terça-feira, 29 de abril de 2014

Criminal Minds 9×21: What Happens In Mecklimburg - Review


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Como toda a série de sucesso, principalmente uma série que já vai para seu décimo ano de exibição, temos sempre os altos e baixos, os episódios incríveis e aqueles que apenas “cumprem tabela”, ou seja, exercem sua função, sem necessariamente impressionar.
What Happens In Mecklimburg encontra-se na segunda categoria acima mencionada. Um episódio totalmente burocrático, sem muitas surpresas ou inovações. Não que o tema não tenha sido interessante, muito pelo contrário. Em uma semana em que tivemos um caso de certa forma semelhante, sendo investigado pela polícia, envolvendo alunos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e outro na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, nada poderia parecer para nós, telespectadores, mais atual. Trotes universitários, ao que parecem, sejam aqui no nosso país, sejam no tão suposto evoluído país norte americano, continuam sendo desprezíveis e totalmente desnecessários. A violência imposta  ( aqui e, eventualmente lá, já que os episódios são sempre baseados de alguma forma em casos reais) é absolutamente irracional, inaceitável e criminosa. Mesmo que tais eventos não terminem em um crime fatal, como nos episódios brasileiros, na maioria das vezes eles deixam sequelas as quais os calouros não esquecerão tão cedo, e, na pior das hipóteses, irão repetir com os próximos calouros tal agressão.
Mas voltando ao episódio, por que, já que o tema demonstrou-se tão atual quanto realista, ele não funcionou perfeitamente? Em minha humilde opinião, os fatos foram todos óbvios demais para criarem algum tipo de suspense. A máscara usada pela unsub tornou tudo ainda muito mais fácil de se deduzir e, de certa forma, agiu de forma contrária, facilitando ainda mais a identificação do tipo de crime.
Não foi exatamente um problema com o elenco convidado. Nem tão pouco com nossos astros recorrentes. Apenas não houve um clímax, não houve evento que nos causasse espanto, não houve nada que gerasse grande empatia. O roteiro foi correto e apenas isto. Sem falhas e buracos, mas também sem nada de excepcional. A irmã querer vingar-se daqueles que provocaram a morte da vítima foi algo a decifrar-se nos primeiros momentos do episódio. Também não houve nada em especial para que Garcia descobrisse com seus dedos mágicos. Tudo indicava para algo óbvio e fácil de ser deduzido. Enfim, não é toda semana que podemos contar com um episódio fantástico, destes de abalar estruturas. O momento da morte de Lauren não foi impactante o suficiente e mesmo uma das vítimas ingerir soda cáustica e ser sodomizada não gerou a tensão esperada pelo evento.
Uma coisa que ficou meio mal esclarecida para mim foi o Reid acessar a memória de alguém tão altamente embriagado durante a festa. Entrevistas cognitivas funcionam bem desde que não embaçadas pelo álcool ou drogas. Nestes casos, não se pode dar ampla credibilidade às lembranças acessadas.
Outra coisa mal explicada foi o médico mudar seu relatório tão somente para não prejudicar o rapaz, capitão do time da universidade. Ao que me pareceu, ele não tomou tal atitude sob a pressão de um representante da entidade e sim, apenas por conhecer o jovem. Estranho um médico arriscar sua carreira apenas para proteger um estuprador, visto que ao que parece, a escola não havia lhe pressionado para tal atitude.
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Houve também o “ momento equipe da semana”. Desta vez, foi Morgan, com seus desencontros com Savannah, deixando-a no vácuo por um caso em Memphis, na semana em que seus possíveis sogros estariam chegando para conhecê-lo. E como cabe a um bom machão, compadecer-se de sua amada, pobre coitada, que não merece ter a ele, homem extremamente solicitado profissionalmente, aguentá-lo. Às vezes acho que falta assunto para explorar na vida particular dos agentes. São dois adultos, ela médica em exercício, ele agente do FBI. Não estamos falando de dois auxiliares de escritório ( não desmerecendo a função, mas com certeza, trabalho este bastante diferente dos exercidos pelo casal). Mas, enfim, mesmo que para mim não cole, não significa que não tenha agradado à maioria dos telespectadores. Ainda assim, acho incrível que precisasse vir a JJ para dizer a ele que agentes podem sim ter um relacionamento sério. Isto posto, faço crer que não existam apenas solteiros e divorciados na verdadeira divisão do BAU americano. Ou entre soldados que servem em guerras e ficam longos períodos longe de , ou entre Médicos sem Fronteiras, ou entre pesquisadores em geral, ou talvez diplomatas, isto para dizer apenas alguns casos. Tal argumento me pareceu meio fraco, se discutido com uma médica cujos horários também não devem ser o paraíso. Mas enfim, serviu para render a tão esperada cena romântica entre o nosso chutador de portas preferido e sua amada.
Relendo o que escrevi parece até que odiei o episódio. Não exatamente. Apenas creio que ficamos mal acostumados com uma temporada cheia de estórias interessantes, bem contadas, bem dirigidas e “What Happens In Mecklimburg” deixou a desejar neste contexto. Ainda assim, vou dizer minha máxima sobre a série: mesmo um episódio não muito bom de Criminal Minds ainda é sempre um episódio muito interessante.
Até a próxima!

Criminal Minds 9x20: Blood Relations Review

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Não podia esperar-se nada menos de M. G. Gluber  além de uma direção excêntrica para um episódio controverso até a raiz dos cabelos. Desta vez, mais do que cenários sombrios, mais que fotografia perfeita ou edição mais do que correta, tivemos antes, um texto fabuloso, amealhando um tema polêmico, o incesto e suas consequências.
A ação passa-se entre 1965 e os dias atuais, quando começam a surgir evidências de crimes praticados por uma “entidade”, um ser conhecido entre os agricultores da região como o Homem da Montanha. Como todos os seres, fruto de imaginação fértil de habitantes sem muito esclarecimento, o Homem da Montanha torna-se responsável por diversos assassinatos, todos praticados com requintes  de crueldade, atingindo de uma única vez, duas famílias do oeste da Virgínia, região interiorana e tradicional dos Estados Unidos, ambas adversárias  entre si, famílias que brigam e se desentendem desde muitos, muitos anos, sem provocar suspeita ou causar prisões.
Não passa despercebida a má vontade dos envolvidos em conversar com os agentes, ora por falta de tempo, ora por não saberem o que dizer.  A impressão que passa é que eles acham que criminosos ou não, seus atos devem ser resolvidos entre si, acarretando uma vingança sem fim e acumulando mortes como consequência.
Em linhas gerais, o episódio trata de uma transgressão cometida por dois irmãos, que nada além conheciam senão a diversão, senão curiosidade, entre eles próprios. Sem a orientação  necessária, acabam por cometer incesto e ingenuamente acreditar que podem esconder ou manipular a descoberta pela família. Quando a moça se vê grávida e expõe o problema a seu irmão ( pai de seu filho), ele a princípio banca a ideia e promete assumir a responsabilidade  de pai do filho de sua irmã. Mas não é o que acontece. Muito jovem, quando percebe que sua irmã está para dar à luz, enche-se de pavor, mediante a dor e agonia sofrida  por ela para fazer nascer seu filho, ele desanda a abandoná-la, com um uma criança recém-nascida e sem qualquer ajuda, uma vez que sua família renegou-lhe apoio, após saber de sua .  Resta à nossa anti heroína pedir socorro a uma mulher que observava-lhe de longe, que sabia de sua gestação e que apenas esperou o momento certo para oferecer auxílio, para ser a mãe da criança, prometendo segredo sobre a situação.
O tema trata de forma sutil as possíveis consequências de um incesto. As deformações  sofridas  pela criança, mais tarde pelo adulto, são mais sugeridas pela fotografia  pontual e pouco expositiva do que pela clareza de imagens.  No adulto que torna-se assassino, notam-se as orelhas pontudas,  os dedos deformados e o rosto muito envelhecido, além de um ódio incondicional pela mãe biológica, visto que não pode entender como pôde ser apenas abandonado para ser criado por outra pessoa
Pode-se dizer que a equipe efetivamente desenvolveu um perfil , apurando-o de acordo com as descobertas feitas, aproximando-o da realidade até chegar às conclusões necessárias para encontrar o unsub e evitar mais uma morte.
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Como tratava-se de duas famílias rivais, desde muito, muito tempo atrás, não tardou para que a equipe suspeitasse de crimes vingativos, ora de uma lado ,ora de outro. No entanto, conversando mais intimamente como os parentes, especificamente com o pai de uma vítima e a mãe de outra, vai ficando , que eles não têm envolvimento direto  nos crimes que vão se sucedendo ( quando a equipe foi chamada, haviam dois corpos, mortos com o uso de arame farpado, sendo um de cada família).
O episódio trata de explorar os desmandos que ocorrem entre famílias rivais, por conta de um suspeito que não pertence a princípio a nenhum dos dois núcleos, obrigando o time a pensar em outra possibilidade.
Os  atores convidados (  Adriene Barbeau – como Cissy e Tobin Bell – como Malachi ) engrandeceram o roteiro com interpretações  sólidas, dignas de um episódio marcante como este. A escolha de um ator/atriz como guest é sempre fundamental para acrescentar credibilidade à estória. No que diz respeito a isto, a escolha foi muito acertada para ambos.  A contribuição dos mesmos ao roteiro traz respeito aos nomes que defendem e uma interpretação concisa, que nos faz transitar entre o ódio e a compaixão. Aliás, é bastante divertido encontrar Tobin Bell e tentar não pensar nele como o algoz  de Jogos Mortais.
Adorei o fato de Hotch pedir mais tempo para liberar o perfil. Como já disse em outra review este tipo de comportamento traz credibilidade a estória e elimina o efeito “ mágico” que às vezes coroa outros casos, nos fazendo achar que tudo cai misteriosamente na cabeça dos agentes.
A morte da mulher amarrada ao carro é de uma crueldade sem fim e a cena foi minuciosamente trabalhada para que possamos sentir a agonia do marido em sua íntegra. Tenho a sensação  que Matthew  tem um prazer divertido em dirigir cenas assim. Tal qual a cena da incineração em Mosley Lane, me parece que ele gosta de chocar com imagens não apenas sugestivas, ao contrário, bastante chocantes . Cabe citar aqui também a cena do unsub com o corpo de sua mãe adotiva morta, tanto quanto o quase enforcamento de sua mãe biológica. Utilizando de uma fotografia nada  subjetiva, ele conta uma estória de terror psicológico, pois o enredo aqui tem a mesma força da imagem. Chega a ser melancólico  descobrir que o segredo em torno da atividade secreta da família de Malachi não passa de reciclagem de óleo de cozinha industrial para conversão em combustível, algo altamente elogiável nos tempos de hoje. A explicação para o mito do Homem das Montanhas também é interessante, visto que também é um nome ligado à família de Cissy. É notável como todas de todas as possibilidades ( financeira – via tráfico de drogas ou  racismo – o envolvimento com a Ku Klux Klan, entre outras motivações) se sobressaia  àquele mais puro em sua essência, apenas a curiosidade e paixão entre dois adolescentes vítimas de um mundo fechado entre si, onde os pecados carnais tem um peso maior que os crimes cometidos por ganância, orgulho ou inveja. A frase que melhor define a inocência de Cissy é : “estou morrendo?” durante o parto.
Talvez o fato mais interessante a respeito do crime de incesto seja que a punição acabaria vindo dos seus próprios parentes/ descendentes, desde que já não haveria mais como encobrir a situação. Para ambos irmãos  o julgamento de suas atitudes certamente seria mais penoso do que a própria prisão ( e aqui, mais uma vez, como em todo o episódio, reforço a interpretação dos atores convidados, fundamentais para contar a estória de forma mais que convincente).
Será que teremos um gancho aqui? Após Blake ser jogada na água pelo unsub e travar com ele luta corporal, testemunhamos a equipe atirando a esmo no rio, certa de que atingiu o assassino. Claro que ninguém vai achar o corpo e minha aposta ( pode ser que me engane) seria para uma continuação na Season Finale. Tal impressão vem da reação de Blake pós resgate, altamente preocupada com a não recuperação  de um corpo no rio. Vemos ao final do episódio o unsub vivo, assaltando uma família em busca de um carro para sua fuga. Mas, não dá para fazer previsões. Criminal Minds já teve, em outras oportunidades, criminosos que escaparam de serem presos,  os quais nunca mais se ouviu falar. Seria interessante se o caso voltasse, talvez para o encerramento da temporada. Também ficou a sensação de que eles quiseram explorar algo mais em Alex Blake com sua experiência de quase afogamento. Se eles não irão explorar o criminoso novamente, ao menos serviu como explicação à vulnerabilidade  de uma agente, expondo o lado humano de pessoas que enfrentam o perigo diariamente e, por fim, não são tão imbatíveis assim. É bom saber que, como na vida real, eles são feitos de carne, osso e sentimentos.
Estamos chegando ao final de mais uma temporada. Uma temporada de sucesso de público, com números de audiência de dar inveja a várias séries iniciantes, com enredos ótimos, com episódios muito interessantes quase nos fazendo esquecer que a série irá para a sua décima temporada. Nada mal para quem atravessou tantos percalços e nunca foi reconhecida como série classe A pelos americanos. Vejamos o que nos reserva este final de nona temporada!
Até o próximo episódio!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Criminal Minds 9x19: The Edge Of Winter - Review





Tivemos neste  episódio uma estrutura narrativa totalmente diferente do habitual. E isto é positivamente uma ótima notícia.


Narrado de forma inusitada, temos Derek Morgan à frente de uma entrevista com uma testemunha que irá depor em julgamento contra seu raptor/estuprador e que se encontra internada em uma clínica psiquiátrica por conta ainda de sequelas do crime ao qual foi submetida. Dária, a vítima, teria sido a única a escapar do local do cativeiro e sobreviver para identificar o criminoso no tribunal. Sendo assim, todo o episódio, embora situado na atualidade, é contado em flashbacks (de um ano antes) pela sobrevivente, à medida em que vai respondendo às questões levantadas pelo agente.

Não seria exagero dizer que o grande trunfo de The Edge Of Winter atende pelo nome de Aasha Davis. A atriz assumiu a personagem em toda a sua extensão, destacando-se como uma vítima angustiada e, mais ao final, assumindo seu lado mais ingênuo, tanto quanto cruel. Soube transmitir a angústia da culpa, a derrota diante da perda da vida antes normal e a obediência cega ao homem que lhe impingiu tamanha violência. O desespero de Daria no hospital, além da excelente interpretação, foi fortemente reforçado pela maquiagem muito bem feita e pela compaixão demonstrada por Morgan, que embora seja o chutador oficial de portas da série, sempre se sai tão bem quando lhe requisitam a solidariedade e compreensão, vítimas de crimes muito violentos, que não se abrem com qualquer um, com os quais ele se identifica.


Inteligente por parte do roteiro mostrar o depoimento em flashbacks, pois assistindo às lembranças de Dária, vamos nos identificando e nos compadecendo da moça de tal forma que, quando ela afirma ter entrado por livre e espontânea vontade no caminhão, e, pior, que cometia os crimes sem mesmo ser solicitada a isso, nossa reação  é imediata, pois tal conduta ia contra a tudo o que construímos em nossa mente como caráter da personagem durante quase todo o episódio. Os mais atentos talvez tenham percebido que Dária nunca, enquanto narrava seu tormento, mencionou o nome do cúmplice de Joe. Uma boa pista para levantar uma pulga atrás da orelha dos telespectadores. Ainda assim, pouco para determinar antecipadamente o desfecho da trama. Quanto a isso, boa sacada foi nos mostrar Joe conversando com seu amigo na cena em que ele leva Carrie no porta- malas. Coby Peters não diz nada comprometedor, mas estamos tão embalados com a cena, que nem percebemos que ele e Joe poderiam estar falando de qualquer outra coisa ( como de fato estavam). Este artifício acaba sendo usado para reforçar a estória narrada por Dária, e, em nenhum momento, suspeitarmos que o cúmplice a quem ela se referia era ela própria.

Outra surpresa interessante foi a opção de fazer Dária rejeitar o conforto de JJ no hospital. Embora ao final entendemos  que a moça via-se refletida na figura da agente   (e não a figura de Carrie, como os agentes deduzem inicialmente), fica uma sensação estranha com relação à cena, pois estamos acostumados a ver JJ assumir o lado humano, mãe, confortador do time. Mais uma bola dentro foi a menção ao TOC, doença hoje em dia bastante diagnosticada, o que abre mais uma porta para a suscetibilidade da personagem à submeter-se e deixar-se dominar por Joe. Muitas pessoas vivem hoje com o TOC sob controle, seja de medicação ou de terapia, mas nada se compara ao que a vítima passou no período em que ficou sob o domínio do criminoso, e, por isto, a exacerbação de sua doença ( isto é importante para identificar que, milhares de pessoas hoje convivem com este diagnóstico e isso não as tornam más pessoas ou passíveis de cometerem um crime ).


Gostei também de ver as menções iniciais de Reid sobre a mitologia do espantalho e a possibilidade levantada pelos agentes em se tratar de um crime de ódio, mediante a descoberta de vítimas negra e muçulmana. É bom quando eles vão levantando possibilidades que logo se provam erradas, pois se isso não acontece, fica, às vezes, parecendo que eles tiraram o perfil da lâmpada mágica. Comentários assim tornam o episódio mais crível, e a nós, telespectadores, mais crentes nas estórias apresentadas.

Enfim, mais um episódio excelente, abordando vítimas da síndrome de Estocolmo de uma forma interessante e inovadora. E finalmente os roteiristas lembraram-se de que profilers não apenas ajudam na caça aos criminosos, mas também durante o processo jurídico, ação esta que já havia sido abordada de forma semelhante em Tábula Rasa (3x19).

Destaque:

* Para o humor sarcástico de Rossi durante a explanação do caso, acerca de uma vítima ter sido encontrada em um campo, presa a um poste, simulando um espantalho:     “Dorothy, não estamos mais no Kansas!” (o caso passa-se em Nova York) em uma referência clara ao espantalho do Mágico de Oz. 

* Para a frase que define o tema do episódio, mencionada em seu início: “ Ninguém é vítima embora os dominadores façam você acreditar que o é. Do contrário, como dominariam?” – Bárbara Marciniak. Sei que eles se esmeram em encontrar sempre a frase mais adequada, muito próxima ao tema trabalhado, e sempre o fazem, mas esta coube perfeitamente no episódio!

Próximo episódio, direção de Matthew  G Gluber, apertem os cintos, deverá ser um episódio daqueles, como sempre são os episódios dirigidos por ele!

Até a próxima!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Review Criminal Minds 9x18: Rabid






 Os produtores e roteiristas de Criminal Minds sempre afirmam em entrevistas que seus roteiros recebem o aconselhamento técnico de Jim Clemente, hoje, roteirista, mas também agente aposentado do FBI, especializado em perfis ( há uma entrevista dele, muito interessante, aqui: http://criminalmindsroundtable.blogspot.com.br/2014/03/criminal-minds-season-9-jim-clementes.html ), e que são sempre de certa forma baseados em casos reais. O que me leva a sentir um medo imenso quando assisto determinados episódios. Rabid é um deles.
 
Não posso imaginar o efeito que causa em uma criança, assistir seu irmão definhando e sofrendo, até que seus pais resolvam cometer a contestada eutanásia, prática ( na maioria dos países considerada crime) que defende que um ser humano possa tirar a vida de outro ser humano por piedade, desde que este último esteja sofrendo em estado terminal. Junte-se a isso uma personalidade com traços de sadismo e psicopatia e surge um assassino cruel e desumano, que passa a tratar como entretenimento o sofrimento alheio. 


Talvez tenha sido um dos casos mais asquerosos de Criminal Minds nos últimos anos. O episódio se inicia com uma frase arrepiante de alguém dizendo ao fundo: “Vou comer você vivo!”. Depois de receberem o caso, que aponta para três vítimas, duas com marcas de mordidas humanas e fazerem várias considerações, nossos agentes chegam à conclusão de que tratam-se de mortes por contaminação de raiva, uma doença contagiosa, que leva o infectado a ter espasmos, convulsões, alucinações, desidratação, e, em seu estágio final uma concentração de saliva que leva o paciente a literalmente espumar pela boca. O perfil vai sendo desenvolvido à medida que surgem informações sobre as vítimas, suas autópsias, locais dos sequestros, entre outros dados. Eles também especificam que apenas vítimas vacinadas até vinte e quatro horas da contaminação conseguem ficar imunizadas. Blake faz uso dos seus conhecimentos linguísticos para esclarecer que a palavra raiva vem do sânscrito e significa excesso de violência.


O que torna o episódio genial é que eles não precisam mostrar um corpo estraçalhado e cheio de sangue para nos aterrorizar. O terror é meramente subjetivo e está na figura do unsub que filma e depois assiste suas vítimas implorando por suas vidas e se deteriorando a cada momento. Pode haver terror maior que este? 


Com várias informações fornecidas por Garcia, eles vão montando um quadro coerente com o comportamento do unsub e chegam ao seu nome: David Wade Cunningham, irmão mais velho de Hunter, que, após ser diagnosticado com raiva, foi levado para casa  e teve seu sofrimento poupado pelo ato da eutanásia, praticado pelos pais e assistido de perto por seu irmão. 


Em paralelo assistimos a fuga de outra vítima, uma mulher já em estado avançado da doença, e o pesadelo de acompanharmos ela circulando dentro de uma cafeteria e depois por um parque cheio de crianças. Neste sentido, este episódio foi muito mais valorizado pelas tomadas inteligentes e pela fotografia claustrofóbica mesmo em ambiente aberto ( poderia ser um parque imenso, mas ele se torna minúsculo diante da possibilidade de contaminação de diversas crianças que lá brincam ). Chega a dar pena o estado em que Liz Foley se encontra e Morgan, na tentativa de manter-se afastado da contaminação, atira em sua perna, apenas para imobiliza-la até a chegada de uma ambulância.


Enquanto isso, continuamos compadecidos por outra vítima, Russel Holmes, o estudante capturado no início do episódio, aquele que inteligentemente foi catapultado em um primeiro momento, ao status de unsub, quando segue a garota no ônibus. 


Não foi um grande episódio em termos de perfil, os procedimentos de busca foram totalmente comuns e não houve nada no roteiro que nos surpreendesse. No entanto, a carta na manga concentrou-se em apavorar por tabela quem assistia, privilegiando planos de destaque e closes, em uma fotografia cheia de sombras e uma edição de som de arrepiar. Foi mais um episódio visual do que de roteiro. As interpretações dos guests stars também foram destaque, em especial a da atriz que faz Liz Foley. Outro detalhe pouco lembrado, mas fundamental para o êxito do episódio foi a maquiagem das vítimas, competente e dolorosamente realista, que impressiona no visual e cumpre seu papel de nos incomodar. 


Depois que Garcia localiza o possível local onde o unsub estaria escondido com sua última vítima, o estudante Russel Homes, a equipe divide-se em duas e eles partem em busca da captura de David Cunningham. No mais provável dos clichês, Morgan e Reid caminham por corredores escuros, iluminados apenas pelas luzes dos faroletes que  carregam acoplados às suas armas e, fotografia e iluminação reforçam  o lugar comum de Morgan ser pego de surpresa pelo ataque do unsub e ganhar umas bordoadas e uns choques até que Reid, mesmo apanhando feio, consegue imobilizar o criminoso. Reid é o homem que consegue derrubar o sádico, porque ele estaria praticando mais exercícios ( falarei a respeito em seguida ).


Ao final, já no hospital, JJ, Morgan e Reid presenciam a tragédia e o êxito do mesmo caso: a família de Liz Foley recebendo de Rossi a notícia da morte eminente da esposa e mãe e Russel Holmes não sabendo como agradecer aos agentes por ter tido sua vida salva por eles. Dois lados da mesma moeda, frustração e satisfação vividos pelos agentes em seu dia a dia. 


Quanto às passagens do início e fim do episódio, em mais uma tentativa de agradar os fãs, com momentos de nossos agentes fora do trabalho, temos Garcia e Reid treinando corrida para um teste requisito para continuarem em seus empregos. Eu sei que estas cenas fora do ambiente de trabalho agradam, e muito, os fãs da série, que curtem os momentos divertidos, mas às vezes elas acabam me irritando, por idiotizar os personagens. Os agentes estão por baixo a nove anos no FBI, será que nunca tiveram que fazer o teste antes e se tiveram, será que nunca se informaram para depois descobrir que estes testes são mera formalidade? Sei lá, talvez eu esteja sendo chata, mas acho que estas cenas não precisariam estar em todos os episódios, gostava mais quando eram esporádicas, pois acabavam por serem mais naturais. Mas sei que minha opinião não reflete a maioria.


De qualquer forma, foi um ótimo episódio, para redimir o fraco “ The Persuasion” da semana anterior. E assim, já começamos a entrar na reta final desta temporada. O que será que nos espera na Season Finale? Alguém arrisca um palpite?


Até a próxima pessoal!!


quarta-feira, 26 de março de 2014

Review Criminal Minds 9x17 - The Persuasion





Nem sei bem por onde começar esta review. Provavelmente porque The Persuasion foi exibido logo depois de Gabby, ele me pareceu ainda mais fraco do que realmente pudesse ser. 

Com um enredo meio mirabolante para contar a estória de um sociopata que tem o ego para lá de inflado, se achando superior, e que, por não conseguir se destacar em nada por méritos, manipula sem tetos e pessoas menos favorecidas intelectualmente para que estas roubem e matem por e para ele. 

Logo de cara vemos Dr. Marvin Caul aliciando Finn Bailey, rapaz que aparece dentro de uma lanchonete em busca de emprego, mas que o experiente Marvin vê como possibilidade de alguém com jeito para atender suas expectativas. Finn na verdade veio em busca da irmã que foi para Las Vegas e deixou de dar notícias. Marvin conta ao rapaz que sua maior realização será quando fizer um show de ilusionismo no Rio de Janeiro, e que, por isto mora nos tuneis de alagamento da cidade, para economizar o máximo de dinheiro possível. Quando vai apresentar seu novo lar ao rapaz, descobrimos que, na realidade, um tal Doutor comanda o lugar, obrigando a todos os indigentes e outros moradores do túnel a pagar um imposto para continuarem ali ( uma parcela generosa de tudo o que conseguiram roubar ). Conhecemos também César, um subserviente faz tudo que responde diretamente ao Doutor. Simultaneamente, acompanhamos os cadáveres de duas mulheres encontradas afogadas no meio do deserto. 

Não sei dizer ao certo o que me incomodou no episódio. Mas algumas coisas foram estranhas, pelo menos para mim:

       - Marvin e Finn aparecem impecavelmente vestidos, Marvin de smoking, banho tomado, cabelos e unhas em ordem, em uma festa luxuosa. Quão limpo pode ser um túnel subterrâneo de controle de enchentes? 

      - Se as moças foram afogadas no túnel quando chovia, onde toda aquela gente se enfia com todas as suas coisas ( inclusive o smoking impecável de Marvin) durante os alagamentos?  

       - Era uma festa particular e luxuosa, eles se infiltraram tão fácil assim?   

       - O assassino mata duas jovens afogadas nos túneis e depois as leva para o deserto de que forma? Um carro, uma van, um táxi?

        - Seiscentos e sessenta e cinco quilômetros de túneis e só com a referência do celular jogado no lixo eles encontraram de bate pronto o local onde estava Cesar e companhia?

        - Marvin tinha conhecimento suficiente para saber, que ao contrário das pessoas influenciáveis que ele manipulava no túnel para roubar e matar para ele, Finn era um rapaz com personalidade bem diferente dos demais, logo, me pareceu ilógico que ele achasse que Finn fosse atirar em Sarah apenas porque ele disse que era o melhor a fazer. Mais provável neste caso seria Marvin ter matado os dois dentro do túnel. Além do mais, Finn havia conversado com a irmã, falado sobre Romeu, sobre um homem que havia lhe apresentado os túneis e fazia refeições no mesmo restaurante onde ambos se encontraram. Pareceu meio forçado Finn dizer todas aquelas coisas apenas no final. Seria melhor que ele não tivesse tido estas informações da irmã. Afinal, desde o começo ele se apresenta como alguém com relativa experiência e vivência, para não ter percebido antes que Marvin era este cara. 

 Quanto o aparecimento de Sarah, o próprio César endossa meu comentário: como diabos uma profissional tenta se infiltrar em um grupo de sem tetos, vestida daquele jeito, cabelo bem tratado, entre outras coisas que compunham seu visual? Para mim não colou. Desnecessário para mim, também foi a inclusão do código dos mendigos na depressão e os números pintados nos locais dos crimes. Excesso de informação que não acrescentou muito ao perfil.

 O episódio foi interessante na medida em que dissertou sobre o uso da neurolinguística, sobre o uso de truques de ilusão, mostrando um pouco de como funciona ( quebras de padrão) e acima de tudo como pessoas influenciáveis e facilmente sugestionáveis são alvo fácil deste tipo de trapaça, que é muito divertida no palco, mas que também faz muitas vítimas quando usadas para a malandragem e o crime.

As melhores cenas de The Persuasion foram  protagonizadas por Reid, primeiro com César, depois com  Marvin ao final do episódio, onde ele mostra que também sabe usar os mesmos truques que o mágico. Embora eles tenham mencionado a neurolinguística, fica claro o uso que Reid faz da natureza sugestionável de César para tirar dele todas as informações que precisava. Da mesma forma, nosso agente usa e abusa da exploração do ego inflado de Marvin para fazê-lo falar e assim, incriminar-se. E, claro, é ótimo vê-lo dizer ao mágico que nem havia nascido em 1977, época do show que havia mencionado. 

Por fim, devo dizer que, por pressão dos fãs, ávidos de saberem cada vez mais sobre a vida privada de nossos agentes, os roteiristas acabam se vendo meio pressionados a mostrar algo pessoal a cada episódio, e desta vez acho que pegaram meio pesado. Embora tenham sido cenas muito interessantes, principalmente quando Reid fala de saber agora como os pais se sentem quando os filhos crescem, não consigo imaginar uma pessoa no estágio de esquizofrenia em que ela já apareceu em outros episódios, onde ele mesmo diz em The Fisher King ( 2x01), que sua mãe só se alimentava porque outras pessoas a lembravam disto, fazendo passeios assim tão aventureiros, mesmo com supervisão.  E se ela tiver uma crise na beira do penhasco? No mínimo, ele como responsável pela mãe deveria ter sido comunicado pela clínica a respeito. Apesar da evolução da medicina e do momento gracinha em que Reid faz piada com Hotch em uma praia, para mim ficou meio incoerente.

É normal existirem situações em geral que deixam pequenos buracos na estória, e que, normalmente não prejudicam o andamento do episódio. No caso de The Persuasion, por algum motivo que não sei bem explicar porque, não funcionou. A culpa disto é nada menos que os próprios ótimos roteiros que vêm sendo exibidos nesta temporada e que nos deixam muito mal acostumados, esperando sempre o melhor.


Até o próximo episódio, pessoal!