sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Teatro de Fantoches e Outras Estórias...





Meu primeiro teatro de fantoches surgiu há uns vinte e tantos anos atrás, de uma caixa de geladeira cuidadosamente reforçada com fita adesiva e vários metros de juta e feltro costurados a mão para forrá-la. Era uma tentativa ainda que tosca, de incrementar a famosa hora da estória nas festas infantis. Sem muito dinheiro, mas cheia de disposição e ideias férteis na cabeça, metia-me em um espaço de setenta centímetros e passava meia hora abaixada ali dentro, mãos erguidas, manipulando bonecos, contando estórias, criando vozes para personagens de fábulas que encantavam adultos e crianças. Foi, como tudo o que eu criei em festas, um começo bem difícil. Não que as crianças não prestassem atenção quando eu contava as estórias sentada no chão com elas, despida de qualquer recurso extra, mas a ideia de apaixoná-los com os bonecos me cativou. 



Sem falsa modéstia, eu sempre contei estórias muito bem. Tive boa professora. Eram naquelas tardes de temporal em São Paulo, quando os    raios riscavam o   céu para todos os lados, que minha mãe saía-se melhor, contando infinitas vezes sobre os mesmos personagens, com o intuito de distrair, a mim  e a meus irmãos, daquilo que nos trazia medo. Eu gostava tanto das estórias que chegava a esperar ansiosa pela chuva do fim de tarde para ouvi-la novamente. Isto e mais alguns outros fatores ( a biblioteca municipal era meu refúgio para os momentos dramáticos da família ) me levaram a ser uma leitora voraz, um rato de biblioteca, que aos treze anos já havia lido de Graciliano Ramos à Madame Bovary, de Angélica de Madame Dupré ao Sherlock de Arthur Conan Doyle.

No entanto, nem todo leitor contumaz é um bom contador de estórias. Mas, então, eu virei mãe. E passei a dividir com meu filho o prazer de, inicialmente contar estórias e, mais tarde, ler livros com ele. Foram raras as noites em que eu não contasse ao menos, palavras dele, uma estória rapidinha. Naqueles dias em que eu estava caindo de cansada, com sono, louca por uma cama, uma estória rapidinha era a solução. Mas, não raro, o sono ia embora quando me empolgava, eu em contar, ele em ouvir, mais uma estória maluca que misturava personagens de ficção ou vida real.

Por isto, fazer o teatro de fantoches era um prazer. Tinha uma fábula, a do Ratinho e o Leão de La Fontaine, cujas palavras e vozes dos personagens quase saíam sozinhos da minha boca, tantas vezes que contei.


E, com o tempo, a caixa velha de papelão deu lugar a uma estrutura com canos de plástico e diversos encaixes, tecidos mais sofisticados e personagens maiores e mais bem elaborados. E eu continuava feliz em me espremer por quarenta, cinquenta minutos em um espaço pequeno e apertado, para brincar de contar estórias com as crianças da festa. Era quase um milagre eu me divertir tanto e ainda ser paga por isto. Vieram o microfone, a caixa de som, uma música para o fundo musical e aquelas horas eram, até bem pouco tempo, as melhores da festa.



Mas o tempo passou. Em um dia, durante uma estória, uma criança com não mais que cinco anos de idade  me perguntou porque a menina sozinha na floresta não usava o celular para chamar um táxi e outro sugeriu em outro dia que o leão não tivesse medo de dar ( sic) " umas porradas no ratinho para ele aprender". Não demorou muito tempo desde então, para que meu teatro tivesse que disputar espaço com outras coisas mais high tech, e, para adequar-me e não perder mercado rendi-me ao desfile de modas com direito a maquiagem e camarim, orientando minhas recreadoras a tentarem não maquiar as meninas como se fossem mini adultas. Hoje, nos cabides à disposição das convidadas, muita coisa com brilho, muito rosa choque, inúmeros boás de penas coloridas, chapéus e colares cheios de contas. Todas querem ser Gisele ou algo assim, então eu coloco "Tô Nem Aí" com a Luka cantando a plenos pulmões e elas adentram no tapete vermelho ( a Denilda jura que aquela passarela que eu estendo no chão é cereja ) consagrando este o melhor momento da festa, junto com os brigadeiros e as lembrancinhas, desbancando de vez meu velho e bom teatro. 



Quanto aos meninos, quando eles não estão se estapeando com bexigas de canudo em forma de espada, a recreadora tenta diverti-los com um jogo de futebol, até que o desfile acabe e eles possam todos juntos, voltar ao bom e velho Vivo ou Morto, brincadeira antiga, mas que ainda cativa as crianças de hoje em dia.




Às vezes sinto vontade de voltar com o teatro nas festas de salão, mas basta pensar que, em meio às crianças pequenas e atentas surgirá um pai que bebeu demais e irá avacalhar em alto e bom som com meu texto ( como já aconteceu mais de uma vez - os pais de hoje exageram na bebida em festas infantis de forma vergonhosa!) ou um moleque maior cuja missão será derrubar a estrutura do teatro no chão, só para provar aos pequenos que ele tinha razão e era uma "tia" falando lá dentro, que eu desconsidero a idéia. Nunca fui  uma profissional de teatro, apenas alguém que gosta de divertir crianças com  estórias e, se elas preferem se divertir de outra forma, tudo bem, eu preciso me adequar ou serei soterrada pelas outras inúmeras casas de festas que estão surgindo por aí.



Continuo fazendo o teatrinho nas festas em escolas, onde tenho um controle maior sobre quem assiste e conto com a ajuda das professoras para organizar a bagunça. Mas não demora a chegar o tempo em que o teatrinho será vencido pelo camarim e outras atividades mesmo nas escolas. Já tenho mães me perguntando se posso encaixar as duas coisas na festa e, se não, se posso fazer o desfile ao invés do teatro.



Pode ser que eu acabe deixando de fazer o teatro, mas uma coisa é certa. Em minhas festas ainda se toca para crianças, música de criança. O dia que eu tiver que tirar as melodias infantis para colocar funk, axé, pagode ou sei lá mais o quê para eles se divertirem, será o dia em que estarei pedindo minha aposentadoria. Já me indispus com cliente que tirou meu cd do aparelho para colocar uma pérola chamada funk do caveirão. Sem comentários. Minha única exceção fica por conta do momento do desfile, porque também seria sem noção fazê-las desfilar ao som do Pai Francisco. Aí até rola a tal da Luka - que as meninas amam, o Skank ou o Jota Quest. Mas só.



Quanto às estórias, me restam meus sobrinhos. A mais nova outro dia também me disse que o menino perdido devia usar um celular sempre que sai de casa. Sinais dos tempos. Um dia, talvez, eu tenha netos. E, talvez, para eles eu também possa contar estórias, sair rugindo como um leão zangado ou engrossando a voz para parecer um pirata conquistando os mares. Ou fazendo a voz enfraquecida e triste da Dona Baratinha que padece com a viuvez do Sr. João Ratão.



Enquanto isto, vou escrevendo......

Criminal Minds - 8x11 - Perrenials - Meus Comentários

 POR PARTES, FEITO O ESQUARTEJADOR, EEHEHE!


Sobre este episódio, demorei demais a assistir, por conta de estar longe da internet, mas gostei com ressalvas. O interessante nesta temporada é que eles  voltaram a valorizar as  tais "mentes criminosas - leia-se doentias" explorando detalhes escatológicos e nada sutis para mortes mais impactantes ainda ( vide matar uma quase carmelita) ou, quase matar uma criança. A grande sacada da série, no meu modesto ponto de vista , não é adivinhar o assassino através de pistas, mas entender suas motivações. Para adivinhar assassinos temos vários CSI's, NCIS, Castle, Bones, Mentalist e uma variação sem fim de shows ( nada contra nenhum deles, assisto vários, cada um por um motivo). A motivação de CM é exatamente entender o que leva um sujeito a cometer um determinado crime , e, nisto, eles se superam a cada dia, dando-nos casos dos mais diferentes possíveis. Acho que eles encontraram um equilíbrio entre o pessoal ( neste epi p exemplo, a Penélope  preocupada com os ferimentos do Morgan) e os casos.


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Torço por um seriador doido feito o cara do The Fisher King, e minha modesta aposta continua sendo a do professor de fotografia da sexta temporada, aquele que saiu impune, enquanto o "parceiro " pagava o pato tomando um balaço na testa debaixo d'agua, cortesia do meu querido Hotch mergulhador. Torço para que eles explorem lentamente este seriador, capítulo a capítulo, sem pressa alguma. Hoje em dia, quando pego o jornal, me pego tentando entender o porque de um crime brutal, e, gostanto ou não, me lembro de Criminal Minds. Espero que o assunto seja muito bem explorado.

Lamento ter que admitir, mas na minha humilde opinião, o ator q fez o unsub deixou um pouco a desejar. Esperava dele mais dramaticidade, mais traquejo, e que me fosse um pouco mais convincente.

O episódio pecou pelo excesso de informações mal resolvidas, um tema como a crença na reencarnação como motivação merecia ser melhor explorado, mesmo que do ponto de vista do unsub. Anyway, a direção preferiu chocar com imagens escatológicas ( os vermes e tal ) na expectativa de que questões mais profundas se perdessem pelo caminho. Deve ter funcionado para quem viu como passatempo. Eu, no entanto, sempre espero de CM um algo a mais e, desta vez, não recebi. Foi um bom episódio. E só.


Que venha o próximo. Aliás, expectativas a mil pela direção do Thomas, só o conheço dirigindo comédias, então, para mim, tudo também é novidade!



No aguardo.....



Até mais!


Criminal Minds - 8x09 - Magnificent Light - Meus Comentários


Outro ótimo episódio de CM. No princípio achei que eles iam explorar a coisa da auto ajuda de uma forma negativa, mas eles não depreciaram a técnica ( da auto ajuda). A necessidade das pessoas hoje de terem seus 15 minutos de fama ( para o unsub isso ia bem além de 15 minutos), aliado à alteração cerebral, que o levavam a crer que poderia ser um salvador do mundo foi interessante o suficiente para manter-me atenta ao episódio. Já havia visto este ator ( que faz o unsub) em outras séries e ele já meio que tem cara de doido. Fiquei curiosa para saber mais sobre a sinestesia.




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A iniciativa do palestrante em fazer-se passar como compreensivo e ativo junto ao unsub me lembrou aquela mãe no episódio do adolescente que matava para se vingar da mãe que não o amava. Pessoas com sangue frio e equilíbrio suficientes para tentar manipular o unsub e assim, tentar uma chance de escapar ( no caso da mãe ela tirou o cara da casa para salvar os filhos).

A fotografia colaborou e muito para o episódio tornar-se ainda melhor e gostei do fato deles irem chegando ao ponto aos poucos, gosto quando eles erram até chegar à conclusão definitiva.






Eu gosto demais da Garcia, mas às vezes ela me irrita. Eu entendo que eles precisavam chegar no ponto do Morgan na festa ( bem como colocá-lo num smoking e num carro super/hiper fantástico - não sei nem que carro é aquele, mas quem entende de carro deve ter achado o máximo - para alegrar  parte da ala feminina), mas ela às vezes força a barra até ser inconveniente.

Tive a impressão que o cara pegou a taça para aproveitar digital do Morgan ou eventualmente da Garcia ( só vi uma vez, não tive certeza absoluta de quem era a taça). Eu posso estar muito enganada, mas a foto do cara sem perna não me pareceu ser de nenhuma das vítimas do caso The God Complex, do enfermeiro que queria implantar a perna na mulher. Tenho que ver de novo, a princípio ele estaria acompanhando os casos da equipe de perto, mas não me lembro de uma vítima homem tão jovem ( o jovem que eu me lembre era negro.) Mas que o cara vai infernizar, ah, isso vai!

Que venha o próximo!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Criminal Minds - 8x08 - The Wheels On The Bus - Meus Comentários


Foi mais um ótimo episódio. Retrata basicamente a desumanização das últimas gerações, a coisa de tratar o ser humano como coisa, não como gente. Não quer dizer, obviamente, que todo mundo que joga estes jogos se torne um assassino frio e desumano ( meu filho não só joga como cria jogos), por isto, apenas por isto, achei que eles poderiam ter aprofundado um pouquinho mais a personalidade dos dois irmãos. Foi, na minha opinião, o único pecado do episódio. Um jogo, como uma série, um livro, uma novela ou um jogo de futebol,  funciona como uma catarse. Guardadas as proporções, é como dizer que você ama um personagem de série, mesmo sendo bem casado. O jogo é um instrumento como outro qualquer para se descarregar a adrenalina e não arrumar uma briga no trânsito, por exemplo. Mas, não se pode negar que há hoje uma tendência de enorme despersonalização, de não ligar para a dor do próximo, de passar por uma criança na rua pedindo esmola e não se chocar ( nunca vou aceitar isto, mas entendo o processo). É assustador, mas incrivelmente real. E isto o episódio foi primoroso em demonstrar.


8x08 - Promo Oficial

   
   

O episódio foi de arrepiar e cumpriu sua missão de manter -nos grudados na poltrona. E ninguém que torceu pela moça ou pelo rapaz precisa se preocupar.  Era uma questão de sobrevivência.  O objetivo era se crer que não havia saída para um ou outro.

Para quem pensou em resmungar sobre o Rossi conhecer tanto sobre jogos, basta lembrar que era ele jogando com a Seaver na sexta temporada. E, claro, aos jovens resta a resignação de que nós, já de meia idade, também nos interessamos por jogos, mesmo que isto pareça ser apenas coisas para os descolados abaixo dos trinta.

A fotografia foi interessante e precisa no quesito suspense, já que o ponto de vista do episódio foi, muitas vezes o ponto de vista dos jogadores. Fica aí um elogio à  iluminação, apropriada para manter a fotografia interessante. A edição também foi fundamental, pelos mesmos motivos. Eu quase não jogo mas, acompanho quem joga e observo os gráficos e posso dizer que em certos momentos, a ação parecia estar mesmo sendo conduzida através de um jogo.



Tudo isto são detalhes técnicos, visto que o que choca mesmo no episódio é a desumanização dos personagens. O  comentário final do irmão sendo preso é de dar arrepios. Nada muito diferente do jovem que passa por uma criança pedinte na rua e consegue seguir em frente sem sentir nada a respeito ( dar ou não esmola é uma outra discussão, o questionamento fica por conta de se incomodar ou não com a situação).
 Quanto à Garcia e Rossi, eles são ícones de suas gerações. A Garcia ter tres telefones é o retrato da geração atual que morre se faltar luz ou conexão com a internet, totalmente dependente destes instrumentos, uma geração subjulgada pela necessidade de ser onipresente, de estar em todo lugar e nenhum lugar ao mesmo tempo.  O Rossi, bem o Rossi é a minha geração, resolve os problemas com uma boa taça de vinho ( odeio whisky), uma boa música ( Tony Bennett - o Rossi aprovaria - ou Vinícius, e umas horinhas em silêncio. Bem retratado. Desnecessário dizer que aprecio mais a minha geração do que a da Garcia, anyway...

Ótimo episódio de uma ótima temporada. Que venha o próximo.

Bjos!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Criminal Minds - 8x07 - The Fallen - Meus Comentários



O verdadeiro crime de The Fallen aconteceu há cerca de cinquenta e poucos anos atrás e os americanos     ainda   não   conseguiram enterrar seus mortos. E é bom que não consigam. A persistência de alguns poucos em resgatar a memória do povo para que nunca se esqueçam do erro que foi a Guerra do Vietnã - como aliás, toda guerra é - e a insistência em mostrar o que acontece com os veteranos quando ( e se ) retornam é louvável.


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O episódio foi sobre isto. Uma analogia clara entre a faxina sócio-econômica e o esforço de uma pátria em descobrir o que fazer com seus soldados quando eles retornam amputados no corpo e na alma, sem emprego, sem compreensão familiar, muitas vezes, por conta da sua situação, sem nenhum apoio para exorcizar os demônios trazidos da guerra. Genial. Absolutamente genial. Os americanos posam de bons moços hornando a bandeira e seu hino cheios de orgulho e deixam   que seus   soldados morram de fome nas ruas  (situação ilustrada brilhantemente pela figura do  heróico bombeiro e sua visão distorcida dos sem teto contaminados). Ou morram de incompreensão em casa. Tanto faz. A maioria já está morta quando volta, mesmo caminhando  com   seus   próprios  pés, pois   não   se   vive  uma experiência assim   sem se  morrer  um  pouco de alguma forma. Os que conseguem sobreviver honrosamente a tal agressão física e psicológica, embrenham-se, então, em lutas pessoais ou têm parentes engajados, como o caso  do próprio ator  Joe Mantegna, para tentar resgatar a dignidade de quem não teve a mesma sorte. 




A fotografia foi incrível, mesclando momentos passados e presentes, ajudando a dar dimensão ao passado do Rossi. E eles conseguiram encaixar a estória do personagem de forma tal a não contradizer suas características principais, sua sabedoria, sua paciência e determinação, tiveram uma origem que, para mim, foram muito coerentes.

Obviamente, o caso do bombeiro teve solução abreviada e nossos agentes viraram coadjuvantes para que todo o resto pudesse ser contado. Paciência. Só se pode contar uma estória de cada vez ( em 42 minutos, é claro ). E, mesmo   assim, eles   conseguiram  um personagem  que pudesse, através dos seus crimes, tornar-se um espelho para refletir a estória principal.

Entendo que talvez o impacto do episódio tenha sido maior lá do que em países como o nosso, onde nossas experiências com a guerra sejam infinitamente menores ( somos mais especializados em policiais honestos que ganham salários de miséria para nos proteger do crime e   são   mortos brutal e   covardemente ou largam seus trabalhos e mudam-se de suas casas com suas famílias para tentar  proteger-se  (cada país arranja sua própria guerra do jeito que lhe convém), mas o episódio trás à luz a guerra em dois atos - a versão em cores, farsesca, dos governos que sobrevivem da indústria da bélica e necessitam   da boa imagem que ela precisa produzir e a versão em preto e branco, de quem vai e vê o hediondo acontecer à sua volta e, quase sempre paga caro pela própria participação.

 
Sei que falei de The Fallen de forma genérica, sem entrar nos detalhes do caso em si, mas enquanto escrevo, imagens sobre o conflito entre israelenses e palestinos desfilam pela tela da minha tv. Em uma semana de violência física descontrolada em São Paulo, de violência impressa ( cortesia da Veja e seu artigo preconceituoso e discriminatório ) e na iminência de mais e mais mortos na Faixa de Gaza e imediações eu me pergunto porque o homem se preocupa tanto se a natureza irá se rebelar e destruir a humanidade ou se existe vida lá fora que possa vir aqui  para nos exterminar. Nós não precisamos de nenhum outro inimigo. Somos especialistas em nos destruir, das formas mais estúpidas possíveis.




Inteligente também, por parte dos roteiristas em dar uma variada no "cardápio", saíndo   do   tradicional, para   nos   contar a estória pregressa de um dos nossos personagens. Não pode virar rotina, mas não   posso   negar que  foi muito, muito bom. Por fim, a dobradinha Joe Mantegna e Meshach Taylor foi primorosa. Ator convidado bem escolhido e Joe, bem, nem preciso dizer. Adoro  ele e seu Rossi complacente, cheio de bagagem de vida.

Para todo mundo que lamentou o episódio não se parecer muito com um "original" CM fica a dica: depois de oito anos eles precisam destas chacoalhadas de poeira para não nos dar mais do mesmo semana após semana. E é muito bom saber que os americanos ainda sabem expor suas feridas. Mesmo que possa parecer panfletário, reflexão sempre é muito bom.

Bjos e que venha o proximo!

O Grande Embuste

Raramente falo sobre política em blogs. Política, religião e futebol são coisas que aprendi desde pequena a não discutir, apenas respeitar, cada qual com sua opinião. Não acho que isto seja omissão da minha parte, no entanto, fujo daqueles lenga lengas intermináveis sobre a minha opinião ser mais significativa que a sua. Há anos deixei de tentar catequizar as pessoas. Se em uma conversa perguntam minha opinião sobre política eu deixo claro o que penso, mas não vou ficar tentando converter cristãos em muçulmanos. Isto ficou para trás, junto com os movimentos ativistas da época de faculdade, das passeatas pelas greves, dos protestos, entre outras coisas, que parecem ter acontecido há mil anos passados. Há muito tempo atrás descobri o óbvio: fazer é sempre melhor que falar. Faço o que acho importante e o que minha consciência me manda fazer.

Porém, hoje me surpreendi com um comentário de uma pessoa que julgava ser alguém que me conhecesse melhor. Alguém, que, porque sempre me ouve falar de amenidades, de música, de filho, de cinema ou receitas caseiras, me questionou sobre eu nunca compartilhar "nada interessante" no facebook. Tome-se por interessante aqueles quadrinhos que falam com indignação sobre a situação política do país, sobre o racismo,  homofobia, sobre matratar bichinhos ou sobre qualquer outra coisa que exija indignação. Ou sobre como cuidar melhor do planeta, entre outras coisas. Com quase cinquenta anos bem vividos, eu não deveria mais ter que me explicar sobre nada para ninguém, que não fosse talvez, o homem com quem divido a cama há vinte e cinco anos ou o filho a quem deixo por herança meus exemplos, mas tal comentário, vindo de quem veio, me incomodou profundamente.

No entanto, conhecendo a figura, melhor do que ela a mim, sem falsa modéstia, sabia que perderia meu tempo desfiando o meu rosário a um ateu. Pensei em explicar a tal criatura que eu leio mais sobre política, economia, e notícias em geral em um dia do que ela lê em um mês. Pensei em dizer a ela que acompanho de perto notícias sobre os vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes em quem já voltei com mais eficácia do que ela sabe dizer o nome do último vereador em quem votou na última eleição e que exercito meu protesto nas urnas e não em uma rede social. Pensei em comentar que reciclo meu lixo com mais responsabilidade do que ela, que apenas posta notas sobre como isto é feito nos países de primeiro mundo, mas não se dá ao trabalho de enfiar o lixo no carro e levá-lo até o depositário mais próximo de nossas residências, como eu faço semanalmente. Me atrevi a pensar que talvez, apenas talvez, eu faça mais pelo trânsito da minha cidade sendo gentil, dando passagem, não fechando cruzamentos, respeitando os ciclistas, do que ela, que, a despeito de postar constantemente notinhas sobre cidadania no trânsito, pára em fila dupla na porta do edifício onde moramos sem a menor consideração, apenas para que a filha dela não caminhe cinquenta metros a pé até onde seu carro estaria melhor estacionado. Também me ocorreu que, provavelmente, a despeito de todas a postagens sobre o respeito à diversidade, ela não tenha, como eu tenho, tantos amigos gays e lésbicas fazendo parte do seu dia a dia, e que ela jamais saberá, como eu sei, como é importante apenas respeitar a decisão das pessoas, coisa que me orgulho em fazer, sem qualquer alarde. Por fim, mesmo sem nunca ter postado ou compartilhado nada sobre o quanto o racismo é horroroso ou opiniões sobre  as cotas nas universidades serem ou não necessárias para reparar danos passados, como ela o faz com frequência, ela nunca terá, como eu tenho, tantas amigas e amigos negros, pessoas com quem eu posso contar no meu dia a dia, pessoas que são para mim minha verdadeira família, e que eu respeito porque são ótimos seres humanos e não porque são negros, brancos, azuis ou verdes.

Depois de rápidos e polidos comentários peguei o meu carro e no trajeto fui pensando no assunto. Onde moramos ela é conhecida por suas novenas, sua constante presença na igreja do bairro, entre outras coisas. Mas, não sei se onde ela vai rezar, seu "Deus", seja ele qual  for, perdoa a forma como a vejo tratando os porteiros do prédio, sempre arrogante e constantemente implicando com eles por bobagens. Ou se, por efeito espelho, ela se dá conta que, sua filha destrata, como ela própria, os mesmos funcionários, no melhor estilo " você sabe com quem está falando?". Não acho que meu "Deus" me escute menos porque converso com ele em qualquer lugar, no carro, no trabalho, na cozinha ou no banheiro. Não acho que ela mereça sequer que eu perca meu tempo pensando nela, porque o que ela prega impiedosa e furiosamente nas redes sociais, eu faço, quanto a ela, eu não tenho tanta certeza. Eu não acho que clicar em imagens na internet faça mais pela sociedade do que eu faço em silêncio, em sintonia com minha consciência. 

Uma coisa é uma saudável discussão entre pessoas interessadas em um assunto, debatendo, trocando informações, opiniões sobre quaisquer que sejam os temas, coisa que acrescenta de fato, outra é sair "compartilhando" - palavra que virou moda graças ao Facebook, mas que a maioria das pessoas sequer sabe bem o que significa -  só porque é bonitinho e todos compartilham também. Não uso uma rede social para que as pessoas me achem legal ( talvez por isto tenha algo em torno de "sessenta amigos" no Facebook ou no twitter e não dois mil e duzentos seguidores). Meus amigos de verdade têm que me achar legal porque de fato me conhecem e sabem como eu sou, o que faço, o que penso. Se eu precisar postar quadrinhos simpáticos e ideológicos nestas redes para eles me conhecerem melhor, é melhor eles nem me conhecerem. E nem eu a eles. 

O uso de ferramentas na internet perdeu a finalidade, na opinião modesta desta revoltada usuária. Ainda me divirto em grupos fechados, onde trocamos opiniões, informações e  brincadeiras específicas sobre determinado assunto, mas não estou preocupada em aparecer bem na fita. Todo mundo é feliz em uma fotografia que leva oito segundos para ser batida. Ninguém quer em um porta retrato a foto da sua infelicidade. Mas o facebook extrapola todos os precedentes. Lá todo mundo é feliz, todo mundo é politicamente correto, todo mundo luta por um mundo melhor. Todos conhecem magicamente a solução para todos os males que afligem a humanidade, que vão da resposta para o aquecimento global até decidir quantos filhos sua melhor amiga deve ter para ser feliz. Me parece uma vida plástica, meio de faz de conta, meio desesperada em busca de reconhecimento para se ser aceito. Às vezes, espiando por lá, me sinto no meio do filme dos Smurffs, sem os bonequinhos azuis e quase chego a ouvir o lá, lá, lá lá lá lá... lá, lá, lá, lá, lá....

Em um mundo de mentirinha todos são colaboradores, compartilhando apoio sentados confortavelmente em seus sofás ou em mesas de escritório. Leva tres segundos para você compartilhar um destes quadrinhos que diz que se você reciclar seu lixo o mundo será bem melhor, mas leva dez minutos para pegar uma tesoura, abrir quatro embalagens tetrapac de leite, lavá-las adequadamente com detergente, e colocá-las em um saco de lixo, onde, depois de alguns dias, eu levarei meia hora para levar este mesmo saco de lixo reciclável cheio para meu carro, pegarei algum trânsito e finalmente estarei  depositando-o em local apropriado, algumas quadras além de minha residência. E é assim para as latas de atum, litros de óleo e por aí vai. Visto desta forma, passa a ser bem mais difícil ser ecologicamente correto, o que, na minha opinião, leva a maioria das pessoas a optar pelo clique em curtir do Facebook. 

Este é só um mero exemplo, existem inúmeras outras comparações que poderiam ser feitas neste meu desabafo, mas logo me lembro que minha vizinha, referência neste meu comentário, nem merece outras considerações. Prefiro, da minha maneira, fazer as coisas que considero certas sem precisar fazer anúncio disto. Talvez nem todos me achem legal. A maioria talvez acredite, como a minha vizinha, que sou omissa, obtusa, alienada. Tudo bem. Eu preciso me achar legal. Na minha idade não preciso provar mais nada a ninguém. Eu preciso acreditar que estou fazendo o que é certo, não os outros. 
Antes eu me preocupava. Agora não. Eu cozinho para os meus amigos e amigas porque isto me dá prazer, não para ser popular. Eu faço agrado às pessoas que são importantes por que eu acho que elas valem à pena e elas nem precisam saber disto. Eu paro no farol antes de fechar um cruzamento, não só porque é lei, mas porque acho que é meu dever colaborar por um trânsito melhor. Se eu faço uma doação, não preciso fazer um anúncio no jornal. Se me preocupo com meu filho, não espero ser eleita a "mãe do ano".E por aí vai...

Quanto à minha vizinha ( sei lá se um dia ela vai ler isto e vestir a carapuça), tanto quantos aos amigos com quem vou "compartilhar" estas linhas, só posso pedir desculpas. Sou de uma época em que compartilhar tinha outra conotação. O tempo me ensinou a ouvir mais e falar menos. E só falar quando sentir necessidade. Hoje eu senti. Pelo bem ou pelo mal, precisava dizer que sou mais do que um "curtir" no Facebook. Sou mais do que aquela mulher perfeita, que compartilha coisas que beiram ao irreal, senão ao insensato. Sou cheia de boas intenções, mas não me queiram a mal, não há mais espaço no inferno para gente cheia de boas intenções. Sou daquelas que acham que de boas intenções o inferno está cheio. É preciso mais. Mais que um clique no "curtir", mais que "compartilhar" uma frase legal, mais que ser o sujeito "gente boa". É preciso ação. Atitude. E isto, sinto muito, não se faz clicando em nada. 

Tudo bem, amiga vizinha, ou talvez, agora o texto divulgado, amigo leitor. Eu vou continuar fazendo de conta que não uso o Facebook por falta de tempo e você vai continuar me julgando alienada. Mas, não espere de mim nas redes aqueles quadrinhos e mensagens politicamente corretas. Eu continuo sendo sacana e crítica, muito além das frases feitas. Se você quiser discutir algum assunto comigo, estou à disposição, mas faça isto através de palavras próprias, não se esconda atrás de citações históricas ou de efeito, isto é bonitinho na tv, na vida real a estória é outra.

E, para quem perdeu seu tempo lendo tudo isto e acha que não valeu à pena, fique tranquilo. Vou interpretar a falta de comentários sobre meu texto como um fato da vida. Será só mais uma vez em que eu fiz algo que não agradou à maioria! 

Meu mais sincero bom dia a todos! 

 

Criminal Minds - 8x02 - The Pact - Meus Comentários


Fui me deitar com duas palavras na cabeça: justiça e impunidade. Gostaria de ter escrito meus comentários logo após ter assistido o episódio, pois o impacto que ele me causou infelizmente se perderá um pouco agora, horas depois. Mas me veio à cabeça ontem, junto com meus pensamentos aquela frase ( não lembro o autor ) que diz que se você pretende fazer   justiça com as próprias   mãos,   deve cavar 2 covas ( ou algo assim, não lembro exatamente, mas ela se encaixa perfeitamente no episódio).




 Promo Oficial 8x02
 


Embora a ideia não seja exatamente original, sua execução foi brilhante. A dor da mãe negra era quase palpável e a interpretação da atriz excelente. Aquela mãe foi vítima três vezes: quando perdeu sua filha, quando não conseguiu justiça à altura para o assassino dela e quando foi manipulada cruelmente pela psicopata que a guiava nos crimes. Todos   somos   capazes de matar, mas nem todos somos capazes de conviver com isto. A constatação de que vingar sua filha matando ela própria os culpados não lhe traria algum conforto foi, talvez, a quarta injustiça  da qual foi vítima.


Em contraposição à ela, a outra ponta da corda. Esta sim, uma pessoa doente, que sentia mais prazer em matar do que em vingar quem quer que fosse, usando a dor da morte do sobrinho como desculpa. Por isso somos diferentes uns dos outros. A injustiça da qual foi vítima foi apenas o gatilho para que ela saísse derramando seu sádico prazer e com ela arrastasse mais alguém junto. Claramente ela mostra que diverte-se não só em matar, mas em conduzir a outra mãe a este feito ( no banheiro, quando ela pega a amiga vomitando, fica implícito o quanto ela se espanta com a fraqueza alheia e o quanto ela acha isso um absurdo!)





 


O subterfúgio de fazer parecer que o último sujeito a ser perseguido havia de fato se recuperado foi inteligente, pois criou nova reviravolta com a descoberta do fato em contrário. O duelo entre os dois personagens doentios no carro foi genial, pois era quase possível sentir a    satisfação   da mulher ao    volante ouvindo a descrição dos atos do assassino. A própria forma de assassinar, arrastando os corpos mostra uma crueldade aquém da necessidade de obter-se justiça. 
 
O que achei interessante no episódio, entre outras coisas foi o fato de serem duas mulheres. Dinâmica incomum na série, mas que deu muito certo. Outra coisa interessante foi explorar a fragilidade da justiça, coisa da qual a gente vive reclamando por aqui, mas que parece ser inerente ao sistema judiciário de qualquer país. Por fim, gostei muito da interpretação dos três convidados principais. Fazia tempo não me lembrava de coadjuvantes tão bem destacados para os papéis.


Quanto ao final, sensacional. O diálogo das duas, o comentário feito pela psicopata sobre todo crime ter que ser punido e tão logo ser pega    pela   surpresa de ter    sido encontrada pelo Rossi, sem demonstrar qualquer surpresa ou revolta com o fato, a "fuga" da outra mãe, que mesmo que não tenha conseguido ser presa pela polícia, passaria a vida toda presa à sua consciência e à sensação que talvez  não tenha valido à pena, pois nada traria de volta sua filha nem sua vida "normal". Cada uma das assassinas, de acordo com sua predisposição para os crimes teve a prisão que"merecia", usando aqui de uma licença poética, pois também acho que todo crime deve ser punido. Mas, pensando bem, talvez sua pena tenha sido maior que a da amiga, tendo em vista o seu caráter. Apenas o pequeno sorriso que a assassina ao ser presa dá ao descobrir a parceira dentro do ônibus lhe confere alguma humanidade, o que poderia ser meio contraditório ao perfil ou apenas a constatação de que elas eram diferentes, mereciam destinos diferentes. Quase um “valeu à pena!”




Quanto à equipe, Joe Mantegna conseguiu trazer à luz assunto que ele aborda com frequência em forma de homenagem, os militares e suas missões. Com o assunto férias e seus comentários bem humorados a respeito, a roteirista conseguiu manter o momento leve do episódio sem precisar se esticar muito nisto nem perder tempo precioso para ater-se ao caso. Todos tiveram uma participação de certa forma discreta, pois o episódio foi dos convidados, não da equipe, atitude prazerosa, na medida que foi bem conduzida.




Achei meio forçado o fato de a Garcia conseguir acesso à toda a conversa    do    grupo de apoio. Me   faz pensar   se tudo o que escrevemos nos msns da vida fica registrado de alguma forma ( tive a impressão que o grupo se relacionava em uma espécie de chat, não em um grupo). Enfim, recursos necessários para dar andamento à estória.

Observações:

- Ter um casamento meio que à distância deve dar a ambos tempo exclusivo que nunca temos quando vivemos juntos  - FATO!

- Reid, pelo amor de Deus, você é um homem lindo, mas isto não te dá o direito de levantar-se da cama e ir trabalhar sem pentear os cabelos ( para não dizer que um bom corte faz muita falta ) – me perdoem as GGs.

- Quando o Reid dispara sua metralhadora de informações passo a ter certeza de que terei que ver o episódio novamente, desta vez legendado. Não consigo acompanhar metade do que ele diz quando ele se empolga!


- Estranho o comentário do Hotch no início do episódio sobre fazer caridade ( ou algo assim) ser sexy. Meio fora do personagem.

- Naturalmente, a observação acima não me impede de afirmar que Hotch continua sendo uma grata distração ( e claro, mais um bom motivo para rever o episódio).

Que venha o próximo!