  que a moça via-se refletida na figura da agente   (e não a figura de Carrie, como os agentes deduzem inicialmente), fica uma sensação estranha com relação à cena, pois estamos acostumados a ver JJ assumir o lado humano, mãe, confortador do time. Mais uma bola dentro foi a menção ao TOC, doença hoje em dia bastante diagnosticada, o que abre mais uma porta para a suscetibilidade da personagem à submeter-se e deixar-se dominar por Joe. Muitas pessoas vivem hoje com o TOC sob controle, seja de medicação ou de terapia, mas nada se compara ao que a vítima passou no período em que ficou sob o domínio do criminoso, e, por isto, a exacerbação de sua doença ( isto é importante para identificar que, milhares de pessoas hoje convivem com este diagnóstico e isso não as tornam más pessoas ou passíveis de cometerem um crime ).


Gostei também de ver as menções iniciais de Reid sobre a mitologia do espantalho e a possibilidade levantada pelos agentes em se tratar de um crime de ódio, mediante a descoberta de vítimas negra e muçulmana. É bom quando eles vão levantando possibilidades que logo se provam erradas, pois se isso não acontece, fica, às vezes, parecendo que eles tiraram o perfil da lâmpada mágica. Comentários assim tornam o episódio mais crível, e a nós, telespectadores, mais crentes nas estórias apresentadas.

Enfim, mais um episódio excelente, abordando vítimas da síndrome de Estocolmo de uma forma interessante e inovadora. E finalmente os roteiristas lembraram-se de que profilers não apenas ajudam na caça aos criminosos, mas também durante o processo jurídico, ação esta que já havia sido abordada de forma semelhante em Tábula Rasa (3x19).

Destaque:

* Para o humor sarcástico de Rossi durante a explanação do caso, acerca de uma vítima ter sido encontrada em um campo, presa a um poste, simulando um espantalho:     “Dorothy, não estamos mais no Kansas!” (o caso passa-se em Nova York) em uma referência clara ao espantalho do Mágico de Oz. 

* Para a frase que define o tema do episódio, mencionada em seu início: “ Ninguém é vítima embora os dominadores façam você acreditar que o é. Do contrário, como dominariam?” – Bárbara Marciniak. Sei que eles se esmeram em encontrar sempre a frase mais adequada, muito próxima ao tema trabalhado, e sempre o fazem, mas esta coube perfeitamente no episódio!

Próximo episódio, direção de Matthew  G Gluber, apertem os cintos, deverá ser um episódio daqueles, como sempre são os episódios dirigidos por ele!

Até a próxima!