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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Meu Filho: Boa Sorte E Obrigada Por Ser Você!

(Nossa última foto antes da sua viagem!)

No carnaval de 1989, quando você tinha pouco mais de um mês, eu te levei para a praia, quando a maioria das mães nesta situação ainda mantinham seus bebês enrolados em cueiros e fechados dentro de casa. Seus avós e tios tinham vindo passar o feriado em casa e eu recebi 6 pessoas dentro do nosso apartamento. Você passou de mão em mão, mamou no peito na beira do mar, não teve muito sossego e eu não me importei. Eu nunca fui uma mãe convencional e apesar de te amar incondicionalmente, nunca fui adepta a poupar, mimar, enfeitar, controlar ou cobrar demais (seu quarto é testemunha!). O pediatra falou que você só poderia tomar leite de cabra. Eu imaginei como seria triste sua vida sem bolos de chocolate e desobedeci o médico. O ortopedista disse que você teria que usar bota ortopédica e eu pensei em como seria passar o dia inteiro de bota em verões de 37 graus. Você foi criado descalço ou no máximo de chinelinho, pé na areia, pé na grama, pé no piso de casa.  Depois você foi crescendo e a gente foi te ensinando tanto que o dinheiro era difícil de ganhar que eu brincava dizendo que meu filho era o cara que atravessava a piscina com um Sonrisal intacto na mão fechada..  A cada decisão o pavor de estar errando, mas sempre imaginando que na vida a gente tem que ser como bambu: enverga às vezes até o chão, mas não quebra.


Passaram-se 30 anos daquele carnaval até este, que você vai encarar sozinho em Paragominas. Você passou por muita coisa e a vida até que foi generosa. Você comeu inúmeros brigadeiros sem ter tido grandes problemas até o organismo aceitar e você parar de ter refluxo e adora usar chinelos até hoje. Tem uma saúde de ferro, uma inteligência que eu admiro, excelente bom senso e uma determinação inigualável. Ah, tem também uma graduação em Ciência da Computação, uma Pós, um Mestrado, artigos, uma patente de softwere sendo aprovada, um projeto para jogo educacional com uma outra grande profissional em andamento, com financiamento federal, outro de livro com mais 2 profissionais… sei lá mais o quê.. às vezes fica difícil te acompanhar, ehehe…


Você sempre amou aprender. E ensinar. A mim, ao seu pai, à sua avó. Eu lembro quando você vinha do seu primeiro estágio e me contava como era ensinar adultos a usarem o computador lá no Sindalimentação de Vila Velha e como era interessante vê-los aprender. Depois foi dar aulas em Nazaré e você continuava entusiasmado. Não que você não tenha trabalhado em empresas na sua área e até foi feliz nelas, mas foi quando passou para ser professor substituto no IFES de Santa Teresa que vi seus olhos brilharem de verdade. Apesar de todas as adversidades do local, morar num lugar pouco adequado, abrir mão de tantas coisas, ficar longe da noiva, da família, do conforto, você tornou-se querido e respeitado pelos professores e pelos alunos, que mesmo sabendo que não havia a possibilidade de abrirem uma vaga efetiva, usavam a hastag #FicaBruno e te fizeram uma despedida emocionante.


E quando você no IFES aprendeu e realizou tantas coisas, quando seu contrato estava chegando ao fim, você já sabia o que queria: ser um professor efetivo de um Instituto Federal. Como para você nada foi fácil, mesmo trabalhando e sem tempo para se preparar, você encarou como possibilidade concorrer a uma vaga no interior do Pará. Eram 409 candidatos para uma, depois duas vagas, nenhum tempo para aprender com calma sobre legislação ou sobre matérias que você não tinha familiaridade. Entre dar e corrigir provas de alunos você passou a noite no aeroporto estudando para ir direto para fazer a sua prova. Depois passou para a segunda fase e deu a melhor aula da sua vida! Entre 409 candidatos, você ficou em segundo lugar! E, de novo, vai para longe, agora sem as fugidas de final de semana para vir para casa, sem ver sua noiva e seus pais, seus cães, a gata e os bons amigos por algum tempo. Vai de novo sem saber ao certo onde vai morar, como vai ser, mas vai feliz, com um enorme sorriso no rosto e sua frase preferida na cabeça: “quero deixar um legado, fazer mais, fazer a diferença!”.


Filho, as coisas não vão ser fáceis por um tempo, mas, como eu disse e repito, a gente é como bambu: enverga, mas não quebra. Tenho certeza que nesta sua nova fase todas as adversidades serão superadas como tudo o que você já superou em sua vida: com determinação, trabalho, respeito e acima de tudo o amor que temos por você e a certeza de que você pode contar conosco sempre, para qualquer coisa.


Sobre o que estou sentindo agora? Um orgulho que esgarça a pele e não cabe dentro de mim. Como diz a vovó, quando começa a falar de você: “abram as janelas porque vou falar do meu neto e o orgulho vai ter que sair por algum lugar”, kkkk. Orgulho do homem e do profissional que você se tornou, de saber que sua busca é além do emprego, é pelo trabalho, pela vontade de deixar sua marca nesta vida para ajudar, através do seu conhecimento, outras pessoas. Com certeza vou sentir falta de nossas longas conversas com um copo de cerveja ou suco na mão, que começavam com uma piada sobre Thanos ou Star Wars, passavam por The Good Place, Nietzsche, Isaac Asimov, I.A, jogos de computador e invariavelmente terminavam, já de madrugada, em política ou em como o ser humano faz coisas inacreditáveis, para o bem e para o mal. Mas, nunca tentamos falar de tudo isto pelo Skype, quem sabe dá certo, de vez em quando para matar a saudade?


Vai na fé, filho, seja feliz e faça o que você sabe como ninguém: ser o melhor no que faz! Eu e teu pai estaremos sempre com você! Cheios de orgulho! Cheios de amor! E ao seu lado! Boa sorte na nova carreira! Te amo! 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Tempo de Construir Memórias..



Houve um tempo de ir comprar coco ralado na hora na Doceira Modelo e ir buscar fios de ovos no Di Cunto. Houve um tempo de decidir se a mesa devia ficar na garagem ou cozinha e escolher quem  ia subir no banquinho para pegar as taças, sempre no último andar do armário. Houve um tempo de discutir se os presentes do Bruno iam ficar na porta de casa ou nos fundos do quintal quando a gente gritasse para ele que o Papai Noel estava passando e neste tempo todos se apressavam em correr atrás dele para não perder a cena. Houve um tempo de se torcer por sol na manhã de Natal para ver o vovô montando a balança embaixo do pé de jasmim e esticando a rede nos ganchos enquanto o cheiro da comida caseira e reconfortante tomava cada canto da casa. Houve o tempo do filho pequeno e depois dos sobrinhos pequenos. O tempo de alguém que trocava  o amigo secreto e bagunçava tudo, do pai que nunca gelava a cerveja o suficiente e o tio barulhento que transformava qualquer reunião em uma festa e quando a coisa apertava gritava: - Manaaaaa!

Houve um tempo de formar memórias. Porque em última análise é disto que se trata viver: aprender, crescer, ensinar. E, se tudo der certo, viver para sempre na memória cheia de carinho de alguém que nunca vai esquecer de você. Houve tempo para tantas coisas diferentes e sempre todas iguais todos os anos. Nem todas as memórias são boas, mas me reservo ao direito de só me lembrar das melhores porque a esta altura da vida posso me permitir tal seletividade.

Por isso aprendi a colecionar lembranças e construir memórias. Por isto tirei tantas fotos e pacientemente cantei cada música de Natal com a letra errada com minha avó. Por isto enchi da comida predileta de cada um, cada pratinho de avô, de pai, de tio que já não estão mais aqui entre nós. Hoje, com muito menos pessoas à mesa, sem nenhuma gritaria e longe dos que estão à distância de um telefonema e que ainda assim eu os queria tão mais perto, nós não iremos estar tão sozinhos. Vamos estar rodeados de lembranças daqueles que já se foram e daqueles que mesmo entre nós eu não pude ter comigo neste Natal. E vou me lembrar de todo aquele barulho, de toda aquela divertida confusão. E quando estiver lembrando  de outros Natais que foram tão diferentes, eu também estarei construindo novas memórias. Memórias de histórias contadas na mesa, entre risos e uma ceia nada tradicional com o marido e o filho adulto ( faltou a norinha desta vez, fez falta...)  e as inúmeras lâmpadas de Natal das quais ainda não abro mão. Afinal, é Natal e até as lâmpadas coloridas me trazem memórias felizes.....


Feliz Natal a todos! 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

SER FELIZ JÁ FOI MAIS FÁCIL !!


É interessante observar as pessoas hoje em dia. Parece que todo mundo tem um drama preparado, pronto para ser apresentado ao mundo. Os jovens, principalmente. Tudo é tragédia ou tédio. Tudo é motivo para se descabelar. O sujeito compra o Iphone 2, já contando os dias para comprar um  Iphone 3, compra um DVD e já sabe que o terá que substituir por um Blu Ray, de preferência 3D, muito em breve. Não basta vestir-se bem, tem que vestir-se com as grifes do momento, e, claro, postar uma foto no Facebook atestando sua compra. Tudo parece hoje ser descartável. As músicas, os filmes, os eletrônicos, os empregos, os namorados, as amizades. O que me dá a impressão ( senão a certeza ) de que as pessoas hoje têm coisas demais e as aproveitam de menos.

Não sou a dona da verdade. Longe disto. Mas acompanho estarrecida a derrocada dos princípios básicos, das coisas que eram importantes de verdade.

Em minha época de menina ( vão-se vários anos então), tudo era fascínio. Nós esperávamos que o Coelho da Páscoa nos trouxesse um único ovo de chocolate para os três irmãos, mesmo que pequeno, porque ele teria se lembrado de nós. Não escolhíamos pela tv o ovo que queríamos ganhar porque ele tinha um relógio do Ben10 que mexe os ponteiros de verdade, tampouco o anel mágico da Barbie. No Natal, esperar pelo Papai Noel era um encanto. Mesmo que ele nos trouxesse um brinquedo qualquer, na verdade, às vezes o único que ganharíamos o ano inteiro. 

Verdade seja dita: meu pai trabalhava na Ford – Willys e a empresa dava aos funcionários um vale brinquedo de acordo com a faixa etária de seus filhos, e  era o dito cujo que iria nos distrair por, no mínimo, 365 dias( me lembro muito bem de uma mini maquininha de costura, de madeira, fiz muito vestido de boneca lá com a ajuda da mamãe!). Em nosso aniversário, sabíamos que iríamos ganhar presentes do vovô materno, paterno e do titio. Claro que todos eles iriam perguntar a nossas mães o que estávamos precisando, e mamãe diria a todos eles: meias três quartos para a escola, um pijama, uma conga ( espécie de tênis da minha época). Brinquedos, nem pensar ( no Natal, papai comprava um vale do antigo Mappin – já falida, mas era como uma lojas Riachuelo da vida, bem menos estilosa), o equivalente a cem reais para cada irmão e nos cabia escolher uma calça, blusa e sapato, além de roupa íntima dentro deste orçamento. Uma verdadeira missão impossível, porque era basicamente, o que você iria vestir durante o ano!


 Loja do Mappin na Pça Ramos de Azevedo em Sampa, já não existe mais!

Não me lembro de ter sido infeliz por causa de nada disto. Ao contrário. Uma conga nova para ir à escola era uma festa. Era sinônimo de aposentar a velha e batida conga azul e branca, já com um ano de uso, com aquele furinho pequeno do lado esquerdo ao lado do dedo mindinho do pé. Ou as meias escolares, que de tanto usar já não prendiam abaixo do joelho por mais que dez minutos antes de escorregar nos tornozelos.

Observo as crianças de hoje em dia e acho que éramos mais felizes. No nosso aniversário, na cozinha da casa simples onde morávamos, nossa mãe recebia nossos avós e tios com um bolo feito em casa e lanches feitos de carne louca ( uma espécie de lagarto cozido e refogado com muita cebola e temperos variados ou carne moída ), dentro do pão francês cortado cuidadosamente em diagonal, o que indicava que aqueles lanches eram muito especiais. Ah, e claro, haveria tubaína, o refrigerante da época. Tubaína na mesa era claramente sinônimo de festa. Só se tomava tubaína em casa nos aniversários, na Páscoa e no Natal. Nos outros dias do ano rolava a famosa limonada ( não a suíça, objeto do desejo nosso hoje em dia nas “padocas” da moda, mas aqueles três limões espremidos na água potável) ou o imbatível K-Suco, cujas cores produzidas por uma inimaginável quantidade de corante enchia nossos olhos mais do que agradava ao nosso paladar.

Anos depois, por vários motivos fui trabalhar com festas infantis. Há dezesseis anos, quando comecei, via ainda as crianças pasmas com um Mickey de quarenta centímetros em cima da mesa, ou apaixonadas pelo castelo imponente da Cinderela, cheio de luz, esbanjando fantasia por todos os lados, sem conseguir piscar, tamanho encanto. Eram bons tempos. Hoje, se o Mickey aparecer pessoalmente ou mesmo se a criança puder entrar dentro do castelo da Cinderela, ainda assim ela não se surpreenderá demais. Não é mais a mesma coisa. Vejo em meu trabalho mães se descabelando porque a Branca de Neve está virada mais para a direita do que para a esquerda, porque o salão do seu filho tem que ter mais balões do que o salão de festas do aniversário do filho da melhor amiga e crianças que na hora da festa, chegam à beira da mesa, observam tudo o que foi montado, dizem: - que maneiro! e viram as costas para sair correndo atrás do amiguinho, socando ele com algum balão linguiça em forma de espada.



 Mesa de festa em escola

 Simples assim. Porque estas crianças vão a pelo menos um aniversário por semana. São os amiguinhos da escola, do judô, do balé, da aula de música, os filhos dos amigos do futebol do papai, das amigas da yoga da mamãe, dos primos de segundo grau, dos meninos que moram no mesmo prédio e a mamãe convida, mesmo que não saiba nem o nome, porque vai ficar chato usar o salão de festas do prédio e não convidar. Tudo ficou muito complicado. E, ao mesmo tempo, muito comum. A menina que convidar 30 amiguinhas provavelmente irá ganhar 30 Barbies e não irá passar mais que três horas com cada uma delas antes que ela ganhe outra boneca do papai porque ele a levou ao shopping e, claro, ele não vai resistir comprar aquela nova, que ela vai pedir por duas horas chorando e vai deixar esquecida no armário para todo o sempre depois que a novidade passar. É muito, demais, de tudo. Até para quem não tem renda para isto. Mesmo que a Barbie seja de camelô e custe dois reais e noventa e nove centavos.



Por isto parece que nada tem mais o mesmo impacto de antes. Tive meu primeiro telefone fixo residencial com 16 anos. Conto isto para meu filho e ele faz uma cara de “como você sobreviveu sem telefone?”. Pois é, sobrevivi. Quando era urgente, haviam os orelhões. Quando era urgência urgentíssima tinha o telefone da vizinha rica da rua, que a gente pedia, constrangida, para avisar caso houvesse um recado. Para todo o resto, havia o taxi-sola. Sabe aquela coisa de bater a pé vários quilômetros para dar um recado a alguém? Pois é. Era assim. E o mundo tinha que estar acabando para o pai ou a mãe deixar a gente ir até a  algum lugar dar um recado para alguém. 



A festa na escola com abraço e lanche coletivo


Os tempos mudaram. Não acho que tenham sido para melhor. Vejo tanta gente descontente, reclamando, achando que a vida está sendo cruelmente injusta com elas. Vejo crianças em festas apalpando o pacote para saber se vão ganhar brinquedos com os quais nunca brincarão mais que três horas ou outras que vão à festa sem saber direito porque estão lá. Quando começo uma festa em escola tenho um mantra. Faço toda uma preleção, faço questão que aquelas crianças entendam o que estão fazendo ali, que além do presente tão esperado é importante que eles se abracem, que desejem  que seu amigo aniversariante tenha um ano com muita saúde e felicidade. Foi assim que surgiu a Hora do Abraço em minhas festas. É pouco, mas é legal quando você faz festa várias vezes na mesma sala de aula, da mesma escola e percebe que plantou uma semente que vingou. É muito bom quando você pergunta o que eles estão fazendo lá naquele momento e eles te dizem que estão lá porque é dia de dar um abraço no amigo aniversariante. Não é sempre mas, às vezes, eles se lembram que não é dia apenas de comer brigadeiro e ganhar lembrancinha (  cada vez mais sofisticada e longe de agradar às crianças – está mais para agradar à mãe das mesmas, onde o importante é que se dê algo caro e de preferência que supere a lembrancinha dos aniversários de todos os outros amiguinhos – afinal status é o que conta, dane-se se a criança vai aproveitar ou não – então, alguém pode me responder o que uma criança vai fazer com 10 garrafas squeeze, todas com fotos de amiguinhos de classe ao final do ano?)



Vamos brincar?




Eu tenho certeza que pareço amarga em meu texto, talvez porque ande mesmo amarga. Acho uma pena tantos recursos empregados para tão pouco aproveitamento. Acho triste a mãe que me contrata mais preocupada com a aparência do bolo do que com seu sabor, mais atenta ao formato do kibe do que com o que uso para produzi-lo, mais interessada no impacto do convite do que com a equipe que irá brincar com seus filhos por quatro horas. Não que eu não me preocupe em atender a todos os requisitos. O problema não é o que ofereço, que eu sei ser da melhor qualidade. O problema é perceber que hoje não sou competitiva se fizer festa apenas para a criança ser feliz. Isto parece ser o que menos importa. Menos que a aparência, menos que o status. Preciso vender ao meu cliente uma festa que encha os olhos dos adultos. E a criança que se dane. Aliás, ela acaba crescendo com seus valores invertidos, achando mesmo que o que conta é ter a festa mais memorável, mesmo que isto implique que ela não possa sentar no chão para brincar porque vai sujar o vestido, ou porque vai ficar horas tirando milhares de fotos em todos os recintos, com todas as poses, ao lado de todos os convidados, para o fotógrafo poder vender ao papai “aquele” álbum bem completo de duzentas e trinta fotos dos dois anos de sua primogênita.

Toda a vez que saio para trabalhar ultimamente, saio desmotivada. Sei que poucas serão as vezes que poderei testemunhar aquele brilho real nos olhinhos deles, aquele encanto verdadeiro, que eu via com mais frequência tempos atrás. Não raro ouço algum deles dizendo ao outro: minha mãe disse que a minha festa vai ser melhor que a de todos os meus amigos! Sabe como é, estilo Facebook, tudo perfeito por fora.... Deixa para lá! 

Então me lembro daqueles aniversários em casa onde só estavam os nossos pais, avós, às vezes tios e a mamãe dizia: você pode convidar duas ou tres amiguinhas para vir aqui em casa. O que era um dilema do qual ela não tinha idéia, porque como convidar uma sem chamar a outra e na segunda feira todos olharem para você sabendo que a Connie ou a Ana Paula foram, mas a Márcia não? Pois era assim. Simples assim. Pão com carne louca, tubaína ( mais tarde veio a Gini, a Grapette), o famoso bolo de chocolate caseiro, presentes que não eram mágicos, mas que te faziam sorrir, um pouco de bagunça no quintal ( não muito, vocês não conheceram meu pai) e pronto. Sua festa já tinha terminado.

Estou apta a depor que nada destas coisas me tornaram inconformada com a vida, infeliz, desesperada para consumir hoje o que me privaram na infância. Ao contrário disto, aprendi a preservar, aquilo que antes era a roupa de domingo, hoje é a roupa de passeio e não tenho vergonha de dizer que uso roupa velha para cozinhar porque suja mesmo e estraga sem necessidade o que for novo, e que uso um sapato ou uma blusa até ela dar o que tem que dar, que uma camiseta começa como roupa de sair e termina como roupa de dormir. É assim comigo, meu marido e foi assim que criei meu filho.

Tenho pena desta nova geração. Nada lhes parece suficiente. Elas nunca sentirão a felicidade que eu senti quando compramos nosso apartamento, ou aquelas pequenas coisas, como uma churrasqueira de varanda. Elas nunca vibrarão com um up no computador da época dos dinossauros montado em peças, com muito sacrifício. Elas nunca saberão o gosto de trocar o sofá de vinte anos por um novo. Nunca como eu. Nunca como os da  minha geração. ( Aliás, quem disse que os  sofás – ou qualquer outro utensílio de hoje em dia – é feito para durar vinte anos?)

As crianças de hoje acham tudo descartável. E, que é obrigação da vida ( através dos pais, avós e outros), lhes ofertar o que há de melhor. E, por este motivo, entre outros, é que as coisas perdem um pouco a graça, é que a descoberta deixa de ser interessante, que nada lhes contenta, nada é bom o suficiente. Como a festa, que deve, segundo a mãe, ter mil e quinhentas bolas, porque a da melhor amiga teve mil. Ou o filme no cinema que não era nem tão original assim. E aqueles tênis, aquele que acendia luzinhas no solado no ano passado, nossa, quem disse que isso já foi moderno?

Certo, vou parar por aqui. Afinal, se em minhas festas eu puder lembrar por uns instantes que eles todos estão lá porque “ Hoje é dia de dar abraço!”, já voltarei feliz para casa. Se alguns lembrarem sozinhos, voltarei com certeza cantando, assobiando, super feliz.
Esta geração funciona assim: é fácil parecer feliz nos milissegundos que leva para se tirar uma foto, para o Facebook ou qualquer outra rede social. É ainda mais fácil acreditar na felicidade que aqueles milissegundos produziram. Difícil é equilibrar-se nas outras vinte e três horas, cinquenta e poucos minutos e alguns segundos que a foto não registra. Ninguém quer ser infeliz nas fotos. Ninguém quer ser infeliz no Orkut. Ou no Facebook. Ninguém quer parecer infeliz para os outros. 

Mas, acreditem, hoje em dia é muito mais difícil ser feliz para si mesmo!! Pena mesmo as pessoas complicarem tanto tudo!

terça-feira, 13 de março de 2012

Novos Anos, Velhos Conceitos.......



Meus filho tem hoje 23 anos!

Às vezes, quando ele começa algum assunto na mesa do jantar, por volta das vinte e tres horas e alguma coisa, quando está de volta da faculdade, acho que ele vai falar sobre o Pokemón ou sobre algum dos Cavaleiros do Zodíaco, coisa que há bem pouco tempo atrás era moda. Eu conhecia todos os Cavaleiros do Zodíaco. Uma vez uma grande amiga ( Zélia, mãe do Victor ) fez uma roupa de cavaleiros do Zodíaco para nossos filhos. Era toda de lamê prateado e meu filho passava os dias sem querer tirar o diabo da roupa nem para tomar banho. Era uma verdadeira paixão. De minha parte, bastava respeitar seu gosto, já que meu passatempo preferido na época era curtir os et's de ocasião na minha série favorita da época, Arquivo X. Paciente, ouvia-o contar com entusiasmo sobre todas as aventuras de Saint Seiya e cia, sobre a saga dos Cavaleiros de bronze e suas incursões no mundo dos mangás e animes. Começava aí, pelo que me lembro, aquilo que se tornou seu fascínio pela cultura japonesa e o levou a buscar outras referências, que mais tarde se tornaram essenciais para que ele levasse tão à sério a prática do Kenjutso e a adoção de sua filosofia de vida.

Quando ele começa a falar, entre uma garfada e outra aguardo ansiosa para que ele me diga qual herói está na moda esta semana ou o que seus amiguinhos aprontaram na aula. Mas o que ouço dele são os comentários elogiosos de seu chefe sobre a implementação de um relátório novo para impostos vinculados à área de comércio exterior ou o quanto foi trabalhoso mudar a interface de um relatório para aquele cliente marrento resistente à novidades. Depois ele muda de assunto e diz que terá uma reunião do grupo de jogos no domingo pois eles conseguiram um patrocínio não sei bem de que empresa e precisam deixar o "jogo" redondo até terça feira. E, entre um assunto e outro ele comenta que a aula de inteligência artificial foi "massa" e que ele está avaliando a possibilidade de mudar o tema do seu TCC.

Enquanto eu tento descobrir em que momento da vida ele deixou de gostar de Shun, o cavaleiro prateado e passou a receber um salário para ser um competente programador ele repete a carne e torna a encher o copo com suco. Vai ter ensaio da banda amanhã, ele precisa comer rápido porque tem que tirar no baixo aquela música do Deep Purple antes de ir dormir suas poucas seis horas diárias de sono. E, entre tantas informações eu fico me perguntando onde eu estava enquanto o tempo passou. Não que eu tenha sido uma mãe distraída. Meu trabalho sempre me permitiu estar presente na vida dele mais do que a maioria das mães gostaria. Mesmo que eu tivesse que varar a noite fazendo lembrancinhas ou montando caixinhas de jujuba, sempre sobrava tempo para estar presente na reunião de pais e nas festas típicas da escola. Sempre pude colocá-lo perto de mim para fazer as lições, sempre estive por perto, ouvindo suas estórias ou contando para ele estórias antes dele dormir. Cortesia de se trabalhar por conta própria. Mesmo assim, o tempo passou mais rápido do que eu gostaria. Ainda que eu tenha curtido todas as cabaninhas feitas com lençol na sala do apartamento, a piscina montada na varanda, ainda que eu tenha acompanhado todas as notas das provas, ainda que eu tenha vibrado com a natação, o futebol, o judô, rido seus risos e chorado suas mágoas, ainda assim, passou depressa demais.

Por isto acho graça quando ouço alguma cliente minha dizer que não vê a hora de seu filho crescer. Às vezes perco tempo tentando dizer a ela que um dia ela vai morder a língua e sentir saudade dos tempos idos. Outras vezes apenas ouço. Algumas coisas a gente só aprende com a vida. Alguns aprendem mais rápido Outros, nem tanto. Não adianta dizer aos jovens que eles não devem ter pressa, nem às mães que seus filhos um dia vão crescer, que as coisas vão mudar e que elas vão sentir saudades. Apenas sinto pena daquelas mães mais preocupadas com as marcas dos tênis ou de jeans que podem comprar para seus filhos do que com aqueles ricos minutos em que eles vão te contar como foi emocionante colher pitanga no pé naquela árvore escondida atrás dos muros da escola ou como foi legal quando ele descobriu a tartaruga ou o hamster no viveiro do Primeiro Mundo.

De minha parte, embora o assunto na mesa agora seja o dos impostos vinculados às importações e os programas específicos para isto, eu ainda ouço, aqui e ali ecoar, vez por outra, os suspiros do meu filho pelo Cavaleiro do Zodíaco da semana. Estas lembranças não trazem a infância dele de volta, mas me dão a certeza de que estive ali, em todos os momentos importantes para que hoje ele tenha se tornado o cara incrível que ele se tornou.

A FAMÍLIA QUE EU ESCOLHI TER PARA MIM - MEUS 50 ANOS!!!!

Meninos e meninas,

( até isto já virou tradição, né)

Queria ter vindo aqui antes, mas não me foi possível.

Há muito tempo eu não ficava sem palavras. As indignações com a política, as trocas de idéias com meu filho, os conselhos para amigos, as saudáveis discussões com meu maridão sobre trocar ou não a cortina da sala ou sobre a beringela ser mais saudável se assada ao invés de à milanesa, as infinitas brigas com quem não concorde comigo sobre a retirada das sacolas plásticas dos supermercados ser um engôdo e não postura ecológica e até as minhas longas e inacabáveis Fics de Criminal Minds arrancam de mim milhares de palavras, sempre com muita facilidade. Sempre tenho algo a dizer, ou a escrever. Sempre. No entanto no sábado eu fiquei sem palavras. Não apenas na hora em que percebi que tinha sido "pega" de novo de calças curtas, mas muitas horas depois do acontecido!

Quando fui buscar a Elaine não pudia imaginar como ia acabar meu dia!!


Depois que eu saí da Monte Líbano eu tive um compromisso com meu marido à noite, coisa da empresa dele, e foi difícil explicar porque por tres vezes me vieram lágrimas no olhos enquanto tocavam pagode de má qualidade no evento ( tá, muitos, inclusive a mulher do chefe dele, devem ter pensado q eu estava chorando de raiva, pq ela mesma parecia querer chorar c a péssima qualidade da música e do conjunto - perdoem os que gostam, ok, nada é perfeito!), mas na verdade eu estava ainda pensando em tudo o que tinha acontecido.

Com a turma toda 

Foi muito especial, talvez porque estou mais acostumada a cuidar dos outros do que ser cuidada, porque é assim que eu sou. Me divirto mais fazendo a comida p os outros do que comendo, mais organizando a diversão do que usufruindo dela, sou mais feliz quando vejo aqueles que eu amo felizes. É assim que eu sou. Isto não vai mudar. Logo, receber tanto carinho foi muito especial. Até porque eu soube dos 99 e-mails trocados. Soube do cartão assinado ( só soube, ainda tá com a Elaine, vou pegar ainda esta semana!), soube do capricho da Marcília e toda a sua dedicação para transformar um presente que por si só já era maravilhoso em algo muito, mas muito especial. As fotos na caixa ( e, espero q todos tenham oportunidade de conhecê-la pessoalmente), contam nossa estória de vida nestes 10 anos juntos, contam nossos encontros, descobertas, nos lembram que crescemos e partilhamos muita coisa, alguns a mais tempo, outros nem tanto.

Fazer 50 anos é meio que um divisor de águas, um rito de passagem, meio que como quando a gente atinge a maioridade. Por mais que queira me convencer de que é apenas um número como 48, 49 ou 51, acontece de você parar para fazer um balanço, de ver o que já conseguiu até aqui, o que quer daqui prá frente, o que ainda te faz feliz.

Algumas das minhas perguntas ainda continuam sem resposta, mas uma delas eu não preciso pensar para responder: eu quero a minha Família ESFiles sempre perto do meu coração, quero poder sempre continuar mimando todos vcs, quero enchê-los de lasagna e brigadeiros e de quebra, quando necessário, ter meu ombro à disposição de vcs para aqueles tempos em que não é o momento de brincar. No meu coração cada um de vcs terá sempre um porto seguro, precisando ou não fazer uso dele.

Na saída, a turma se despedindo do meu carro, patrimônio de 10 anos do grupo, tantas estórias.... Vamos ter que criar estórias novas com o Peugeot, ehehe!

A propósito, quero que saibam que o presente q ganhei será super bem aproveitado, já que pareço ser a peça de resistência do grupo, aquela que ainda assiste regularmente AX - sempre à meia noite no TCM!!!, (mas não é sempre q dá p ver!) e agora, à qq momento no aparelho de DVD mais próximo! - e que ainda aguarda ansiosamente pelo AX3 ( tá, agora é momento em que a Bia e a Marke me batem, ehehe!).

Amo todos vcs de coração. Obrigada pela lembrança, pela dedicação e carinho. É gratificante saber que o gosto particular por coisas excêntricas ( bom, fazer loucuras por AX já foi bem mais excêntrico!) nos uniu, que a necessidade de ter com quem dividir nossas maluquices deu forma à família que eu escolhi ter para mim!

Espero todos vcs aqui na mesma bat-data, no mesmo bat-local, para o mesmo bat-louco evento anual ( este ano mais especial do que nunca - são nossos 10 anos juntos!!!!), pagando o indispensável bat-mico de sempre e estarei preparando meus ouvidos para os agudos alucinados de toda(o)s em I Will Always Love You da finada de 2012, Whitney Houston ( claro, isto se outra celebridade não bater as botas mais prá frente!).
Bjos com carinho!

Débora

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE O QUEIMANDO A LÍNGUA


Então, com isto, e atendendo a alguns pedidos, criei um blog, onde pretendo centralizar todas as bobagens que escrevo. Já sei que não terei tempo para atualizá-lo, então poupem seus esforços em brigar comigo para colocar o blog em dia. Já sei que vou faltar com um monte de gente, vou demorar a responder, mas é por isto que vocês gostam de mim, porque uso e abuso daquele famoso mote: tardo mas não falho!!!

Aqui pretendo postar aqueles coments que alguns de vocês vivem me pedindo para publicar, vou postar opiniões, vou deixar minhas queixas.

Vou falar a beça sobre as minhas paixões ( no momento, além do eterno Arquivo X, o atual Criminal Minds), às vezes vou extravasar minha raiva com a política, outras vou falar - e muito - sobre minha família - que, quem me conhece bem, sabe que eu amo de paixão e são a razão da minha vida! Vou falar de amigos, de filmes, de música, penso em postar algumas Fics, tudo o que eu amo,bobagens e coisas nada a ver, mas que talvez toquem alguns de vocês.


Nunca tive qualquer pretenção de escrever sobre isto ou aquilo, mas como algumas pessoas me pediram para juntar alguns textos meus, então aí está, criaram o monstro e deram a ele o nome de Queimando A Língua. Não sei se darei conta, mas se não tentar, não saberei jamais. Então, primeiro, alguns textos antigos, que são significativos para mim, meio que contam minha estória ( e que, com certeza, não estarão em ordem cronológica! - Sorry! ). Depois, vamos ver o que virá! Só espero que seja divertido para mim e para alguns de vocês.

Só sei com certeza que, neste meio tempo, estarei Queimando A Língua!

Enjoy!!