sábado, 22 de fevereiro de 2014

Criminal Minds 9x15 : Mr & Mrs Anderson


Por Débora Gutierrez Ratto Clemente

 


Por mais que eu adore os episódios especiais, aqueles que marcam a entrada ou a saída de um personagem, os finais de temporada, os nossos heróis em perigo, nada para mim substitui um bom caso explorando um psicopata ( ou dois), uma mente doentia, um raciocínio errante.

Tal foi meu entusiasmo no episódio “200” com toda a ação, toda a movimentação, aquelas coisas que fãs adoram ver vez por outra, nada disto eu posso negar. Mas o que eu gosto verdadeiramente de ver em um episódio de Criminal Minds, destes comuns, que nada comemoram, é um bom caso de psicopatia, é uma situação de total desorganização mental e seus resultados práticos. E dá para ver neuropsicopatia maior do que satisfazer-se sexualmente observando um corpo perdendo a vida? Pois é, não só eles nos dão conta de um caso assim, como mencionam um caso real para que não fique dúvidas pelo caminho ( Karla Homelka e Paul Bernardo, nos anos oitenta). Através do perfil inicial, eles chegam à mulheres que morrem asfixiadas, mas sem violência sexual. Por ideia de Rossi, eles passam a verificar outros casos semelhantes, em anos passados. Pelo fato de Reid ter encontrado camisinhas no vaso sanitário de um motel, a equipe passa a achar que o caso pode envolver um casal e não um único parceiro. Ótima a menção de Reid à ausência de Morgan quando ele mais precisa de alguém que faça atividades que necessitem de força bruta).

O que eu gosto em Criminal Minds é a dinâmica, o fato de mais de um membro ter a mesma ideia e juntos desenvolverem uma tese. Rossi e JJ, por diferentes motivos, enxergam a possibilidade de que os crimes estejam sendo cometidos por casais. A ideia de que eles estejam frequentando terapia de casais deveria ser positiva, mas o casal usa tais argumentos da forma que lhes interessa. E assim, matar uma mulher para incrementar o relacionamento sexual do casal passa a ser normal, na falta de palavra mais adequada. Seria certamente uma dinâmica que poderia durar anos, caso a mulher não tivesse requisitado para si o ato do domínio, a tarefa de provar-se ser capaz de atrair um homem  para uma relação tão doentia. É interessante como a traição aparece na relação de forma deturpada. A esposa leva para o casal um homem e seu marido o mata tal qual fosse uma fêmea. No entanto, quando presa e Blake mostra à esposa os crimes que seu parceiro comete sem sua participação, toda a dinâmica muda, a mulher sente-se traída, e não hesita em, além de agredir sem parceiro, entregá-lo em troca de um acordo.

É fascinante a relação  de controle e poder existente entre o casal, a teoria de que o homem já exercia tal atividade antes de casar-se e de quebra, encontrar uma mulher disposta a ser a esposa participante passiva de tal atividade  do marido. Chama ainda atenção o fato do casal não ter idade muito nova, já ser um casal maduro. Por mais interessante que seja a dinâmica, fica a dúvida sobre  a necessidade feminina neste jogo de domínio e poder, muito mais eficaz ao parceiro macho do que à esposa.

Quanto ao resto do episódio, a frase do ano ( perdoem-me, sou mulher) é do Morgan, que traduz oitenta por cento das expectativas femininas mal resolvidas: “ Caras como nós não lidam bem com coisas sutis. Para algumas coisas vocês precisam ser diretas!”. Eu diria que bem interpretada, esta frase resolveria oitenta por cento dos problemas entre namorados e namoradas, maridos e esposas, namoridos e por aí vai..... Vão por mim, são vinte e cinco anos de casada. Homens em geral, têm a sensibilidade de uma cenoura. Falem ou fiquem chorando a semana inteira. São poucos os homens (  felizes das namoradas/ esposas que partilham de um relacionamento assim) que entendem as sublinhas.

O interessante do episódio, além de mostrar que JJ passou duas semanas de licença, que Morgan e sua namorada não têm uma fórmula mágica, tão pouco Penélope e seu novo namorado, é que eles  mostram o quão doentia pode ser uma relação amorosa. Em momento algum foi possível duvidar da paixão de Mrs. Anderson pelo marido, mesmo diante de ato tão brutal, mas por outro lado, o quão sensível tal ato se tornou quando ela sentiu-se excluída da relação ( a traição), tão ou mais forte e ressentida do que a própria morte, o que pode parecer estranho, mas que no jogo que o casal jogava, fazia todo o sentido. Às vezes, as relações são tão doentias que deixam de fazer sentido para pessoas normais. Paralelamente, não deixa de ser semelhante em menor escala, a decepção de Garcia em relação a iniciativa de seu namorado em um dia como o dia dos Namorados, e até a namorada de Morgan, por mais moderna que ela pareça ser.

Mais um episódio muito interessante, que questiona a sanidade não de uma, mas de duas pessoas envolvidas em um relacionamento. Trazendo um tema romântico, de teor suave e pueril, o lado assustador funciona de forma catártica, nos fazendo lembrar do porque nos unimos a determinadas pessoas e ao lado delas construímos uma vida inteira de  paridades, singularidades ou distonias. Genial a interpretação da atriz Mary Mara, cuja transformação ao saber ter sido traída, simplesmente formidável.

Por fim, um destaque com méritos para a frase inicial do episódio, creditado à Jennifer Smith: “ O casamento é um mosaico que você constrói com seu cônjuge, com milhões de momentos que criam sua história de amor!” Para lá de endossado por quem já está casada há mais de vinte e cinco anos! Relacionamentos perfeitos e sem qualquer problema só existem em livros, filmes ou relações unilaterais.

Mais um  ótimo episódio de grande qualidade de Criminal Minds!  Que venha o próximo!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Episódio "200" de Criminal Minds



Criminal Minds 9x14 : “200”
Por Débora Gutierrez Ratto Clemente




Muita gente se questiona como uma série como Criminal Minds conseguiu chegar ao seu ducentésimo episódio, tendo passado por tantos percalços, saída de atores principais ou não, saída de roteiristas , troca de produtor, e, não bastasse tanta dificuldade, por capricho da CBS, a demissão de duas das três atrizes ( comenta-se que teria sido via twitter) na mesma época em que tentavam lançar um spin-off da série. Se isso ainda fosse pouco, o público usou pela primeira vez a internet para manifestar-se, produzindo várias petições on line que repercutiram de forma inesperada, derrubando a audiência do esperado spin off com o consagrado e oscarizado ator Forest Whitaker ( levando ao seu cancelamento) e, como última instância, trazendo de volta as atrizes demitidas. Para fechar com chave de ouro, uma delas resolveu ficar apenas os poucos episódios que o contrato lhe obrigava cumprir e abria-se nova vaga nesta série que se não parecesse brincadeira, já daria uma série apenas com seus bastidores.


E então o leitor meio desavisado me pergunta: 200 episódios? E deu para ser bom?

E com um prazer inenarrável eu te respondo leitor querido: FOI. Não é de hoje que eu acompanho as mazelas deste fantástico seriado que aprendeu a duras penas a tirar leite de pedra. Fosse este um episódio qualquer, de número 89, 145 ou 212, ele teria sido ótimo, mas sem qualquer interferência externa. Mas era o episódio de número “200”, por excelência e quase injustamente comparado de imediato ao episódio “100” e todos aqueles que marcaram saídas de personagens queridos ou finais de temporada. Eu fico imaginando que a internet seja uma espécie de “céu e inferno dantescos” para quem produz ou escreve estes episódios. Depois que fãs descobriram seu poder de “opinar” através dos mais diversos canais, não deve bastar mais ser um ótimo roteirista. Há de se fazer aparecer o Anderson, esquecido em episódios normais. E tem também a Gina, que os fãs querem ver de volta. Há de ter ação ( característica esta não necessariamente condizente com a série, cujo objetivo principal é o de esmiuçar as mentes doentias e antever seus passos, antes que cometam outros crimes), muita ação, de preferência um mocinho ou mocinha sofrendo. Ah, e não esqueçamos, há também aquele grupo que desejaria enormemente que a atriz Paget Brewster fizesse uma participação especial ( de preferência de meia hora ou algo assim). Devo estar esquecendo diversas coisas, mas o básico foi dito.

Para aquele paciente sujeito que ainda não desistiu de prosseguir com a leitura, vai aí o caminho das pedras: agradar aos fãs nestes episódios tidos como especiais. No episódio “200” não houve um caso elaborado, quase não houve perfil, houve ação mais do que em dez episódios comuns, abriu-se um cofre de uma profiler na segunda tentativa, apareceu o Anderson, a Gina e mais do que nunca, JJ apanhou, tomou choques e foi afogada até trazer lágrimas aos olhos mais sensíveis. Inteligentemente a equipe de roteiristas ( sim, o roteiro é do Rick mas eles trabalham muito com brainstorm) resolveu usar o período em que a atriz por motivos de força maior esteve fora para criar a estória mãe do episódio. Ouvi muita gente reclamar sobre ela ter ido lidar com testemunhas do caso Bin Laden e de imediato me lembrei de duas frases ditas quando da saída da personagem: “o problema é que você é boa demais “ , “e nós perdemos, mas alguém vai sair ganhando”

O episódio como um todo foi uma espécie de homenagem ao fã assíduo e fiel. A começar por excluir a vinheta da série e dar-lhes ares de película cinematográfica, não destacando ninguém, tampouco fazendo pouco dos convidados ocasionais. Tratou com respeito as participações de Paget Brewster, Jayne Atkinson e outros coadjuvantes. Lembrou-se de mostrar Will, o filhote Henry, Anderson, Gina, e claro, Emily Prentiss, que para agrado dos fãs que foram contra sua saída da série, a viram bem vestida, tomando conta de um enorme setor da Interpol e ainda ter um jato à sua disposição.

No que diz à construção da estória, era de se supor que todas as dúvidas caíssem em cima do chefe Cruz, com pouco tempo de casa, e candidato óbvio, mas, óbvio demais para assumir todos os crimes. As cenas gravadas no Afeganistão ( não me lembro agora o nome da cidade) foram bem cuidadas e lembram porque JJ era especial. Em um mundo masculino, onde obter respostas a qualquer custo era a prioridade, Erin Strauss teve a sensibilidade de trazer alguém que pudesse acrescentar alguma coisa que não fosse à base da força. Houve quem reclamasse que Erin havia dito para JJ que ela passaria mais tempo em casa. É óbvio que eles tiveram que adaptar esta opção, fazendo-nos crer que Erin haveria explicado tudo a JJ após sua saída.

Dentro das alternativas e possibilidades, achei muito legal eles terem mostrado o quanto JJ acompanhou o “sumiço” temporário de Emily e da mesma forma, como Emily largou tudo para ajudá-la em um momento igualmente difícil. Verdadeiras amizades não se medem em dias, meses ou anos, se medem em minutos e foi isto que a estória nos mostrou.

Coerente dentro das possibilidades,  foi possível arrastar a estória até os dias atuais, fazendo com que um agente dado como morto, quisesse extrair de JJ e Cruz a senha para obter o nome de agentes trabalhando às escondidas. Durante boa parte do episódio, a dúvida paira sobre Cruz, que para os seriadores mais experientes, estava mais para um homem apaixonado por sua subordinada do que para um traidor. Para a nossa equipe de plantão, restou traçar o perfil de JJ durante sua ausência no Bureau e verificar a lealdade do agente Mateo Cruz. Para aqueles calejados em séries, não era difícil descobrir de Mateo Cruz era um bode expiatório ( o ator acabou de entrar para a série, dificilmente seria o criminoso). Em uma solução rápida e eficiente, todos os pontos obscuros ficam bastante evidentes para a nossa equipe e não há demora em salvar nossa heroína e seu novo chefe.

Em uma análise bastante crua, não há dificuldade em descobrir que neste episódio não há perfis complexos, não há dúvidas, não há questionamentos. Porque é assim que se faz um episódio especial para fãs. Dando a ação e as aparições que todos desejam, mesmo que falte pouco tempo para um caso elaborado, um perfil interessante, um caso típico de Criminal Minds. Mas não importa, é o que verdadeiramente se espera de um episódio marcante como o “200”. Nem se leva em conta que após todo o conflito e ação desenvolvidos, todos estejam ao fim do dia em um bar, comemorado o triunfo e a vitória, mesmo que JJ tenha apanhado, sido afogada, asfixiada e coisa e tal ( e ainda assim esteja linda de morrer). Ela está ao lado do homem que ama, e afinal, Emily Prentiss só pode ficar mais seis horas ao lado da antiga equipe, então, quem liga para o que passou? É mais provável que as fãs escrevam fanfics sobre as seis horas restantes de Emily ao lado de Aaron Hotchner.

O episódio “200” não precisa necessariamente fazer muito sentido. Ele precisa deixar os fãs felizes. Esta é sua missão. E parece que isto eles sabem fazer muito bem. Particularmente, eu prefiro aqueles episódios sombrios, que tentam desvendar uma mente doentia, que os fazem ter que andar à frente do assassino, mas eu certamente não sou maioria. E não me importo com o fato de  que os roteiristas tenham tentado brindar os fãs com um episódio “200” que os agradasse.  Afinal eu tenho outros tantos, muitas dúzias de mentes doentias para me deleitar, muitas mentes para entender.... ou não........
Criminal Minds  é uma série procedural que mantém sua longevidade pois explora o lado doentio do ser humano, além de ter uma química fantástica desenvolvida pelos atores e atrizes que atuam a cada semana. Mesmo que ninguém queira reconhecer, todo mundo de forma meio dissimulada, gosta de apreciar o lado negro que move o ser humano, pois não é tão difícil reconhecer-se nele.
Quanto à frase final, de Nietzsche, fica fácil imaginar o quanto da ingenuidade de cada personagem  vai-se embora toda vez que ele é mencionado. Ele foi mencionado no inicio da série, depois com Hotch e agora com JJ. Acho que aos poucos, todos vão perdendo sua “ingenuidade”.
Por fim, apenas para constar adorei a evolução da JJ, as aulas que ela pede ao Morgan, a preocupação em evoluir, não há ninguém que possa passar pelo que ela passou sem querer  evoluir, sem querer aprender a proteger-se. Roteiro bem amarrado, e uma ótima explicação da mudança de JJ nos últimos meses. Para quem acompanhou todos os episódios, passa a fazer todo o sentido o comportamento de JJ nesta última temporada.

Criminal Minds continua a fazer sucesso sem uma explicação lógica: seja pela química entre os atores, seja pelo fato de mostrar a verdade sem disfarces, seja por apontar o lado negro de cada um que nos rodeia, não importa o motivo.  O certo é que com certeza ela tem fôlego para uma vida útil longs, muito longa!

Que venha o próximo!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Notícias e satisfações

Pessoal,

Só para deixar uma satisfação ao pessoal que segue este blog, voltarei a postar as reviews de Criminal Minds, porque assumi o compromisso de não deixar reviews atrasarem e meu parceiro de reviews já me cobriu demais, então, as resenhas estarão sendo feitas, não com o apuro que eu tanto prego, mas ao menos,  não atrasarão de novo. Qto às atualizações de fics e outros temas, lamento, não poderei postar no momento, ainda estou em recuperação de meus problemas de saúde, tive que eleger, mesmo a contragosto, prioridades. Espero voltar à ativa em breve! Aguarem-me!!! Bjos carinhosos!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Review - Criminal Minds 9x13 - The Road Home



Família e perdão. E assim, todos tentam buscar seu caminho para casa ou, em última instância, a redenção. A inteligência com que os roteiristas de Criminal Minds trabalham para escolher um único tema e assim permear toda a estória é incrível. É uma prática recorrente na série que mais uma vez, funciona perfeitamente. De um lado temos o pai inconformado com o fato de ter falhado com seu filho e assim, de certa forma, viabilizar sua conduta em um crime que atingia os próprios pais, levando à morte sua esposa querida. De outro, temos um pai em busca do perdão do filho, em uma ciranda inversamente proporcional.




Não estou muito certa, mas acho que esta foi a segunda vez que um agente do BAU ausenta-se, desde o início da série, para resolver um problema pessoal. Corrijam-me se estiver enganada, mas apenas me recordo do caso em que o Hotch afastou-se da equipe para conversar com seu filho na época do divórcio. Claro, aqui não entra a gravidez da JJ e no caso de Morgan, a equipe foi chamada para ajudá-lo.
A relação de David Rossi com Harrison Scott já havia sido explorada brilhantemente no episódio The Fallen ( 7x08) em 2012. Como eu disse na minha review naquela época (http://wwwqueimandoalingua.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=46 ) os americanos têm sentimentos em relação à guerra muito diferentes dos nossos e, por isso, talvez o entendimento do público brasileiro à essa relação e a essa responsabilidade de David Rossi fiquem comprometidos. De toda a forma, Rossi comenta sua preocupação com o comportamento do amigo que lhe enviou um presente caro e surge o fio condutor do episódio. Hotch o libera para averiguar o que está acontecendo.  


Por outro lado, a equipe do BAU tem um caso para ser investigado. Aparentemente um homem matando de forma aleatória, o que irá provar-se em seguida uma espécie de justiceiro, de alguém que faz justiça com as próprias mãos. É interessante refletir em momentos como os desta semana em que não foram um, mas três casos de justiça feita por civis ( o mais comentado provavelmente o do rapaz atado nú a um poste no Rio de Janeiro) e incentivados pela imprensa ( cortesia de Rachel Sheherazade – SBT ), como a lei do olho por olho pode tornar-se amarga a partir da descoberta de uma injustiça ( bem ilustrado na interpretação do unsub - o ator (Jon Gries) que de forma crua expõe sua incredulidade ao saber que matou um inocente, mesmo sem querer). Por outro lado temos a realidade das testemunhas que não querem denunciar/prejudicar um justiceiro, que na pior das hipóteses, fez aquilo que o Estado é pago para fazer, ou seja, choca tanto quanto ver o unsub ser pego e punido, em uma inversão de valores terrivelmente verdadeira.


Em um duelo claro entre o homem que procura redimir-se de seus erros buscando delirantemente justiça e aquele que abandona as esperanças, que quase desiste de tudo aquilo que conquistou, incluindo-se a sobriedade de quatorze meses sem álcool, por não conseguir o perdão de seu filho, o episódio flui de maneira magnífica, mesmo que nenhum dos casos seja exatamente mirabolante. A opção por um caso de relativa facilidade para se resolver justifica-se porque os verdadeiros protagonistas desta estória são Joe Mantegna e Meshasch Taylor, cuja química no tom exato nos proporciona momentos de puro prazer, em especial, ao final do episódio, com Harrisson recebendo a visita do neto e, por consequência, de seu filho e David emocionando-se com a visita. 


É a primeira vez que Joe Mantegna dirige um episódio de Criminal Minds e por certo ele procurou um tema que lhe fosse agradável ( todos sabemos como o ator “abraça” a causa dos veteranos ) e isso, creio, facilitou em muito sua tarefa. Com alguns planos interessantes, incluindo um contra-ploogée ( câmera baixa) no personagem de Thomas Gibson, o ator/diretor investiu na dinâmica mais interessante ( Rossi/Harrison), para chegar onde de fato interessava: na forma que todos nós trabalhamos com nossas culpas. Particularmente gosto quando eles trabalham com temas que nos fazem pensar depois que o episódio acaba. Acredito que aos que têm família constituída, o episódio tenha tocado mais diretamente, pois nada mais cruel que um filho que decepciona seus pais ( a ponto de cometer crimes) ou, um pai que perde a confiança de um filho por decepcioná-lo de forma recorrente. São dois lados da mesma moeda, não importando o quanto esta moeda valha. 


Com interpretações discretas, mas muito seguras, do time regular e demais guest stars, o episódio cumpre seu objetivo, que além do entretenimento, visa nos alertar sobre nosso papel na vida e o quanto este papel escolhido por nós para ser vivido, atinge aqueles que amamos. De uma forma ou de outra, todos temos escolhas a fazer, mas sem direito a rascunhos, nada nos garante que será a escolha certa. 

A cereja no bolo do episódio vem em forma de pequenas inserções, mostrando JJ ao telefone, provavelmente com o Agente Cruz, mas tentando disfarçar as ligações perto de seus amigos e de seu chefe. E, ao fim, sendo sequestrada, deixando em aberto o gancho que moverá o episódio 200. Para contrabalancear a angústia de JJ frente a uma ameaça, surge Reid e sua sugestão para acompanhá-lo em uma espécie de maratona de filmes coreanos, com certeza, tudo o que Jennifer Jareau precisa no momento!!!! 


Que venha mais um episódio emocionante! Até a próxima!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Review – Criminal Minds – 9x03 – Final Shot



Por Débora Gutierrez Ratto Clemente

Contém spoilers


Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, segundo o "Pai da Química" Antoine Lavoisier, ou se copia,segundo o mercado publicitário. E quer saber? Em Criminal Minds, nove temporadas depois, isto ainda funciona muito bem. É bem provável que por isto o show se mantenha na casa dos quase onze milhões de espectadores, quando séries novas minguam , lutando para não serem canceladas antes dos fatídicos  oito episódios de aprovação. Com um pouco de tudo aquilo que os fãs amam ver, Final Shot consegue construir uma estória inteligente, utilizando-se de recursos que nos remetem a vários outros episódios.

Se para nós brasileiros a cena inicial é muito aflitiva, imagino o quão brutal deva ser para os americanos , ver na tv cenas que lembram  uma dolorosa e cruel rotina  que vem se estabelecendo nos EUA, as mortes aleatórias cometidas por desajustados sociais que saem atirando para matar quem estiver pela sua frente ( a equipe menciona o ataque na Maratona de Boston, mas sabemos que existem vários casos deste tipo, como o rapaz que atirou em uma escola, matando vários alunos, inclusive sua mãe, uma professora, antes de se matar ou o fuzileiro naval  que matou oito inocentes antes de atirar contra a própria cabeça,entre outros).

Gosto desta iniciativa dos roteiristas de voltar a explorar a utilização do perfil detalhado, que, como disse na última review, em última análise, é o objetivo primeiro da série. Prefiro, ao contrário de muitos, abrir mão da ação em detrimento dos aspectos psicológicos que são abordados para que os profissionais cheguem ao criminoso.

Quando Hotch e Rossi chegam à delegacia, a preocupação primeira é explorar a hipótese do terrorismo doméstico (ou não doméstico, os EUA nunca se recuperaram do episódio do Onze de Setembro). Ver Eve LaRue no papel de uma investigadora em Criminal Minds é muito estranho para quem a acompanhou por tantos anos em CSI Miami e isto apenas reforça o quão alguns atores ficam marcados por seus personagens de longa data ( fiquei esperando quando ela iria abrir a maleta de CSI e colher digitais, rs). Os comentários de Rossi sobre o orçamento do FBI ( em um momento em que os EUA atravessam uma crise financeira e de credibilidade) e da Garcia sobre existir um segundo atirador no caso Kennedy ( sim, também comungo desta opinião conspiratória), são um bônus para fãs atentos à fatos reais e conferem  veracidade à trama. Outro fator interessante, são os depoimentos que levam a falsas pistas - a garota no hospital dizendo que viu um homem careca atirando ou a possivel ligação do caso com um membro de uma comunidade ariana que luta pela supremacia branca. Esta última informação não nos leva ao assassino, mas rende uma cena sensacional. A interação de JJ e Morgan funciona perfeitamente como provocação e o momento em que nosso agente negro toca nas mãos do prisioneiro é brilhante em mostrar o racismo latente naquele homem branco, crente de sua superioridade racial.  Uma triste realidade infelizmente não apenas americana, mas repugnantemente mundial.




Quando acontece o segundo ataque, a equipe passa a ver o caso com outros olhos, sempre focando em informações que tracem um perfil mais aproximado do atirador ( é interessante ver que informações como a posição do assassino e o trânsito local possam levar a uma conclusão que defina a pessoa que eles estão procurando). Em contrapartida, vemos em mais de um momento, cenas da vítima, sendo protegida por um homem por quem, a partir da construção dos diálogos nos afeiçoamos, nos sensibilizamos com  sua estória de vida, com sua compaixão em ajudar quem precisa. Estas cenas são cruciais para que o impacto desejado ao final do episódio seja atingido com perfeição. Não restam dúvidas de que estamos assistindo a estas cenas em tempo real, e a cada instante, sentimos o atirador mais próximo de seu alvo. A opção por levar Reid de volta à cena do crime como recurso visual sempre foi uma marca nos episódios iniciais da série e volta a ser utilizado com eficiência (bem como as cenas de flashback com fotografia e iluminação diferenciadas e mesmo a utilização do tema, pois temos atiradores aleatórios em pelo menos dois momentos da série : LDSK – 1x06 e Pay It Forward – 8x19).

Quando pensamos que a crueldade maior do unsub é matar pessoas aleatórias, eles tomam folego e nos impactam com outra realidade mundial dura de engolir: a violência doméstica que arruína a vida de centenas de milhares de mulheres no mundo todo. Desta forma o caso ganha nova reviravolta, e passamos a saber mais sobre a rotina e procedimento de abrigos que ajudam estas mulheres a escapar de tamanha crueldade. Bem quando eu já ia reclamar sobre a vítima aprender tão rápido sobre como memorizar objetos eles  engrenam na busca por aquele que seria o marido buscando vingança da mulher que ousou desafiá-lo e abandonar a vida de maus tratos. Me soou meio bobo o homem fugir da polícia, já que facilmente ele teria infinitos recursos financeiros para se defender da acusação, mas a morte dele caminha para encerrar o episódio com ação e mais uma surpresa.  A desconstrução do ambiente  nos choca quando descobrimos que o homem que a protege é o mesmo que a persegue. O recurso de imagem que leva a sobrepor  realidade à fantasia também não é novo ( foi utilizado no 4x06 – The Instincts), mas é muito eficiente. Até quase o final do episódios somos levados a crer na fantasia do atirador e o abraço que Rebecca dá nele ao final chega a ser comovente. Ao mesmo tempo em que vamos nos acostumando com a reviravolta, Hotch nos explica o que é “fantasy integration” (integração fantasiosa em uma tradução ao pé da língua, na falta de conhecer o termo técnico específico usado aqui no Brasil para estes casos), um exercício mental a que atiradores de elite se submetem para manter-se acordado por até tres dias, mantendo-se totalmente focados em suas vítimas. E, por fim, para agradarem os fãs que não abrem mão de um pouco de ação, Hotch alvejando o assassino da mesma forma que o proprio atingia suas vítimas, com um tiro certeiro à longa distância, deixando extasiados os fãs do personagem. Um final sob medida para os fãs que vivem reclamando da revelação da identidade do unsub logo no início do episódio.

Não se pode negar o esforço dos roteiristas desde a temporada anterior em voltar às origens da série, resgatando os perfis detalhados, a sobreposição de imagens dos agentes nas cenas de crimes, os enquadramentos diferenciados e ainda alguma ação, ainda que este último ítem nunca tenho sido princípio básico da série. E o resultado não poderia ser melhor: mais do mesmo, reescrito com cuidado e atenção para parecer diferente e esperarmos ansiosos pelo episódio da próxima semana. Tá de bom tamanho para você? Deixe sua opinião!

Observações finais:

·          *  Desde já, em pequena cena ao telefone, e em seguida em diálogo com Reid,eles já começam a plantar a idéia de um problema com JJ. Em minha opinião, eles jamais colocariam a agente para trair seu marido.Tenho para mim que eles vão vasculhar o passado da moça ( ela tem um caso de suicídio na família - a irmã) e acho que eles podem explorar um pai abusivo ou omisso ou um namoro que deu errado e o novo chefe do departamento a teria apoiado firmente nesta situação, formando assim um laço forte entre eles. Não esperem por adultério, por favor!  
·       
             *  A mesa da Garcia parece o quarto do meu filho quando tinha dez anos de idade. Está um pouco exagerado, eles podiam maneirar no look.

·         *  Por sinal, a Kristen emagreceu horrores desde o início da série. A cena dela em pé na porta do elevador  mostrou a gritante diferença.

·         *Finalmente deram um jeito no cabelo do Thomas!

·         *  E sobre o Hotch vestindo aquela camisa branca e colete, bem, eu, ah!, eu...deixa para lá, quem me acompanha sabe bem o que eu quero dizer, rs...


      Esperando ansiosa pelo próximo episódio. Até lá!

Review - Criminal Minds - 9x02 - The Inspired




Por Débora Gutierrez Ratto Clemente

Contém spoilers!



O grande problema dos episódios divididos em duas partes é que normalmente as nossas teorias sempre nos soam mais convincentes. Na verdade, The Inspired  tem uma conclusão menos convencional do que eu esperava, mas nem por isso menos interessante.


O episódio parte do princípio básico de um erro de equipe (embora seja fácil culpar a Garcia pela falta da informação essencial de que a mãe do suspeito teria tido gêmeos, lembremos que ela é levada a buscar informações, guiada pelas orientações do grupo como um todo, são os profilers que dão a diretriz básica para a busca de informações via computador e não o contrário). A cena onde Rossi assiste ao discurso do advogado do gêmeo preso erroneamente pelo tablete abriu uma porta que poderia ter sido usada mais amplamente, ou ao menos deixada para ser explorada em futuro próximo. No entanto, como descobrimos ao final do episódio, aquilo que poderia ter sido uma discussão ampla sobre o papel dos profilers e sua suscetibilidade a erros, acaba por servir apenas para ilustrar o descarte meio forçado de Hotch como chefe. Uma pena, pois o ataque do advogado era uma cena forte que poderia ter rendido momentos melhores do  que apenas o confronto pessoal de Hotch discutindo a sua postura, já que, como Blake lembra no início do episódio, este tipo de erro pode acabar com carreiras. Enfim, acho que a solução para que Hotch não aceitasse o novo cargo poderia ter partido dele e não de um erro da equipe, que lhe custasse o cargo. Mesmo que assumir a função não lhe interessasse, não havia necessidade de “sujar” seu histórico profissional (e por consequência o da equipe) para que o novo personagem fosse inserido na trama ( mais sem sentido ainda foi ele ficar aliviado ao final do episódio. O perfil do personagem que não tolera erros seus ou dos outros foi para o espaço neste momento.)


Quanto à trama propriamente dita, novamente uma família totalmente disfuncional é a base de tudo. A mãe passa então a ser o elo mais importante para a estória ( como eu disse na review anterior, era óbvio que não desperdiçariam uma atriz como Camryn Manheim  apenas como mera coadjuvante). Bem construído, o enredo constituído de uma mãe egocêntrica e manipuladora, que cria um filho psicopata sob a sua sombra explica, entre outras coisas, a metáfora do louva deus de forma muito coerente. Sensacional a cena do interrogatório de Hotch  com Carla, onde até para leigos fica claro o comportamento da mãe, tentando fazer-se de vítima das circunstâncias ( ótimo o paralelo com o Hotch, já que ele é pai solteiro). 


Quanto ao gêmeo Jesse, lamento que os quarenta e cinco minutos do episódio tenham obrigado o roteirista a acelerar a evolução do personagem. Mesmo sabendo de um contato pregresso do mesmo com sua mãe, fica meio exagerado ele progredir sua psicopatia de forma assim tão radical. Ainda assim, fica muito claro que sua vingança latente desencadeie o desejo de matar da mesma forma que o irmão. Ao final do episódio, a gente quase acaba sentindo pena de Wallace, pois com pais daqueles, ele não tinham qualquer chance.


Interessante como se desenvolve a fantasia na cabeça de Carla, sendo que o surgimento de Jesse passa a ser o gatilho para criar a esperança de uma redenção: com o filho adotado voltando à cena, Carla vislumbra, em seu egoísmo delirante, poder ter a família ideal novamente, incluindo aí, o pai de seus filhos. Para ela, descartar o filho problemático e substituí-lo por um perfeito é fundamental para que, em sua mente doentia, ela recupere o que, em que sua opinião lhe é de direito: o título de mãe perfeita. O uso do advogado e sua empresa são fundamentais para que ela possa realizar seu desejo, e é pelo próprio advogado que surgem as respostas necessárias para a equipe chegar a algumas conclusões fundamentais para a resolução do caso.

As melhores cenas sem dúvida foram as do interrogatório de Carla feito pelo Hotch e aquelas em que o mesmo Hotch aperta o advogado, em uma espécie de virada do jogo, já que havia sido feito de bobo no início do episódio por ele. Obviamente que o desempenho dos dois atores coadjuvantes, junto ao de Thomas Gibson, é fundamental para o sucesso absoluto das cenas.
Por fim, o manjado recurso dos gêmeos colocados frente à frente e tentarem se passar um pelo outro na cena não compromete do desfecho, onde brilham o desespero de Wallace buscando o apoio de uma mãe omissa ( a verdadeira louva deus fêmea da estória) aos seus apelos e a quase inocência de um pai perdido em um mundo próprio e sem maldade. Destaque para a sacada da igreja, traçando um paralelo entre a Virgem Maria e Carla, paralelo este que só pode surgir em uma mente doentia perdida em uma superioridade que nunca existiu.




Em minha opinião, excelente episódio, com ótimas interpretações dos atores coadjuvantes e um texto afiado, exceto pela observação feita no início da review ( perderam, novamente, em minha humilde opinião, um tema que poderia ser melhor explorado em outro momento  - um grave erro de perfil) e deram ao Hotch uma satisfação que não condiz com a estória e o comportamento de seu personagem ao longo dos anos.


Com isso, abre-se a temporada de forma bastante interessante e fica a expectativa para que os demais episódios mantenham o mesmo ótimo nível desta Première dupla. 


Deixem seus comentários: você gostou deste início de temporada?

Até a próxima