quarta-feira, 10 de outubro de 2012

FIC - DECISÕES - CAPÍTULO 4



“NÃO IMPORTA SE A ESTAÇÃO DO ANO MUDA....
SE O SÉCULO VIRA, SE O MILÊNIO É OUTRO.
SE A IDADE AUMENTA....
CONSERVA A VONTADE DE VIVER,
NÃO SE CHEGA A PARTE ALGUMA SEM ELA."

Fernando Pessoa





Foi muito difícil. Apesar de saber que JJ estava ao par das boas notícias, ele podia ver a dor estampada em seus olhos quando ela abraçou Reid. Ele teve que sair de lá. Simplesmente não sabia o que fazer com toda aquela dor. Não conseguia olhar nos olhos deles sem dizer: “Me desculpem por isso!”
Então, ele apenas saiu. Após uns momentos, compartilhando a dor instalada na sala, JJ foi até ele.
Teve que ser rápido. E discreto. E ela quase sorriu. 


- Ela vai ficar bem.
- Eu sei.


Havia muitas coisas que ele queria perguntar agora, mas JJ não poderia responder. Disse a única coisa cabível, no momento.
- Fique com eles. Eu não sei bem como lidar com isto.

A agente loira voltou para a sala de espera, onde encontrou todos ainda em comoção. Os olhares vazios, a falta de reação, uma sensação de o que fazer agora e então, a primeira voz interrompeu os murmúrios e lamentos.


- Eu quero vê-la. Eu preciso me despedir. Eu não me despedi dela. Eu preciso....


Jenniffer precisou pensar rápido. Reid, assim como todos, haveriam de querer se despedir...


- Eu pedi.... que o caixão ficasse lacrado....
- Mas, por que? O que há de errado em manter o caixão aberto....
- Morgan, ela me disse. Em uma de nossas conversas, certa vez, ela me disse que achava horrível pensar na idéia de ficar exposta, o corpo morto, e todos à sua volta se lamentando, se isso acontecesse, quando acontecesse. Não era o seu desejo. Devemos respeitar....

JJ pensou se seria perdoada pela mentira deslavada que estava contando agora. Mas, levando-se em conta a mentira maior que era dizer que ela estava morta, talvez aquilo não fosse tão ruim assim. 

 


Ela estava ali para resolver os problemas, tapar os buracos e Hotch contava com ela. Deus, ela teria tanto o que explicar quando aquilo se esclarecesse, mas por hora, era o que deveria ser feito.

Pouco a pouco, todos foram tomando seu rumo, precisavam de um banho, algumas horas de sono, algo quente no estômago. A vida seguiria, por difícil que parecesse, a vida seguiria.
Rossi bateu nos ombros de Hotch e perguntou se ele precisava de alguma coisa.

- Não, está tudo bem. Vou verificar com o hospital os procedimentos para liberar o corpo, providenciar funerária, translado, estas coisas.
- Alguém precisa avisar a família. Você sabe onde encontra-los?

Ele não tinha pensado na família. Na mãe de Emily. Elas não eram próximas, até onde sabia, não se falavam há muito tempo, mas não podia deixar que soubesse de uma coisa daquelas através de boatos, fofocas ou uma nota no jornal. Não tinha idéia do que fazer.


- Não, mas vou verificar isto também.
- Você vai ficar bem? Se quiser, posso ficar. - A voz de Rossi era arrastada, cansada e desgostosa, mas ainda indicava preocupação com o amigo.

- Vou. Vá descansar. Se eu precisar de algo, te aviso.
- Sabe, não tem problema se você precisar de um tempo. Eu sei como ela era importante para você...
Aaron Hotchner sentiu uma pontada de culpa. Não havia como explicar à David que ele iria ficar bem.
- Vá, David, vá descansar. Eu vou ficar bem...

Quando todos saíram, ele caminhou, subiu alguns lances de escada e mostrou sua credencial na entrada do corredor do terceiro andar do prédio de paredes claras e frias para um guarda que fazia a segurança geral do edifício. Olhou para a placa indicativa e, na porta do CTI, em um lugar que lembrava uma grande área de distribuição, com salas enfileiradas dos dois lados, não teve dificuldades para encontrar uma enfermeira que lhe indicasse onde estava internada a paciente de nome Ruth Messing.



- No box seis. Ou sete. Parece que ela deu entrada agora a pouco. Posso me informar melhor para o senhor....Pode me aguardar aqui, preciso fazer uma coisa, mas já volto para lhe ajudar... – A simpática moça de branco foi dizendo e se afastando enquanto equilibrava uma bandeja com alguns copos descartáveis e comprimidos distribuídos em três pequenos recipientes.

Sabia que não podia entrar. Sabia que não devia se aproximar. Mas precisava vê-la, apenas uma imagem, que lhe aquietasse o coração, algo mais que as afirmações de JJ. Vasculhou com o olhar cada vão de porta de forma longínqua. Olhou para a sua volta e percebeu que todos ali estavam preocupados com suas tarefas. Na verdade, sentia-se invisível aos olhos de quem ali trabalhava. Mais alguns passos e deteve-se em uma porta semi aberta, o corpo miúdo , um rosto conhecido. 

Ela parecia dormir. Devia estar sob efeito de sedativos. Seu semblante era terno e suave. O que o trouxe à realidade foi o esbarrão que tomou de um enfermeiro.

- Posso ajuda-lo?
- Estou procurando uma paciente....
- O senhor não deve ficar nesta área....Espere na recepção....
- Eu sei, eu estou procurando....
- Qual o nome?
- Esther.... alguma coisa....

O enfermeiro deteve-se nas fichas que estavam penduradas na pregadeira da área de atendimento.

- Não há nenhuma Esther aqui. Tem certeza que o nome é esse?
- Devo ter me enganado. Me desculpe.....

Quando deu de costas para o enfermeiro, deixou para trás centenas de palavras que gostaria de ter-lhe dito, deixou para trás a chance de dizer que a amava, deixou-a em segurança.....

*****************



Eram três e meia da madrugada, seu paletó estava debruçado sobre um banco ao seu lado. Ele ainda vestia a camisa branca, agora com as mangas displicentemente dobradas até a altura de seu cotovelo e sua gravata vermelha estava frouxa em seu pescoço. Todos haviam voltado para suas casas, mas ele não havia tomado o avião com eles. Estava ainda no bar do hotel, olhando para o copo de Johnnie Walker Red Label com algum gelo que derretia na mesa à sua frente. A despeito da pouca luz do bar, o efeito do álcool devia encher-lhe de sono, mas ele nunca estivera tão desperto. O que estava fazendo?? Havia tomado algumas decisões e esperava ter acertado. Simplesmente não podia mentir para a mãe de Emily. Então, estava decidido, preferia passar por idiota a passar por mentiroso. Tentara alguns canais propositalmente sem sucesso e garantira que assim seria. Poderia alegar que havia tentado encontrá-la, que havia deixado recados, embora, inequívocos, e sabia que jamais chegariam a ela. Seria mais fácil assim. Não conhecia Emily tão bem, mas teve a impressão de que esta seria a alternativa que ela teria preferido.

Emily. Que diabos, quando se descobrira apaixonado? Por que ele sempre tornava tudo tão difícil em sua vida? Sentia-se cansado.
Tomou outro gole da bebida, já meio que diluída no gelo derretido e decidiu que precisava fazer algo a respeito. Afinal ela iria sumir, talvez, quem sabe, para sempre, e ele nunca mais a veria. Teria perdido a oportunidade de dizer que a amava, que ela era a luz que o fazia enxergar na escuridão, teria perdido, pela segunda vez, a chance de ser feliz.

Abriu sua maleta sob o banco ao seu lado e a primeira coisa que viu, foi um arquivo, com a foto de Ian Doyle. Deus, se o pegasse vivo, bem, não seria a primeira vez. Sabia bem qual a sensação de matar com os próprios punhos. Não era agradável, mas se aplicava novamente.



Alcançou um bloco. Papel e caneta. Rabiscou uns desenhos estranhos no canto da página, mas na verdade, buscava palavras. Há muito tempo não escrevia nada de punho próprio para ninguém. Ele escreveu, riscou, começou de novo. Riscou e tentou de novo. Amassou diversas folhas.

-Emily....

*****************


Ela não aceitava isso....
A amiga foi falando, mas era difícil aceitar tudo aquilo. Como assim, parecer morta? Estar morta? Deixar de ser Emily Prentiss... Ruth Messing???? Não, isto estava tudo errado. JJ falava e ela sentia dor. Ela tentava acompanhar, JJ dizia que isto seria o melhor....Odiava Ian Doyle.... 

Quando JJ se despediu, ela não queria que a amiga se fosse. 

- Aguarde, eu farei contato..... Não tente falar comigo.... Eu te procuro.... Seu nome agora é Ruth.....Obedeça a enfermeira Kelly Olson.... Ela é uma agente.... Ela sabe o que fazer.... Emily, não podemos discutir isso.... Eles também precisam ficar em segurança....É o melhor a fazer.....Pense nos outros, Reid, Penélope, Derek..... Nós sabemos o que estamos fazendo..... Hotch....
- O que tem Hotch?
- Ele tem tudo sob controle.....
- Ele sabe?
- Somente ele.... e eu....
- E os outros?
- Emily, isto está sendo difícil..... Para todos.... Tente entender....
- Eu sei! Doyle iria atrás deles....
- Pois é, nós vamos pegá-lo, Hotch disse....
- Como ele está?
- Sofrendo por você....
- Eu não quero que ele sofra....
- Bem, acho que isto está fora do seu controle.....
- Eu não quero....
- Emily, ele sofre porque te ama, não ache que isto não o afeta.....
- Ele, o quê?



- Emily, olhe, o que eu vou dizer é estranho, mas acho que ele sofreu mais por você do que todos que acharam que você havia morrido.....Não conheço Hotch tanto assim, mas ele está apaixonado por você e não preciso ser profiler para adivinhar isso. Talvez ele morra sem admitir, mas o fato é que ele precisou tomar uma série de decisões a respeito disto e acho que ele está tentando fazer o seu melhor....Faça o que ele te pede.... Aceite, é o melhor.... Eu juro, farei contato. Você não ficará sozinha.... Eu prometo. Mas agora eu tenho que ir.... Acredite em mim, eu ficarei em contato....

Era um pesadelo. Ela, Emily Prentiss, estava morta. Agora seria Ruth. Ruth Messing. Precisava acreditar no que sua amiga dizia. Precisava crer que não estaria sozinha, que JJ logo faria contato, que Hotch encontraria Ian Doyle. Que as coisas voltariam a ser como antes. Bem, nada voltaria a ser como antes. Ela tinha feito algumas opções em dado momento de sua vida e sabia os riscos que isto implicava. Sentia-se cheia de dor e cheia de raiva. Estava agradecida por ter sobrevivido, mas tinha a certeza de que viver como Ruth Messing seria doloroso. Estaria abrindo mão de seu trabalho, de seus amigos queridos, do homem que amava. Mas agora era tarde para lamentar. Gostaria de ter a certeza de que aquilo seria rápido e passageiro, mas na verdade, nem podia afirmar que não seria permanente. Existem vitórias que têm o sabor de derrotas. Aquele parecia ser um momento assim.


Após o enterro, Hotch pediu a JJ que reunisse a equipe, uma vez antes dela partir em definitivo. Queria certificar-se que teria o apoio de sua amiga para conversar com seus amigos e levar adiante aquela farsa.
Foi em um restaurante calmo e quase sem movimento que todos eles encontraram-se para dividir sua dor e compartilhar sua tristeza.

- Não vi a mãe de Emily no enterro. Você não teve notícias dela? – A voz de Rossi era contida e abafada, de quem não dormia direito há algum tempo.



- Deixei inúmeros recados, nenhum deve ter chegado à ela a tempo. Parece que ela está em algum país da Europa, em algum trabalho, não consegui uma informação confiável. Não podíamos ficar à espera de um contato seu....
- Bem, isto é triste... Levando-se em consideração que seus pais eram sua única família....
- Não, Penélope, nós éramos a sua família..... E não pudemos impedir tudo o que aconteceu....Não consigo aceitar isto...


A voz de Morgan estava dois tons abaixo do normal e não havia traço de revolta ou agitação, apenas uma infinita amargura.
Hotch sabia o que devia dizer, apenas não sabia por onde começar. Ele olhou para cada um de seus colegas, todos visivelmente abatidos com o fato e sentiu-se péssimo por não poder ajuda-los em quase nada naquele momento. Cabia a ele o papel de cobrar-lhes sanidade, de pedir-lhes para que voltassem às suas vidas e deixassem aquilo tudo para trás.

- O que aconteceu.... Não devia ter acontecido. Mas Emily fez algumas escolhas... Ela optou em omitir informações para poupar à nós, seus amigos, e isto teve um preço. Um preço alto, mas que lhe foi cobrado de forma impiedosa. Tudo o que aconteceu, nada pode ser mudado. Se algum de vocês achar que precisa de um tempo, de uma licença, eu entenderei. Mas, lembrem-se que ela fez de tudo para que nossas vidas não fossem afetadas. Todos temos o direito de ficarmos tristes, mas em nome de sua memória, não podemos estagnar nossas vidas. Não é o que Emily Prentiss esperaria de nenhum de nós.

Ele ainda pode ouvir alguns soluços, sentir secarem algumas lágrimas furtivas com o dorso das mãos e uns suspiros profundos quando, finalmente, ergueram um brinde à agente que nunca sairia de seus corações.

- À Emily Prentiss!

 

**************



Após um mês e meio sem ver nenhum rosto realmente conhecido, ela estava ansiosa por encontrar sua amiga. Ruth Messing iria encontrar Jennifer Jareau num café de pouco movimento nos arredores de Paris. O recado havia chegado conciso, sem muitas informações. Apenas data e local. Ela sabia que aquele poderia ser seu último contato com o mundo como Emily Prentiss. JJ havia lhe garantido no hospital que Hotch iria providenciar tudo o que fosse necessário para seu conforto, dinheiro, passaportes, documentos. Depois disto estaria por sua conta. Depois disto, apenas se um dia Ian Doyle fosse recapturado, Emily Prentiss voltaria à vida. Deus, odiava tudo o que estava acontecendo. Odiava lembrar-se de tudo o que estava abrindo mão.


Eram 19:30 horas, caminhava pelo final da Rue Ancienne Comédie e procurava por um Café, o Café Procope. Havia pouca gente no local, sentou-se e pediu café au laite e um duo au chocolat, afinal, precisava açucarar sua vida de alguma forma.
Quando JJ chegou, quase não a reconheceu. Os cabelos estavam bem mais curtos e a expressão mais sombria. O sobretudo e as botas também não eram algo que JJ esperava ver. Ela não se parecia com Emily. Talvez agora, se parecesse mais com Ruth. Quis lhe dar um abraço, mas teve receio de exceder-se. Não queria chamar a atenção. Apenas sentou-se à mesa pequena, disposta na calçada de pouco movimento.

- É bom te ver. Como você está?
- Sobrevivendo. Ainda sou a mesma Emily....
- Fisicamente?
- Tenho dores..... Elas não se vão tão fácil assim....
- Olhando para você.... fico feliz.... apesar de tudo.... você parece bem!
- Quem vê cara..... não vê coração! Como eles estão?
- Está sendo difícil! Todos se culpam de alguma forma! E Hotch se desespera, porque não pode dizer nada....
- Gostaria que tivesse sido diferente!



- Você sabe que pode contar conosco. Aqui tem três passaportes, vistos para vários países, contas bancárias, você movimenta como quiser. Procure não chamar a atenção. Nós vamos fazer contato. Há uma caixa postal, neste nome, se precisar falar com um de nós.....
Jennifer Jareau empurrou por sobre a mesa a pequena pilha de documentos dentro de um envelope pardo.
- Não será por muito tempo. Tenha paciência....

Tudo o que ela queria ter era paciência. Não sabia por onde começar, o que começar. Era meio que nascer novamente. Mas ela sabia que a amiga estava fazendo o que estava ao alcance.
- Aí dentro tem tudo o que você precisa. Hotch pediu que entregasse a você...
- Como ele está?
- Devastado. Feliz por saber que você sobreviveu, mas sofrendo porque não pode dizer nada aos outros e se sentindo culpado por não ter sido mais útil do que realmente foi.
- Ele não teve culpa...
- Eu sei, mas ele não sabe. Ele sempre se culpa por tudo.
- No hospital, você disse....
- Que ele te ama? Emily, você tem dúvidas???

Ela pegou o envelope que JJ lhe ofereceu na mesa e partiu. Era difícil se despedir e era péssima com despedidas. Seguiu pensando no que a amiga havia lhe dito.

Paris era linda. À noite, era linda demais. Não fossem as luzes e a Torre Eiffeil, ainda haveriam as alamedas de Saint Germain dês Pres, que faziam toda a noite ficar ainda mais bonita. O movimento dos Cafés, o vai e vem na Pont Du Celestine, La Vie Em Rose tocada em cada esquina, o som do acordeon. Caminhou bastante até chegar ao apartamento que estava ocupando no terceiro andar da Avenue Caprie.
Quando entrou, jogou por sobre a mesa o envelope e foi refrescar-se. Trocou de roupa, ligou a televisão instalada à frente de sua cama, abriu uma garrafa de água, tomou-a até a metade e jogou-se por sobre os travesseiros. O canal vinte e cinco falava algo sobre Sarkozy e sua belíssima Carla Bruni. Adormeceu antes de ver tudo o que estava dentro daquele envelope.....

FIC - DECISÕES - CAPÍTULO 3



” EXISTEM APENAS DOIS MODOS DE VIVER A VIDA: UM É COMO SE NADA FOSSE MILAGRE; O OUTRO É COMO SE TUDO FOSSE UM MILAGRE. EU ACREDITO NO ÚLTIMO!”

(Albert Einstein)




Ele tinha que manter-se concentrado. Precisava providenciar todas aquelas coisas acreditando que ela sobreviveria. A primeira coisa a fazer seria um contato com o responsável pelo Hospital onde ela estava sendo atendida. Para falar a verdade estava meio perdido. Quem fazia estas coisas era JJ. Desde que ela havia sido transferida todas estas formalidades estavam sendo divididas entre ele e Penélope Garcia. Mas naquele momento ele não podia contar com nenhuma das duas. Enquanto dirigia até o Hospital, entoava como um mantra o desejo de que ela sobrevivesse.

- Ela vai ficar bem! – Repetia e repetia a frase inúmeras vezes até que ela parecesse necessária ser ouvida para que pudesse respirar.
- Ela vai ficar bem! – Sentiu um arrepio. Era a mesma frase que repetia enquanto percorria o caminho de sua casa, no fatídico dia em que ouviu a única mulher que amara até então, morrer enquanto dirigia para salvá-la.

Precisava de um milagre. Ela estava tão ferida e parecia tão frágil. A imagem de Morgan ajoelhado ao lado dela não lhe saía da cabeça. Precisava acreditar em milagres. E ele não acreditava em milagres. Aquilo não estava acontecendo. Não de novo.

- Isto não vai se repetir. Ela vai ficar bem! – E enquanto dobrava esquinas e fazia ultrapassagens, pedia àquele a quem sempre recorria para que protegesse Emily e não permitisse que ela se fosse ainda.
Lembrou-se que, no afã de resolver aquela situação, havia deixado Rossi e toda a sua equipe para trás sem qualquer explicação. Bem, eles encontrariam uma outra forma de chegar ao hospital. As explicações ele deixaria para depois.
Quando encostou a SUV preta no estacionamento superior do Hospital Geral de Boston, seu telefone tocou.

- Ela deu entrada com vida, Hotch. Eles estão fazendo o possível. O estado é muito grave, mas estável. Mas meu acesso é limitado. 

Com um suspiro aliviado, agradeceu intimamente pela notícia não ser pior do que já era.

- Isto já é alguma coisa. Já estou aqui. Estou indo falar com o diretor geral. Pedir para que ela seja atendida sob sigilo.
- Você quer que eu me junte a você?
- Não, fique próxima dela. Me ponha ao par de toda informação. Algum médico te disse mais alguma coisa?
- Não, nada além de me mandarem aguardar.
- Ela te disse alguma coisa na ambulância?
- Não, a consciência dela parecia ir e voltar, não sei se ela me reconheceu.
- Certo, estou entrando, me ligue assim que souber de algo.
- Hotch!
- Fale....
- .....Estou com medo!
- Eu também, JJ, eu também...Eu...
- Como?
- ... não posso perdê-la!
Ele apenas completou a frase em pensamento.
- Reze, apenas reze.

Após uma hora e meia de negociação com a direção do Hospital e arranjos administrativos, ele juntara-se ao grupo na sala de espera. Seus companheiros não ousaram questionar onde ele estivera por tanto tempo e ele não deu-se ao trabalho de arranjar uma desculpa. Apenas sentou-se em uma poltrona e permaneceu calado em companhia de outros tantos silêncios.

Passaram-se nove longas horas com ela em cirurgia e sem qualquer informação adicional. Jenniffer Jareau ligava esporadicamente para ele apenas para dizer que ainda não havia nada a dizer. Vez por outra alguém mudava de posição, suspirava fundo, enxugava lágrimas furtivas. Ninguém tinha disposição para conversar. De forma velada, cada um à sua maneira, passava em revista os últimos acontecimentos, seus medos, seus temores. Assustava a possibilidade da perda de alguém tão querido, assustava mais como de repente a morte lhes parecera tão presente, tão próxima.

Faziam isto dezenas de vezes em um ano, presenciavam olhares incrédulos, vazios, a falta de palavras, o choro compulsivo, a negação. Sabiam o quanto a morte trazia dor aos que ficavam, àqueles a quem era comunicada a perda, mas novamente aquela dor ameaçava a eles próprios. Todos ali haviam, de uma forma ou de outra, perdido pessoas que amavam, que lhes eram caras, mas aquilo era diferente. Fora com Emily, mas poderia ter sido com qualquer um deles. Quantos naquele grupo poderiam dar-se ao luxo de deitar-se em suas camas certos de que não havia na noite escura qualquer alma desejosa de vingança, seres cuja existência seria dedicada a torturar e matar aqueles que o haviam capturado. Nunca haviam se sentido tão frágeis. Logo agora, quando eles achavam que as feridas que Foyet havia aberto em Hotch e sua equipe estavam cicatrizando.


As lágrimas escorriam silenciosas pela face de Penélope e enquanto o braço vigoroso de Derek a amparava, ela não podia deixar de pensar nos inúmeros recados que havia deixado, espalhados por todos os seus números de telefone. Não tinha certeza se ela ouvira qualquer um deles, mas agora gostaria de pensar que sim. Sua menina, em seus momentos mais difíceis precisava saber que sua família não a abandonaria. Não queria pensar que ela poderia ter enfrentado tudo aquilo achando que estaria sozinha. Vieram-lhe à mente os momentos em que ela própria fora baleada e a horrível sensação de abandono, aqueles infinitos instantes em que você acredita que, por mais que pudesse gritar muito, muito alto, ninguém no mundo poderia ouví-la. E que maldade seria se sua última imagem fosse a de seu algoz. Aquele homem horrível que tanto a tinha maltratado. Às vezes, quando os pensamentos se tornavam muito dolorosos, suas lágrimas vinham acompanhadas de uns poucos soluços e um chiado curto, que logo procurava controlar quando sentia a mão grande, mas incrivelmente suave, do jovem negro em seu rosto a amparar o líquido que escapava de seus olhos.

A maturidade e a experiência não traziam conforto a um Rossi visivelmente abatido, mais do que fosse provável esperar. Todos estes anos não haviam lhe preparado o suficiente para a perda de uma vida de forma tão estúpida. Por mais óbvio que fosse o perfil de Emily, era difícil crer que ela se pusera em risco para poupá-los. Não que fosse difícil prever tal comportamento. Difícil era aceitá-lo. Passou em revista os momentos de pura alegria da agente morena e cheia de vida, que arejava o ambiente de trabalho com seus comentários inusitados e suas brincadeiras às vezes fora de hora. Lembrou-se do quão desconcertada ele a deixou, junto com seus amigos, quando os pegou traçando seu perfil a partir de uma sala semi pintada e um quadro de alto valor, entre seus pertences de recém chegado. Recordou da dolorosa conversa sobre o aborto da amiga, das horas difíceis que foram aquelas durante um caso tão pessoal. Foi inevitável também dirigir um olhar ao seu amigo, um misto de piedade e lamento, por saber o que ela significava para ele. O jeito sisudo e quase arrogante dele escondia um pedido de socorro pungente, uma urgência em ser feliz, que ele não sabia como lidar, visto que dizer que a amava era coisa impensável para o chefe da unidade. Quanto desperdício! Se houvesse alguma espécie de justiça divina, aquela não deveria ser a hora de sua amiga. 

Percebeu a menina que estava decidido a treinar sentada ao seu lado, olhar assustado, mais pelo inesperado da situação do que pelo vínculo com a agente Emily Prentiss. De certa forma sentiu alívio, pois ali não haveria sofrimento real, ela não fazia parte ainda daquela grande família.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque discreto do celular de Aaron Hotchner.
- JJ? – A voz de Rossi ecoou mais forte do que ele gostaria.
Ele olhou o visor e fez um sinal negativo com a cabeça.
- Não, do escritório. Com licença.
Em seguida levantou-se e dirigiu-se ao corredor lateral, que dava acesso à saída.

Seu coração pareceu parar de bater naquele instante. Sabia o que o aguardava do outro lado da linha, um recomeço ou o fim de tudo. Se tivesse opção, talvez não tivesse atendido. Não sabia se poderia se sustentar sobre as próprias pernas se a tivesse perdido.

- A cirurgia acabou. Ela está estável. Os danos foram contidos e ela deverá ter uma boa recuperação. O médico disse que as próximas quarenta e oito horas serão decisivas, mas ele não acredita que ela tenha dificuldades. 

Todas aquelas palavras foram ditas entre lágrimas e soluços vindos de uma amiga emocionada e aliviada. Todas aquelas palavras foram ouvidas sem que ele movesse um único músculo do rosto. Embora sentisse suas pernas moles e seu estômago em frangalhos e sua única vontade neste momento fosse a de soluçar como JJ fazia do outro lado da linha, ele tinha que se manter focado. De seu comportamento dependia a credibilidade de tudo o que viria a seguir. Ele nunca se sentira mais feliz na vida do que com que o ouvira agora, mas para ele, tudo aquilo estava apenas começando.

- O médico vai assinar o atestado de óbito e transferí-la para a unidade de terapia intensiva já com o novo nome, seguindo sua recomendação. Só dois enfermeiros e o anestesista, além do próprio médico vão saber o que aconteceu. E eles já foram instruídos pelo diretor do hospital a assinar o acordo de confidenciabilidade. Não sei que pauzinhos você mexeu, mas já chegou aqui uma agente que vai se passar por enfermeira e ficará com ela até que ela tenha alta. 

Aos poucos, ele foi processando toda a informação. Parecia um filme de enredo ruim cuja exibição ele gostaria de interromper.

- Ela deve acordar da anestesia a qualquer momento. Vou esperar para conversar com ela. Feito isto, deveremos dizer a eles......
De forma inconsciente ele olhou pelo vidro e fitou seus amigos. Aquilo seria difícil....
- Hotch, não há mesmo outra opção? Bem, sabe, isto irá destruí-los....

Ele sabia....

Quando olhou para Reid, que não conseguira articular qualquer palavra desde que chegara àquela sala, ou Garcia cujas lágrimas não paravam de escorrer pelo rosto, sentiu uma vontade desesperada de mudar de idéia.

- Não há outra forma, JJ. Faça o que tem que fazer. Nós não estamos em posição de escolher...
- Você tem razão. A segurança dela está em primeiro lugar.
- A deles também. Lembre-a disto.
Ele olhou novamente pelo vidro da divisória. Refletiu um instante se deveria ou não dizer mais alguma coisa.
- Diga também a ela... que eu sinto muito. Diga que nós vamos pegar o desgraçado e que ela vai voltar a ter uma vida normal.

Houve um silêncio mútuo. Ela não ousou perguntar por aquilo que parecia evidente ele querer dizer.

- Hotch...
- Diga também que ela não vai estar sozinha... Que quando for seguro, faremos contato. Que vamos providenciar o necessário para que ela fique confortável. E...
- Sim?
- Só JJ. Você sabe tudo o que deve dizer. Eu fico te aguardando junto ao grupo. E... JJ... Obrigado! Eu sei que para você isto também não será fácil. Mas tenha em mente que será o melhor para ela.

E ele desligou, cheio de outras coisas em mente para dizer à Emily Prentiss. Desligou sem ter a certeza de que todas essas coisas seriam ditas um dia. Desligou arrependido por ter esperado tanto, por ter tido receio de arriscar, por ter sido tão covarde. Por ter, como sempre, colocado a razão à frente da emoção. Gostaria muito de crer que um dia, todas aquelas palavras presas em sua garganta seriam ditas a ela, que deixaria de lado o que os outros iriam pensar, o que iriam dizer, o seu trabalho e a sua culpa e iria arriscar-se com a agente morena de sorriso largo e olhos de pérola negra de quem ele nunca se esquecera mesmo depois de tantos anos. Olhos que o miraram do topo de uma escada há tanto tempo atrás que ele quase não se lembrava ter sido nesta vida. Olhos que buscavam uma reciprocidade que ele não podia oferecer, que tentavam uma chance que ele não podia dar. Olhos que o fizeram sentir-se culpado por pensar neles tão intensamente, tendo ao seu lado na cama a mulher com quem se casara e com quem tinha responsabilidades.

Responsabilidade. Era o que se esperava dele. Ele precisava manter-se focado e voltar para seus amigos. Logo uma notícia iria atingí-los de frente e ele precisava estar por perto. Ele assistiria calado ao sofrimento que iria se abater sobre o time, iria presenciar a dor alastrar-se e nada poderia fazer para amenizar aquele sentimento de qualquer um deles. Esse seria o seu papel. Como sempre. O de manter-se com os pés no chão enquanto tudo ocorria à sua volta. Enquanto seus amigos esmurravam portas, cobriam-se de lágrimas ou lamentavam-se da forma naturalmente esperada, era sempre ele que mantinha o rosto impassível, o tom de voz equilibrado, o raciocínio coerente. Era ele quem engolia as lágrimas, abafava os gritos e que, muitas vezes por isso, era julgado insensível. Foram poucas as ocasiões em que deixara a emoção interferir em seus julgamentos e suas atitudes. Agora não seria uma delas. Ele estaria ali para eles, mas sabia o quanto aquilo seria difícil.
Respirou fundo, voltou para a saleta onde os outros se encontravam e sentou-se. Agradeceu em silêncio pelo milagre em que ele não acreditava. Ou talvez agora acreditasse.

Então, só restava esperar.

FIC - DECISÕES - CAPÍTULO 2





"NADA É MAIS DIFÍCIL, E POR ISSO MAIS PRECIOSO, DO QUE SER CAPAZ DE DECIDIR.”

( Napoleão Bonaparte )





Foi a visão mais difícil que ele podia pensar em ter. Ela parecia estar um trapo. Ferida, sangrando, sofrendo, mas era Morgan quem tinha as mãos dela entre as suas. Queria se aproximar, afastá-lo dela, tomar suas mãos nas dele, dizer o quanto a amava e o quanto sentia por tudo aquilo. Mas não podia. O tempo era definitivo, e de seu aproveitamento surgiriam suas conseqüências.

Enquanto se aproximava a equipe de resgate, que lhe aplicava os essenciais primeiros socorros, buscou JJ com os olhos. Precisava falar com ela. Quando teve oportunidade, pegou-lhe pelo braço, já que relutava em se afastar da amiga, de acompanhar o desenrolar dos fatos.
- Lá fora, JJ. Agora.

Ela não entendeu porque qualquer coisa naquele momento poderia ser mais importante do que saber como sua amiga estava reagindo a todo o sofrimento. Mas era Hotch a lhe chamar. Ela sabia que devia ser algo muito importante.

Ele só teve alguns minutos e um coração dilacerado para decidir o que seria melhor para Emily, caso ela pudesse resistir. Certificou-se de que estavam a sós.
- Hotch, isto não pode esperar? Quero ficar perto dela!
- Não, JJ, não pode. E eu também quero você perto dela. É exatamente isto!
A moça olhou confusa para ele. Sempre desconfiou do quanto Emily significava para seu antigo chefe. Haviam rumores, palpites e fofocas sobre seus sentimentos pela agente morena que ele observava com olhares discretos, mas sempre mais demorados e que terminavam geralmente num desviar de olhos encabulado e uma frase de efeito. Se ele havia se apaixonado por ela, jamais iria admitir, mas isso não impedia que os demais percebessem o efeito que ela provocava nele.
- Doyle escapou...
- Eu percebi, mas acho que podemos nos focar nisto depois, Hotch....

- Não há depois JJ. Se ela sobreviver e ele souber disto, virá atrás dela novamente! Não sei se podemos pegá-lo antes de.....ele tentar matá-la de novo.....
- E....?
- E que eu quero garantir que ela desapareça por um tempo caso ela sobreviva. Quero você perto dela o tempo todo. Vou providenciar para que você tenha acesso a ela, caso ela fique consciente. Quero que explique a ela o que vai acontecer..... Nós diremos que ela está morta. Ninguém além de nós saberá! Isso nos garantirá tempo para capturá-lo definitivamente.
- Nós nem sabemos....
- Ela vai resistir, JJ. É a nossa Emily. Ela vai resistir! Tenha fé. E quando isto acontecer, quero você lá para explicar a ela a minha decisão. Ela não vai gostar, vai querer fazer as coisas da maneira dela e isto não pode acontecer. Ela vai te ouvir. Diga a ela que isto irá proteger a equipe, Garcia, Reid, Morgan... Isto a fará mudar de idéia......
- Não sei se entendi, você quer dizer a todos que Emily morreu?
- Só vai funcionar se for assim, JJ. De outra forma nós vamos colocá-la em risco.
- Isso vai matar todos eles....
- Eu sei....Eu sei....
- Hotch, deve haver outra forma......
- JJ, vá com ela na ambulância. Eles já estão saindo. Eu confio em você. Eu faço o resto. Tenho contatos, vou providenciar tudo o que for necessário. Diga a ela que será por pouco tempo. Eu juro, será por muito pouco tempo.

Suas mãos apertadas junto ao corpo se contraiam tanto que JJ pensou que ele iria se ferir com os próprios dedos. Ela sentiu pena dele. Sabia o que tal decisão acarretaria. Sentiu pena daquele homem que parecia que nunca na vida iria parar de sofrer.

- Vá com ela!
- Você quer... – ela não sabia bem como perguntar aquilo - ...quer que eu diga algo para ela? Quer dizer, você tem mais alguma coisa para dizer..... – JJ atrapalhou-se um pouco, estava invadindo um terreno perigoso.

- Não, vá. Eu te ligo. Vou te colocando ao par. Me avise assim que tiver um parecer médico. E.... JJ: ninguém, certo, ninguém, família, amigos ou não, somente eu e você deveremos saber como as coisas vão acontecer...
- Certo. Eu entendi. Vou indo....
Ela afastou-se um pouco e correu em direção à maca que estava sendo encaminhada à ambulância.
- JJ.....
Ela olhou para trás e o inquiriu com certa urgência.
-Nada, nada não..... Vá!

E Jennifer Jareau deixou para trás um homem devastado pelo fatos, mas, que ainda assim, procurava se manter profissional o suficiente para garantir que sua agente ficasse protegida. Era uma decisão arriscada a dele, ela sabia que se Emily resistisse a tantos ferimentos e sobrevivesse, iria protestar, contestar a decisão. Ainda assim, havia primeiro a necessidade de crer que ela resistiria. Isto agora, era o mais importante. E com este pensamento, entrou na ambulância que as levou à Emergência do Hospital Geral de Boston.


A consciência ia e voltava. Ouviu Morgan falando com ela, pedindo que resistisse. Pediu a ele que a deixasse partir. Estava tão cansada. Não era mentira. Estava exausta e o mais próximo do descanso para ela naquele momento era morrer. Tudo doía. Os sons iam e vinham. Achou que seria JJ com ela na ambulância. Devia estar delirando. JJ estava em Washington naquele momento. Não podia estar ali com ela. Havia tanto barulho e claridade. Será que não podiam apagar tudo aquilo? O que era aquele homem com fios em seu peito, gritando alguma coisa para outra pessoa? Haviam momentos de paz. Em que os ruídos cessavam e as luzes se apagavam. Eram bons momentos. Mas logo então começava tudo de novo.


Alguém dizia alguma coisa enquanto o carro onde estava dava solavancos, mas ela queria convencer-se de que havia feito a coisa certa. Deus, ela amava aquela família e poupá-los era um preço baixo a pagar se comparado a vê-los passar pelo que ela estava passando. E também havia Declan.... era bom saber que ele estava protegido, longe da influência de Doyle. Sim, tinha valido a pena.
Enquanto as pessoas à sua volta se debatiam e gritavam coisas que para ela não tinham sentido, uma lágrima veio aos olhos quando lembrou-se da mensagem de Penélope. Ela os queria longe de Doyle e eles a estavam procurando. Embora ela não pudesse esperar nada menos do que isto de sua equipe, lamentou tanto trabalho por nada. Sentia-se cansada demais para imaginar o sem número de explicações que teria que dar aos seus companheiros quando estivesse em condições. Deus, eles iriam ficar bravos com ela! E como! E mesmo sabendo que fez o que fez achando ser o melhor, não tinha certeza de que seus amigos veriam as coisas desta forma.
Era mesmo JJ ao lado dela na maca? Ela estava tentando lhe dizer algo? Se aquele paramédico parasse um pouco de dizer tantos números ao seu companheiro, ela talvez pudesse ter certeza de que JJ estava mesmo ali. As imagens iam e vinham. De repente sentiu um peso enorme no peito, como se lhe tivessem aplicado um choque. Sim, ela não estava delirando. Era JJ ao lado dela. Ela dizia coisas que não conseguia entender. Como sua amiga fora parar ali? Hotch podia ter ligado para ela. Hotch. O agente especial Aaron Hotchner. Aquele homem por quem vivera uma vida de espera. Seu grande arrependimento. As coisas que deveria ter-lhe dito. As coisas que deveria ter arriscado. Doyle..... Será que eles entenderiam que nunca foi amor? Será que eles entenderiam que foi pela missão... Ou talvez porque o homem que amava e não lhe saía da cabeça nunca seria seu. Agora, tanto fazia.






Viver com as conseqüências de suas decisões nunca havia sido difícil até que suas decisões afetassem as pessoas que amava. Pensando bem, seria bom se as pessoas com quem trabalhasse fossem apenas colegas com quem trocasse cartões de Natal. Não haveria tanto sofrimento. Não haveria envolvimento. Não haveria dor.
Num movimento meio sem consciência moveu sua mão direita até seu abdômen e sentiu o líquido quente e grudento espalhar-se por entre seus dedos. Vira sangue inúmeras vezes nas vítimas dos casos em que trabalhara, mas nunca o sentira de fato. Agora, aqui, sem luvas, na carne exposta, aquilo lhe parecia mais real do que gostaria que fosse. Um momento de paz e então agora parecia estar numa mesa, numa sala qualquer de hospital. Haviam muito mais pessoas à sua volta e ela só queria dormir.
Aos poucos, todas as coisas à sua volta pareceram estar se findando, os ruídos pareciam remotos, as luzes pareciam mais fracas, as vozes pareciam mais distantes. Se isso era morrer, talvez não fosse assim tão ruim. Não queria pensar nas coisas tristes, então não pensou em seus amigos chorando, lamentando sua morte. Tentou afastar de sua mente a imagem de Reid inconformado, de Morgan revoltado ou de Penélope inconsolável. Procurou se lembrar daquela tarde nas escadas da casa de verão de sua mãe, onde viu um certo agente de terno escuro e olhos brilhantes, que se esquivava dos seus olhares e cheio de responsabilidade ignorava a forma furtiva como era observado. Era aquela a imagem que queria manter viva como sendo a sua última. A imagem do único homem que amou de verdade. E por quem valeria a pena morrer.
E não pôde se lembrar de nada mais......
 

FIC - DECISÕES - CAPÍTULO 1



Pessoas,

A Fic Decisões já foi postada na comunidade H/P com o título de A Difícil Decisão. Na verdade eu sempre odiei este título e não gosto mais deste que dei agora, mas meu tempo anda precioso demais para eu ficar filosofando sobre um título melhor. Graças a Deus, pelo retorno que tive de quem leu, a Fic é bem melhor que o título, rsrs.

É uma Fic de oito capítulos, está terminada e contém spoilers da sexta temporada. Caso você não tenha visto ainda a sexta temporada até o final, convém esperar para ler esta Fic. Ela foi escrita antes de saber qual o rumo que os roteiristas dariam à estória na próxima temporada. Tudo o que foi escrito veio da  minha imaginação e provavelmente não vai ter nada a ver com o que eles escreverão para a temporada seguinte. Ou não. Meio que acho, fora o shipper, que o caminho a seguir seria este, mas é apenas um palpite.

Como a maioria das minhas Fics, contém conteúdo sexual, embora nada muito gráfico, pois isto não faz meu gênero. No entanto, dadas as referências, se você for menor ou não gostar do assunto, por favor não leia ( sim, eu sei que isto é quase um sinônimo de " leia, você vai gostar", mas eu preciso avisar antes, por questões éticas).

Eu não conheço Paris, mas sou uma purista quando escrevo. Portanto, considerem que todas as informações contidas na Fic, como ruas, hotéis, referências, foram exaustivamente pesquisadas antes de constarem do meu texto. 

No entanto há uma coisa que muito me orgulha. Esta FIC foi escrita em  25/03/11, quatro meses antes de sabermos o que a série iria nos apresentar. E, para minha grata surpresa, os fatos descritos por mim na Fic foram, na temporada seguinte, relatados pelo Hotch, mais ou menos como eu havia imaginado, a decisão do hospital, o envolvimento da JJ, enfim, fiquei feliz em saber que  cheguei muito perto da solução dos roteiristas 4 meses antes.

Espero que apreciem a estória. O shipper Hotch / Prentiss não existe na série, mas se existisse, para mim, as coisas na sexta temporada teriam acontecido desta forma.

Enjoy, people! e não se prendam à série, a estória fala por mesma!

Se puderem comentar, agradeço. Afinal toda crítica ajuda a crescer!
Bjos!



DECISÕES  -  1

 
"OS FATOS SÃO SONOROS. O QUE IMPORTA SÃO OS SILÊNCIOS POR TRÁS DELES."

CLARICE LISPECTOR





Antes mesmo de entrar na sala já podia ouvir a sua voz firme e precisa dando instruções aos policiais, agentes e toda a sorte de pessoas reunidas ali. Aquilo seria difícil. Não sabia o que era dormir de verdade há muitos dias. E para tudo havia um limite. Amava demais aquelas pessoas para expô-las assim. Era um problema pessoal. Era uma decisão exclusivamente dela. Nenhum dos seus pedira para estar envolvido em nada daquilo. Doyle havia ido longe demais. Ela podia entender seu ódio, mas não podia permitir que ele ferisse pessoas inocentes.

Ela há tempos não sabia o que aquela palavra significava. Inocência era algo que o cargo lhe roubara e ela não se ressentia por isto. Olhou para Reid. Ele não queria ser tratado como criança. Com toda a complexidade de sua mente e de seu brilhantismo intelectual, aquele menino não conseguia partilhar com seus companheiros suas dores de cabeça. Teve vontade de tomá-lo nos braços e protegê-lo.

Desviou o olhar para Penélope. Havia por Deus criatura mais singular, mais pura, mais amável que a doce Penélope, que ela havia tratado de forma desagradável horas atrás? Tão preocupada, tão dentro de um mundo que não lhe pertencia já fazia muito tempo. Seria justo permitir que Doyle lhe invadisse daquela forma, transformando o mundo já nublado de seus companheiros em noites de puro terror?

Enquanto desviava seu olhar discretamente para Derek, deu um passo atrás. Já havia deixado coisas demais à mostra, tinha certeza de que seu amigo não era tolo. Ele prestara atenção a ela o tempo todo e só queria ajudar. Não tinha muita certeza de como fazê-lo, mas era um homem atento, seus atributos iam muito além de chutar portas. Lembrou-se das conversas anteriores e do quanto ele tentou fazer com que se abrisse.




Nada disso era justo. Estas pessoas a queriam bem, era algo que vagamente extrapolava o nível profissional. Como ela podia assistir calada e omissa o envolvimento de Ian Doyle com cada um deles?
A voz pontuada, mas cheia de energia, invadia sua mente, criando uma nuvem que envolvia seus pensamentos e quase não a deixava raciocinar com clareza. Procurou ter certeza de que não olhava agora para ele.

As decisões do passado sempre voltam a nos assombrar, cedo ou tarde. Ela conhecia os riscos e os assumiu quando envolveu-se com Doyle. Era uma época em que tinha pouco a perder. Não mantinha grande apreço por uma família que a criara à margem de suas vontades, sua imensa lista de contatos profissionais não listara amigos que valessem além de um cartão de boas festas no final de cada ano. Nunca se apaixonara de verdade depois de conhecer Aaron Hotchner no breve período em que ele fora o responsável pela segurança de sua mãe, de sua família. Foram anos tentando apagar a imagem do homem interessante e bonito, que ostentava com orgulho uma brilhante aliança na sua mão esquerda e parecia desviar o olhar toda vez que observado por ela. Ela se apaixonara por ele no momento em que o vira, nas escadarias da entrada principal, cercado de outros homens que ela jamais saberia descrever, nem se os encontrasse novamente dez vezes. Não tinha sido assim com ele. A imagem e a voz do promissor profissional lhe trazia a certeza de que poderiam passar-se anos, e ela ainda assim, sonharia com ele várias noites durante sua vida. Alguns sonhos seriam puros, desvendando seu desejo de partilhar com ele uma casinha com jardim, cachorro e filhos, muitos deles, num subúrbio qualquer. Outros, seriam quentes e profanos e com certeza, acabariam com ela acordando à noite molhada e cheia de desejo reprimido.

Quando decidira trabalhar subordinada ao homem que lhe roubava horas de sono saudável em detrimento de horas de prazer onírico, jamais calculou os riscos que tal decisão lhe acarretaria.




Como uma boa profissional confiou em seu trabalho bem feito e na justiça dos homens, que iria providenciar que Doyle permanecesse encarcerado pelo resto de sua vida. Como uma mulher ansiosa por abraçar para si a oportunidade de trabalhar em um ambiente amigável, de ter amizades que fossem além dos cumprimentos de Boas Festas, de estar fazendo o que amava fazer e, sim, de estar perto do homem que ainda lhe aquecia os lençóis em seus pensamentos, ela não exitou. Mesmo que para isso tivesse que enfrentar Erin Strauss, mesmo que para isso tivesse que atravessar o inferno. Bolas, aquelas pessoas a amavam, a queriam bem, se preocupavam com ela. E isto bastava.

Por isto não podia prosseguir com aquilo. Não era justo com eles. Não era justo com ele. Ele já havia perdido tudo. Sofrera mais do que qualquer pessoa pudera suportar. Era a hora de assumir seus atos, de enfrentar Ian Doyle sozinha, e fosse o que fosse, assumir as conseqüências sem permitir que as pessoas que lhe eram importantes sofressem também.

Sua voz dava as instruções. Descrevia o inimigo de forma que ela não faria melhor. Pensou por um instante como lhe traria dor saber que ela não lhe fora totalmente sincera. Mas era melhor assim. A vida toda aprendera a resolver seus problemas por si só, nunca dependera de ninguém. Isto não começaria agora.

Num instante breve lembrou-se de JJ. Olhou para a cadete loira sentada à sua direita e lembrou-se da amiga. Era visível a semelhança e ela ainda não entendera porque Rossi a mantinha estagiando com o grupo. Mas, tanto fazia. Importante mesmo é que sua amiga estava distante daquilo tudo e nada do que pudesse acontecer poderia atingí-la. Menos mal. JJ estava a salvo. A voz aguda de Rossi interrompeu o discurso eloqüente do homem que amava. Ele teceu uma consideração, e então, pode ouvir novamente a voz que lhe tirava do prumo. Eram as instruções finais e chegava o momento de sair antes que fosse notada na sala. 


Ela não pode olhar para ele. Sabia de onde vinha a voz que lhe estremecia, mas não podia olhar em seus olhos. Tinha medo do que poderia entregar. Tinha medo do que ele podia notar. Tinha medo. Muito medo. Ian Doyle iria passar feito um trator por cima de todos que ela amasse. Ela não podia permitir isso.

Foi se afastando sorrateiramente, um passo por vez, certificando-se de que ninguém lhe notava, ninguém prestava atenção a ela naquele momento. Um passo de cada vez, foi deixando para trás uma quase vida que vivera. Amigos com quem tinha em comum mais do que a troca anual de cartões festivos, um trabalho em que sabia que era realmente boa no que fazia. Um homem que podia ter lhe trazido um novo conceito de felicidade. Aos poucos foi deixando para trás uma quase vida feliz, os momentos no bar depois do expediente, os delírios de Garcia e suas elocubrações por um novo namorado, as pilhas de relatórios que agora nem pareciam tão ruins assim. Foi deixando para trás os imensos discursos de Reid por suas amadas estatísticas e o homem que a fazia feliz sem saber, foi deixando suas exigências de pontualidade, seu comportamento austero, suas covinhas que vez por outra teimavam em surgir entre tantas expressões sombrias. Cada passo dado para trás deixava um pouco deles todos salvaguardados.

E foi assim, ao som da voz de tom baixo, mas firme que ela jamais esqueceria, que Emily seguiu rumo ao elevador, decidida a enfrentar seus demônios sozinha, mais uma vez, como sempre fora em toda a sua vida.

Era de Lauren que Doyle se ressentia. Ela poderia ser Lauren outra vez. Uma última vez, para que deixasse a salvo os que amava. Para que pudesse encerrar de vez este capítulo em sua vida.



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Criminal Minds - 8x01 - The Silencer - Meus Comentários




Atenção: SPOILLERS!!! Este episódio só passará no Brasil por volta de novembro de 2012! Se quer esperar para ver na tv, e não quer estragar a surpresa, não leia!!!!

Bem vindos á oitava temporada de Criminal Minds!!



Então, para facilitar e evitar polêmicas e lenga lengas que, segundo meu conceito são passado, vou começar assim: para mim, o assunto da Emily está superado. Aconteceu, passou, seguindo em frente.



Promo Extended Oficial 8x01 - The Silencer


Então, The Silencer já se inicia com uma frase que representa meu estado de espírito nos últimos anos e que só entende quem chega na minha idade: “Quanto mais envelheço, menos presto atenção no que os homens dizem, apenas observo o que eles fazem” – Andrew Carnegie.  FATO! GRANDE FATO!!!


Foi apenas um ótimo episódio de Criminal Minds. Não foi um episódio brilhante. E não tinha porque ser. Nós, no final de temporada não tivemos cliffhanger, o 07x23/24 terminou redondinho, sem explosões, possíveis baixas, suspense algum. Foi um episódio duplo foda – em homenagem à Larissa, que se surpreendeu com meu último palavrão, mas que acabou sem pontas soltas. Além disto, eles tinham, mais uma vez, que lidar com a perda de um personagem importante, com a introdução de um novo personagem, com o estado emocional da perda do personagem anterior, além do caso. Anos atrás, sem internet, se não tivesse havido pressão dos fãs, provavelmente não teríamos tido os minutos iniciais mencionando que Emily está ótima, tampouco Garcia e Morgan se lastimando pela saída dela. Mas entendo que, por necessidade  de manter as pazes com os fãs que ainda lamentam a saída da atriz, as cenas foram necessárias. 

Se eu estivesse escrevendo CM teria colocado a Alex agora? A princípio não, mas, tendo visto os minutos finais, entendo o porque das mudanças imediatas. Tendo um serial que será constante na estória, atazanando a todos eles, talvez ficasse mais difícil introduzir alguém com o caso em andamento ( e, aqui, me permitam a falta de modéstia, mas mesmo estropiada eu continuo a boa e velha Débora Dináh. Eu no final de julho ou agosto, não lembro direito, falei que eles iam trazer de volta o fotógrafo, o cara do 6x22 – Out Of The Light, aliás eu disse isso também quando o episódio passou, ambas as vezes na comunidade CM do Orkut ). Era um dos poucos casos abertos e que dava um bom gancho. Claro que eu posso estar enganada, but, eu chutaria 85% de chances de ser ele. 





Apesar de outros assuntos tomarem o tempo do caso, como as menções sobre a especialização da Alex ser em linguística, a Garcia fornecendo o curriculum vitae dela quase completo, sobre a nova agente já ter trabalhado com o Reid, sobre ela ter uma estória passada com a Strauss, ele desenvolveu-se com coerência. Estas explicações são mais do que necessárias, partindo do princípio que a grande maioria da audiência não acompanha spoillers, portanto, não só você precisa explicar a saída da Emily como precisa ambientar a nova personagem  para quem assiste apenas por diversão, sem ler informações  adicionais.
Não tenho qualquer problema com unsubs vitimados por uma infância ruim cometerem crimes por força das circunstâncias porque o mundo está cheio de gente assim. Aliás, ultimamente é o que mais se vê. E, pelo que ando lendo, ando com pena de meia humanidade! O caso meio que me lembrou aquele unsub que surtava com barulho depois que veio da guerra ( não lembro o nome agora, sorry). Também me lembrou um episódio de uma série onde um cara mata a namorada porque ela faz um implante coxial e passa a ouvir e tocar piano e ele achava que um surdo deveria ser surdo a vida toda ( também não lembro de onde é, os remédios estão acabando com a minha memória!- Estou vendo a cena do piano na minha mente e não consigo lembrar a série! ). Anyway...  Gostei da idéia do unsub matar para ir para a solitária. Mostra o ápice do desespero de quem nunca ouviu nada e só busca o silêncio!! 


Claro que gostei da Alex da Jeanne. Parece que será um personagem forte, daqueles que batem de frente com todo mundo ( para revezar com o irritadinho do Morgan). A Jeanne é uma ótima atriz, passa credibilidade e tem tudo para carregar o personagem com carisma e jogo de cintura. Além do que, a Alex é movida a café, ou qualquer coisa que a mantenha acordada, isto já é uma ótima referência, ehehe!, tipo assim, “estressada é meu nome!”.





 
Para quem comentou, não lembro quem foi ( sorry), eu já disse isto antes, no 07x23/24, mas vou dizer outra vez: depois da reabilitação a Strauss voltou outra, ao meu ver, porque isto faz parte do programa de reabilitação, fazer as pazes com o mundo, admitir os erros, etc...etc... A mudança dela vem sendo gradual e acho coerente com a storyline dela. E ter alguém com assuntos pendentes com ela, deve render. Ela não mudou neste episódio, já vem mudando desde que pediu desculpas ao Morgan. 
Achei incrível a maquiagem, principalmente nas cenas das bocas costuradas, (sobretudo a legista cortando o nylon) gostei de o unsub escrever sua mensagem em um saquinho plástico ( nem sempre há papel disponível em volta), e dele ter preservado o nenê, joga com o resto de humanidade que havia dentro dele.


Quanto à Garcia, bem, eu diria que a personagem dela, por todas as características por nós conhecidas, foi eleita a mais indicada para exorcizar a saída da Emily.  Ela odeia mudanças. É uma característica antiga da personagem. Dos fãs também. Ela foi a voz dos fãs renitentes às mudanças neste episódio. Eles tinham que escoar as lamentações pela saída da Emily por algum lugar e a Garcia foi o canal mais coerente. Ela inicia o discurso meio que desdenhando do currículo fabuloso da Alex e todas aquelas dúvidas representam, em síntese: - será que podemos seguir sem Emily e agora com Alex? Tanto que no final, o recomeço dela com a Alex é uma espécie de:  - ok, pessoal, vamos seguir com a vida? Ela é o personagem emotivo, sensível e mais humano. Seria estranho este pesar vir de um Hotch que já passou pela perda da ex por um unsub ou por um Rossi com anos de vida e experiências amargas nas costas. O Morgan apenas entrou no embalo da Garcia para esticar o assunto. E a menção do Kevin, muito rápida nas primeiras falas foi feita para sossegar os fãs que querem vê-lo de volta. Sem contar o vestido dela, algo... bem Garcia!

Em resumo, na minha opinião, um episódio de boa qualidade,  que como outros, em outras ocasiões, perdeu parte do espaço do caso para apresentar tudo o que foi mencionado anteriormente. Apostando todas as fichas agora no fotógrafo stalker, heheh, infernizando nossos queridinhos!

Quanto à audiência, manteve-se nos números que vinha trazendo depois de anunciada a saída da Emily, estes milhão e meio, dois milhões, se saíram por causa dela, não iriam retornar agora. Diferente da temporada passada em seu início que tinha deixado um gancho enorme com a volta da Emily dos mortos e aguçou a curiosidade de todos. Em tempos de tantos cancelamentos anuais entre tvs abertas e fechadas, tá bom demais.

Continuo pondo fé na série e torço para que ela se mantenha bem sucedida. Quando assistimos a um trailler de The River ( sério, nunca vi nada tãaao ruim!) é que descobrimos que  Criminal Minds está bom além da conta, ehehehe!



Menções:

-  A JJ e a Garcia estão cada vez mais bonitas!
-  O Reid precisa ser novamente apresentado à tesoura ( lembra, aquele objeto que serve, entre outras coisas,  para cortar os cabelos que você conheceu na quarta temporada!) , aquele cabelo ninguém merece!
-  Namorar fez o Hotch voltar a usar terno claro! Fazia muito tempo que ele não aparecia com terno cinza claro. Pessoalmente gosto mais dele nos ternos escuros, enfim... Mas aquela costeleta dele  mais comprida deixa ele mais envelhecido! Precisa diminuir!
-  O Morgan comprou uma camiseta azul! Atendendo às minhas preces, ele já não usa apenas a famigerada camiseta cinza! Achei que ele tivesse feito promessa nas duas últimas temporadas para somente usar camisetas cinza!
 - Só Garcia fica bem em um vestido que estampa a bandeira inglesa!

Agora é aguardar o próximo e esperar para ver se acerto com relação ao fotógrafo, ehehehe!

Bjos e até o próximo!

Criminal Minds - 7x23/24 - Hit & Run - Meus Comentários



Observação: Se alguém odiou o episódio, pode parar de ler por aqui!!!


Simplesmente sensacional! 
Teve absolutamente tudo o que uma SF de respeito precisa ter: uma trama interessante e inteligente, muita ação para marcar o final da temporada ( com a vantagem de não termos que parir um filho até setembro para ver quem é o morto da vez!), uma humanização dos personagens fixos que vem galgando espaço desde a entrada da Érica e encontrou seu ponto alto neste episódio. E, finalmente, um tema universal, batidéssimo, mas que nunca se esgota quando bem explorado: o amor! Toda a forma de amor! O amor de mãe e pai, amor de namoridos ( namorados e ou maridos ), o amor de amigos verdadeiros, o amor na velhice capaz de superar 66 anos de dificuldades, o amor das tribos e suas esquisitices ( a convenção scy-fy claro -, do ponto de vista dos outros ), o amor que nem sempre dá certo (Kevin/Penélope, será?), o amor pelo seu trabalho ou ocupação ( a dúvida da Emily se saía ou não) e, porque não dizer, o amor psicótico, alucinado, que encontra em seus pares igualmente doentes, razões para atos que lógica alguma no mundo se explica, exceto nas mentes mais doentes! O amor e todos os seus envolvimentos, consequências, dores e feridas estava lá, para quem quisesse ver. Da forma mais simples e mais contundente possível. Sem contar que alguns diálogos foram de atores e não de personagens, como Morgan pedindo para Emily seguir seus instintos ou ela dizendo que pensava em sair não porque não os amasse, muito pelo contrário. A sensibilidade destes diálogos só será bem aproveitada por quem acompanhou toda a pendenga dos bastidores nos últimos ano e meio.



Promo Extended Oficial 7x 23/24





O elenco convidado super bem escolhido, a Rainha tinha um olhar de gelar lareiras acesas! Óbvio que no primeiro minuto que seu cúmplice se ofereceu para ajudar Will eu soube que aquele era seu cúmplice, mas quem se importa? Óbvio q Will tb não ia morrer, mas e daí?


A saída da Emily e a sacada da Interpol foram perfeitos, dado o pouco tempo para fazer grandes mudanças no roteiro, em vista do tempo que eles tiveram com a estrutura do crime e do unsub já prontos ( informação do Rick D. num chat). Uma saída digna, um cargo onde ela talvez não se exponha  tanto em campo e possa crescer profissionalmente e amenizar suas dores quanto à experiência Doyle. Obviamente ela só trabalhar na Interpol não faria sentido, mas chefiar uma equipe são outros quinhentos ( eu meio que tinha cantado esta bola em algum comentário antigo meu na comunidade CM do orkut).






O caso ser focado na JJ foi ótimo porque eles mostraram o outro lado da moeda. Onde não é o homem da casa ( caso do Hotch ) que tem um emprego que expõe sua família ao perigo e sim a mulher ( no caso ali os dois, mas o foco era ela). E se alguém achou que ela lutou demais com a doida, para além da explicação natural vinda episódios antes sobre o seu treinamento com Morgan, eu, sem treinamento algum comeria o fígado de quem chegasse perto do meu filho para lhe fazer o mal. É preciso ter/amar um filho para se ter noção do quanto você é capaz de fazer por ele numa situação de perigo.






A participação de todos os personagens foi equivalente e todos tiveram seu momento de ouro. A fotografia brilhante e a edição sem comentários, levando-se em consideração que isto é tv, não cinema. Eu diria que a Emily conhecer as cores da bandeira do Chade seria um exagero, mas nem isto,
visto que ela trabalhou na Interpol, e se lá há uma zona de guerra...
Enfim....

O casamento foi um presente para os fãs, mas também uma mensagem da qual eu compartilho! Claro que todos os shippers do mundo ficaram felizes, inclusive os que shippam a piscina do Rossi com o Sérgio ( gato da Emily - brincadeirinha...), porque eles nem são doidos de fazer nada diferente.







Agradou Hotch/Prentiss, Morgan/Prentiss, Hotch/Beth, JJ/Will, e sobrou até para o Rossi ( desde a entrada dele na série eu estou cantando esta bola dele com a Strauss... não sou Débora Dináh por acaso, ehehe!), além de uma porta aberta para a Penélope/Kevin. E agradou quem não shippa ninguém e vê tudo como uma grande família feliz e  totalmente assexuada! Não vou me espantar se semana que vem já tiver fic da mãe da JJ com o Anderson, kkkkk. E claro, não esqueçamos a piscina do Rossi com o Sérgio,kkk Brincadeiras e exageros à parte, vamos à mensagem: a vida sempre segue em frente, gostemos ou não. A deles ( os agentes, que quase morrem num dia e no dia seguinte se casam,
largam seus empregos, tem filhos, se separam....) é assim, a nossa não édiferente. Foi uma mensagem clara de que podemos gostar ou não do resultado, mas temos que seguir em frente. Assim como farão os fãs de CM:  alguns vão nos deixar pelo caminho, não vão ver mais graça na brincadeira e vão partir, outros ( como eu, aliás, já aceitei a saída da Emily na semana seguinte), vão respirar fundo e continuar acreditando que a série tem bala na agulha para um bom tempo ( independente de contratos serem
renovados ou não). Para aqueles que como eu acham que a gente deve escolher as batalhas pelas quais devemos nos desgastar, restará sempre a saudade de um trabalho impecável da Paget. E, claro, aquele dvd esperto no Blu-ray e um balde de pipoca para resolver o problema.






Os destaques: Eles se esmeraram em não deixar pontas soltas.


* O agradecimento da Strauss ao Morgan foi mais que perfeito e mostra como a pessoa, quando tem auxílio, fica grata a quem lhe estendeu à mão. Aliás, agradecimentos e desculpas são um dos passos dos AA.


* Particularmente gostei ( e este não é um comentário shipper!) do diálogo final Hotch/Prentiss. Todos aqui estão cansados de saber que eu sempre reconheci que o shipper H/P SÓ exisitia na minha cabeça e nas minhas fics, eu nunca antes identifiquei nada entre eles na série que não fosse delírio meu  (opinião pessoal, nem pensem em discutir isto!). No entanto, achei o desenvolvimento da relação profissional/amizade deles no final da temporada perfeito - ele seria o pior chefe do mundo se não
lhe tivesse oferecido ajuda e pior, se não notasse sua inquietação na festa - eles são profilers, pelo amor de Deus!!


*Eu gostaria de acreditar que a gente quando envelhece adquire a sabedoria,a paciência e a consenciosidade do Rossi. Eu tenho feito minha parte, pode ser que eu chegue perto, claro, sem a parte da grana, óbvio!


* Gente, quando vi aquela cabaninha na mesa da casa do Hotch eu voltei no tempo! Já disse outro dia, algumas coisas são universais! Eu passei anos da minha vida brincando e dormindo na sala com meu filho assim! E não me arrependo!


* Independente da minha posição Hotch/Prentiss - porque o assunto já esgotou - eles acertaram a mão com a Beth. Sorry pessoal, ela é a cara dele! Ele busca nela a redenção para todos os seus erros no passado! Ele errou feio, perdeu a esposa, quase perdeu o filho e aprendeu com seus erros, tentando
em uma segunda chance, fazer tudo o que devia ter feito na primeira vez!! Quantas segundas chances a vida nos oferece? Errar é humano, persistir no erro é burrice, e fico feliz que ele esteja tentando mudar. E amei a forma como a coisa aconteceu. Com o menino pedindo para ela ficar! Perfeito!


* Amei também a analogia das rachaduras na fundação da casa com as cicatrizes na vida  da Emily. De uma sutileza ímpar!


* E como eu não sou de ferro nem nada, vou guardar comigo aqueles 5 segundos de dança Hotch/Prentiss para quem sabe, entre o cateterisma do Afonso, minhas pedras nos rins, a maratona ESFILES, trabalho, casa, e outros que tais eu ainda volte a postar fics dos dois!







*Desculpem o texto longo, detestei ter perdido esta brincadeira ao vivo com Sil, Carol, Débora, Carol Z, Jackelyne, e todas as outras meninas mas, como em CM, na vida, nem tudo é exatamente como quero. E como disse ao meu marido que ficaria só + meia hora e faz 1 hr e vinte que estou aqui ( graças a Deus ele pegou no sono) e corro o risco de criar um novo unsub, vou pegar meus analgésicos, antibióticos e outras redondinhas e volto quando ganhar nova carta de alforria do marido e do filho!


Até a próxima temporada!

Bjos carinhosos!
Ps.:
Só para não perder o hábito, senão vocês nem vão achar que sou eu escrevendo: O Hotch estava uma perdição naquela pólo azul marinho!!!  Concordo com você , Rose Rambo, uma vez para entender o episódio, outra para admirar a paisagem chamada Thomas Gibson, ehehe! Ou duas, ou tres... A vista é linda mesmo e é de graça, eheheh!

Criminal Minds - 7x21 - Divining Rod - Meus Comentários



Excelente episódio! Muito bom mesmo!


Promo Oficial 7x21





 Embora eu ainda sinta falta daquelas cenas em que os agentes, à medida em que fazem seus comentários, também aparecem inseridos nas cenas que descrevem ( aquelas cenas eram excelentes para ilustrar graficamente o pensamento deles ), ainda acho que eles têm acertado a mão na volta da
construção dos perfis. Como nos últimos episódios, o perfil foi discutido exaustivamente, com acertos, erros, trocas de informações entre todos os personagens e  nós voltamos a ter a sensação de " trabalho em grupo", coisa que havia se perdido um pouco na sexta temporada. Eles tem não só focado nas informações quando estão trabalhando em dupla, mas voltamos a ver a junção das informações, quase um "brainstorm", onde eles vão levantando as hipóteses e chegando há algum lugar.


Por outro lado todo este trabalho aparece intercalado com comentários ou brincadeiras, humanizando o episódio - os comentários da  Emily sobre cartas escritas à mão, Garcia cochilando e Hotch cutucando Reid para não se estender em comentários tediosos e desnescesários em um momento de
descontração. Aliás adorei a cena do Reid deitado e da Emily "jogada" na cadeira com
as pernas abertas, coisas que deve ser muito comum a quem trabalha horas a fio sob intensa pressão sem qualquer descanso. São pequenos detalhes que vão humanizando a cena, tornando-a mais verossímel.






Quanto ao caso em si, além do fato de segurar o assassino até o final, coisa que valoriza porque gera curiosidade, trouxe um final bastante interessante. Achei ótima a atriz que fez a esposa do unsub, fria e
desesperançada na conversa com Rossi e Emily, chocada no momento em que vê a peruca ( um misto de horror e incredulidade na expressão dela me comoveu) e conformada com seu destino, no final já na prisão com seu novo "parceiro".  Me passou na medida exata o que faz uma baixíssima auto estima, reforçada pela influência da crueldade do comentário do pai, além da passividade diante de fatos que ela julgou incontestáveis - a doença, a fidelidade do marido à ela, tudo ligado à uma mente sugestionável.


Não sabia que um condenado tinha a opção de escolher a forma como será executado, mas sem dúvida, o pelotão de fuzilamento é uma das formas mais horríveis. Dizem que nos primórdios eles decidiram que deviam colocar várias pessoas atirando junto para que quem atira não saiba se seu tiro
foi o que matou o condenado. Como se isso eximisse alguém da culpa. Não sei como alguém pode dormir em paz fazendo "este trabalho". Enfim...


Quanto à Prentiss e sua casa, senti um arrepio quando soube da casa enorme e cara. Espero que ela não esteja planejando trabalhar free lancer para poder cuidar do Declan ( ótimo que ele não apareceu entre as fotos dos que voltaram às gravações na SF, mas isto também não quer dizer muita coisa). Embora eu odeie a idéia, isto justificaria a compra de uma casa maior (?). Espero estar bastante enganada com relação à isto. Porque também por exemplo, adotar uma criança do nada agora, também não faria muito sentido. Só sei que a "casa grande e cara" não me deixou bom pressentimmento.
Compra-se uma casa maior em geral pensando-se em ampliar família. Vamos
aguardar.






De resto, edição limpinha, ágil, com boa fotografia e sacadas legais como o miado do gato no corte da vinheta. Episódio redondinho para o meu gosto. Mistura perfeita entre o caso e interações pessoais, sem que o episódio precisasse ficar focado neste ou aquele personagem. E, claro, como não
podia deixar passar em branco, parafraseando Karl Arnold, trabalhar como Hotch deve ser uma distração, eheheh, ele está cada vez melhor! Que venha o próximo!


Bjos!