Mostrando postagens com marcador Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Meu Filho: Boa Sorte E Obrigada Por Ser Você!

(Nossa última foto antes da sua viagem!)

No carnaval de 1989, quando você tinha pouco mais de um mês, eu te levei para a praia, quando a maioria das mães nesta situação ainda mantinham seus bebês enrolados em cueiros e fechados dentro de casa. Seus avós e tios tinham vindo passar o feriado em casa e eu recebi 6 pessoas dentro do nosso apartamento. Você passou de mão em mão, mamou no peito na beira do mar, não teve muito sossego e eu não me importei. Eu nunca fui uma mãe convencional e apesar de te amar incondicionalmente, nunca fui adepta a poupar, mimar, enfeitar, controlar ou cobrar demais (seu quarto é testemunha!). O pediatra falou que você só poderia tomar leite de cabra. Eu imaginei como seria triste sua vida sem bolos de chocolate e desobedeci o médico. O ortopedista disse que você teria que usar bota ortopédica e eu pensei em como seria passar o dia inteiro de bota em verões de 37 graus. Você foi criado descalço ou no máximo de chinelinho, pé na areia, pé na grama, pé no piso de casa.  Depois você foi crescendo e a gente foi te ensinando tanto que o dinheiro era difícil de ganhar que eu brincava dizendo que meu filho era o cara que atravessava a piscina com um Sonrisal intacto na mão fechada..  A cada decisão o pavor de estar errando, mas sempre imaginando que na vida a gente tem que ser como bambu: enverga às vezes até o chão, mas não quebra.


Passaram-se 30 anos daquele carnaval até este, que você vai encarar sozinho em Paragominas. Você passou por muita coisa e a vida até que foi generosa. Você comeu inúmeros brigadeiros sem ter tido grandes problemas até o organismo aceitar e você parar de ter refluxo e adora usar chinelos até hoje. Tem uma saúde de ferro, uma inteligência que eu admiro, excelente bom senso e uma determinação inigualável. Ah, tem também uma graduação em Ciência da Computação, uma Pós, um Mestrado, artigos, uma patente de softwere sendo aprovada, um projeto para jogo educacional com uma outra grande profissional em andamento, com financiamento federal, outro de livro com mais 2 profissionais… sei lá mais o quê.. às vezes fica difícil te acompanhar, ehehe…


Você sempre amou aprender. E ensinar. A mim, ao seu pai, à sua avó. Eu lembro quando você vinha do seu primeiro estágio e me contava como era ensinar adultos a usarem o computador lá no Sindalimentação de Vila Velha e como era interessante vê-los aprender. Depois foi dar aulas em Nazaré e você continuava entusiasmado. Não que você não tenha trabalhado em empresas na sua área e até foi feliz nelas, mas foi quando passou para ser professor substituto no IFES de Santa Teresa que vi seus olhos brilharem de verdade. Apesar de todas as adversidades do local, morar num lugar pouco adequado, abrir mão de tantas coisas, ficar longe da noiva, da família, do conforto, você tornou-se querido e respeitado pelos professores e pelos alunos, que mesmo sabendo que não havia a possibilidade de abrirem uma vaga efetiva, usavam a hastag #FicaBruno e te fizeram uma despedida emocionante.


E quando você no IFES aprendeu e realizou tantas coisas, quando seu contrato estava chegando ao fim, você já sabia o que queria: ser um professor efetivo de um Instituto Federal. Como para você nada foi fácil, mesmo trabalhando e sem tempo para se preparar, você encarou como possibilidade concorrer a uma vaga no interior do Pará. Eram 409 candidatos para uma, depois duas vagas, nenhum tempo para aprender com calma sobre legislação ou sobre matérias que você não tinha familiaridade. Entre dar e corrigir provas de alunos você passou a noite no aeroporto estudando para ir direto para fazer a sua prova. Depois passou para a segunda fase e deu a melhor aula da sua vida! Entre 409 candidatos, você ficou em segundo lugar! E, de novo, vai para longe, agora sem as fugidas de final de semana para vir para casa, sem ver sua noiva e seus pais, seus cães, a gata e os bons amigos por algum tempo. Vai de novo sem saber ao certo onde vai morar, como vai ser, mas vai feliz, com um enorme sorriso no rosto e sua frase preferida na cabeça: “quero deixar um legado, fazer mais, fazer a diferença!”.


Filho, as coisas não vão ser fáceis por um tempo, mas, como eu disse e repito, a gente é como bambu: enverga, mas não quebra. Tenho certeza que nesta sua nova fase todas as adversidades serão superadas como tudo o que você já superou em sua vida: com determinação, trabalho, respeito e acima de tudo o amor que temos por você e a certeza de que você pode contar conosco sempre, para qualquer coisa.


Sobre o que estou sentindo agora? Um orgulho que esgarça a pele e não cabe dentro de mim. Como diz a vovó, quando começa a falar de você: “abram as janelas porque vou falar do meu neto e o orgulho vai ter que sair por algum lugar”, kkkk. Orgulho do homem e do profissional que você se tornou, de saber que sua busca é além do emprego, é pelo trabalho, pela vontade de deixar sua marca nesta vida para ajudar, através do seu conhecimento, outras pessoas. Com certeza vou sentir falta de nossas longas conversas com um copo de cerveja ou suco na mão, que começavam com uma piada sobre Thanos ou Star Wars, passavam por The Good Place, Nietzsche, Isaac Asimov, I.A, jogos de computador e invariavelmente terminavam, já de madrugada, em política ou em como o ser humano faz coisas inacreditáveis, para o bem e para o mal. Mas, nunca tentamos falar de tudo isto pelo Skype, quem sabe dá certo, de vez em quando para matar a saudade?


Vai na fé, filho, seja feliz e faça o que você sabe como ninguém: ser o melhor no que faz! Eu e teu pai estaremos sempre com você! Cheios de orgulho! Cheios de amor! E ao seu lado! Boa sorte na nova carreira! Te amo! 

terça-feira, 13 de março de 2012

Novos Anos, Velhos Conceitos.......



Meus filho tem hoje 23 anos!

Às vezes, quando ele começa algum assunto na mesa do jantar, por volta das vinte e tres horas e alguma coisa, quando está de volta da faculdade, acho que ele vai falar sobre o Pokemón ou sobre algum dos Cavaleiros do Zodíaco, coisa que há bem pouco tempo atrás era moda. Eu conhecia todos os Cavaleiros do Zodíaco. Uma vez uma grande amiga ( Zélia, mãe do Victor ) fez uma roupa de cavaleiros do Zodíaco para nossos filhos. Era toda de lamê prateado e meu filho passava os dias sem querer tirar o diabo da roupa nem para tomar banho. Era uma verdadeira paixão. De minha parte, bastava respeitar seu gosto, já que meu passatempo preferido na época era curtir os et's de ocasião na minha série favorita da época, Arquivo X. Paciente, ouvia-o contar com entusiasmo sobre todas as aventuras de Saint Seiya e cia, sobre a saga dos Cavaleiros de bronze e suas incursões no mundo dos mangás e animes. Começava aí, pelo que me lembro, aquilo que se tornou seu fascínio pela cultura japonesa e o levou a buscar outras referências, que mais tarde se tornaram essenciais para que ele levasse tão à sério a prática do Kenjutso e a adoção de sua filosofia de vida.

Quando ele começa a falar, entre uma garfada e outra aguardo ansiosa para que ele me diga qual herói está na moda esta semana ou o que seus amiguinhos aprontaram na aula. Mas o que ouço dele são os comentários elogiosos de seu chefe sobre a implementação de um relátório novo para impostos vinculados à área de comércio exterior ou o quanto foi trabalhoso mudar a interface de um relatório para aquele cliente marrento resistente à novidades. Depois ele muda de assunto e diz que terá uma reunião do grupo de jogos no domingo pois eles conseguiram um patrocínio não sei bem de que empresa e precisam deixar o "jogo" redondo até terça feira. E, entre um assunto e outro ele comenta que a aula de inteligência artificial foi "massa" e que ele está avaliando a possibilidade de mudar o tema do seu TCC.

Enquanto eu tento descobrir em que momento da vida ele deixou de gostar de Shun, o cavaleiro prateado e passou a receber um salário para ser um competente programador ele repete a carne e torna a encher o copo com suco. Vai ter ensaio da banda amanhã, ele precisa comer rápido porque tem que tirar no baixo aquela música do Deep Purple antes de ir dormir suas poucas seis horas diárias de sono. E, entre tantas informações eu fico me perguntando onde eu estava enquanto o tempo passou. Não que eu tenha sido uma mãe distraída. Meu trabalho sempre me permitiu estar presente na vida dele mais do que a maioria das mães gostaria. Mesmo que eu tivesse que varar a noite fazendo lembrancinhas ou montando caixinhas de jujuba, sempre sobrava tempo para estar presente na reunião de pais e nas festas típicas da escola. Sempre pude colocá-lo perto de mim para fazer as lições, sempre estive por perto, ouvindo suas estórias ou contando para ele estórias antes dele dormir. Cortesia de se trabalhar por conta própria. Mesmo assim, o tempo passou mais rápido do que eu gostaria. Ainda que eu tenha curtido todas as cabaninhas feitas com lençol na sala do apartamento, a piscina montada na varanda, ainda que eu tenha acompanhado todas as notas das provas, ainda que eu tenha vibrado com a natação, o futebol, o judô, rido seus risos e chorado suas mágoas, ainda assim, passou depressa demais.

Por isto acho graça quando ouço alguma cliente minha dizer que não vê a hora de seu filho crescer. Às vezes perco tempo tentando dizer a ela que um dia ela vai morder a língua e sentir saudade dos tempos idos. Outras vezes apenas ouço. Algumas coisas a gente só aprende com a vida. Alguns aprendem mais rápido Outros, nem tanto. Não adianta dizer aos jovens que eles não devem ter pressa, nem às mães que seus filhos um dia vão crescer, que as coisas vão mudar e que elas vão sentir saudades. Apenas sinto pena daquelas mães mais preocupadas com as marcas dos tênis ou de jeans que podem comprar para seus filhos do que com aqueles ricos minutos em que eles vão te contar como foi emocionante colher pitanga no pé naquela árvore escondida atrás dos muros da escola ou como foi legal quando ele descobriu a tartaruga ou o hamster no viveiro do Primeiro Mundo.

De minha parte, embora o assunto na mesa agora seja o dos impostos vinculados às importações e os programas específicos para isto, eu ainda ouço, aqui e ali ecoar, vez por outra, os suspiros do meu filho pelo Cavaleiro do Zodíaco da semana. Estas lembranças não trazem a infância dele de volta, mas me dão a certeza de que estive ali, em todos os momentos importantes para que hoje ele tenha se tornado o cara incrível que ele se tornou.