domingo, 26 de maio de 2013

Criminal Minds - 8x23 e 8x24 - Brothers Hotchner e The Replicator - Meus Comentários



Esta foi de longe a review mais difícil que já escrevi. Optei por, ao invés de ser muito descritiva nos eventos, me ater às sutilezas, pois na verdade este foi, em muitos anos, o episódio duplo mais bem amarrado e mais cheio de sutilezas de que me lembro  ter acompanhado.


Dividido em duas partes ( a intenção inicial por parte dos produtores era de que cada parte passasse em uma semana, mas houve pressão da CBS para que o episódio final fosse duplo, causando assim, mais impacto), embora o primeiro tenha servido de elo de ligação para o segundo episódio, suas motivações foram  muito diferentes.

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Em linhas gerais, Hotch vai à Nova York passar uns dias com seu filho Jack na casa de Beth ( em uma clara intenção de demonstrar que o relacionamento vai bem, obrigado e onde dizer à namorada “Eu te amo” foi mais íntimo do que mostrá-los na cama – verdade seja dita e sei que serei apedrejada, Thomas Gibson e Bellamy Young tem uma ótima química juntos – em especial ela, que é simpática e muito natural). Aqui uma curiosidade típica de quem tem filhos: é ele quem pede para ela falar mais baixo, pois o menino acabara de dormir, mulheres sem filhos não tem, ainda, esta preocupação.

Em dado momento, Hotch recebe uma ligação de Sean, seu irmão, pedindo ajuda em um caso onde uma moça teria morrido supostamente de overdose em seus braços na boate onde agora trabalha. Hotch diz a ele que está em Nova York e que irá encontrá-lo para ajudá-lo.




O caso é interessante, pois servirá de gancho para tudo o que virá a seguir, pessoas morrendo com overdoses de uma droga que é uma espécie de ecstasy misturada a um tipo letal de metanfetamina (PMMA), que leva a pessoa que faz uso dela a literalmente ferver por dentro. O primeiro caso havia sido a da namorada de Sean, e em seguida, uma moça na boate onde ele atende como barman. 

De certa forma, o primor das cenas entre os dois irmãos é exatamente o que não se diz. Eles são lacônicos em informações, Hotch parece não perdoá-lo por ficar ausente tanto tempo em sua vida ( “Sean: Jack, não o vejo desde que ele tinha....”  “Hotch:3” ;  “Sean: certo, e ele agora está com...”  “Hotch: 7”, sem cuidados, sem delicadezas, sem meias palavras). Fica muito claro que ele assume ser o irmão mais velho, responsável, aquele que está lá para ajudar, mas que seu irmão mais novo não espere que ele lhe passe a mão na cabeça. Mais típico de Aaron Hotchner impossível. 

Enquanto isso, Hotch pede ajuda à sua equipe, que se desloca até Nova York, incluindo Erin Strauss, sob o pretexto de que quando o grupo enfrenta casos pessoais tende a trapacear para cobrir uns aos outros. Não é difícil imaginar pelo olhar de Rossi para ela ao levantarem da mesa de trabalho, que a viagem dela para acompanhá-los teria outros objetivos também ( e Garcia não se faz de rogada ao perceber que há uma relação entre eles).

Logo em seguida, temos diversas mortes acontecendo através do mesmo recurso (overdose) em uma boate, mas não necessariamente por usuários de drogas. Fica claro que o assassino quer um espetáculo, já que são mortes impactantes ( as vítimas sangram por todos seus orifícios).




Uma coisa interessante no personagem de Aaron Hotchner é que ele parece sempre estar carregando o peso do mundo nas costas. A culpa não é dele, mas ele precisa pedir desculpas ao filho, à namorada, e até à Strauss quando ela está morrendo. E, pelo mesmo motivo é tão rigoroso em aceitar desculpas. Ele pergunta ao irmão se ele está envolvido em algo ilícito e Sean nega. Até então, ali ele é o  irmão protetor, disposto a ajudar no que for preciso. Mesmo assim, ele mantem certa distância e pede a Rossi que interrogue seu irmão. E quando descobre que ele havia mentido e que sim, consumia ecstasy, fica furioso, tanto pelo fato dele estar omitindo informações importantes ao caso, como pelo fato de ter quebrado a confiança que havia se estabelecido entre eles, mesmo  que com reservas. Não é necessário Sean admitir que é um fracasso ou Hotch dizer que é isso o que pensa dele, está tudo lá, nos olhares, nas expressões, nas palavras não ditas. Ele próprio admite à David que quando Sean não foi ao funeral de Haley, seu irmão havia deixado de ser uma prioridade. 

Com um novo caso, agora acontecendo em uma família, Rossi e Reid comprovam que a droga está sendo injetada nas garrafas de vinho. Sean sente-se mal por ter mentido para o irmão e dispõe-se a ajudá-lo, em uma tentativa de se redimir, usando uma escuta, para tentar descobrir quem está adulterando a bebida no bar onde trabalha. A princípio Hotch não concorda, mas, sem muitas opções, acaba dando ao irmão as orientações necessárias. Sean se sai bem, conseguindo convencer os donos do bar de que ele havia sido interrogado pela polícia, mas que havia dito apenas o que realmente havia acontecido e não tinha interesse em perder seu emprego. E quando ele solta a estória sobre a investigação do vinho, Thane morde a isca e o chama para ajudá-lo onde as bebidas estão estocadas. Lá, depois de não encontrar as garrafas adulteradas, ele e Sean entram em confronto e Hotch e Morgan invadem o local e prendem Thane e a moça, cúmplice no negócio das drogas. Sean vai embora e deixa apenas para Hotch uma mensagem em seu telefone: I’m Sorry ( me desculpe). Hotch sabe que ele havia roubado uma garrafa de vinho e com certeza, não foi como profiler, e sim como irmão que ele descobre isso. Como eles encontram morto o outro sócio no bar e ainda precisam descobrir seu assassino, Sean continua sendo investigado, mas com seus dedos mágicos, Garcia descobre ser este o pai de uma menina morta por uso de drogas, um crime inimaginável para uma vingança para sua filha.


Ao final do episódio, vemos Sean ir ao apartamento de Beth, onde em uma espécie de nova chance, se apresenta à ela e ao sobrinho, que praticamente não se lembra dele. Então Hotch pergunta por que ele havia roubado o vinho e ele diz que precisava de cem dólares para pagar o aluguel. Outra cena com economia de texto, onde palavras são desnecessárias. Sean promete tomar jeito na vida (e todos sabemos que isto não vai acontecer) e se entregar à polícia e seu irmão diz já ter providenciado advogados através de umas ligações, em uma clara alusão de que não irá abandonar o irmão, mas também não irá protegê-lo das coisas erradas que fez. A despedida deles no carro de polícia é, sem dúvida, uma das cenas mais tristes do episódio. Hotch, que por natureza já não é de confiar em ninguém, confessa à Rossi que havia tido uma adolescência conturbada, mas que em algum momento havia decidido tomar jeito na vida. Ele só não entende porque com seu irmão as coisas haviam sido diferentes. Fica a sensação de que ele acha que não fez o suficiente ou que, ainda pior, seus pais não fizeram o suficiente. A química entre os dois atores foi perfeita ( o Thomas nós já tivemos a oportunidade de ver que é um grande ator, mas o Eric Johnson sinceramente me surpreendeu), e francamente os pequenos gestos, a contrariedade e os olhares foram mais eficientes do que o próprio texto ( que já foi bom o bastante). Eu gostaria de que tivessem explorado melhor o porquê de tanta mágoa entre eles, mas já havia assunto demais para se explorar, visto que o episódio serviu de trampolim para a Season Finale. Algumas considerações pessoais eu farei ao final do texto.




E, então, entramos na segunda metade da Season Finale, The Replicator, feito de forma a ser alavancado pelo episódio anterior. Toda a estória talvez tivesse sido diferente se a Blake não tivesse oferecido uma carona para a Erin ( o Rossi teria ido dormir com ela?). Bom, isto sou eu em negação, porque me doeu muito a morte da Erin. Claro que toda morte de personagem de série dói, porque, para o bem ou para o mal, nos apaixonamos por suas virtudes e seus defeitos. Nos apaixonamos por amá-los e por odiá-los. E com ela não foi diferente. Erin começou a série sendo uma mulher ambiciosa, desprezível e sem escrúpulos. Tentou afastar Hotch e Gideon com medo da sombra que o desempenho deles fazia sobre ela. Chegou a contratar Emily Prentiss para depois cobrar o favor e contar com a moça para desmoralizar e encerrar a carreira da Aaron Hotchner. Depois, descobriu-se  que bebia. Morgan e Hotch foram responsáveis para que ela se afastasse discretamente para se tratar. Por conta de um programa de reabilitação dos Alcoólicos Anônimos, quando retornou ao trabalho, tornou-se uma pessoa diferente, melhor. Comportamento muito compatível com pessoas que frequentam estes grupos. No último ano, havia se envolvido romanticamente com David Rossi. Havia se comprometido mais com a equipe, havia lutado pelo time e estava empenhada em redimir-se de um erro passado, cometido contra Alex Blake, cerca de 10 anos atrás. E então ela morre. Não uma morte corajosa, honrada ou virtuosa. Uma morte indigna, humilhante, cheirando a bebida, digna de pena e, fina ironia do destino, nos braços do homem a quem ela tempos atrás tentou destruir por ambição. Uma morte tão triste quanto seu algoz tentou fazer parecê-la. 

Mais uma vez, entre darem-se conta de que o Replicador estava atrás deles em Nova York e a morte de Erin Strauss, tivemos texto de menos e interpretações demais. Novamente, Joe Mantegna, Thomas Gibson e Jayne Atkinson deram um banho de interpretações, todas contidas, econômicos em movimentos e generosos em pequenas expressões. Tudo foi amarrado: a medalha por um ano de abstinência, Rossi transtornado ao vê-la morrer de longe sem nada poder fazer, Aaron revivendo a sensação de receber uma ligação tarde demais para poder fazer diferença (o unsub ainda menciona o Foyet), Erin tentando consertar seu passado, jurando amar a todos os filhos da mesma forma, em desespero por não saber o que o seu algoz poderia fazer para prejudicá-los e o medo de morrer sozinha. Tudo intercalado entre cenas de ação dos agentes e cenas emocionais e tremendamente sensíveis. De tirar o fôlego, ou no meu caso particular, de sentir as lágrimas escorrerem por David Rossi não ter chegado a tempo. 




Enquanto os agentes tentam traçar um perfil, levantando as ações do unsub, vemos um David Rossi desolado, olhando para o nada em direção ao lençol branco que cobria o corpo de Erin Strauss no banco onde ela morreu. E por todo o tempo, ele gira a medalha do AA, gesto comum entre pessoas que perdem entes queridos. Nos apegamos a uma peça de roupa ou algo que a pessoa estava segurando ou fosse pessoal, como se aquilo nos fosse trazê-la de volta. Claro que a medalha será importante mais para frente no episódio, mas é muito simbólico e de certa forma comum este tipo de comportamento. Ele resolve levar o corpo dela de volta para ser enterrado em Bethesda, onde vivem os filhos. Apesar de estar comandando toda a operação, o tempo todo Hotch está por perto de Rossi, como seria de se esperar de um bom amigo. E a maior preocupação de David neste momento é que os filhos não tenham a ideia errada de que sua mãe teria morrido porque voltou a beber. Ele quer ter a certeza de que isto não vai acontecer e o desgraçado que a matou não terá atingido mais este objetivo.

Me perguntei porque o unsub não teria usado luvas naquele momento em que escrevia a carta para Rossi, mas me dei conta que o que ele queria era imediato, ele não achava de verdade que o Rossi pudesse mandar analisar a carta. E que, talvez tivesse chegado a hora de receber todas as devidas honras por suas realizações, por isso usar as mãos limpas.

A equipe volta então ao perfil e David na autópsia descobre que o unsub deixou uma cicatriz no pulso de Strauss, algo como um número oito deitado ( que também poderia ser visto como o símbolo de eternidade) e que não teria sido feita com o plástico das garrafas do mini bar e sim com vidro.

Quando vi o unsub escrevendo a carta ao David ( aliás a cena do carimbo, embora um clichê, foi muito bem utilizada) eu já soube que ele estaria incriminando o Morgan pela morte da Strauss, por causa das digitais ( tá bom, verdade seja dita, e tenho algumas companheiras para confirmar isto, eu já esperava por isto desde bem antes do episódio, mas isto é outra estória).

É então que começa a se configurar a estória de redenção de Erin Strauss. Quando ela disse à Blake que queria mais do que consertar o que havia feito, ela não estava brincando. Os AA tem alguns passos e um deles é meio que se desculpar com a (as) pessoas que ela magoou. Quando o Diretor pediu que eles se afastassem do caso, ela plantou uma armadilha – inserindo falsamente nos relatórios um número oito no corpo das vítimas, que só quem lesse aos relatórios teria acesso. Logo, se alguém replicasse aquilo, ela teria chance de reduzir e muito seu número de suspeitos. E são Reid e Hotch quem primeiro suspeitam disto. Investigando o notebook da Strauss, Kevin chega a dois nomes, um deles, o do Senador Cramer.
Aaron procura pelo Senador logo cedo no dia seguinte e ao discutir com ele sobre há quanto tempo o seu Departamento estava sendo investigado pelo Departamento de Justiça ( desde o episódio com a Prentiss, por sinal) e o surpreende com a notícia da morte de Erin. O Senador concorda em ajudar, fornecendo os nomes daqueles que tem acesso aos relatórios que ela enviava.




Enquanto discutem os casos que foram replicados pelo Unsub, Garcia descobre um que esteve fora do radar deles. Neste meio tempo, Rossi volta para seu escritório ( destaque para a forma sutil como Reid contém JJ, cujo impulso seria ir confortá-lo). Ao sentar-se em sua mesa, Rossi encontra o envelope deixado pelo unsub, o abre, lê seu conteúdo, a análise do vidro que fez a marca em Erin. Ao mesmo tempo, Aaron chega com a informação fornecida pelo Senador, e cerca de doze funcionários teriam acesso aos relatórios. Enquanto pede que os nomes sejam confrontados com os que Reid conseguiu, eles deduzem que precisam investigar também os assessores, cerca de trinta e seis pessoas e de forma discreta, para não alarmar o unsub. Blake comenta com Hotch quais as chances dos casos do Replicador terem começado quando ela se juntou à equipe. Morgan e Hotch percebem a chegada de David à sua sala e vão encontrá-lo, no entanto, uma ligação do Diretor faz com que Hotch siga para atendê-lo direto em seu escritório. Sendo assim, Morgan bate à porta de David Rossi e entra sozinho. David levanta-se a aponta sua arma para Morgan, que não entende o que está acontecendo. Rossi diz que o DNA no vidro que marcou Strauss é de Morgan, mas já percebemos seu nariz começar a sangrar levemente. Hotch, ao terminar a ligação e seguir para a sala de Rossi, percebe o que está acontecendo e com calma, tira a arma da mão de seu amigo, dizendo-lhe que ele também havia sido drogado. É comovente a cena em que Rossi olha para o sofá em sua sala e vê Erin sorrindo e compreensiva e lhe diz que chegou tarde demais e lhe pede desculpas. Comovente também é ver apenas a mão de Hotch apertando em solidariedade a mão de Rossi, já deitado na maca e sendo medicado.

Eles continuam a levantar informações e descobrem que o unsub esteve na sala de David, mas sabia exatamente como evitar as câmeras. Eles chegam à conclusão de que é um agente federal com habilidades de hacker e também habilidades com agentes químicos. Do que eles nem desconfiam é que ele continua vigiando-os através das câmeras de segurança. Blake então lembra-se de que todos os agentes de certa forma foram insultados, menos ela e Hotch sugere se não haveria uma conexão entre ela e Strauss. Blake lembra-se do caso do Amerithrax, aquele em que foi prejudicada pela Strauss e quase acabou com sua carreira. Não demora muito e eles descobrem que o sujeito por trás de todas as armadilhas contra a equipe é um colega que havia estudado com Blake e igualmente sido prejudicado como ela.


A equipe descobre o seu endereço e eles saem em dois helicópteros. O helicóptero conduzido por Hotch é sabotado pelo unsub e faz uma aterrisagem forçada. Quando todos voltam a si, percebem que Blake foi levada de lá ( o unsub usa uma espécie de gás para adormecer os demais no helicóptero). Ou seja, todos são conduzidos exatamente para onde o unsub os queria. Neste ponto, o sistema de Garcia volta a funcionar e Rossi pergunta a ela onde todos eles estão. Por motivos óbvios ( é evidente que a vingança maior teria que ser dele), ela lhe diz o local exato.  Na casa, o agente federal que havia se sentido prejudicado pela Strauss, no mesmo caso que Blake, a prende em uma cadeira cheia de correntes e cadeados. Ele questiona porque ela seguiu em frente e ela diz que trabalhou duro para isso. Eles invadem a casa e JJ, Hotch e Reid encontram Blake presa e tentam soltá-la. JJ e Morgan vão atrás do unsub, mas descobrem que uma bomba de C-4 explodirá em três minutos. Eles voltam para avisar os demais e Reid descobre que os códigos para soltar os oito cadeados, que são as letras de Zugzwang e acha fácil demais. Mas, assim que ela se solta, ela se levanta da cadeira e dispara um sensor de pressão que fecha a porta do local onde eles ficam confinados.

Do lado de fora, o unsub, usando seu colete de FBI a tudo assiste e não deixa de demonstrar certo regozijo ao perceber que Rossi está chegando em um helicóptero. Garcia consegue interromper o sinal da bomba por poucos minutos e isso o obriga a ir tentar ver o que está acontecendo. É quando ele é surpreendido por David Rossi. O mecanismo de pressão é acionado e eles são liberados, menos Rossi, que aparenta ficar preso com o unsub no local onde estava a cadeira. Mas, por uma suprema ironia, a porta não estava lacrada, Rossi a isola usando a medalha de um ano de abstinência de Erin Strauss, a mesma que ele segurou durante todo o episódio.



A cena no cemitério, de forma acertada, é rápida e sem muitos detalhes, afinal, já tivemos funerais demais em oito anos.


A cena final, no entanto é um primor. Talvez tenhamos um pouco de dificuldade em entendê-la, porque afinal temos hábitos bem diferentes dos americanos neste sentido. Não costumamos nos reunir com comida e bebida em velórios. No entanto, ela foi feita com tanta sutileza, em um bonito discurso do Rossi, falando das voltas que o mundo nos proporciona, ora estamos comemorando, ora estamos lamentando nossas perdas. Porque a vida não é nada além disto. Gostei, além da belíssima fotografia, da intercalação de imagens dos personagens, ora rindo de algo engraçado que foi dito, ora sóbrios e tristes, sobretudo Reid, Hotch e Morgan. Porque suas feições refletem em imagem o que o Rossi disse em palavras. 


Algumas observações:


- Na minha modesta opinião ( podem atirar as pedras!) uma das melhores Season Finales de Criminal Minds, brigando cabeça a cabeça com Lo-Fi e The Fisher King. Criminal Minds não é uma série de ação. Então, justamente por isto, eu espero uma ação moderada, pois o jogo psicológico sempre é mais importante para o enredo do episódio. No entanto, aqui tivemos o prazer de ter de tudo um pouco: muito do jogo de gato e rato, que já vinha se estendendo desde o início da temporada, muito drama, ação com direito a explosões, helicópteros caindo, entre outras coisas, ou seja, tudo o que como fã eu esperava de uma Season Finale.


- Outra coisa que eu gostaria de destacar foram as pontas soltas, todas devidamente amarradas a seu devido tempo. Desde o descontentamento de Hotch com a criação que ele e seu irmão tiveram ( eles não entram no mérito da questão, mas fica claro que ele culpa quem o criou por ter tido que se emendar sozinho e, por seu irmão não ter conseguido a mesma coisa ), até mencionarem por exemplo, Sean estar ausente no enterro da Haley. Outra ponta que poderia ter ficado solta e não ficou, foi a menção do caso com a Prentiss ter merecido uma observação de perto pelo Departamento de Justiça. Nada mais justo, depois de toda aquela lambança. 


- Achei incrível o tema da redenção. Alguém que cometeu erros e morreu tentando consertá-los ( eu sou uma pisciana romântica, ainda acredito na humanidade). Da mesma forma, adorei o quão mundano foi o motivo do Replicador, que passou pelas mesmas mazelas que a Blake e não soube lidar com o problema e dar a volta por cima. É sempre mais fácil culpar o vizinho pelos seus erros.

- Achei que foram dois episódios particularmente de atores e interpretações. Com a ajuda de um texto bem amarrado, os destaques ficaram por conta de Joe Mantegna, Thomas Gibson, Eric Johnson e, em seu canto do cisne, Jayne Atkinson, que deixará para nós a lembrança de oito excelentes temporadas, além de um último episódio primoroso.


- Não posso dizer que não ri sozinha quando a moça do bar chama o Hotch e quem aparece é o Sean. Estes personagens estão tão arraigados em nossos imaginários, que acabei rindo muito. Outra amiga minha também meu lembrou que demorou oito temporadas, mas finalmente vimos o hotch sem camisa ( tudo bem, não era o Hotch certo, mas tive que rir do comentário dela).


Quanto à fotografia foi espetacular. Teve o tom certo, escuro e sóbrio na primeira parte e caótico ( como Nova York deve ser) na segunda parte. Sou paulista, por várias imagens, achei que eles poderiam ter filmado aquilo tudo na Avenida Paulista, que não faria muita diferença ( não estou privilegiando nem desmerecendo, apenas comparando). E a imagem do Hotch refletido no vidro da mesa, enquanto conversa com Rossi também foi genial. Além, claro, de todas as mesclas de imagens de personagens que estavam delirando pelas drogas.


- A única coisa que me incomodou, foi que, quando o Replicador senta-se na mesa do Rossi e vê diversas fotos, uma delas me pareceu ser do Joe Mantegna com a atriz que fez a Maeve, se não me engano, a segunda foto. Achei estranho eles comerem bola assim, mas se não for ela, é alguém MUITO parecida com a moça. 


De qualquer forma, fico feliz por ter havido um encerramento perfeito para uma das melhores temporadas da série. Como tudo na vida, de forma geral é claro, espera-se que haja uma evolução. De preferência, positiva. Criminal Minds reflete esta evolução. Foi uma série que passou por várias dificuldades de substituição de elenco, de roteiristas, de produção, e, ainda assim, soube extrair o melhor na adversidade. Soube usar os seus limões para fazer limonadas e, por isto, depois de oito temporadas, se mantém na casa dos 10 milhões em termos de audiência.


Que este seja um sinal de que venha uma excelente nona temporada, tão boa e diversificada como todas as que nos trouxeram até aqui!



Até Setembro!
 


sábado, 18 de maio de 2013

Criminal Minds - 8x22 - "#6" - Meus Comentários



E então, chegou o penúltimo episódio da oitava temporada ( estou considerando o episódio duplo como sendo um só, já que aparentemente estarão interligados e passarão no mesmo dia, um após o outro) e com ele uma ótima explanação de uma personagem que vem sendo construída de forma sólida e decente. Refiro-me claro, à Alex Blake, último elemento a entrar na equipe e que, diferentemente da introdução de outros personagens novatos, vem tendo sua estória consolidada com paciência e lucidez.


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Como de costume temos a estória do unsub alavancando a estória paralela que irá trazer um pouco mais da vida pessoal de Alex, já que ambos os casos falarão sobre relacionamentos e suas implicações.


Logo de início temos uma cena inusitada, em uma espécie de ladrão que rouba ladrão que não dá certo, visto que ao tentarem roubar um carro, dois delinquentes descobrem corpos no porta-malas do mesmo e fogem. 


Logo em seguida, vemos Alex em casa, recebendo a visita surpresa do marido que trabalha no Médico Sem Fronteiras. A forma com que ela o recebe evidencia desde o início que, apesar da distância, há muito amor e afeto entre eles. No entanto, não precisa ser profiler para saber que a visita inesperada parece ter uma motivação específica e o fato do marido preferir outro momento para conversar sobre o assunto, já deixa claro que esta deverá ser uma conversa difícil ou no mínimo delicada. Como ela é chamada para um caso, a conversa acaba ficando para depois.


Os agentes vão para Detroit para investigar casais que estão sendo encontrados mortos dentro do porta-malas de seus carros. Os corpos apresentam sinais de tortura, com um número muito grande cortes em cada um deles. Através da autópsia, do perfil geográfico e de terem acesso aos carros das vítimas, o caso vai tomando forma, nos levando a supor que o unsub deseja destruir lares felizes, fazendo com que marido e mulher sejam obrigados a se ferirem mutuamente até que ambos estejam mortos. Eis que então, em uma mudança de conduta, mais um carro é encontrado, só que desta vez abrigando apenas o corpo da esposa esfaqueada. Seu marido estava viajando a serviço quando ela foi raptada e isso leva os agentes a questionarem-se do porquê da mudança de modus operandi. Paralelamente, já vemos outra mulher sendo sequestrada em seu carro.


 Neste ponto há uma mudança de foco no episódio com Blake ligando da delegacia para seu marido que ficou em casa. Notadamente ela está preocupada/curiosa com o que não foi dito a ela antes que saísse em viagem a trabalho. Ela diz a ele que não há coisa pior do que não se comunicar com uma linguista, mas aqui faço uma observação: não há coisa pior do que insinuar um assunto e desviar dele para qualquer mulher. Não precisa ser profiler, linguista ou coisa semelhante. Sugira que você tem algo para dizer, mas só irá dizer depois e você nos enlouquece. Dito isso, obviamente que ele se vê obrigado diante da pressão dela a admitir que havia recebido uma proposta para dar aulas em Harvard, cuja condição de arranjar-lhe ali também uma colocação profissional em sua área fora acatada. Não era exatamente o que ela esperava, tampouco o que deseja que aconteça e a decepção da personagem aparece mais, nem tanto pelas palavras, mas pela expressão de desapontamento desta grande atriz. Confusa e interrompida por Hotch que a chama de volta ao trabalho, ela diz ao marido que irá pensar na proposta, mas ele sabe que ela já tomou sua decisão. Com poucos minutos de um texto bem elaborado já sabemos que o compromisso matrimonial incluía previamente respeito mútuo pelas atividades profissionais de ambos, o que justamente foi fundamental para que fizesse até então o casamento funcionar, mesmo a distância. E que, inesperadamente, o seu marido aparentemente achou-se no direito de escolher por ela seu futuro profissional, esperando que ela também estivesse ansiosa por voltarem a viver juntos e trabalharem em horários de trabalho padrão, abrindo mão daquilo pelo qual lutou para conquistar, um espaço e reconhecimento no Departamento de Análise Comportamental do FBI.
 

Com o aparecimento de um novo corpo de mulher Hotch deduz que a mudança de comportamento se deve ao fato do desconhecido já ter uma vítima masculina para matar as mulheres raptadas e a equipe já pode traçar um perfil, um homem ressentido de seu relacionamento, provavelmente traído por sua companheira, o que gerou muita raiva e  reforçou seu comportamento sádico. Logo eles concluem que essa sexta vítima, o homem raptado com o objetivo de substituir o unsub nos assassinatos das mulheres é a chave para que eles desvendem o caso. Uma coisa que venho gostando muito nos episódios desta temporada, em especial nos dez últimos episódios é que eles vêm recuperando o hábito de desenvolver o perfil passo a passo, através de erros e acertos. Houveram alguns episódios onde o perfil meio que caia do céu depois de duas ou três informações básicas, mas felizmente eles tem corrigido este problema com descrições mais complexas. Mérito de roteiristas que não tem se deixado levar pela preguiça mental.

A partir daí, passamos a ter uma visão do local para onde são levadas as vítimas. Vemos a moça raptada, mais a vítima número 6 ( um homem), encarcerados em quartos com paredes de vidro, separados apenas por uma porta. A concepção cenográfica do local é fabulosa, pois nos dá ao mesmo tempo uma sensação claustrofóbica em contraponto à fragilidade das vítimas por não terem como se esconder, uma vez que as paredes são cristalinas.

O episódio consegue equilibrar muito bem as tomadas em que ora as vítimas interagem entre si (desde o ponto em que a moça é obrigada a esfaquear o rapaz até depois cuidar para que o sangramento dele estanque), ora os agentes empenham-se para descobrir como o desconhecido consegue burlar o sistema de GPS dos carros. Neste ponto, Hotch mostra até onde vai toda a influência do seu cargo e liga para o Procurador Geral, pedindo que o auxilie junto às empresas automobilísticas para conseguir dados do GPS do carro da sexta vítima. A cena na sala do Procurador, onde Reid enfrenta os empresários dando uma aula de como desconcertar autoridades com classe e sabedoria é uma destas coisas deliciosas em Criminal Minds.  Similar ao momento em que ele enfrenta o Senador em It Takes A Village (07x01), ele confirma sua convicção de que age melhor sob pressão ( ele comenta uma vez isso com o Hotch no episódio Damaged - 03x14).



Desta forma, eles chegam ao local ( uma espécie de campo de ginástica e atividades físicas supervisionadas) onde julgam que as vítimas estavam sendo observadas e seus carros adulterados e não demora, chegam ao nome que, entre os homens desaparecidos, tem mais chances de ser o número seis. E é ao entrevistar a mãe deste rapaz que tudo começa a fazer sentido. Em um jogo de cenas vemos a mãe de Phillip Connor afirmar que seu filho mesmo antes de casar já perseguia sua noiva e, depois esposa, desconfiado de que ela o traía, mesmo que isto não fosse verdade e que ele é um rapaz doente, que gosta de chamar a atenção para si e gosta de se cortar, ao mesmo tempo em que vemos a cena onde, por sugestão do número 6, Emma tenta uma fuga e logo é capturada. É neste momento que a maioria do público descobre que o mesmo homem que se faz de vítima é o unsub que mata as mulheres. 


Quando a equipe chega à conclusão do porquê na mudança de comportamento do unsub e reajusta seu perfil, Garcia faz sua mágica, dando a eles o possível local onde encontrá-lo. Sabendo de seu comportamento obsessivo-compulsivo, Blake pede à JJ para que a mesma encontre a ex esposa para simular uma troca que possibilite à Emma ser libertada com vida. 


 É extremamente interessante o paralelo que eles traçam entre relacionamentos, através das figuras de Blake e do unsub, mostrando a obsessão pelo medo da perda da figura amada sem qualquer motivo aparente em contraponto à segurança e confiança plena de um casal que vive há anos um relacionamento à distância.

Ao final do episódio, voltamos à casa de Blake e lá, ela, em uma decisão difícil, diz ao marido que ele irá sozinho para Harvard, que ela o visitará sempre, mas que o trabalho neste momento é muito importante para ela. E, como haveria de se esperar em um relacionamento sólido, onde a pessoa que ama respeita as decisões de seu parceiro, ele aceita sua decisão e fica implícito que isto não será motivo para abalar a relação.


Algumas coisas que eu gostaria de considerar sobre o episódio:


- Desde o início da temporada, quando da introdução de Jeanne Tripplehorn no elenco de Criminal Minds eu venho afirmando que a personagem estava sendo construída aos poucos, com cautela, mas de forma muito interessante, por uma interprete absolutamente genial. #6 consolida de vez a personagem e a prepara para ser melhor explorada ainda na Season Finale, já que ao que parece, ela será uma das vítimas do Replicador. Tenho um palpite de que será a personagem dela a responsável por desencadear toda a ação em torno da vingança do unsub contra nosso querido time ( semana que vem saberemos como anda meu feeling).


- A cena entre Reid e Blake no carro onde ele a aconselha a rever suas prioridades e não se esquecer que empregos existem muitos, pessoas que nos fazem felizes não, deixa claro que ele ainda não se recuperou totalmente do processo de luto da Meave. O que é natural, porque ninguém passa por um episódio destes e se refaz de forma mágica. E, de quebra, mostra que o amor o fez amadurecer. Cena de química brilhante entre dois artistas dando o seu melhor.
 

- Ainda sobre a Jeanne, brilhante a sua interpretação em todas as suas aparições no episódio, sem exageros e com muitas nuances, ela explora todas as facetas da personagem. Muito bom quando ela pergunta para o marido da vítima se ele não falava com frequência com a esposa desaparecida, quando ela mesma foi pega na armadilha da falta de comunicação com seu marido.


- Devo admitir que saquei que o nº 6 era o unsub quando ele pede para a Emma falar do seu marido, mas acho pouco provável que a maioria tenha percebido isto. Ainda assim, achei a sacada muito boa. E aquela máscara branca deu um efeito bem legal e diferente do lugar comum da máscara de esqui preta.


- Legal eles explorarem outras coisas na série, como por exemplo, Hotch ter cartucho para pedir ajuda ao Procurador Geral. Além do que a cena com o Reid foi sensacional. Bem Reid.


- E certamente, termino de assistir o episódio com a sensação de que sou mais paranoica do que eu pensava. Sempre que fecho o carro, depois de acionar o alarme, checo a maçaneta da porta para ver se fechou mesmo ( tenho que admitir, às vezes, das 4 portas...). E a primeira coisa que faço ao entrar no carro é olhar para o banco de trás, para o chão...ok, vou parar por aqui para não continuar assinando atestado de desconfiada-mor.


- Finalmente, tenho que admitir que eles estão acertando a mão na coisa de explorar os casos e as estórias paralelas dos personagens. Na review de Alchemy eu disse que um dos grandes defeitos dos roteiros era não conseguir trabalhar as duas estórias sem perder em qualidade para nenhuma das duas e que lá eles tinham tido êxito nisto. Novamente, eles aqui conseguem equilibrar a balança e explorar as duas estórias sem deixar a desejar em nenhuma delas.


Ótimo episódio, com excelentes interpretações do elenco fixo e de atores convidados e nível técnico de primeira. Agora é contar os dias para estourar a pipoca e aproveitar de camarote o que de melhor a Season Finale puder nos oferecer. E meu palpite é que será de arrasar!


Até a próxima!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Criminal Minds - 8x21 - Nanny Dearest - Meus Comentários



Esta semana tivemos outro bom episódio de Criminal Minds. Longe de ser espetacular como Carbon Copy, Restoration e Alchemy, foi um episódio para aquecer os motores para a SF. Girando em torno de babás e crianças sequestradas, o episódio foi feito para a JJ brilhar e não poderia ser diferente, já que ela é a única mãe do grupo e o vínculo afetivo emocional do caso acaba se manifestando através dela.  Já o caso propriamente dito inova em dois aspectos: o time sai em busca de resolver um caso recorrente em aberto há anos e eles têm uma vítima que sobreviveu, que será vital para a resolução do caso.

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Anualmente, nos últimos cinco anos, uma babá é sequestrada junto com a criança que ela cuida, sempre na mesma data. A criança aparece vinte e quatro horas depois viva, em algum hospital ou igreja, já a babá sofre torturas e é encontrada morta alguns dias depois do rapto. Com conhecimento desta dinâmica, o grupo viaja para Los Angeles ( local dos raptos) alguns dias antes desta data , a fim de tentar descobrir algo que evite o próximo passo do assassino.

O episódio revela-se extremamente emocional em seu decorrer com a entrevista dos pais da criança sequestrada ( onde Hotch descobre que a menina sofre de uma caso grave de asma e precisa ser medicada) e a tentativa de obter novas informações da única vítima que escapou com vida. Episódios que lidam com crianças e mães normalmente seguem este caminho. 


Enquanto os demais agentes tentam informações diversas, JJ e Morgan seguem para Seattle para tentar convencer a sobrevivente a ajudar nas investigações. Ela recusa-se a voltar ao pesadelo de reviver o passado, mas autoriza os agentes a conversarem com seu psiquiatra para saber mais sobre ela. Dele, JJ e Morgan ouvem que ela é uma pessoa totalmente traumatizada, que apenas depois de passados dois anos é que começa apresentar sinais de melhora e, que ele não aconselha-os a insistirem com ela, sob o risco de regredir em seu tratamento.


Neste meio tempo, vemos o unsub maltratar a babá e a mesma implorar para que seu algoz permita que a criança faça uso da medicação. Intercaladas a essas imagens, vemos flashbacks do passado do unsub, de forma a entendermos que a babá o maltratava. Neste ponto a fotografia e a iluminação ganham destaque, em uma mescla de imagens esfumaçadas, ora pelo cigarro da suposta antiga babá, ora pela fumaça vinda da água quente depositada em uma banheira, que na frente, descobriremos ser o motivo principal do seu ódio pelas babás.


Passam-se as vinte e quatro horas e a criança não é encontrada em nenhum lugar como nos outros casos e sem quaisquer outras pistas, eles resolvem fazer uma coletiva pedindo ajuda ao público. Neste ponto eu faço uma observação pessoal. Não gostei do fato de fazerem a coletiva em grupo na porta da delegacia. Coletivas são dadas por um membro da equipe, não por um grupo de pessoas. Eu entendo que para passar o perfil nas delegacias para os policiais todos eles podem dar alguma informação, pois isto acontece de forma mais casual ( e, normalmente, por motivos práticos, já que cada ator ou atriz tem que ter sua fatia no bolo na participação do episódio), mas na coletiva isto não me pareceu ser coerente. A meu ver um deles ( poderia ser o próprio Hotch ) deveria ser o porta voz e depois chamar os pais da criança para fazerem um apelo.


A coletiva e o apelo dos pais da criança sensibilizam a vítima sobrevivente a ponto de ela resolver tentar superar seus traumas e ajudar os agentes na resolução do caso. Eles optam por um método de entrevista cognitiva que inclui a utilização de luzes em sequência para tentar “acordar” as memórias antigas, fazendo com que o processo desencadeie várias informações das quais ela sequer se lembrava ter presenciado.


Com as informações da vítima, um retrato falado, um perfil geográfico – cortesia do Reid -  e a ajuda da Garcia ( ainda bem que apelaram para clientes em veterinárias e não para pessoas que cadastram licenças para ter cães – algumas informações são por demais inverossímeis) eles chegam ao endereço do unsub e é justamente JJ quem o atinge fatalmente, não sem antes descobrirmos que o mesmo culpava sua antiga babá pela morte de sua irmã, afogada acidentalmente na banheira aos dois anos, quando ele tinha apenas sete anos de idade. Em seus delírios ele buscava substituir a irmã perdida pela criança raptada, já que esta, como sua irmã, também sofria de asma e, de quebra, vingar-se da responsável pela morte da menina.




Mais do que o exercício do perfil, o episódio explora a dor em todas as suas formas. A dor da mãe, que não entende como o FBI pode estar ajudando em alguma coisa no caso, de dentro da delegacia ( a cena no elevador, além de ter uma tomada inusitada, diferente das convencionais – destaque para os números no visor mostrando a descida do décimo segundo andar para o térreo durante a conversa é apenas um detalhe que pouca gente pode reparar, mas que traz verossimilhança ao momento – mostra um Hotch desconcertado frente ao desespero da mulher ao mesmo tempo que busca o discutível distanciamento necessário para continuar a desenvolver bem seu trabalho), a dor da vítima que sobreviveu ao sequestro, à tortura, mas vive presa aos seus traumas e tem dificuldade para seguir com sua vida – brilhante a cena final onde Tara pede à JJ para ver seu algoz morto, como um encerramento, como se ver fosse necessário para acreditar que poderia seguir em frente. Emocionante também, o abraço em forma de agradecimento da mãe em Tara. Merecida recompensa para quem superou suas dificuldades para ajudar uma pessoa desconhecida. Temos também a dor da babá raptada, que sofre com a agonia da criança pela qual era responsável e por fim, a dor da JJ, que como mulher e mãe, melhor do que ninguém, pode avaliar todas as outras dores ( a cena onde ela diz para Tara que seu filho naquele momento também estava sob os cuidados de uma babá reflete a agonia diária de quem tem filhos – é uma culpa irracional com a qual, até a mulher mais bem resolvida do planeta parece conviver, a de não poder estar à disposição de seus filhos para poder cuidar deles em tempo integral, de preferência até eles fazerem cinquenta ou sessenta anos....).

Enfim, outro episódio muito bom, de qualidade técnica excelente e com ótimas interpretações de atores convidados, em especial a atriz que fez Tara Rios ( Yara Martinez ), que soube passar na medida certa a dor e a superação em nome de um bem maior.


Algumas observações que não posso deixar de fazer:


- Nota dez para a naturalidade da cena entre o casal gay no parque. Bem escrita e bem interpretada. E parabéns pelos agentes não terem esboçado qualquer reação a respeito, ou seja, mostrando que aquilo para eles – como deveria ser para todo mundo – é uma coisa normal.


- Ótima a reação discreta, mas efetiva do Morgan quando a JJ promete à Tara pegar o assassino, não precisou dizer uma palavra, com um olhar Shemar disse tudo.


- Nem preciso dizer que as cenas inicial e final com a JJ, Will e Henry foram curtas, mas excelentes. No início, a diversão e a necessidade de explicar sua ausência por alguns dias para seu filho ( não há mãe que trabalhe fora que já não tenha passado por isso) e ao final, todo o alívio de chegar em casa, depois de um caso como este e encontrar seu filho são e salvo, a segurança de seu lar e os braços do seu marido à sua espera. Muito bom.


- Não pude deixar de rir quando a Garcia diz que ela descobriu uma promoção chegando. Junte-se ao diálogo do episódio passado, onde ela diz que merece um aumento, e mais a situação das atrizes com aumento negado na renovação e eu acabei achando que virou uma piada interna entre eles. Coincidência ou não, a associação foi imediata.


- Bom ver que alguém que só tinha uns minutos para se arrumar para ir trabalhar e estava com o cabelo preso em um coque não chegou ao escritório com uma escova progressiva que levaria uma hora para fazer. O cabelo da JJ me faz sentir um pouco mais normal.


- E para continuar em cabelos, Hotch exibindo alguns poucos primeiros cabelos brancos ( o personagem, o ator os tem faz tempo). Será um sinal que teremos um Hotch grisalho daqui para frente?


Então é isso, daqui para frente esquentando os motores para a reta final. E não posso encerrar sem dizer que não poderia, para nós, fãs da série, haver melhor notícia do que a renovação de Criminal Minds por mais um ano ( talvez dois, já que a maioria dos atores renovaram por mais dois anos). E a certeza de que teremos um episódio “200” pela frente. Bom demais, não é?


Até o próximo episódio!


sábado, 4 de maio de 2013

Criminal Minds - 8x20 - Alchemy - Meus Comentários




Sei que estou me tornando cansativa, mas é inevitável repetir a frase: episódio sensacional!
 

Talvez o grande pecado da série em seu início tenha sido não explorar melhor os dramas vividos pelos seus agentes de forma mais pessoal, coisas que no passado eram apenas levemente mencionadas, como o problema do Reid com drogas, as dificuldades do Hotch em seu casamento, seu luto claramente mal explorado após a perda da ex esposa como consequência de seu trabalho, entre outras várias coisas. Por outro lado, sempre que tentavam explorar melhor um assunto pessoal relacionado à alguém da equipe, o episódio saía perdendo em conteúdo no que dizia respeito ao caso da semana, acabava faltando espaço para informações, as coisas ficavam mal resolvidas ou resolvidas com muita rapidez ( isto, em minha opinião ficou evidente, por exemplo, no episódio Big Sea ( 6x23) onde a resolução do caso disputou espaço com cenas do Morgan e sua tia que buscava a filha desaparecida). São em média quarenta e cinco minutos para serem distribuídos entre as duas coisas. E um dos  lados sempre saía perdendo algo, em detrimento do outro.


O roteiro preciso de Sharon Lee Watson e a direção brilhante de Mattheu Gray Gluber parecem ter resolvido este problema. De forma cirúrgica eles encaixam as duas situações, sem que qualquer delas fique mal explicada, usando uma como pano de fundo para a outra.

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O tema principal do episódio é a dor do luto ou, melhor dizendo, o luto mal resolvido. Toda perda é dolorosa, mas a forma como lidamos com ela é o que determina como seguiremos em frente.

Reid, em uma evidente busca por encher-se de trabalho para compensar o fato de não saber como lidar com seus sentimentos, encontra elementos suficientes para convencer a equipe de que há um novo serial killer agindo e espalhando corpos em uma reserva indígena. Como não há tempo suficiente para lidar com cenas que virão a seguir tratando do luto de Spencer, de forma inteligente o roteiro opta por substituir as longas cenas em necrotérios com legistas ou cenas de crime, por diálogos rápidos, cheios de informação, onde fica muito claro o método para se traçar um perfil (  esta temporada voltou, depois de muito tempo a valorizar isto, o desenrolar do raciocínio dos agentes havia dado espaço para cenas que apenas mostravam o modus operandi dos unsubs ).




Não demora muito para a equipe notar a ansiedade e o aparente descontrole de Reid e cabe ao Rossi confrontá-lo, como era de se esperar, de forma muito paternal e ajudá-lo a lidar com o luto. É um embate de dois atores dando o seu melhor em um texto inspirado, em uma cena comovente, principalmente para pessoas que já perderam alguém próximo.


Paralelamente, o caso vai tomando forma e descobrimos que a dor é também a motivação maior para uma assassina que, ao final do episódio, descobrimos ser também, de certa forma, vítima de um sociopata, que  claramente a manipulou e fez uso de sua dor para dar vazão aos seus instintos assassinos. A forma como o caso ganha uma reviravolta no final do episódio é muito interessante, pois embora para os mais atentos os sinais estivessem todos lá ( a empregada curiosa, o funcionário ignorando suas perguntas e aconselhando-a a ignorar tudo o que se passava no Chalé, o olho espiando a mulher agindo, entre outras coisas), a motivação para os crimes acaba tomando uma dimensão muito maior do que nós espectadores podíamos imaginar.




Matthew faz uso de cores sóbrias, pouca iluminação e decoração retrô nas cenas com a unsub no Chalé, bem como nas cenas com Reid expressando seus sentimentos, em contraponto ao restante do episódio, o que valoriza amplamente a trama. De todos os episódios que ele dirigiu este é o mais sensível, e o primeiro que fala de seu próprio personagem, acho que deve ter sido muito especial para ele. O diretor também gosta muito de tomadas diferenciadas, ângulos que fujam do lugar comum e sai-se muito bem na tarefa ( a cena da porta na saída do Hotch da delegacia da reserva e a girada incrível de câmera na cena do sonho são bons exemplos disto).


Cabe ao final, alguns comentários especiais:

- Gosto muito quando os roteiristas introduzem no episódio elementos que nos lembram que eles são humanos: a cena onde JJ, Morgan e Blake debatem sobre o perfil enquanto fazem um lanche, o Rossi flertando com a prostituta e fazendo piada disto com a JJ, Reid bebendo café no avião, além do toque humorístico da Garcia, contrariada por não poder concluir seu comentário para lá de quente sobre Morgan. São pequenas distrações que suavizam o tema sempre pesado da série.


- Matthew parece gostar de filmar cenas que beiram ao terror ou ao sobrenatural e sabe valorizá-las como tal. Elas sempre aparecem em seus episódios ( menos em Lauren, pois o assunto não lhe dava esta abertura) e isto está virando uma espécie de assinatura em sua direção ( aqui ele usa o mesmo tom onírico que usou em Heathridge Manor ( 7x19 ), explorando as alucinações e sonhos ).


- A cena final de Alchemy é um primor. Além de muito  bem filmada, resolve o assunto de forma definitiva, deixando claro que Reid optou por seguir em frente. Além disto ela oferece aos fãs aquilo que eles não puderam ver acontecer de verdade: uma cena que selasse o amor de ambos, uma lembrança de um amor que existiu, mas não foi consumado. E ainda tem a frase dita pela Maeve: "- Vamos dançar, antes que eu seja um fantasma em suas memórias". Uma sensível e eficiente forma de dizer a ele: "- Agora você já pode e deve seguir em frente!"


De forma geral, a oitava temporada tem tido excelentes episódios, optando por mesclar o Replicador, casos com unsubs muito interessantes e o desenrolar da vida pessoal dos agentes. Alchemy sem dúvida é um conjunto primoroso de roteiro, direção, detalhes técnicos e interpretações que vai entrar para a estória de Criminal Minds como um episódio inesquecível.


Esperando agora por um desfecho perfeito para uma ótima temporada! 


Até o próximo!