sexta-feira, 3 de julho de 2015

Aquarius 1×01: Everybody’s Been Burned


Não se deveria assistir ao piloto de Aquarius sem se ter uma boa noção dos acontecimentos mais importantes dos anos 60, principalmente nos Estados Unidos. Em 1967 Lyndon B. Johnson, que como vice assumira logo após a morte de Kennedy em 1963, estava em seu sexto ano de mandato. A década de 60 de forma geral foi rica em movimentos, advindos daquilo que a mídia americana e, posteriormente a europeia passou a chamar de contracultura. Com o final da segunda guerra mundial, jovens descontentes, com ideias libertárias, oposicionistas da guerra fria ( e, posteriormente, à Guerra do Vietnã), do militarismo, do autoritarismo e do consumismo em excesso, pela primeira vez pregavam a não violência, e mesmo que houvesse a fome e a miséria, seu lema era o da Paz e do Amor. Surgiam as primeiras comunidades hippies, o desejo de se amar ao próximo e de lutar incondicionalmente pelos direitos das minorias, em geral, mulheres, negros e homossexuais.

Estes movimentos tiveram início em várias cidades dos EUA como San Francisco, Chicago, Nova York e em Los Angeles, especificamente na Sunset Boulevard, onde a estória de Aquarius tem seu início. E se você não conhece nada disto não tem importância, a direção de arte de Adam Davis, a direção de fotografia de Lukas Etllin e o próprio criador e produtor John Mc Namara (In Plain Sight e Fastlane entre outros) não vão deixar você na mão.

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Sam Hodiak (David DuchovnyThe X Files, Californication) é um veterano da segunda guerra que hoje é detetive de polícia em Los Angeles, especificamente na área da Sunset Boulevard, local onde florescem os movimentos libertários, onde cabeludos e desocupados pedem por paz e amor. Em resumo, um grande mundo de moças avançadas  e músicos cabeludos e sem asseio que ele não consegue entender. Isto faz dele um homem um tanto entediado e sem muita paciência.

Ele atende ao chamado de uma mulher do seu passado, Grace Karn (Michaela Mc Manus - One Tree Hill, Law & Order: SVU), que claramente representa o “melhor” da sociedade, com status, dinheiro e relações de uma família tradicional e influente. Sua filha Emma (Emma Dumond ) está desaparecida há quatro dias, no entanto ela deixa que existe a necessidade de discrição na investigação, pois rumores poderiam atrapalhar os planos políticos do chefe de família, Ken Karn, interpretado por Brian F. O’Byrne.
Sam sabe que é para ele impossível perpetrar um universo tão diferente dele quanto possível e para isso escolhe como parceiro o jovem e um tanto rebelde Brian Shafe (Grey Damon de Friday Night Lights).
É quando eles saem atrás de uma possível pista que começamos a entender o mundo em que Sam, Brian e Emma vivem. O filtro amarelado, por vezes quase sépia usado nas câmeras retrata uma Los Angeles bucólica, um tanto entregue à sorte, quase tanto quanto os jovens que buscam através de seus movimentos uma mudança difícil de acontecer.

Sam e seu parceiro caminham por entre toda a sorte de transgressões, do consumo excessivo de drogas pesadas ao sexo livre, entre jovens cuja a idade é muito difícil prever. Nesta caminhada não demora muito para  conhecermos Charles Manson (Gethin Antony, de Game of Thrones), jovem que já havia cumprido pena, entre períodos de internação juvenil e mais nove anos de prisão.

Manson deve ter aqui por volta de trinta anos e já inicia seu aliciamento de jovens de classe abastada, cujo relacionamento familiar fosse problemático (caso de Emma), com o absurdo delírio de tornar-se um ídolo musical, uma espécie de rei do rock, compondo e interpretando suas próprias músicas. Em suas poucas cenas já se consegue ter uma noção da sandice do rapaz: usando seu carisma intrínseco enamora as jovens que o seguem (com uma lábia impressionante) com a mesma veemência que torna-se frio e cruel (como na cena do quase estupro do pai de Emma).

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Em uma tentativa de acesso ao grupo formado por Manson, Sam e Brian recrutam Charmain Tully (Claire Holt) para se passar por uma das seguidoras, mas ela esbarra no fiel segurança de Manson, que precisa “testar” cada moça que queira conhecê-lo. Apavorada com a possibilidade de ter que transar com o cara, ela e Brian conseguem escapar da situação de um jeito bastante improvisado.
Ao contrário de muitos eu não pretendo assistir à série em uma tacada só, uma vez que a NBC liberou os treze primeiros episódios on-line para quem quiser maratonar a série. De minha parte pretendo absorver e apreciar calmamente este espectro de referências e sensações que Aquarius desperta. Portanto, se alguém for assistir tudo de uma única vez não poderá contar com minhas reviews na mesma proporção.

Assistir aos primeiros quarenta e três minutos de Aquarius trouxe-me mais do que a curiosidade de ver retratada a história de Charles Manson, ainda que em um crime meramente ficcional. Trouxe-me a vontade de revisitar os anos 60 sob a ótica de um detetive que tem aproximadamente a minha idade, e ainda que em épocas diferentes, o mundo mudou tanto quanto surpreendente possa ter sido este período.
Recomendo que a série seja apreciada como um todo e que a expectativa não gire apenas em torno da mente doentia de Charles Manson. Se mantiver o padrão, cada episódio poderá nos brindar com uma aula de história, com referências que pautam hoje nosso mundo e são o motivo de vivermos como vivemos hoje em dia.

Nota:
  • Embora para os brasileiros não tenha o mesmo peso, creio que a trilha sonora do episódio tenha uma importância fundamental para americanos e não americanos que curtem e acompanham a história musical. São composições que carregam o momento vivido, com letras que retratam toda a carga dramática daqueles anos. Não sou grande conhecedora do tipo de música desta época, mas ela faz, sem dúvida, parte da história dos movimentos da contracultura, tanto quanto significou o movimento Tropicalista no .
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  • David Duchovny consegue ir além de Mulder com seu terno e gravata retratando Sam Hodiak. Claro que em um primeiro momento a associação é inevitável, mas bastam alguns poucos minutos para sabermos que David não é Mulder ali, é Sam, Para quem como eu acompanhou Californication então,  mudança é radical.
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  • Para quem gosta de analisar uma série sob outros aspectos, fica a dica: a fotografia é sensacional. Através dela podemos desconstruir o sentimento da cena e toda a carga emocional que ela retrata. Além do que, diversas tomadas fazem uso do steadicam, tornando as cenas altamente pessoais e trazendo uma agilidade que contrasta com a preguiçosa melancolia da fotografia. Simplesmente primoroso.
Até a próxima semana!!

Criminal Minds – Primeira Temporada: O Gênesis



Dramas criminais nunca foram exatamente novidade para o público que em 22 de setembro de 2005 acompanhou a estreia de Criminal Minds, exibido e produzido pela rede americana de televisão aberta CBS em co- produção com a ABC Studios. Muitos destes shows de TV destacavam-se por se desenvolverem em determinado ambiente (como por exemplo, NCIS, cujo herança de ser spin off de JAG determinou que sua ação ocorresse na Marinha Americana). Outras, preocupavam-se em enfatizar o método de investigação criminal, como CSI e seus spin offs que visavam priorizar a investigação através do ponto de vista de evidências materiais. Muitas focavam-se no dia a dia de delegacias (como Without a Trace), paramédicos e bombeiros (Third Watch), ou ainda no desenvolver do crime sob a aspecto do tribunal (por exemplo, Law & Order e suas franquias). A inovadora The Ex Files (Arquivo X) caminhava de braços dados com teorias conspiratórias e fatos inexplicáveis e a saudosa Moonlighting (no Brasil, exibida como A Gata E O Rato) foi para a época o que hoje é Castle para seus fãs: um criminal que investe firmemente no romance e na comédia.

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Criminal Minds prometia mais do que qualquer destes aspectos, prometia invadir a mente de um criminoso em série para assim poder prever seus futuros passos e impedir novos crimes. Nesta noite a série idealizada por Mark Gordon e Jeff Davis superou como melhor estreia a série Lost, que um ano antes estreava na casa dos 18 e meio milhões de telespectadores, que por sua vez, superou a última melhor estreia do gênero, que fora em 1995, com Murder One. Com 19.57 milhões de telespectadores, a série não conseguiu convencer, apresentando um episódio com mais promessas do que conteúdo. O roteiro de Extreme Agressor até que mostrou-se ousado e tentou levar a sério sua premissa, no entanto, com a difícil tarefa de inovar misturando-se à necessidade de apresentar e contextualizar muitos personagens regulares ( eram na verdade seis agentes, JJ aparece apenas a partir do segundo episódio da série), deixou muita coisa a desejar. O resultado de um episódio apenas regular foi a queda vertiginosa de sua audiência nos episódios seguintes (de 01×02 a 05, pela ordem Compulsion, Won’t Get Fooled Again, Plain Sight e Broken Mirror), com números girando entre 10 e meio e 12 e meio milhões de telespectadores. Embora contasse com o aval de exibição do canal, os produtores ainda lidavam com outro grande problema: americanos levam muito a sério a classificação etária dos seus shows e a proposta era mostrar crimes cruéis, criminosos sádicos, mentes deturpadas, muito diferentes dos assaltos a mão armada habitué de outras séries.


Season 1 (14)

Entre roteiros brilhantes, tomadas de câmera pouco comuns e montagens interessantes, a primeira temporada oscilou bastante em qualidade e audiência. Alguns episódios excelentes como o 01×06 – The Fox, 01×14 – Riding The Lightning, 01×17 – A Real Rain e 01×19 – Machismo foram aos poucos consolidando uma audiência que, se não trazia o resultado esperado em números na amostragem que interessa ao patrocinador, certamente se consolidava em números absolutos, voltando a bater entre 14 e meio e 15 e meio milhões de telespectadores em diversos episódios. Importante também foi descrição de casos reais semelhantes aos ficcionais, mencionados semanalmente, acrescentando credibilidade a um assunto pouco conhecido. Quem assistia às variadas barbaridades na tela, sentia-se mais confortável (ou não!! que mundo é este!!!) ao saber que tais casos tinham um fundamento, que coisas esdrúxulas não eram apenas tiradas da cartola sem veracidade. Uma Season Finale extremamente criativa (01×22 – The Fisher King – part 1) garantiu não apenas a renovação para nova temporada, mas um aumento surpreendente nos números.

Season 1- 2 lote (1)

Com um começo meio morno e episódios irregulares, os menos atentos ou insistentes não puserem fé na longevidade da série. Inúmeros outros shows que começaram um ano antes ou um ano depois de Criminal Minds foram ficando pelo caminho, com apenas duas, no máximo três temporadas. Em sua maioria, os episódios do novo show ficavam muito mais no difícil caminho da construção de um perfil do criminoso do que propriamente contando um pouco mais da vida de cada um dos agentes. O maior privilegiado nesta primeira temporada foi o agente Aaron Hotchner, que no primeiro episódio temos a oportunidade de descobrir que está para virar pai de primeira viagem e onde, aos poucos iremos acompanhar suas dificuldades em conciliar uma atividade profissional tão peculiar e extenuante com a saudável vida em família.
Curiosidades:
  • Embora a atriz Kirsten Vangness apareça em todos os episódios da primeira temporada, ela passa a ser creditada como parte do elenco regular da série apenas na segunda temporada.
  • Como dito antes, a atriz AJCook aparece interpretando Jennifer Jareau apenas a partir do segundo episódio da série.
  • Logo no primeiro episódio conhecemos aquela que será a esposa de Hotch na série por três temporadas: Haley Hotchner aparece grávida e é interpretada pela atriz Meredith Monroe.
  • Fica um pouco confusa na primeira temporada a função de Jason Gideon. Embora ele seja um agente sênior não em posição de chefia (cargo de Hotch), ele durante diversos episódios toma decisões e assume responsabilidades que ao meu ver caberiam ao chefe da unidade, por maior que fosse sua experiência ( função que passa a fazer mais sentido a partir do momento que David Rossi assume no lugar de Gideon, na terceira temporada).
Quer saber como uma das séries mais duradouras da televisão sobreviveu a tantas turbulências e continua sendo uma das grandes apostas da CBS? Acompanhe conosco os comentários sobre as diversas temporadas de Criminal Minds.

Até a próxima!

Débora Gutierrez R Clemente

(texto originalmente publicado para a página Criminal Minds BR, em 06/15. Todas as fotos creditadas à  
Criminal Minds BR)

A Longevidade de Criminal Minds: Do Descrédito Ao Top 10!


A história de Criminal Minds é, a princípio, igual à de tantas outras séries americanas que passam nas mais diversas redes de televisão abertas do país. O que muda radicalmente sua trajetória tem o nome de determinação e respeito aos fãs.
Criminal Minds, nas palavras de Thomas Gibson em sua pré-estreia “ –Era para ser um piloto sem muitas expectativas. Ninguém realmente acreditava que a série vingaria”.
 
Thomas Gibson of

Criada por Mark Gordon e Ed Bernero, a série estreou nos EUA em 22 de Setembro de 2005, levantando polêmica acerca da sua área de atuação – o plot de Criminal Minds era trabalhar com uma equipe que traçasse perfis dos criminosos a fim de se adiantar em seus crimes e, talvez, evitar assim, mais mortes. Ed Bernero era então um policial aposentado, que tinha em seu currículo Third Watch , uma série que abordava o dia a dia de policiais, bombeiros e socorristas e que havia durado seis temporadas. 

Com produção conjunta da ABC e a rede CBS, Criminal Minds tinha como protagonista Jason Gideon ( cujo nome original seria Jason Donovan), um profiler chefe da Unidade de Análise Comportamental, cercado de especialistas, os personagens recorrentes, Hotch, Morgan, Reid, Elle, JJ e Penélope Garcia ( esta, embora participando de todos os episódios, foi listada no elenco fixo apenas a partir da segunda temporada). Aliás, o primeiro nome dado a Criminal Minds foi “Quântico”. Até pela sua experiência em campo, Ed Bernero sempre se esmerou em concentrar os temas de seus episódios muito mais nos UNSUBS – termo utilizado para determinar um criminoso não identificado – e seus crimes hediondos e seriais, do que propriamente nos membros de sua equipe. 


Cast (69)

Com o passar dos anos, o show passou por uma série de turbulências. A primeira baixa na série foi de Lola Glaudini ( Elle Greenway) que pediu para sair, uma vez que sua família não residia em Los Angeles. No início da segunda temporada a atriz sai ( 2×06), para assumir em seu lugar Paget Brewster encarnando Emily Prentiss ( 2×09). Embora a transição tenha corrido de forma tranquila, questionou-se se a série sobreviveria sem sua principal personagem feminina e como o público aceitaria a nova personagem.
 
Cast (26)

No início da terceira temporada de Criminal Minds, Mandy Patinkin (Jason Gideon) simplesmente não apareceu para a leitura inicial de texto (mais tarde ele alegou diferenças irreconciliáveis com a série, reclamando do excesso de violência da mesma) e a equipe ficou meio “sem saber exatamente o que fazer”. Tendo por opção editar alguns episódios anteriormente não aproveitados, uma última participação do ator sem a presença de qualquer companheiro de elenco e um comentário especialmente preparado por Thomas Gibson (ele já fôra colega de cena de Mandy em Chicago Hope, série que Mandy também abandonou, logo TG não pareceu particularmente surpreso com o fato) onde afirmava aos “colegas” de BAU que “eles – personagens e série” sobreviveriam sem Gideon/Mandy ( última participação no 3×02), a série seguiu corajosamente em frente sem seu ator âncora ( considerado aquele que puxa a audiência da série). O andamento da temporada sem seu ator principal moveu algumas peças no enredo e deu a Thomas Gibson definitivamente o cargo de “chefe”. A série que tinha então tudo para naufragar, foi cuidadosamente tratada para que a saída de seu âncora fosse superada com sucesso. No primeiro terço da terceira temporada (3×06) conhecemos David Rossi, personagem de Joe Mantegna, e a série parecia tomar novamente um rumo confortável . Já na quarta temporada tivemos a introdução de Jordan Todd ( Meta Golding ) por oito episódios para substituir AJCook durante sua gravidez. 

CRIMINAL MINDS

Criminal Minds sempre teve outra frente a combater. Os americanos mais conservadores sempre a viram como uma série excessivamente violenta, mesmo que subjetivamente e o show penou até conseguir um lugar de respeito na audiência. Seus produtores tiveram que brigar para fazer valer episódios com temas mais fortes e cenas sugestivas e, ainda assim, encontravam resistência para ampliar a audiência. Mas, em detrimento da dificuldade generalizada, Criminal Minds corria por fora formando um público cativo, que se não era lá tão grande em números, era ao menos constante e lhe valia sempre um lugar entre os quinze programas mais assistidos. 

Reza a lenda que, a fim de investir em um spin of ancorado por um conhecido nome do cinema americano ( no caso, Forest Whitaker), a CBS teria decidido reduzir o elenco da série original apostando no seu esgotamento e já preparando terreno para mantê-la viva através de sua nova cria. A rede optou por demitir via twitter a atriz A.J.Cook (último episódio: 6×02) e diminuir a participação de Paget Brewster para apenas dezoito episódios na temporada – último episódio :6×18). Isso causou a ira dos fãs mais fiéis que se manifestaram via petição, entre outros canais e conseguiram chamar a atenção da CBS. Ainda na sexta temporada a entrada da atriz Rachel Nichols como Ashley Seaver como uma estagiária – 6×10, gerou uma queda significativa na audiência, chegando a fomentar comentários de ódio nas redes sociais e desafiando novamente a manutenção dos números, dificultando a tarefa do show em manter-se rentável e interessante para o canal. Após o fracasso do spin-of, cancelado com apenas treze episódios, para tentar consertar a própria lambança a CBS demitiu Nichols (que encerrou sua participação no 6×24) e recontratou AJCook ( que havia feito participação especial no 6×18 e retornou definitivamente no 6×24) e convidou Paget Brewster a retornar no 7×01. Neste meio período também houve a saída de vários roteiristas e Ed Bernero largava definitivamente a produção de Criminal Minds, passando o bastão para a então produtora supervisora Erica Messer. 

CRIMINAL MINDS

Ainda assim, mais problemas surgiram na sétima temporada, quando Paget Brewster anunciou sua vontade em fazer comédia e tentar novos horizontes. Paget encerrou sua participação como personagem fixa do show no episódio 7×24. A atriz ainda fez uma participação especial no episódio “200” ( 9×14). Para seu lugar, foi contratada a atriz Jeanne Triplerhorn, como a agente Alex Blake que participou de Criminal Minds por duas temporadas ( 8×01 a 9×24). Para a décima temporada já foi anunciada uma nova contratação, a atriz Jennifer Love Hewitt ( do extinto show Ghost Whisperer) se juntará ao elenco regular e interpretará a agente Kate Callahan. 

Com todo este histórico definitivamente conturbado, há de se questionar como uma série com tantos problemas é, hoje em dia, o sétimo show mais assistido do país. 

 
Mas é! Em sua nona temporada o show alcançou, senão números tão elevados como em suas quarta e quinta temporada, audiência para mantê-la entre as melhores séries da tv aberta. E aqui cabem duas explicações. 

É sabido que atualmente as séries de maior duração são também aquelas que acabam tendo uma maior audiência, por conta da fidelização do público. É fácil explicar que, em não havendo nenhum descalabro em termos de roteiro, o público segue fiel aos personagens que por anos entram em suas casas, permeiam suas fantasias, ganham sua simpatia, e terminam por ilustrar estórias em fanfics e torcida dos shippers mais improváveis. Junte-se a isto à fraca qualidade das atuais estreias ( o número de cancelamentos antes do décimo terceiro episódio foi recorde nos dois últimos anos), com roteiros repetitivos e sem muita criatividade e já temos meio caminho andado para a manutenção do sucesso das séries veteranas.
E a outra metade do caminho? Simples assim, fica por conta da enorme simpatia do elenco regular e de apoio, bem como dos membros da equipe técnica. Gostando ou não, Erica Messer deu uma enorme chacoalhada na estrutura inicial do show, atendendo a um contingente que pedia uma atenção especial aos membros da equipe, trazendo a tona estórias que preencheram de certa forma lacunas, mostrando que há vida além do Bureau. Erica introduziu cenas que mostram a casa dos nossos agentes, seus parentes ( pai, irmãos, filhos, marido) sem, de certa forma, deixar de privilegiar os casos da equipe. Pessoalmente acredito que ela encontrou uma forma de equilibrar as coisas. 

Além disto, toda a equipe é super disponível, atores, produtores, maquiadores, pessoal de fotografia e cenografia entre outros, postam fotos com frequência para além do esperado entre outras séries, abastecem os fãs com informações de bastidores, novidades e curiosidades, cativando pela atenção pouco comum dada ao telespectador. 

Por estas e outras, Criminal Minds continua sendo uma série à prova de mudanças e lambanças da CBS. Vamos aguardar a décima temporada, com nova agente e cheia de novidades! 

Até a próxima! 

Débora G R Clemente.

( texto originalmente publicado No Criminal Minds Brasil. Créditos de fotos à equipe de CM Brasil)

Criminal Minds Além Das Telas


( texto originalmente escrito  em 28/07/12)



Quem disse que séries de tv começam e acabam na telinha de nossa televisão?

Eu já tinha muita experiência em encontros com fãs de séries. Depois de mais de dez anos organizando encontros com fãs de Arquivo X em maratonas anuais, não me furtei a incentivar um encontro entre fãs de Criminal Minds em São Paulo. Nós estávamos na quinta ou sexta temporada, o Orkut era a rede social do momento e eu me encontrava sedenta por conhecer novas caras, pessoas que, como eu, amavam a série. 

Preciso aqui fazer um parágrafo à parte. Foi através do computador e de redes sociais ( mais especificamente o Orkut, pois naquela época ainda não havíamos sido invadidos pelo Face) que conheci boa parte das pessoas que amo nesta vida. O grupo ESFILES sobreviveu porque pessoas curiosas trocavam mensagens sobre a série, falavam de seus personagens amados e, assim, quase do nada, passamos a receber em nossas casas, para dormir, comer e conviver, pessoas que não tinham rosto, que eram a Scully21, o Mulder1984, a sra. Duchovny ou algo parecido. Às vezes me pergunto, como isto foi acontecer. Mas aconteceu. Eu e amigas minhas passamos a oferecer guarida a outras cuja única referência era amar Arquivo X. Dito isto, não era totalmente descabido tentar um encontro com fãs de Criminal Minds.

E ele aconteceu. Sendo uma estrangeira em minha própria terra, concordei com a indicação de uma amiga, Rosely Zenker, para que o encontro acontecesse no Centro Cultural, às margens da Avenida Vinte e Tres de Maio. 



Paulista, morando há vinte e seis anos em Vitória – Espírito Santo, minhas viagens à sagrada terrinha costumam resumir-se às visitas aos parentes na época de Natal. Naquele ano, no entanto, programei-me para poder estar presente em agosto, época estabelecida por todos, como adequada para a reunião.

Muita gente on line jurava que estaria presente e eu me animei. Vislumbrei ali uma possibilidade para criar um novo grupo, similar ao ESFILES. Como era de meu hábito criar lembranças para sortear no grupo aqui de Vitória, pintei alguns quadrinhos para que pudessem ser sorteados entre os presentes, todos com personagens de Criminal Minds.

Vergonhosamente reconheço, fui a primeira a chegar. Ansiedade  é meu nome do meio. Um deles. Logo chegaram Rosely, Larissa, Kátia, Cláudia ( com o marido), Fernando, Lívia, Márcio, Rose, Aline, Bia e tantas outras pessoas, e o encontro tornou-se muito divertido. Todas aquelas opiniões e comentários na rede foram ganhando rostos, de Vitória, Brasília, Campinas, Minas Gerais e, claro, São Paulo e foram tantas fotos, tantos risos, tantas boas lembranças, que não dá para descrever aqui. Só quem passa por uma experiência assim pode falar a respeito. Amizades surgiram. Consegui levar para o próximo encontro de Vitória, do ESFILES, três daquelas pessoas no encontro de Criminal, a Rosely, a Kátia e a Larissa. Um ano depois, consegui arrastar também Raquel e seu marido para o encontro de Vitória. E várias outras amizades que nunca puseram seus pés em terras capixabas continuam fazendo parte do meu grupo de amigos nas redes sociais.

Nos anos seguintes não obtivemos o mesmo sucesso para o encontro de CM. Organizamos um “Unsub Secreto” no final do ano ( super divertido, teve quem ganhou um kit assassinato, com veneno, corda p enforcamento, entre outros mimos...) e outros encontros, mas nenhum deles teve o mesmo número de participantes. Nada que nos desanime. Ano retrasado tivemos a honra de conhecer em Sampa duas fãs de Cuiabá, a Silvinha e a Jackelyne.

Nunca perco a fé. Este ano, junto com a Rosely estamos tentando repetir o sucesso do primeiro encontro. As meninas de Cuiabá prometem estar presentes. O Fernando de Brasília também se interessou em ir. A Carol, do Rio, que só conheço por rede social jura que vai. Eu, com certeza, irei. Algumas pessoas me perguntam porque me entusiasmo tanto. Simples: algumas das pessoas que mais amo nesta vida eu conheci por causa de Arquivo X. Outras por causa de Criminal Minds. Jamais, em tempo algum, roteiristas, atores e produtores poderão mensurar isto, mas de alguma forma, eles são, sim, responsáveis por estes encontros, por estas amizades. 

E querem saber  o que é melhor em tudo isto? É você não sentir-se estranha por amar uma série tanto e tanto que passa a falar dos personagens como se eles fizessem parte de sua vida. Porque os que estão junto de você fazem o mesmo. É você fazer parte de um manicômio onde sente-se à vontade, pois você não é mais doido do que seu parceiro de viagem. A quem pouco conhece pode parecer o cúmulo da nerdice, mas com o passar dos anos, estas coisas vão  parecendo para mim essenciais, necessárias para que minha vida se torne completa. Meio como você dizer aquela frase e alguém sacar um: episódio 03, quarta temporada! É você sentindo-se em casa!
Tenho cinquenta e dois anos e enfrento corajosamente todas as resistências que surgem por minha idade, por ser casada, mãe, profissional. Não me importo quando me dizem que já passei da idade de sonhar com filmes, de vibrar com séries de tv ou de organizar acampamentos de fãs nerds. Danem-se todos. Pago minhas contas, meus impostos, sou uma esposa apaixonada e uma orgulhosa mãe de um nerd muito bem sucedido pessoal e profissionalmente. Mas nada disto me impede de ser fã, de exercer minha maluquice nos momentos certos, de falar de coisas nada a ver quando me dá vontade. Julguem-me. Não ligo a mínima. Não vou mudar só porque o que eu amo fazer parece esquisito. 

E, se, por qualquer motivo você, leitor, sentiu certa identificação lendo meu texto, seja autêntico, seja você mesmo. Continue amando suas séries, seus personagens, sem por isto mesmo deixar de ser competente naquilo que você sabe fazer de melhor. Não envergonhe-se disto. Se eu, do alto dos meus cinquenta e poucos anos consigo aguentar, você também aguenta. Só porque vale a pena!!!

Um beijo carinhoso,

Criminal Minds 10×23: The Hunt [Season Finale]


Eu não sei bem como expressar isto, mas às vezes leio certos comentários que me fazem acreditar que não estou acompanhando a mesma Criminal Minds do que outras pessoas. Não são poucas as vezes que odeio o fato de saber que a internet mudou o curso de algumas coisas nesta vida, dentre elas, a opinião imediata.
De uns poucos anos para cá aconteceu o evento de qualquer pessoa poder dizer pelas redes sociais o que deseja de sua série. Isto é uma benção e uma maldição. Fãs pediram e foram ocasionalmente atendidos em suas preces, para que houvesse alguma ação rolando  nos roteiros de Criminal Minds e, agora, muitos deles acreditam que seu desejo deve ser uma ordem atendida constantemente. Criminal Minds não é uma série de ação. Não deve ser rotineiro perseguições de carros pelas ruas, explosões a todo instante, personagens regulares colocarem suas vidas em risco. Uma vez ou outra é aceitável, porque isto pode ocorrer na vida real, também uma vez ou outra. O que não dá o direito aos fãs de esperarem que isto ocorra regularmente.


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Tudo isto apenas para justificar tantos comentários maldosos acerca da Season Finale desta nossa série favorita. Criminal Minds, para quem não se lembra, é uma série que favorece traçar perfis que identifiquem um criminoso em série antes que ele mate novamente. Neste sentido, o último episódio da temporada foi brilhante. Desenvolvendo uma trama iniciada no primeiro episódio da temporada, The Hunt tem por objetivo fechar o arco estabelecido e revisitado em outros episódios ao longo da décima temporada, previsivelmente atingindo a filha ( é sobrinha, mas criada como filha) de uma agente da equipe, no caso Kate Callaghan.

De minha parte não esperava explosões, tiros, capotagens extraordinárias, salvamentos absurdos. Porque esta não é uma série de ação. Esperava exatamente o que assisti, um passo a passo na mente humana,a reação da filha de uma agente do FBI, o como chegar a um criminoso através da análise de seu comportamento. E, assim, neutralizá-lo. Pensando assim, não faltou nada ao episódio. O psicopata que se satisfaz, mas transfere a responsabilidade do descarte do corpo para outro criminoso. A vítima de Estocolmo, claramente refém de sua própria dependência, outro criminoso nascido desta relação que não entende bem sua função e paga o preço por seu envolvimento ( o filho), a existência da deep web ( a internet do submundo), disseminando o crime sem ter como ser neutralizada por órgãos oficiais. O episódio teve tudo isto, mas não teve grandes explosões, grandes perseguições, tiroteios, ação indiscriminada. E, por isto, só por isto, a maioria das pessoas achou fraco o episódio de final de temporada.

É triste saber que muita gente não gostou apenas porque não entendeu. Se tivessem entendido saberiam que o episódio trouxe de volta a essência dos perfis, do passo a passo para chegar ao criminoso. Nem sempre os crimes na BAU são resolvidos de forma glamorosa, às vezes, basta pura e simplesmente seguir o que o perfil diz.  Fez também muito sentido a sobrinha de Kate ter tanta determinação e orientação para sobreviver a um ataque deste tipo. Fosse minha filha, eu, na posição de Kate teria dado as mesmas orientações. Não duvido que, tendo profissão similar, teria orientado minha filha da mesma forma, visto os mesmos perigos, previsto qualquer situação.

Foi também acolhedor ter o chefe de Kate apoiando-a incondicionalmente ( Hotch sendo Hotch, como o esperado).É assim que equipes bem entrosadas trabalham, consideram-se uma família e defendem-se em bloco, como se fossem uma só estrutura.

Gostei da idéia de ter um camarada que alimenta o mercado de psicopatas. Além de criativo, a possibilidade é muito crível, neste mundo que hoje vivemos. , fica óbvio que a história criada para ser o arco de toda uma temporada pode ter sido levemente alterada com a realidade da de Jennifer Love Hewitt. Mas acho que a essência permaneceu. Talvez os recursos de salvamento tenham sido alterados, mas o fato é que Érica queria desde o início explorar como é ser mulher, agente e ter filhos. E conseguiu de forma brilhante.

Coisa que não pode fazer com Hotch ou JJ, pois seus filhos ainda são pequenos para isto. Ainda corre por fora, como azarão, a coisa de não ter como controlar filhos adolescentes, ainda que munidos de toda a informação existente. Aquela sensação de ser um sujeito que pode salvar o mundo e não saber o que acontece dentro de sua própria casa. Absolutamente real e condizente. E a culpa. Que se reflete na agente Callahan, por ter que ser mãe e, ao mesmo tempo gerar o sustento da família. Trabalhar. Produzir. É impossível dissociar a sensação de dever cumprido de Kate de seu alívio por ter salvo sua cria. Algo a se pensar… Na verdade, o assunto é muito atual, já que é muitíssimo difícil proteger nossos filhos dos perigos ocultos e escusos que a internet oferece. Meg e sua amiga são exemplos de alvos fáceis a que estão expostos os adolescentes que acham que sabem tudo na sua idade, mas são presas fáceis nas mãos de experientes pedófilos e criminosos em geral.

Outro ponto foi mostrar que tanto Kate como Hotch continuaram investigando o caso do primeiro episódio extra oficialmente, provando como é difícil para os agentes desvencilhar –se  de casos mal resolvidos ou resolvidos de forma duvidosa. Não raramente casos assim tornam-se a missão de uma vida para alguns policiais, como já vimos em outros episódios, inclusive com Rossi, que voltou à ativa para concluir um caso em aberto de anos atrás.

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Por fim, Reid descobre de forma carinhosa a nova gravidez de JJ, de maneira discreta, delicada e divertida, evitando o alvoroço que se formou em torno dela própria na primeira vez e de Kate, quando anunciaram suas respectivas gestações.

A comunicação da saída à Hotch foi como uma espécie de satisfação à audiência, já que os motivos pelos quais J.Love Hewitt irá se afastar da série são, na verdade, os mesmos pelos quais a agente Callaghan está se afastando, ou seja, a atriz quer passar o primeiro ano ao lado de seu novo filhote, sem trabalhar. É exatamente o que diz ao seu chefe, e, novamente se dirigindo à audiência, agora é Hotch quem diz à agente: “-Você sempre será bem vinda de volta!”, o mesmo que a produção quer deixar claro a todos.

Pessoalmente acho que em havendo uma décima segunda temporada Love Hewitt volta a interpretar seu papel ao lado da equipe, pois ela foi simplesmente sensacional como Kate e teve ótima aceitação.
A cereja do bolo ficou por conta do carinhoso abraço de despedida que o quase sempre sisudo agente Hotchner dá em Kate na hora da partida. Sinal que ele está evoluindo, pois este foi o tão esperado e nunca acontecido abraço que todos queriam que ele desse em JJ, na oportunidade de sua saída da unidade, na sexta temporada. Ou, se quiserem, o abraço que os fãs deixam para Jennifer Love Hewitt, com o agradecimento por sua participação na décima temporada e o desejo de felicidades no parto e de breve retorno.

Até Setembro pessoal!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Criminal Minds 10x22: Protection - Review





“É nossa própria mente, não o adversário ou inimigo, que nos leva ao caminho do mal.” Com esta conhecida citação de Buda o episódio desta semana se inicia trazendo um tipo de delito relativamente comum nos dias de hoje: crimes cometidos por pessoas que possuem doenças mentais. Não raro acompanhamos diversos casos onde o criminoso mata outra pessoa, por estar em um surto psicótico, paranóico ou alucinando. Até pouco tempo atrás, uma doença mental era motivo de internação para toda a vida. Com os inúmeros tratamentos e vasta medicação, não raro pessoas acometidas por doenças mentais conseguem levar uma vida relativamente normal. No entanto, sem acompanhamento ou medicação, estas pessoas podem cometer atos dos quais sequer têm consciência de terem cometido. Este é um dos motivos pelos quais crimes deste tipo tornaram-se mais freqüentes nos dias de hoje. E este é também o caso do unsub do episódio desta semana. 

Diagnosticado com esquizofrenia paranóide, Daniel Lee presencia a morte de sua mãe ( também portadora da mesma doença) que é assassinada a sangue frio. O assassino, sabe-se a seguir, viera matar não a mãe de Daniel, mas muito provavelmente Patrícia, inquilina da casa, mãe de Milena, e ex esposa do criminoso.

A partir da morte da mãe, o nosso unsub, que deixa de tomar sua medicação ( já que não tem mais sua mãe, responsável por este controle ), passa a sentir-se cada vez mais tomado de culpa, responsabilizando a si próprio pelo ocorrido. Isto faz com que ele desenvolva uma necessidade de proteger a todos que estão à sua volta. Alucinando, ele sai matando pessoas que ele acredita estarem colocando outras em perigo. Ao final do episódio ( para os mais experientes e atentos lá pelo meio) descobrimos que também Patrícia e Milena são alucinações, pois ele já as matou anteriormente ( possivelmente por responsabilizar Patrícia pela morte da mãe, visto que ela era o alvo).




O episódio teve um roteiro bem completo e amarrado, deixando bem explicada a motivação de Daniel e as situações que o levaram a matar. Embora lembre vagamente outro episódio de Criminal Minds ( Normal – 04x11), a história é concisa e  funciona muito bem na telinha. Contando com boas interpretações do elenco convidado ( em especial Joe Adler que interpreta Daniel de forma contundente e emocionante, sem cair na armadilha do caricato), por ser uma história relativamente simples, nota-se o esmero de sua produção. Tomadas criativas e boa fotografia ganham mérito onde não há espaço para pirotecnias e muita ação.

Este é um daqueles casos onde não se sabe bem quem é o culpado, visto que pelo trauma e pela doença pré existente, raramente Daniel seria punido com prisão. A morte das vítimas é quase uma fatalidade, visto que não há intenção, por parte do unsub de matar pessoas inocentes. Sua intenção chega a ser inocente, já que ele se acha na obrigação de proteger a todos.....

Ao final, de quebra, fica um gancho para a Season Finale, sugerindo que a sobrinha de Kate Callahan e sua amiga também adolescente serão seqüestradas. Meg sai escondido de casa enquanto sua tia ainda está trabalhando no BAU para ir a um show e pega carona com a suposta mãe de um amigo. Como já foi sugerido no início da temporada, os seqüestradores deverão estar envolvidos de alguma forma com o tráfico de humanos, não se sabe bem ainda para qual propósito. Certamente este será o tom do episódio final desta temporada e o provável desfecho envolverá uma solução para a gravidez da atriz Jennifer Love Hewitt, que ainda não se sabe se seguirá com seu trabalho em Criminal Minds ou deixará a série para ficar com sua filha prestes a nascer. Agora é só aguardar o encerramento para ver se esta temporada, que apresentou episódios de excelente qualidade, consegue um fechamento à altura.

Até a próxima!

Observações:

- As tomadas de câmera e montagem da cena de corrida de Morgan e JJ assemelham-se demais à cena inicial de Out Of The Light ( 06x22 ), quando Hotch corre ao encontro do filho para levantá-lo de um tombo no jogo de futebol, enquanto uma vítima também corre, só que para a morte.

- Garcia continua responsável pelos momentos descontração de Criminal Minds, seja com suas falas repletas de duplo sentido para o agente Morgan, seja com o carinho de comprar pizzas para agentes que ficarão trabalhando até mais tarde.

- Alguém duvida que Kate se consumirá de culpa por não ter evitado o seqüestro da sobrinha, tirando da manga a manjada dobradinha: ser uma boa mãe x trabalhar fora? Em especial porque ela trabalha exatamente para evitar crimes do mesmo tipo?

- Eu sei que falo isto sempre, mas será que alguém tem o endereço dos estúdios Quixote para que eu possa enviar um pente ao Mattheu? Gente, ele não tem mais quinze anos e seu trabalho exige o mínimo de credibilidade! E nem estou pedindo para cortar o cabelo, basta pentear.... Enfim....




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Criminal Minds 10x21: Mr. Scratch - Review

destacada mr s


Acredito que muita gente que assistiu Mr. Scratch sem um bom conhecimento dos fatos históricos ficou sem entender direito a história. O episódio, escrito por Breen Frazier e dirigido por Mattheu Gray Gluber, trouxe uma infinidade de referências que valem a pena serem mencionadas.

O caso, de forma geral acompanha assassinatos que são cometidos por pessoas próximas às vítimas, sem que elas próprias tenham conhecimento do fato. O roteiro não perde tempo com muitas explicações iniciais, pois tudo deveria ser compreendido mais adiante. Basta saber que três pessoas mataram seus entes mais queridos e juram não terem feito tal ato covarde. Dois deles ( um homem que matou a esposa e um que matou a mãe ) conseguem de alguma forma depor, acrescentando algumas informações para a equipe. A terceira incriminada matou seu namorado e entrou em estado de choque, sem condições de acrescentar nada ao time.

Desde o princípio ( e não sem razão – saberemos mais à frente) Hotch assume a dianteira, cuidando do caso de forma pessoal, como foi poucas vezes visto. Chega a ser meio infantil ouvir as justificativas dos suspeitos, narrando um possível monstro dos sonhos, com garras nas mãos e aspecto assustador.

Pessoalmente, como disse na review passada, eu prefiro casos mais comuns, aqueles que de forma recorrente  encontramos nos noticiários, casos que não escapam para o território do sobrenatural, da especulação fantasiosa, do misticismo. Mas, é claro, estes casos também existem e precisam ser investigados com o mesmo rigor.

Na primeira reunião de equipe se comenta acerca das possibilidades, uma vez que este é o terceiro caso, o que, de certa forma, tenta tornar mais suave a aceitação de uma história tão absurda, visto que são vítimas que matam seus entes queridos sem perceberem que de fato os mataram. Todos acordam aos serem presos e descobrem de forma cruel que são os responsáveis pelas mortes, mesmo que de nada lembrem. Da forma como é exposto, cada depoimento dói demais no coração de quem assiste. Imagine alguém do nada te dizer que você matou a pessoa que mais ama e você não se lembrar disto. Aqui cabe o mérito do elenco convidado, que faz por merecer cada elogio sobre sua interpretação.



Para mim, um grande roteiro sobrevive sem grandes interpretações e imensos recursos técnicos ( vide grandes obras que são impactantes mesmo com apenas uma mesa e uma cadeira em cena), já o contrário não ocorre. E, apesar de todo o aparato técnico, de uma direção muito correta de Mattheu Gray Gluber, de cenas de ação de tirar o fôlego, faltou tempo para desenvolver melhor o roteiro. Fiz questão de conversar com muitos espectadores antes de começar a escrever esta review, para ter a certeza de que não seria injusta. E, para minha surpresa, muita gente não entendeu o episódio. Em síntese, curtiu horrores a emoção e a adrenalina que acompanha as cenas onde nossos queridos agentes correm risco de vida, mas foi apenas isto. E me dói lembrar que um ótimo tema foi desperdiçado por falta de tempo útil, não tão bem aproveitado.

O problema é que Hotch e Rossi relembram casos ocorridos entre 68 e 80, como Fells Acres e Mc Martin, onde centenas de professores e educadores tiveram destruídas suas carreiras por depoimentos que colocavam seus comportamentos sob suspeita. Mais tarde ficou provado que crianças de até cinco anos tiveram depoimentos distorcidos, arrancados à força, em uma espécie de surto de histeria coletiva que visava claramente condenar indiscriminadamente sob a justificativa de acreditar nos supostos depoimentos tirados à força. Os cerca de duzentos e setenta casos levados a júri neste período produziram um estrago inominável no sistema educacional americano, recursos rejeitados, direitos negados, apelações desconsideradas, tudo em nome de um verdadeiro caça às bruxas instaurado naquela época. No entanto, o curto tempo do episódio privilegia a adrenalina  no lugar de um maior esclarecimento, deixando em aberto para muita gente a real intenção do unsub.

Embora para mim tenha ficado claro desde o princípio a motivação do criminoso, ainda assim fui buscar informações sobre o relatório Lanning e os casos reais ( Fells Acres e Mc Martin) julgados naquela época. O conhecimento a fundo dos fatos decorrentes destes eventos revolta ainda mais do que o esperado. É apenas quando descobrimos o quanto a barra foi forçada para cima das crianças que serviram de testemunha é que percebemos o porquê da indignação e sede de vingança que emerge fundo na alma de Peter Lewis. Assim como na vida real, Peter não apenas viu seu pai ser acusado de pedofilia, mas, sob pressão de psicólogos e investigadores, acabou admitindo um abuso que nunca houve ( papel que coube aqui ser representado pela enfermeira que escreveu o livro que a enriqueceu).


Em minhas conversas com várias pessoas que assistiram e leituras de comentários, percebi que muita gente achou que o unsub Peter Lewis forçava suas vítimas a se tornarem criminosos porque seu pai abusara deles e eles o haviam denunciado. Não creio que tenha sido esta a intenção de quem escreveu a estória ( Breen Frasier, roteirista dos ótimos 52 PickUp, Blood Relations e Lauren, entre outros episódios). Ou os medos de Hotch não fariam sentido.

Creio que, como ocorrido nos casos reais – o de Fells Acres foi provavelmente o mais próximo da realidade do roteiro, Peter Lewis viu seu pai ser acusado de pedofilia e, forçado por investigadores e psicólogos, acabou corroborando a estória de outras crianças e confirmando um abuso sexual que nunca existiu. Não esqueçam-se que esses depoimentos foram tomados de crianças de apenas quatro ou cinco anos, época em que, como o próprio Reid afirma, a criança está mais suscetível a embaralhar memórias reais com fatos fantasiosos que lhes pode ser sugeridos. Assim sendo, Lewis quando pode ter real entendimento dos fatos, sentiu-se culpado por ter ajudado a condenar o homem que lhe protegia e que era de fato inocente. Crescido, decidiu punir aqueles que, como ele, foram responsáveis por esta condenação, lhes obrigando a matar aqueles a quem mais amavam. O ato em si de matar uma esposa, uma mãe amorosa ou um namorado apaixonado  torna clara a sensação de culpa de Peter. De certa forma, ele sentiu a mesma dor, quando descobriu que matou seu pai ( acusando-o de algo que ele não havia feito).

E aí chegamos na alucinação de Hotch. Poderia ser qualquer agente a chegar naquela casa e sofrer nas mãos do unsub as alucinações que ele sofreu? Pessoalmente acho que não. De todos os personagens, nosso G Man foi o que mais teve perdas pessoais. Embora todos eles tenham tido suas baixas, Aaron Hotchner perdeu a mulher que amava para o trabalho e, depois, como ex esposa, a perdeu para Foyet. Perdeu Elle para Randall Gardner, Kate Joyner, sua amiga para o terrorismo, foi indiretamente responsável pela perda de Emily Prentiss, uma vez que não salvá-la de Doyle desencadeou o seu processo de saída da equipe. Perdeu sua chefe Erin Strauss e perde, toda vez que não pode proteger alguém por quem se sente responsável. Se algum personagem entre os membros do time sabe o que é sentir culpa, este personagem é o dele. Ele próprio diz isto a Gideon em Ashes and Dust ( 02x19), sobre ser um herói que caça assassinos e sentir medo de nunca ser o suficiente. Nada mais óbvio que fosse ele a refletir em suas alucinações o medo por sua equipe, por não chegar a tempo ou por não poder salvá-los. Uma culpa muito parecida com a de Peter Lewis, uma culpa que nunca poderá ser perdoada.

Apenas interpretado desta forma o episódio faz sentido, e é uma pena que por falta de um roteiro um pouco mais claro em suas intenções isto não tenha sido passado para a totalidade de quem assistiu Mr. Scratch. Além disto, algumas soluções um pouco preguiçosas, como a pirotecnia na cena em que o unsub derruba o sistema elétrico do BAU. Soluções deste tipo empolgam momentaneamente, mas já foram vistas anteriormente e fazem parecer que derrubar este sistema é relativamente simples para alguém com muita inteligência. E não é bem assim. Ou, como o Hotch, ao contrário das outras vítimas que apenas absorveram a mistura química via inalação por correntes de ar, toma um “banho” destes mesmos produtos e ainda assim, mesmo alucinando, consegue manter-se com menos sintomas dos que os outros (ele não dormiu por horas após a inalação, coisa que ocorreu com os demais e lembra-se de tudo o que o unsub fez despertar nele, o suficiente para contar para Rossi).

A minha queixa não é sobre o efeito que o episódio teve na maioria das pessoas que o assistiu. Ele de fato criou todo o medo, susto e angústia esperados ( bom, vou aqui considerar que o objetivo foi atingido por aqueles que conseguiram se manter imersos na história, o que não foi meu caso – para mim, desde o início ficou óbvio que toda aquele derramamento de sangue era mais uma alucinação). Minha queixa foi investir apenas na ação. Visto que ao final fica clara a abertura deixada para que Hotch venha a reviver toda aquela experiência em futuro próximo – Peter afirma que eles não sabem o que ele foi capaz de fazer com a cabeça de Hotch e isso sim deveria ser um tremendo gancho – é uma pena que o roteiro tenha permitido diversas interpretações para um fato que se dispunha a ser claro desde o princípio: a de que realiza o unsub mexer com a cabeça de outras pessoas, inocentes como ele próprio um dia foi, manipulando-os da mesma forma que se sentiu manipulado. O gesto que Peter faz discretamente ao olhar para Hotch no momento em que era preso ( e o temor nos olhos de Hotch ) deixa evidente que a história não termina ali e que consequências ( para nosso querido agente) virão. Não é a toa que um monte de gente ficou achando que no episódio seguinte veríamos a conclusão da história do agente Hotchner. Levou anos para que Peter se tornasse um criminoso vítima da manipulação a que foi submetido um dia. Levará também muito tempo ( claro, contando que haja uma décima primeira temporada) para que isto venha a se manifestar em nosso agente e, se eles souberem ser criativos isto pode se tornar muito interessante.

Além disto meu outro protesto vai para a iluminação. Uma coisa é uma escuridão proposital para criar um clima sombrio, outra é não se enxergar nada na cena. Esperei até o episódio passar na TV para ter certeza de que fosse uma reclamação justa, uma vez que assistir episódios baixados pode não ser confiável. Mantenho minha opinião à respeito. Algumas cenas estavam quase nada visíveis, totalmente desnecessário.



Que Mattheu G Gluber tem talento para a direção, em especial para filmes onde o sobrenatural e o macabro fazem parte da história ninguém duvida. Também é fato que Breen Frasier é um excelente roteirista, criando alguns episódios brilhantes da série. No entanto, alguma coisa neste episódio especificamente não funcionou enquanto história bem contada. Mexeu eficientemente com a adrenalina, mas não com o coração das pessoas. O que não impediu de, embora pouco compreendido, ter sido eleito por muitas pessoas como um dos melhores episódios da série. Não impunemente o episódio seguinte teve audiência tão baixa, mas isto já é estória para outra review.

Até o próximo episódio!

Observações:

* Todos os atores convidados tiveram desempenho acima da média e enriqueceram Mr. Scratch, mas inegavelmente o show foi mais uma vez de Thomas Gibson. Atuando de forma totalmente diferente do esperado, seu Hotch, como em uma espécie de premonição de que o dia não acabaria bem, deixou de lado a carcaça dura e fria, permitindo-se transparecer as emoções todas, como se quase não conseguisse manter o controle, ou não se conformasse com a falta dele. Pode parecer imparcial, pois é notório que sou fã do trabalho do ator, mas fico triste observando que os atores desde elenco sempre se superam e quase nunca obtêm o devido reconhecimento.

* A referência ao medo de infância de Kate ser Melissa Gordner é uma brincadeira com o nome da personagem que JLove Hewitt interpretou em Ghost Whisperer: Melinda Gordon, personagem que lidava com mortos que não conseguiam partir para o “outro lado” sem uma ajudinha dela.

*  Por último, ficou faltando alguém entrevistar a assassina que matou seu namorado em um hospital e não na própria BAU. Visivelmente em choque, uma pessoa assim jamais seria liberada de um hospital para ser interrogada.