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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Criminal Minds 10x20: A Place At The Table - Review

sogro destacada final 2 

Um episódio perfeito. Assim eu definiria A Place At The Table. Roteiro brilhante de Bruce Zimmerman, uma direção segura e certeira de Laura Belsey, escolha muito acertada do elenco convidado, elenco regular super afiado e uma direção de arte que há muito tempo não surgia tão minuciosa. Grande trabalho cheio de pequenos detalhes que me permitem afirmar que este será um episódio difícil de se esquecer.

Adoro crimes banais. Certo, nenhum crime é banal, mas em sua grande maioria acontecem por motivos banais. É legal ver quando os produtores optam por explorar criminosos estranhos, com motivos pouco comuns, mas tenho uma queda pelos motivos triviais. Aqueles crimes motivados pela tríade sexo, dinheiro e poder. Do tipo de a gente infelizmente cansa de ver na TV todos os dias e que tem se tornado cada dia mais comum. São com estas histórias que podemos nos aproximar um pouco mais da realidade para tentar entender porque estas coisas ainda acontecem.


sogro 1

Um episódio digno de um livro de Agatha Christie, cheio de personagens passíveis de serem o criminoso, privilegiado pelo fato de não ter a necessidade de entregar logo no início o verdadeiro culpado. Em alguns episódios isso é inevitável, mas da forma como a história aqui foi construída, não se fez necessário entregar de bandeja o unsub logo de cara.

Às vezes nos esquecemos que não apenas personagens humanos podem nos contar uma estória. A direção de arte de Criminal Minds nos deu o privilégio de nos lembrarmos que isto não é verdade. Os primeiros cinqüenta e seis segundos de exibição do episódio são um personagem a mais narrando a série. O roteirista poderia ter optado por contar quem eram e como viviam as vítimas assassinadas pela boca de um policial ou um agente, mas este trabalho não poderia ter sido melhor realizado senão através de uma direção de arte brilhante. A composição da sala, em um passeio valorizado pelos closes em pequenos detalhes como o lustre, as partituras, o metrônomo, a lareira, os cachimbos perfilados, a louça, o porta retratos já indicando um casal e seus três filhos, a vitrola tocando Jingle Bells, os discos perfilados e etiquetados por categoria, tudo isto nos diz mais do que qualquer policial poderia dizer. E acima de tudo, essa descrição minuciosa será importante mais para frente ao ser desconstruída cruelmente para aventar a possibilidade de a família viver de aparências. Uma abertura simplesmente genial.

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Por se tratar de um episódio diferente dos costumeiros, a mudança de dinâmica, trazendo o caso para o seu próprio território, eliminando a necessidade do perfil no avião dá uma cara diferente e nos incita a querer mais. E, para não quebrar o ritmo das novidades, os agentes assistem ao vivo, via transmissão por satélite, a captura de um suspeito acuado no local dos crimes. Tudo diferente, com cheiro e gosto de coisa nova, que só nos deixa mais e mais ligados no que vem pela frente.


Bruce Zimmermam samba na nossa cara mostrando com facilidade como se faz um episódio onde a vida pessoal de um agente é explorada sem comprometer o ritmo de um crime sendo investigado. Ao contrário do costumeiro caso prejudicado pela falta de tempo para resolução adequada, Zimmerman nos entrega de bandeja um crime com múltiplos suspeitos, inúmeros motivos, variadas opções de conclusão. E, através de cada depoimento, vai-se lentamente desconstruindo a imagem inicial. A família que conhecemos através dos objetos e fotos na apresentação vai se desmanchando a cada nova declaração, contradizendo aquilo que se concluiu por imagens. Ao invés da família aristocrática perfeita, encontramos um pai dominador, preconceituoso e infiel, que casou-se claramente por dinheiro e com esse mesmo dinheiro permitiu-se o luxo de manter uma amante full time à sua disposição. Da mesma forma, conhecemos a filha do casal, inicialmente descrita como pessoa quieta, mas que não demora a descobrimos que era muito mais ousada do que nos permitiríamos imaginar. Descobrimos o repúdio do pai acerca do filho do meio que não esconde sua homossexualidade e a dona da grana, a matriarca, que aparentemente opta ignorar os pulos de cerca do marido em nome da boa imagem da família.

Em uma espécie de jogo de Detetive, tentamos juntamente com nossos agentes descobrir quem poderia ter cometido tamanho ato cruel ao assassinar uma família inteira. Com o patriarca e seu filho mais velho sumidos ampliam-se as possibilidades.

Além disto, durante o andamento do caso, Hotch depara-se com um problemão: tirar da cadeia seu sogro, recém diagnosticado com Alzheimer, que invadiu uma propriedade que outrora fora sua, e que, agora, é de outro dono. Não por acaso, Hotch irá lidar com seu sogro neste episódio. Isso porque lá e cá o tema central refere-se à responsabilidade patriarcal. Como em um jogo de comparações torna-se delicioso confrontar as falhas dos pais em xeque, e inevitavelmente comparamos a conduta de Hotch à conduta do pai dominador que está sumido e é indiretamente responsável pela chacina de pelo menos quatro pessoas de sua família.

Não demora para que a equipe perceba o que está acontecendo. Com a ajuda dos depoimentos dos sobreviventes, além dos dados que Garcia levanta pela internet, Rossi e Reid partem para confrontar a amante do marido, e, assim descobrir que, por dinheiro e posteriormente por amor, ela se calara por vinte e seis anos. Ainda pior, ela tivera com o amante um filho, cujo pai o renegou, moral e financeiramente. A tragédia ocorre quando este filho ilegítimo descobre que sua mãe escondera dele, por toda a sua vida que seu pai estava vivo, vivia confortavelmente e optara por ignorá-lo. Indignado, o rapaz irá se passar por namorado da filha do meio de Frank Kingman ( Jeena Kingman) o que lhe proporcionará a oportunidade de vingar-se do pai que o abandonou e de sua mãe, que dele escondeu a verdadeira paternidade. É através desta proximidade que o crime acontece e, da mesma forma ele se esclarece. Vale mencionar o importante papel que o pai que nunca conheceu tem na vida de Marc Clifford: a mentira que a mãe passa vinte e tantos anos contando ao menino, que seu pai era um herói de guerra e, por isso, nunca retornara.

Não por coincidência, o tema do agente da semana é Aaron Hotchner. Ao buscar seu ex-sogro na delegacia, de cara nos surpreendemos com Roy Brooks ( o fabuloso Edward Asner ), um homem de oitenta e poucos anos, vestindo pijamas e roupão que, ao ser indagado, sem pudores ou meias palavras manda Hotch calar a boca ( siiiiim, eu vivi para ver alguém mandá-lo calar-se e não ser revidado). Ao conversar com a cunhada Jéssica, a fada madrinha da vida do nosso G Man preferido, uma vez que está sempre disponível para cuidar do sobrinho na falta de seu pai, Hotch descobre que Roy foi diagnosticado com o Mal de Alzheimer. A doença ainda está em seu início, mas já causa pequenos esquecimentos e confusões. Para os leigos no assunto, esta doença está entre as mais cruéis que podem acometer um ser humano, pois dele tira a memória, a independência e a dignidade, e ainda oferece o bônus de alucinações, que amedrontam e atordoam seu portador. Jéssica não pode mais deixar seu pai morando sozinho e não pode bancar o luxo de mantê-lo morando consigo porque lhe falta dinheiro para isso. Até o final do episódio descobriremos que o cavaleiro de armadura firme como uma rocha irá socorrer a pobre moça e proporcionar  a oportunidade de manter o sogro vivendo com sua única filha, ajudando com as despesas.
Incrível nosso herói, não é? Não, não é. Tal qual o pai de Marc, que renegou o filho em razão de manter o bom nome e o casamento imune aos seus desvios, Hotch também paga por seus pecados. Mesmo tendo boas intenções, não dá para negar sua responsabilidade na morte de Haley. Não sei se uma mãe ou um pai poderia perdoar um genro por tamanho envolvimento. No fundo, não sei se Hotch conseguiu perdoar-se por isto, mesmo que seu discurso seja outro.

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E aí as duas histórias se cruzam. Por mais diferentes que possam parecer, a moral que fica é que não existem heróis. O único herói da história é aquele que Marc conheceu através das mentiras de sua mãe. Aquele que nunca existiu. Frank Kingman não conseguiu ser um bom pai nem para seus filhos reconhecidos nem para seu filho bastardo. Roy Brooks, por mais amor que tivesse por sua filha, não pode evitar que ela fosse assassinada. Aaron Hotchner hoje atura os desaforos de seu sogro em nome do que deve à sua ex esposa e ao seu filho. De perto, todos temos nossos pecados.

Marc é interrompido pelos agentes antes de concluir sua missão e matar também sua mãe, mas em um momento espetacular do roteiro, ele sabe, como nós sabemos, que isto pouco importa, afinal, com um coração batendo no peito ou não, sua mãe já está morta também. De desgosto. De arrependimento. De tristeza.

O episódio desta semana teve momentos memoráveis, com interpretações convincentes de todos os atores convidados. As cenas entre Ed Asner e Thomas Gibson foram espetaculares. Enquanto Roy vocifera, Hotch apenas através de olhares e respiração profunda expressa seu descontentamento, sua vontade de socar a primeira coisa ao seu alcance. E contêm-se. O embate entre dois grandes atores que eu espero tenha um segundo round em uma possível próxima temporada. E o melhor de tudo: o  roteiro de Bruce não toma o fácil da redenção. Ele deixa até seu final que as coisas nunca se ajeitarão entre sogro e genro, que não há perdão possível. Isto é muito triste, mas também muito real. Não sei se como mãe poderia perdoar a perda de uma filha sob as mesmas circunstâncias.

A Place At The Table conta uma história que não nos deixa esquecer que tudo o que fazemos ou  deixamos de fazer para nossos filhos tem suas conseqüências, que não há saída fácil para as más escolhas e que o preço que pagamos pelas nossas impensadas ações pode ser e quase sempre é caro demais.
Impossível assistir e não gostar. Nos vemos na próxima semana!

Pequenas observações:
  • Rossi absolutamente impagável com sua ironia e sarcasmo.
  • Muito linda a cena entre Reid e Garcia na sala dos computadores.
  • Que lindo ver um senhor de oitenta e dois anos atuando tão espontaneamente com um jovem de dez anos ( e Cade Owens saiu-se super bem).
  • Destaque para a atriz Molly Baker  ( Jéssica Brooks ) que finalmente mostrou que pode ter mais do que uma atuação de um minuto e que pode ser bem mais do que uma coadjuvante de luxo.

Criminal Minds 10×19: Beyond Borders - Review

destacada Beyond Borders

 O episódio desta semana em Criminal Minds faz a apresentação formal do spin-off da série, cujo nome será o mesmo deste episódio: Beyond Borders. É a segunda tentativa de se criar um spin-off para a série e todos nós sabemos que nem mesmo o oscarizado Forest Whitaker conseguiu evitar que Criminal Minds: Suspect Behavior naufragasse com apenas treze episódios gravados. , os tempos eram outros, a CBS acabava de contrariar um enorme contingente de fãs demitindo duas das atrizes principais da série original ( A.J.Cook e Paget Brewster) e, por conseqüência, irritar um enorme número de pessoas que, em tempos de internet, mobilizaram-se para provocar um boicote em massa do spin-off, selando seu destino em função da baixíssima audiência. Graças a essa mobilização, a CBS recuou, recontratou as atrizes demitidas e cancelou Suspect Behavior indo na contra mão da tendência geral.



BeyondBorders 3

Spin-offs de séries de TV com boa audiência costumam funcionar muito bem e temos vários casos assim. O caso mais famoso sem dúvida é a formação JAG/ NCIS/NCIS LAngeles e NCIS New Orleans. JAG ( aqui no exibida como Ases Invencíveis )foi uma série que estreou em 1995 e teve dez temporadas ( concluída em 2005). Contava a estória de um ex piloto da Marinha americana, capitão de corveta Harmon Rabb Jr que após sofrer um acidente é realocado para o Corpo de Investigação Jurídica da Marinha, onde se junta aos advogados especializados em defender ou acusar criminosos cujos casos encaixem-se nesta jurisdição. Em sua oitava temporada ganhou um episódio duplo que introduziu o seu spin-off NCIS que já está em sua décima segunda temporada e já atingiu picos de audiência na casa dos vinte e dois milhões. Coincidência ou não, em sua oitava temporada ganhou novo spin-off, NCIS Los Angeles que também tem alta audiência e está na sexta temporada e finalmente foi criada NCIS New Orleans, já com segunda temporada garantida.

Assim sendo, podemos ou não apostar nossas fichas no novo spin-off de Criminal Minds, mas indiscutivelmente este começo foi bem melhor do que a primeira tentativa. Além da época mais propícia e da promessa de Érica Messer de terem aprendido com seus erros, o episódio 10×19 foi interessante. Tarefa difícil de cumprir, já que a equipe original conta com sete membros e a equipe recém chegada conta com outros quatro membros, o episódio até que deu conta de fazer uma boa introdução, dando destaque aos novatos sem deixar de perder o foco no time principal. Usando como instrumento de inserção o Chefe de Seção Mateo Cruz, as duas equipes se reúnem com o intuito de resolver o caso do seqüestro de uma família americana de férias em Barbados. É sabido que outros dois casos semelhantes já ocorreram no ano anterior, o que passa a ser o ponto de partida da investigação.

De fato, como o objetivo principal do episódio era criar empatia suficiente na equipe novata para alavancar um possível spin off, esse objetivo em si foi alcançado, mas como era de se esperar, o caso em si foi totalmente atropelado pela falta de tempo adequado para fechar diversas pontas soltas em termos de perfil. Os agentes Jack Garret ( Gary Sinise ), Lily Lambert ( Anna Gunn ), Mattheus Simmons ( Daniel Henney) e o jovem analista técnico Russ Montgomery ( Tyler James Willians) foram bem apresentados e, de forma natural, como se todos já se conhecessem anteriormente, ficamos sabendo boa parte da vida de cada um. Comentários do tipo “como vai a esposa, e o caso de seu irmão que está preso, fale sobre seus filhos…” trouxeram alguma luz sobre o que esperar das novas estórias, casos o spin off seja aprovado. Também durante o caso deu para sacar qual será a especialidade de cada um dos membros do novo time ( os contatos com o exército do novo chutador de portas Simmons, a habilidade jurídica de Lily, e a função de fazer o contato do time com parentes e polícia trabalhado em paralelo pelo analista técnico Russ). Para caberem tantas informações, e ainda inserir as belíssimas tomadas panorâmicas da famosa  ilha, não surpreendentemente o caso ficou   mal explorado   e mal   resolvido.   Penélope  Garcia   ( sempre ela) fez muito mais do que a mágica habitual, sacando da tela do computador informações quase milagrosas para adiantar o expediente dos agentes.


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Quanto ao unsub, de origem holandesa, foi reduzido a um maluco cujo pai dominador o maltratava e cujos maus tratos teriam dado origem à sua vingança. Tendo já matado os pais e seus meio irmãos americanos, passa, após período internado em clínica psiquiátrica, então a perseguir e torturar famílias com o mesmo perfil da sua, para torturar e por fim matar. Com muitas pontas soltas ( afinal, apenas maus tratos familiares não causam tamanho estrago, ficamos esperando um diagnóstico mais efetivo para corroborar a estória) o fio condutor deixou a desejar. Coisas como Rossi sacar que os bonés ora laranja, ora azuis, representavam a bandeira holandesa foi um pouco demais. Compreensível, porém, não aceitável, admitir que em quarenta e dois minutos de episódio se feche tantas informações.

O fato é que apesar de ter de encantar com os personagens de um spin off que ainda tenta ser vendido comercialmente, ainda assim, deveríamos estar assistindo o episódio como mais um da série Criminal Minds. E, como tal, ele não correspondeu às minhas expectativas. Belíssimas tomadas aéreas, o uso de helicópteros, barco, e todo o tipo de recurso ( além da viagem de protagonistas cuja utilidade eu não entendi) não justificaram uma boa estória. Mesmo o elenco convidado ( incluindo uma participação de Tom Everett Scott ) não teve muita oportunidade de mostrar a que veio, já que suas cenas foram curtas e com pouco tempo para serem exploradas.

De qualquer forma, não sou do contra. Ficarei feliz se o spin off for aprovado e tornar-se mais uma série interessante de se assistir ( não esquecer que Erica Messer tem frisado que eles não irão necessariamente trabalhar com seriais killers, apenas com os mais variados casos de americanos que precisam de algum tipo de ajuda estando fora de seu país de origem). Desde que, obviamente, nada disto interfira na minha série predileta. Não altere orçamento, não negocie transferências ( como na primeira tentativa) de roteiristas, atores, etc... Eu amo Criminal Minds como ela é e deverá continuar sendo, independente de uma série derivada. É só não mexer com ela que darei o maior apoio a Beyond Borders.

No aguardo do episódio da próxima semana, onde teremos um embate muito aguardado entre Hotch e seu ex-sogro e voltaremos a remexer o passado dolorido da morte de Haley. Até a semana!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Criminal Minds 10×18: Rock Creek Park


Então, preciso dizer de antemão que adoro temas com conotação política. Temas com esta conotação costumam gerar episódios muito bons em Criminal Minds ou em outras séries em geral. Portanto, não foi surpresa para mim este episódio ser tão bom.

O episódio dezoito  desta temporada foi quase perfeito. Teve de tudo um pouco. Teve um rapto, um político que a princípio parece honesto até a raiz dos cabelos, mas que com o passar das horas mostra-se ser apenas humano,  mostra o jogo de interesses, a família por trás do político, as intrigas habituais, o lobby do petróleo, o lobby daqueles que defendem os ( PETA) e por aí segue, mostrando  o quanto um político pode se expor impondo suas posições.

O legal do episódio é que ele infla ao máximo a confiança no suposto senador honesto. Faz você crer na honestidade/humanidade de toda forma, transformando o senador em um sujeito honesto, apaixonado e sincero. E ele é.  Mesmo permitindo-se recair sobre seus ombros todo o tipo de suspeita, o senador parece ter um perfil inegável, uma paixão inquestionável pela esposa e uma integridade de dar inveja.


Quando nossos agentes têm um caso de rapto nas mãos, todo minuto é fundamental, e não espanta eles questionarem todas as hipóteses, inclusive as que questionam o nosso senador, cuja esposa é a vítima do momento.

Como de praxe, ninguém espera encontrar um político essencialmente honesto. E, apesar das possibilidades aqui e ali, a estória parece favorecer tudo o que nos conta sobre o  senador. Surge uma estagiária, a exemplo do famoso caso real de Bill Clinton, surge a desconfiança de que um caso assim alavancaria sua candidatura, então em baixa. Surgem desconfianças acerca de seu irmão, dependente de drogas  devedor para traficantes. E, apesar de inúmeros indicativos para incriminar o senador, nada parece ser definitivo, não há nada de concreto que deponha contra ele.

Existe uma predisposição natural para levantarmos suspeitas acerca de políticos em casos assim. Talvez, nós, brasileiros, tenhamos um pé atrás a mais, por conta de nossa história. Mas, o andar do episódio, nos distancia cada vez mais da possibilidade do senador estar envolvido. A narrativa faz de tudo para exima-lo da responsabilidade, e não dificilmente o encaramos como uma vítima, daquelas em quem depositamos todas as nossas esperanças.

E então o episódio meio que nos enche de esperança para depois nos jogar na sarjeta. Sim, nosso senador é inocente, mas sabe como ninguém aproveitar-se do dolo de sua mãe para lucrar politicamente. Com maestria, sabe como poucos  esperar que nos orgulhemos por termos escolhido o lado inocente, para depois nos desarmar, fazendo-nos presenciar um homem que aproveita-se da situação pouco privilegiada de sua mãe para lucrar politicamente com tudo o que está acontecendo. A edição valoriza esta decepção, assim como o final prolonga a imagem na prisão como forma de fazer o telespectador absorver  tal decepção, alongando o plano geral de filho e mãe em conversa privada na cadeia (é uma forma inteligente de nos fazer sentir de forma mais impactante a informação final).

Creek Park traz à tona o melhor e o pior do ser humano, ilustrando um político dominado pela opinião de uma mãe dominadora, que, apesar dos pesares, conta mais que a sua vontade de vencer por méritos próprios.

Rock Creek Park traz fotografia inteligente, cheia de referências, e apresenta-se de forma espetacular. A montagem é outro destaque, sempre exaltando a importância de um “ser maior” nas intenções. Por mais óbvia que possa ter parecido sua solução, ainda assim, choca o fato da mãe sacrificar-se pelo filho, e, de o filho, aproveitar-se da fraqueza momentânea de sua mãe para crescer politicamente, em uma espécie de simbiose maligna, em que o mais forte cede espaço para aquele que precisa crescer.

Um episódio fabuloso, com centenas de referências extraordinárias, com uma química incrível entre o protagonista senador e a equipe fixa, com várias deixas para pensarmos sobre o ser humano e suas mais diversas vestes, sobre o que optamos por acreditar, e o que nos decepciona desde sempre…

Até a próxima......

terça-feira, 7 de abril de 2015

Criminal Minds 10×17: Breath Play


Poucas coisas me irritam mais em um roteiro do que ver que ele pegou carona em um tema de moda, do tipo que todo mundo está comentando no momento. E sim, Criminal Minds esta semana fez exatamente isto.

Em um episódio com uma boa premissa, que não tinha a necessidade de apelar para a moda dos 50 Tons de Cinza, a idéia de vítimas mulheres denotando conotação de fantasia sexual poderia caber em diversas situações que não apenas a do livro, aqui com o nome de Bare Reflections.


De cara conhecemos o unsub, um pai de família, com três filhas, que parece desdobrar-se para cumprir seu papel de marido, provedor e progenitor. Para aqueles que são casados, a primeira cena dele em casa parece familiar. Em um casal, sempre tem aquele que aperta a corda e aquele que solta aos poucos. Aos vermos as crianças jogando as mochilas no chão e ele as recolhendo, sabemos a quem cabe cada papel. Enquanto a mãe esfalfa-se para educar as filhas, ele dá uma de bom pai, compreensivo e tolerante com as meninas, em especial a mais velha.

O livro é o gatilho para nosso unsub. Ele busca vítimas que tenham lido o livro e embarquem livremente nas fantasias propostas na escrita, solteiras ou casadas, mulheres que queiram simular experiências de dominação/submissão ou, como queiram, BDSM. O interessante é que, quando Rossi e Kate procuram uma mulher que organiza tais eventos, descobre que o livro não representa a realidade de quem segue a doutrina do BDSM. O livro infantiliza e mistifica uma relação que exige mais respeito, cumplicidade e compreensão do que o livro simboliza.

Em uma conversa informal nosso unsub descobre que a babá de suas filhas já leu o tal livro e isso o deixa pronto para um novo ataque, que não se realiza porque a moça está aguardando um namorado. Mas é neste ponto que sua filha mais velha encontra seu carro parado à porta de sua babá e passa a desconfiar de algo errado.

Em paralelo, Garcia descobre novos casos semelhantes em locais próximos e pelas datas nossos agentes deduzem tratar-se de períodos em que a esposa do unsub teria engravidado ( logo, pouco disponível para sexo).

Enquanto isso a filha mais velha questiona sua mãe sobre onde estaria seu pai e a mãe, que toma conta da casa, de três filhas e trabalha fora mostra pouca disposição para ouvir os lamentos da filha.
Neste ponto sou obrigada a fazer uma observação. É que muito do que a Garcia descobre pelo computador tem uma conotação exagerada, mas muita coisa é passada em branco em nome da mobilidade do episódio. Desta vez, no entanto, eles exageraram. Ela conseguiu pela internet saber até se a esposa era adepta do BDSM. Dados muito exagerados e conclusões muito amplas de nossos agentes. Enfim, eles chegam a conclusão que o que o move no momento é o livro, que meio que o exime da culpa pelo interesse sexual feminino no assunto.

Cabe à filha mais velha pegar seu pai no pulo, enquanto tentava estuprar a babá. Nem posso imaginar o que isto fará com a menina no futuro, tendo pego seu pai, tentando assassinar Charlote. Ele ainda tem tempo de abraçar a filha em uma espécie de Mea Culpa, mas, para meu regozijo, ele não é morto pelos agentes, é preso e irá, não apenas pagar por seus crimes, mas ter que justificá-los para sua esposa e suas filhas. Por um momento, antes de entrar no carro de polícia, ao cruzarem os olhos pai e filha, tenho  a impressão de que para o assassino foi maior o peso de encarar a menina do que os anos que cumprirá na penitenciária.

Como adicional, tivemos a revelação da à equipe e a crise de carência de Meg, a sobrinha criada como filha por Kate. No início do episódio vemos Meg sendo atendida por Savanah, que a socorre por conta de um piercing no umbigo aplicado pela própria menina e, por isso mesmo, infeccionado. Savannah, namorada de Morgan, logo parece entender a necessidade da menina em conversar com alguém e coloca-se à disposição. Meg, como toda adolescente mimada e foco de todas as atenções sente-se enciumada com a chegada de um novo bebê para colocar em risco seu posto de número um. Embora Kate tente explicar para a menina que ela nunca deixará de ser amada porque virá uma nova criança, a menina adota a posição rebelde sem causa até o final do episódio, dando a mim ( logo eu, que sou psicóloga) vontade de dar um bom “acorda menina” na garota!

Em minha opinião o episódio deixou muito a desejar. Faltou uma motivação mais consistente, uma atuação mais convincente do ator que representou o unsub, sem contar que o episódio foi bem básico em termos de tomadas, edição e iluminação. Um episódio totalmente “cumpre tabela”.

Esperando pelo próximo! Até a semana!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Criminal Minds 10x16: Lockdown


Um dos maiores méritos de Criminal Minds é sua criatividade e, em especial, sua atualidade nos roteiros. Se o tema é atual, a história é criativa e conta com bons desempenhos, principalmente dos atores convidados, o  êxito é certo, impossível de ser contestado.

Com o ótimo e muito bem amarrado roteiro de Virgil Williams, Lockdown coloca o dedo em uma ferida recente e perturbadora no momento atual americano: a  privatização  dos presídios. Com caráter de denúncia, a história narra um fato que tem incomodado há muito tempo os americanos e tem sido alvo de várias discussões no Congresso: o problema das penitenciárias privatizadas, que têm enriquecido assustadoramente às custas não apenas de péssimos serviços prestados, mas também de custos abusivos, alto encarceramento de imigrantes, fuga de detentos, violência no cumprimento da pena, reincidência dos criminosos e muita corrupção, sendo inclusive alvo de investigações sobre financiamento de campanhas políticas (para que as empresas conquistem os contratos estaduais ou federais).

O CCA ( Corrections Corporations of America) no ano de 2013 completou trinta anos de existência e nos últimos anos tem sido altamente contestado. Basicamente trata-se de transferir a obrigação de cuidar dos presos americanos do sistema público para o sistema privado.

O negócio das prisões privadas se mostrou lucrativo para todas as empresas do ramo: entre 1999 e 2010, o número de prisioneiros mantidos nas instituições particulares cresceu 80% no país, enquanto a população carcerária em geral cresceu apenas 18%.

Na história, os agentes são chamados através de Hotch, que conhece o atual dono de um pool de penitenciárias. Seu amigo relata uma segunda morte de guardas em três meses e pede a ajuda da equipe. Conhecendo os riscos de agir dentro de uma penitenciária, nosso time se prepara para atuar lá dentro com inteligência. A primeira dificuldade é a falta de contato com o mundo. Apenas em alguns poucos lugares há sinal de satélite capaz de fazer e a internet funcionarem. Além disto, eles são alertados por Hotch e por Rossi sobre o ambiente hostil de dentro de uma cadeia e da possibilidade de terem que enfrentar gangues muito bem organizadas dentro do presídio.



Os agentes começam por investigar presidiários com fichas problemáticas e membros de gangues locais para tentar descobrir a motivação do assassinato dos policiais. São feitos interrogatórios e Reid se encarrega de ler as fichas dos detentos para identificá-los. É a partir do momento em que eles dão por falta de um deles que a investigação começa a virar olhos para os próprios agentes penitenciários. Tal investigação lentamente desvenda um horroroso sistema de apostas organizadas por alguns policiais,feitas através da disputa entre detentos, em uma espécie de MMA, onde vence quem sobrevive. Fica claro que, além da vantagem financeira, há o componente psicótico: trocando em miúdos, ainda mais importante que a vantagem financeira é a violência que se estabelece em território livre de punições.

Enquanto o chefe da segurança surta ao perceber que foi pego e decide não sair vivo da situação, Morgan e Kate se envolvem em uma briga de presidiários e são feitos de reféns. Graças a intervenção de um outro presidiário e, posteriormente de outros agentes que assumem a situação eles acabam sendo salvos.

Lendo tudo assim, desta forma, parece apenas mais um episódio da série Criminal Minds. Mas não foi apenas mais um episódio. Foi “o” episódio. Dirigindo seu quarto episódio na série Thomas Gibson deu um show em diversos sentidos. Como boa cinéfila,  vivo reclamando que as séries deveriam explorar mais os recursos cinematográficos como ângulos de câmera, tomadas diferentes, iluminação, outros planos que não apenas o plano americano, entre outras coisas. Mas às vezes fico em dúvida se isto é possível em shows deste tipo por conta do tempo de gravação, recursos e tal. Pois bem, Thomas Gibson me provou em Lockdown que não apenas é possível como também o resultado pode ser excepcional. Quem não é muito ligado em cinema ou não conhece os recursos utilizados pode não identificá-los de imediato, mas também pode ter a certeza de que foi um dos motivos pelos quais provavelmente gostou do episódio. Algumas tomadas em planos de detalhe como na abertura e fechamento dos portões do presídio no início e encerramento ou o close up nos rostos e tatuagens dos presos dão a sensação exata da clausura e do medo que nos espera pela frente. Já as cenas de luta contaram com câmeras de tripé e câmeras de mão, com movimentos rápidos e dinâmicos que tornaram  a cena mais emocionante. Foram ângulos inusitados, com câmera alta, câmera baixa e plana, iluminação em low key (reforçando a sensação de medo), isso só para citar alguns exemplos.

Também a escolha do elenco convidado foi perfeita. William Ragsdale esteve ótimo como o chefe de segurança psicopata sedento por sangue e Matt Corboy e William Stanford Davis também agregaram veracidade aos seus respectivos papéis.

Muito bom saber que mesmo após dez temporadas eles ainda conseguem escapar da mesmice e produzir ótimos episódios como este. Ontem, ao gravar o podcast para a página do Criminal Minds me pediram a nota do episódio. Quem me acompanha sabe que raramente dou uma nota dez que, aliás, dedico a apenas cinco episódios durante toda a exibição da série. Bem, agora eu tenho seis episódios nota dez para este show, que conseguiu angariar duas notas máximas na mesma temporada (eu também atribuí nota dez a Nelson’s Sparrows). Sensacional!

Até a próxima!

Criminal Minds 10×15: Scream

Alguns episódios de Criminal Minds tocam meu coração de uma maneira mais profunda que não sei bem como explicar. Às vezes a história até que é simples, o roteiro não é muito rebuscado, não existem elementos demais, no entanto me fazem sentir o peso da humanidade nas costas. Scream para mim foi um episódio exatamente assim.

A história é razoavelmente simples e acontece várias vezes ao dia nos mais diversos lares de todo o universo: violência familiar, abuso de poder patriarcal, uma criança que assiste de forma recorrente sua mãe, dia após dia, ser humilhada e machucada, moral e fisicamente pelo homem a quem chama de pai. Sim, é tão terrivelmente trágico uma criança assistir de perto sua mãe apanhando quanto é terrível ver seu pai batendo.

Pouca gente imagina o impacto que isto causa a uma criança. Muita gente acha o tema supervalorizado, outras acham que pessoas quando crescem não tem para lidarem com isto. Mas não é isto o que acontece. Muitas destas crianças crescem tentando desesperadamente implantar alguma normalidade à sua rotina e até conseguem. Conseguem ser bem sucedidas, conseguem construir uma família feliz e seguir em frente. Mas sempre ficam seqüelas. Sempre ouvirão os pedidos de socorro em um sonho ou outro. No entanto, seguem em frente e lidam com este sentimento. Outras nem tanto.

Scream trás um retrato bem elaborado dos males que este tipo de vivência acrescenta a uma mente já tendenciosamente perturbada. Pessoas que não conseguem jamais superar totalmente e acabam chafurdando no próprio lamaçal de suas vidas, submetendo outras pessoas inocentes aos seus traumas. É o que ocorre com Peter Folkmore, que quando criança presenciou por anos a violência de seu pai com sua mãe e acabou, por fim, testemunhando o assassinato de sua mãe e o subseqüente suicídio de seu pai. À equipe cabe descobrir quem é o responsável pelas mortes de duas mulheres e o desaparecimento de uma terceira na Califórnia.



A história de Peter Folkmore consegue ser ainda mais cruel, ainda que isto fosse possível. Desconfiado, após diversas chamadas de vizinhos reportando discussões e em nenhuma vez obtendo registro de queixa por parte da mãe, o investigador de polícia resolve dar ao menino um pequeno gravador, na esperança de que ele pudesse gravar algum momento do abuso e isto servisse para salvar a mãe e a criança daquele ambiente hostil. Quando finalmente Peter resolve gravar alguma coisa, acaba por registrar os últimos momentos de vida de seus pais. Crescido, vai trabalhar em um local de assistência para mulheres que sofrem abusos e lá mesmo obtém suas vítimas. Visto que tempos atrás, o único registro da voz de sua mãe perdeu-se em um incêndio, Peter captura mulheres com o intuito de gravar o último diálogo de seus pais com extrema fidelidade e, assim, obter de novo um registro que seja fiel à lembrança que guarda de sua mãe. que, mesmo contando com a colaboração das vítimas, ele jamais conseguiria reproduzir a voz da mãe novamente e, ao frustrar-se, mata as mulheres que não atingem seu objetivo.

O caso é relativamente simples, mas impressiona ver através da impecável interpretação de Brian Poth a imensa dor que sente seu Peter Folkmore. Ele sabe que o que deseja é impossível, sabe que o que deseja é errado, mas seu impulso incontrolável o leva ao limite para manter o último momento intacto.



Em paralelo a esta trama, seguimos com mais um pouco do arco formado no início da temporada acerca de aliciadores de pessoas através da internet com um objetivo ainda não muito claro ( tráfico humano pode seguir várias vertentes, venda de órgãos no mercado negro, escravidão humana, aliciamento de menores para prostituição, entre outras barbaridades). Desta vez conhecemos o marido de Kate e presenciamos aquilo que pessoas com filhos já sabem: é difícil educar crianças sem que haja um consenso entre os pais.

Sabemos que Meg é sobrinha, mas foi criada desde pequena como filha por Kate e seu marido. Dando seqüência aos fatos de sua última aparição, Meg e sua amiga marcam em um shopping para encontrar-se com o rapaz que conheceram pela internet. Ao pedir autorização, sem que haja uma discussão prévia o marido de Kate autoriza o passeio, acreditando ser apenas uma tarde entre amigos. Kate o recrimina, pois eles ainda não haviam discutido sobre isso e ela teme que seja um encontro de namorados. De forma bem humorada, assistimos a um embate de marido e mulher no sentido de descobrir o que é melhor para a sobrinha que educam. Na cena final, o marido liga arrependido para Kate se desculpando por tomar a dianteira e diz que está de olho nas meninas no shopping, supondo que elas tomaram um “bolo” dos garotos.

Na verdade podemos observar que o unsub, ao perceber a presença do marido de Kate aborta a missão de capturar as meninas, avisando Meg que o encontro fica para outra oportunidade. Fica claro que este será o gancho da Season Finale, o provável rapto da sobrinha de Kate culminando com o desmantelamento da quadrilha que trafica humanos. Resta saber se será um arco encerrado ainda nesta temporada ou um cliffhanger, cujo desenlace ocorrerá em uma possível décima primeira temporada. É esperar para ver.

Até a próxima!!

Categorias: Reviews Criminal Minds 10×14: Hero Worship


Escrito por Rick Dunkle e dirigido por Larry Teng Hero Worship não foi um grande episódio. que chega a ser desonesto qualificar qualquer episódio que passasse uma semana após o excelente Nelson’s Sparrow, este sim um episódio nota dez. No entanto, mesmo ignorando qualquer comparação o episódio foi um tanto exagerado, cometendo alguns absurdos e com enredo que não convenceu totalmente.

Em resumo, depois de uma explosão em uma escola de Indiana – Indianápolis com a morte de uma pessoa a equipe é chamada para investigar uma explosão em um Café com a morte de sete pessoas. Durante esta última explosão um homem consegue salvar uma mulher grávida. A princípio os agentes suspeitam da ligação entre os dois atos, sem conseguir saber se trata-se de um ato de terrorismo doméstico ou vingança pessoal.

Quando começam investigar são apresentados a Allen Archer, o tal herói que arriscou sua vida para salvar a grávida, que agora deu a luz e, a mídia cria um enorme sensacionalismo em torno do fato do homem ter salvado duas vidas.

Este homem é casado com a viúva de um amigo Seal que morrera no Afeganistão, cuja memória é cultuada até hoje como um verdadeiro herói. Morgan percebe que as bombas dos dois casos não parecidas, mas não idênticas, e isso os leva a desconfiar de outro suspeito. Neste ínterim Allen sofre um atentado dentro de sua própria caminhonete a noite, quando ao pisar no desembraio aciona uma bomba que explodirá se ele tirar o pé do pedal. Ao chegarem ao local para atender o chamado, Morgan e Reid não esperam o esquadrão anti bombas chegar e em uma cena “emocionante”, mas sem qualquer sentido nosso gênio pede para Morgan “usar sua intuição” para desarmar ele próprio a bomba. Não bastasse isso, frente a fios todos da mesma cor, ele arrisca-se a cortar um dos fios que ele “acha”  ser o fio certo. Ora, todos nós sabemos que embora adore um ato altruísta, mesmo em outras ocasiões em que se recusar sair do local e permaneceu ao lado da vítima quem fez o desarme foi alguém do esquadrão anti bombas, aparatado e para tal operação. Para criar um clima de emoção, o roteiro abriu mão do bom senso sempre presente nas decisões dos dois agentes em ocasiões deste tipo.


  Depois do salvamento de Allen a equipe passa a considerá-lo suspeito da explosão da Cafeteria e chama o casal para prestar depoimento. Tenho gostado muito de Kate quando ela questiona suspeitos. Incisiva, sarcástica e firme, ficou fácil para o suspeito se entregar em um deslize para ela e Hotch. Allen na verdade era um sujeito inseguro que viveu à sombra do amigo que morreu e queria participar de um ato heróico para que sua mulher e enteada orgulhassem dele. Ele confessa ter posto a bomba na cafeteria, mas diz que não esperava que ninguém se machucasse.

Quando eles percebem o remorso autêntico de Allen e sua preocupação com a esposa e a filha dela, chegam a conclusão de que o suspeito que colocou a bomba na escola e na caminhonete de Allen é outro sujeito, irritado com o fato de ter sido colocado de lado com a exposição do “herói” na mídia.

Aí surge outro ponto confuso no roteiro. Embora a cena do Hotch explicando a Rossi sobre a participação do prefeito no plano seja muito boa, não creio que nem com promessas de aprovação popular o político se sujeitaria a isso. Armar todo aquele circo para a mídia entregando a chave da cidade para Allen sabendo que ele fora o responsável por sete mortes criaria para a mídia uma sensação de insegurança quanto à veracidade de futuras matérias. Enquanto isso Penélope gasta seus neurônios para chegar a um suspeito, este sim ligado à explosão na escola. Um professor que, mesmo sendo muito conceituado fora demitido por ter tido um relacionamento amoroso com uma aluna e nem importara o fato da aluna ser maior de idade e a relação ter sido consensual. Revoltado com tal injustiça, o tal professor planeja sair explodindo vários locais pela cidade para chamar satisfazer seu ego e conseguir a planejada vingança. Com a foto do suspeito em mãos, Hotch ainda passará por outro susto antes de prenderem o unsub, já que o mesmo arma uma distração, uma caminhonete dirigida por outra pessoa com uma falsa bomba.

Na verdade, em minha opinião, as melhores cenas do episódio concentraram-se em mostrar a forma como Reid está lidando com seu luto por Gideon e como Rossi procura ajudá-lo com isso. A sacada de usar do jogo de xadrez, um velho hábito dos dois amigos, para absorver e encerrar um ciclo e começar um novo foi muito boa, porque está carregada de simbolismos. Rossi, também em luto e não apenas por Gideon, mas também por Harrison, seu amigo sargento, é a melhor opção para orientar o garoto nesta jornada.

Até a próxima!

Criminal Minds 10×13: Nelson’s Sparrow


De tempos em tempos somos agraciados, nós, os fãs fieis, com episódios feitos sob encomenda para agradar e presentear nossa fidelidade. Nelson’s Sparrow é um destes casos.

Do primeiro ao último instante o episódio é um mimo reservado àqueles que prestigiam a série desde seu início. Relembrando as origens do BAU, Erica Messer e Kirsten Vangsness resolveram  por um ponto final à história de Jason Gideon, matando-o em grande estilo: assassinando-o em decorrência de um caso por ele nunca solucionado. Para além de todas as outras conseqüências, de imediato temos o sentimento de perda, o luto autêntico daqueles que foram seus companheiros, mas que por obra do destino, distanciaram-se  dele.

Por tratar-se de um assassinato, fez-se necessário uma investigação que os levasse à verdade. Para isto a dupla de roteiristas Erica e Kirsten, lançou mão do artifício dos flashbacks para esclarecer vários pontos da estória. E, de quebra, nos presentearam com os primórdios do BAU, a origem de termos como “crimes em série”, a “assinatura” de um criminoso serial, o “sujeito desconhecido” ou unsub, entre outras pérolas. Além do que, elas escancaram o passado e nos contam o porquê da obsessão de Jason Gideon com pássaros ( incrível a forma como conseguiram justificar sua obsessão através do caso).

 nelson 2

Um dos destaques foram  sem dúvida alguma, os interpretes para os papéis de Gideon e Rossi jovens, que cumpriram suas missões com louvor. Para além do fato de Ben Savage guardar enorme semelhança com o ator Mandy Patinkin, a sua interpretação lotada de detalhes nos maneirismos, olhares e expressões impressiona. Da mesma forma, embora não tão parecido,Robert Dunne desenvolve trabalho semelhante,valorizando movimentos e expressões  faciais e corporais que lembram com facilidade nosso velho amigo David Rossi.



Logo na cena inicial, por um instante ficamos em dúvida se voltamos ao episódio em que Reid vai procurar por Gideon na cabana após abandonar o BAU ( S03 x E02 – In Name And Blood ), para em seguida entendermos que a cena é outra, o contexto também. Por motivos óbvios o corpo de Gideon aparece sempre coberto ( já que o ator que o desempenhou não apareceria novamente no show), mas a sensação de luto é aterradora. Momentos como o diálogo de Rossi com o Hotch no início e no final do episódio nos fazem refletir sobre muitos aspectos da vida pelos quais todos nós obrigatoriamente passaremos. É doído pensar em quantas pessoas realmente poderiam ter feito parte de nossa história e que, às vezes por falta de ou de oportunidade seguem rumos diferentes dos nossos. Por outro lado, quando temos mais idade, como é meu caso, começamos a refletir como Rossi, vendo pessoas queridas partirem seguidamente, assistindo a despedida de amigos e parentes e pensando o que nos reserva o destino.
Quando jovens enquanto davam início ao departamento que faria a análise de perfis, Gideon e Rossi deparam-se com um caso que acaba por não ser solucionado.

Este caso irá hibernar até os dias atuais, quando Gideon aparentemente volta a encontrar caso semelhante e dispõe-se a investigar sozinho. Rossi volta aos primórdios do departamento e relembra os assassinatos, cuja assinatura era um pássaro morto nas mãos da vítima ( o que irá posteriormente explicar a obsessão de Gideon por pássaros). A propósito, sobre o unsub, psicopatia pouca é bobagem. Tendo ficado por anos com uma única vítima, somente agora, com a morte da moça ele volta a caçar – e a chamar a atenção de Gideon.

Destaque também para a direção de arte, tanto na recriação das cenas passadas na década de trinta como no reduto do assassino, criando um ambiente sujo e claustrofóbico em meio a tantos pássaros engaiolados.
O episódio todo é muito bem amarrado, cheio de brindes aos fãs mais fiéis e não deixa margens para perguntas paralelas. Tudo é costurado com requinte. Talvez por isto, tenha sido considerado por muitos, a mim inclusive, como um episódio nota dez.Todas as cenas denotam profundo respeito pelos personagens, todos os caminhos levam a uma conclusão efetiva. Sem dúvidas, um episódio nota dez!

Até a próxima semana!

Criminal Minds 10×12: Anonymous


Eu sou mãe, por isto posso perguntar a você leitor, assim como me disponho responder: o que você faria para salvar a vida de seu filho que está a beira da morte?


, antes que a discussão se estabeleça, provavelmente nada parecido com o que o nosso unsub da semana estava fazendo. Muito provavelmente venderia minha alma ao diabo ou coisa parecida, mas não sairia matando alhures, sem qualquer garantia. Mas, sem dúvida, é algo a se discutir.

Nossa equipe é levada a investigar crimes que ocorrem de forma aparentemente aleatória e que, depois descobrimos, não tinham exatamente a intenção de matar. Simples assim, e por este motivo mesmo tão discutível, o caso da semana aborda um pai que vê sua filha, já mãe de um menino pequeno, na casa dos vinte e poucos anos, sucumbir pela necessidade de um transplante de fígado, órgão este que ele próprio tenta doar e foi descartado, por motivos de saúde.

Precisa ser uma pessoa muito insana ou muito à beira do desespero para sair atirando em pessoas, até que uma delas possa, enfim, ser compatível e, servir de doador para um filho necessitado de um transplante de um órgão. Não imagino a infinita lista de loucas possibilidades que exploraria a fim de salvar minha cria, mas não há dúvidas de que deveria ser algo dentro da lei, ou no mínimo, passível de ser aceita na prática. De nada me serviria neste momento tornar-me uma criminosa, sem a certeza do êxito em salvá-lo.
Dito isto, posso afirmar que compreendo, mas não aceito as decisões do unsub desta semana. É muito mais provável que eu optasse por sua decisão final (o suicídio) do que propriamente aceitasse sua decisão de matar inocentes que sequer poderiam ajudar no processo (matar um inocente para salvar um filho somente se tivesse certeza de que isto o salvaria, o que não é o caso no episódio.

Em paralelo temos David Rossi chorando a morte de seu amigo de infantaria: Harrison Scott morreu, porque seu interprete na vida real morreu também. Sabe-se que o ator  Meshach Taylor faleceu em meados de junho do ano passado e que ele era amigo íntimo de Joe Mantegna. Em episódio dirigido pelo próprio, era de se esperar que o ator honrasse seu amigo, e mais, que fizesse menção aos soldados que prestam serviços à pátria. Não é que Joe nutre imenso respeito às pessoas que servem ao seu país, tal qual seu tio o fez na época do Vietnã. Honrar pessoas que prestam o serviço militar em seu país é quase uma obrigação na história de Joe Mantegna, rito que ele segue cegamente em Criminal Minds. Não sei se as pessoas homenageadas sentem-se referidas, mas é fato que Joe mantêm uma solenidade em torno de todos os nomes, mencionados ou não, que ele tenta honrar as pessoas que de alguma forma, deram parte de sua vida à nação.

Visto desta forma, o episódio é elogioso e sentimental, cumprindo seu papel memorial, em torno dos nomes citados. Nunca saberemos ao exato se Joe Mantegna conseguiu honrar às pessoas que desejava, mas é certo que o episódio reverência a todas as pessoas que de, uma forma ou de outra, tiveram seus nomes envolvidos neste momento conturbado da nação.


Como episódio é provável que nunca se solidifique, mas como homenagem, Joe e roteiristas fizeram um ótimo trabalho. Serve para nos lembrar, de uma forma ou de outra que, querendo ou não, iremos honrar nossa pátria, através de nosso nome, gostando ou não desta situação.

Até o próximo episódio!!!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Criminal Minds S10E05: Boxed In - Review


Sabe aquela coisa que eu costumo dizer sempre em minhas reviews: que menos é sempre mais? Pois é, lamento, mas vou continuar  batendo na mesma tecla.
Me  perguntaram, enquanto eu gravava o podcast desta semana que nota eu daria ao episódio Boxed In. Quem me conhece sabe o quanto sou chata em termos de nota. Pois é. Mas esta semana tive que soltar um nove.
Devo começar dizendo que o grande mérito do episódio foi contar uma estória simples, mas totalmente crível, que valorizou, mais do que efeitos especiais, mais que uma boa montagem, uma fotografia primorosa ou cenários excêntricos, mais do que qualquer outra coisa, a arte da interpretação. A boa e velha técnica de emocionar contando apenas com a palavra, a expressão facial ou a linguagem corporal. Não que todo o resto não tenha acontecido. Sim, a edição e montagem foram perfeitas, a fotografia adequada, a direção de arte muito minuciosa, mas o que contou mesmo para o meu nove na avaliação foram as interpretações e a direção.
Desde a cena inicial até o desfecho, tudo o que fez valer foi a direção de atores, que, quando feita por um também ator ( no caso, Thomas Gibson), sempre parece mais adequada. Tenho a impressão de que um ator sabe o que exigir de outro ator nestas horas.
O ótimo roteiro de Virgil Williams, preciso em sua necessidade de explorar mais que qualquer outra coisa os sentimentos foi impecável em amarrar todas as possíveis pontas soltas, dando um sentido único a cada personagem da trama. Aliado a uma direção segura e eficiente de Thomas Gibson, proporcionou um episódio daqueles que nunca saem da cabeça dos fãs da série. Há de se esclarecer que, uma vez fechado o tema, o ator e agora diretor Thomas Gibson juntou a fome com a vontade de comer. Ele sempre se queixou de há quase dez anos não conseguir protagonizar nada que seus filhos pudessem de fato assistir, devido a pouca idade. Dito isto, o roteiro proporcionou à TG a oportunidade de gravar cenas até engraçadas, que suas crianças certamente adoraram presenciar. Sabendo da oportunidade, o ator não se furtou em convocar seu filho Travis para uma ponta no episódio, além de trazer  JP, o primogênito para acompanhá-lo na direção ( o menino, segundo o ator, já dirigiu pequenos curtas informais  e demonstra interesse pela atividade), além de ter sua caçula Ágatha por perto, dando palpites aqui e ali. Certamente foi um bônus para quem queria agradar aos filhos e não sabia como.
A despeito desta informação adicional sobre o Thomas, o roteiro garante também um presente aos fãs do personagem, que sempre reclamam por nunca verem Aaron Hotchner sorrindo. Sob este aspecto Boxed In foi primoroso.
riso
Partindo de uma sequência inicial quase nunca vista na série, temos a oportunidade de encontrar Hotch totalmente desconcertado, na presença de uma amiga de Penélope Garcia, uma cartomante transexual, visivelmente encantada com o homem à sua frente, sendo a responsável por encontrar a fantasia dos sonhos de Jack para o Halloween: as vestes de Darth Vader. A começar pelo ambiente exótico, podemos sentir nosso agente totalmente deslocado, principalmente quando Mme.  Bouvier resolve não lhe cobrar o favor em espécie e dá ao entender de que estaria encantada pelo Macho Alpha à sua frente. Para quem acompanhou Gibson em Dharma e Greg eu diria que foi um presente ao ator para recordar seus distantes tempos de comédia. Contracenando com o ótimo Cornélius Jones Jr. em curta, mas surpreendente e bem-humorada atuação, a cena ficará na memória dos fãs por muito tempo, mas lá na frente destacarei a utilidade pratica da mesma, no quesito roteiro.
O caso acaba com os planos de Hotcher de passar o Halloween junto de seu filho Jack. O agente junta-se aos seus colegas para investigar o desaparecimento de garotos de cerca de doze anos  anualmente, sempre nesta mesma data. Juntos, eles irão descobrir que depois de um ano a criança é devolvida ( sendo que a primeira delas não sobreviveu). Aos poucos iremos descobrir que o unsub responsável por raptar as crianças havia sido punido por seu pai, um sujeito que vivia bêbado e que era tendencialmente agressivo.
Uma coisa interessante a se dizer é que uma boa parte da humanidade é psicopata ( cerca de 4% da população – 3% homens, 1% mulheres – segundo Ana Beatriz Barbosa Silva em seu  livro           Mentes        Perigosas – http://cerebro-online.blogspot.com.br/2010/03/4-da-populacao-sao-psicopatas-segundo.html  ). Isto não significa que todas estas pessoas irão cometer assassinatos. Muitos destes psicopatas irão conter seu desejo de matar e irão sublimá-lo tornando-se empresários de sucesso, pessoas com destaque intelectual  ou  apenas chefes muito exigentes. Não foi o caso do nosso suspeito. Após anos presenciando o abuso de seu pai, o sujeito, que já apresentava os sinais clássicos da psicopatia na adolescência,  é posto de castigo após uma brincadeira de Halloween ( pego jogando ovos na vizinhança) e trancado em uma caixa, da mesma forma que faz hoje com suas vítimas. Ao contrário das crianças que rapta, o unsub é salvo por sua mãe, que o impede de ficar preso. A mãe, cheia de viver sob o julgo do marido e tendo a oportunidade  mata –o e pede a seu filho que a ajude a sumir com o corpo. Anos depois, o filho crescido, rejeitado pela própria família e depois por uma noiva que o abandona, passa a aplicar em outras crianças o castigo que inicialmente lhe fora aplicado pelo pai. Obviamente que o aspecto da punição, mais a experiência de ajudar a sumir com seu pai, aliado a uma personalidade psicopata não poderia dar em boa coisa mesmo.
caveira
Mas não deixa de seu um daqueles casos em que você não sabe bem onde jogar a culpa. Se na psicopatia do unsub, na tirania do pai que pune desmedidamente o filho, se na mãe que o submete à  experiência inigualável de um assassinato, se no ambiente permissivo que favorece cada crime ou na namorada cuja rejeição o leva ao gatilho que dará início aos crimes. Talvez não haja a quem culpar senão a todos.
Um dos pontos altos do episódio como já disse antes são as interpretações. Desde pequenas aparições, como a do vizinho intolerante afrontado por Rossi, a mãe da última vítima à beira da loucura ao descobrir que seu filho desapareceu, a irmã que denúncia o unsub, até o brilhante trabalho de Pamela Reed, tudo funcionou à perfeição. Em especial o trabalho de Pamela ( injustamente lembrada sempre por seu trabalho cômico em Um Tira No Jardim de Infância com Arnold Schwarzenegger, mesmo tendo tido inúmeras outras brilhantes interpretações no cinema), que expõe na medida exata a dor e a culpa pelos atos de seu filho. Tanto nas cenas em que ela aparece sendo interrogada, como no momento em que ela conversa com o rapaz, impossível não se comover com a dor expressa em seu olhar triste, no rosto marcado pelo tempo, na postura submissa, instintivamente defendendo-o como qualquer mãe faria, para em seguida, não podendo mais protegê-lo, assumir seu quinhão de culpa. De certa forma John David tornou-se seu pai, como tantos agredidos se tornam um novo agressor. O que nunca saberemos é se, criado adequadamente ele teria se transformado em um criminoso ou seria apenas parte do contingente de psicopatas que convivem conosco em nosso dia a dia e nem nos damos conta.
Por ser um episódio de Halloween, certamente dele se esperava algum terror. E ele estava lá. Não na forma explícita de cadáveres desmembrados, sangrando ou cheios de larvas, nem na exposição de tortura física ou no ruído típico de um tiro. Optou-se sabiamente pelo terror psicológico, pois nada mais aterrorizante do que pensar em uma criança presa meses a fio, em um espaço claustrofóbico e escuro. Crimes com crianças costumam nos mobilizar muito mais que outros, mas o fato dele prolongar um sofrimento por longa data é uma das ideias mais apavorantes que pode me ocorrer.
Quando iniciei este texto, disse que falaria ao final sobre o motivo de uma cena inicial feito a que tivemos. Então vamos lá. Muita gente se questionou porque um episódio com tanto Hotch. Simples: para fazer um ótimo contraponto com um pai tão horrível, agressivo, bêbado e abusivo, nada como um pai exemplar. Nenhuma informação ali foi por acaso. Desde ele sair correndo do BAU, despedindo-se às pressas de Penélope ( mostrando que ele sempre tem dificuldades para arranjar tempo para ser dividido entre lar e trabalho), o favor que ficou devendo à sua funcionária, a chuva impiedosa ( quantos se desbancam debaixo de tanta chuva para agradar o filho?), a postura séria que adota ao só deixar o menino brincar com a fantasia se tiver jantado bem e estiver com o dever de escola feito, o orgulho que ostenta ao comentar que Jack ganhou o concurso de fantasias na escola  e seu comentário com JJ sobre nunca ter passado um Halloween longe do filho, para não dizer a evidente indignação que expressou o episódio todo, como se não pudesse admitir ou compreender como alguém pode fazer mal a uma criança, tudo foi cuidadosamente inserido para que ficássemos ainda mais indignados com o pai e com o suspeito ( o primeiro pelo mal que fez ao filho o segundo pelo mal que fazia às crianças). Quando ele entra no quarto e não vê Jack na cama, não é um olhar despreocupado que vemos em seu rosto, é o medo de ver seu menino passar pelas coisas horríveis que ele vê no trabalho que se instala  para descobrir, em seguida, que o garoto está dormindo no sofá.   Hotch riu mais porque, via de regra, lares com crianças são, ou deveriam ser, felizes. A cena inicial com Madame Bouvier foi um bônus, por que na verdade não basta ser pai, tem que pagar todos os micos possíveis para fazer valer….
mais uma
Outras considerações:
§  Excelente trabalho de direção de arte. A criação da loja/casa de Madame Bouvier, cheio de detalhes ricos, como um lustre antigo, vários abajures, uma, um corvo, uma centena de quinquilharias , veludo e muitas contas e cristais, além do uso de rosa, vinho, lilás e bege só acresceram para tornar o ambiente muito embaraçoso para Hotch. Também os desenhos colados à parede da sala de seu apartamento pareceram uma ótima ideia, coisa de filho mesmo.
§  A composição do personagem de Cornélius foi incrível. Maquiagem, robe e chinelo de pelúcia, com o cabelo preso da forma que se prende quando se está perto de se retirar a maquiagem, além, , da interpretação do ator formaram um conjunto perfeito.
§  De todas as cenas, uma que me impressionou por sua naturalidade foi o momento de fim de jantar na casa dos Hunters. A filha adolescente que só se ocupa do telefone, o menino que se queixa por ter de comer comida saudável, a mãe tentado manter seu controle sobre os filhos, a senha comum no Amazon e o alerta do filho para não usar senhas óbvias, tudo foi encenado com tamanha simplicidade que a gente nem percebe que já está amando aquela família e que vai, logo mais sofrer com ela. Ponto para a direção de arte, as interpretações e a direção, responsáveis pelo conjunto da cena.
§  Estrelinha dourada pela menção ao Cruz, pois nos faz lembrar do chefe mesmo sem ele estar presente.
§  Um toque de ironia: Hotch pedir à Mary, no final, que ela não se culpe pelos atos de seu filho, mesmo tendo certeza que está pedindo o impossível a alguém na situação dela. Ele próprio não se perdoou por seu filho crescer sem ter a mãe ao seu lado, por algo que foi de certa forma, sua culpa também. Caso contrário ele ainda seria o pai sempre sem tempo para Jake, pois sabia que Haley era a mãe e o pai que seu filho precisava.
§  Uma observação sobre Thomas Gibson interprete. É inegável como ele transita com facilidade entre o cômico e o dramático. Da mesma forma que ele nos faz rir com seu desconforto em ser quase cantado pela cartomante, ele transmite autoridade e severidade nos momentos necessários. Pequenos toques, como chegar descontraído em casa ( note-se o botão da camisa desabotoado por baixo da gravata, algo que homens que usam o acessório fazem muito quando já não estão no ambiente de trabalho) e, no minuto que atende ao telefone mudar seu semblante para o modo “worry” fazem toda a diferença.
§  Preciso de uma cunhada destas, disponível vinte e quatro horas, rs,rs
§  Por fim, uma falha de continuidade, na cena em que ele vai procurar o menino debaixo do carro: alguém notou como ele tira a capa do automóvel, quando na verdade o mesmo já deveria estar descoberto, uma vez que ao chegarem à casa, os policiais a retiram? Ah, os contra regras…..
Então, gostaram do episódio? Deixem seus comentários por aqui, gostaria de saber o que acharam….
Até o próximo episódio pessoal!